Sexta-feira, 22 de Novembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1064
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FEITOS & DESFEITAS >

TV estatal ganha público ao satirizar tabus

15/09/2009 na edição 555

O canal estatal TV Palestina era considerado ‘chato’ e não tinha grande público, até encontrar a fórmula do sucesso com um programa irreverente de comédia que, ironicamente, faz graça com temas facilmente vistos como tabus. O programa satiriza políticos ineficientes, intimidações policiais e extremistas muçulmanos. Trata-se da primeira tentativa da TV de fazer sátira política, uma forma de arte rara no mundo árabe, onde imperam regimes autoritários.

Na opinião de Manal Awad, um dos três comediantes do programa, sua popularidade é um sinal de que o público está sedento por abertura. ‘Nosso grupo tenta quebrar as três linhas vermelhas da sociedade palestina – política, sexo e religião. Queremos mandar uma mensagem clara à audiência: precisamos falar sobre os fatos como são na realidade, e não evitá-los’, afirma.

Bastante material

Tragédias para humor negro não faltam na Palestina. Na Cisjordânia, palestinos vivem sob ocupação militar. Em Gaza, são confinados a uma pequena faixa de terra na fronteira entre Israel e Egito e vivem sob a liderança do Hamas, que controla o território desde 2007.

Em um quadro recente, um ator satirizou o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, na sétima convenção do partido Fatah 500 anos no futuro – a sexta convenção foi realizada em agosto, com duas décadas de atraso. Na sétima convenção encenada, o presidente é na realidade Abbas XII, uma brincadeira com a tendência dos líderes árabes de passar o cargo a herdeiros. ‘O presidente viu e riu’, conta Yasser Abed Rabbo, conselheiro de Abbas, apontado para o cargo de presidente da TV Palestina este ano e tido como responsável por permitir a sátira no canal. Executivos da emissora reconhecem que o quadro recebeu aprovação do presidente para ir ao ar.

Outros políticos palestinos também já foram retratados no programa. Em um dos quadros, um negociador palestino deu suas calças a funcionários israelenses, que, em troca, concordaram em retirar um posto militar israelense. Em outra encenação, um jovem tenta levar sua namorada a um canto quieto para conversar. Mas o casal acaba sendo detido em um dos postos militares palestinos administrados por diferentes braços das forças de segurança, incluindo policiais, bombeiros e paramilitares. O quadro ironizava as diversas instituições das forças de segurança criadas pela Autoridade Nacional Palestina na região, que geralmente ameaçam os residentes.

Não há nenhum órgão que meça a audiência da TV Palestina, mas a popularidade do programa é medida informalmente pelos comentários da população. Palestinos na Cisjordânia, na Faixa de Gaza e em Jerusalém afirmam que o assistem com suas famílias. Na opinião de Abed Rabbo, colocar este tipo de programa no ar sinaliza uma nova atitude. ‘Ele mostra o desenvolvimento da liberdade de expressão na Autoridade Palestina’, resume. Informações de Mohammed Daraghmeh [AP, 10/9/09].

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