Quarta-feira, 23 de Maio de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº988
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ENTRE ASPAS > QUARTA-FEIRA, 21/5

TVs reportam falsa queda de avião em SP

Por Leticia Nunes (seleção de textos) em 21/05/2008 na edição 486

Leia abaixo a seleção de quarta-feira para a seção Entre Aspas.


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Folha de S. Paulo


Quarta-feira, 21 de maio de 2008


ALARME FALSO
Daniel Castro


Em televisões, rádios, on-lines e até no Congresso, incêndio virou acidente aéreo


‘O incêndio na zona sul de São Paulo foi inicialmente noticiado como um acidente aéreo. A primeira emissora de TV a dar a ‘barriga’ (no jargão jornalístico, informação incorreta) foi a Globo News. A falsa notícia foi imediatamente reproduzida por outras TVs, rádios e sites -inclusive a Folha Online, que a atribuiu ao canal da Globo.


A ‘barriga’ rapidamente repercutiu no Congresso. O deputado Antonio Carlos Pannunzio (PSDB-SP) interrompeu a sessão da CPI dos Cartões, às 17h19, para dar ‘uma comunicação bastante grave e muito triste’ aos colegas e lamentar o ‘caos no tráfego aéreo’, em transmissão ao vivo por Record News e Band News.


A presidente da CPI, senadora Marisa Serrano (PSDB-MS) lamentou a ‘informação terrível’ e deu a palavra ao deputado Paulo Teixeira (PT-SP). Ele disse que torcia para que os danos tivessem sido ‘menores tanto para os que estavam no avião quanto para os que estavam nos prédios’.


A Globo News noticiou o falso acidente, com imagens aéreas da fumaça, às 17h17. Disse que um avião ATR da Pantanal Linhas Aéreas acabara de se chocar com um prédio em São Paulo. Desmentiu a história cinco minutos depois, às 17h22. A Band News deu a ‘notícia’ segundos depois. A Record News noticiou às 17h19.


TVs abertas


Das emissoras abertas, a Record foi a única, às 17h26, a dar a ‘barriga’. Globo e Band decidiram esperar pela checagem e só noticiaram o incêndio no depósito de colchões. No ar mais cedo, José Luís Datena (Band) se vangloriou do feito.


A Record News e a Record acusaram a Defesa Civil de ser a fonte. Pouco depois das 18h, a Record News colocou no ar, por telefone, o coordenador da Defesa Civil, Jair Pacca de Lima, confirmando que a primeira informação que o órgão recebera tinha sido a de acidente aéreo.


A falsa informação teria nascido quando um piloto da Pantanal, que pousava em Congonhas, avisara a torre sobre um incêndio na rota de pouso. A informação teria sido confundida com um acidente envolvendo um avião da companhia.


A Globo News não revelou a fonte. ‘A Globo News recebeu as informações incorretas de fontes até então confiáveis, mas não acha correto nomear fontes para se eximir de um tipo de erro que, embora condenável, pode acontecer em transmissões desse tipo’, justificou em nota.


O canal relativizou o erro por se tratar de ‘uma cobertura em tempo real’.


‘Tão logo captou as imagens, colocou-as no ar, atribuindo a um acidente, primeira informação chegada à Redação. Na seqüência, com a apuração em curso, deu a informação definitiva, esclarecendo que não se tratava de um acidente. Embora sejam normais informações desencontradas numa transmissão em tempo real, a Globo News está avaliando o seu procedimento no episódio’.’


 


MÍDIA NA JUSTIÇA
Folha de S. Paulo


Juiz condena fiel da Universal por má-fé no ES


‘O Juizado Especial Cível da comarca de Barra de São Francisco, no Espírito Santo, determinou a extinção de ação de indenização movida por Hotto Fernando Spagnol de Oliveira contra a Folha e a jornalista Elvira Lobato, autora da reportagem intitulada ‘Igreja Universal chega aos 30 anos com império empresarial’, publicada em 15 de dezembro último.


Com esta decisão, o jornal já obteve 34 sentenças favoráveis em 89 ações ajuizadas em nome de seguidores da igreja.


Oliveira, que alegou ter sido ofendido com a reportagem, foi condenado a pagar multa por litigância de má-fé (uso do Judiciário para fins ilícitos).’


 


TODA MÍDIA
Nelson de Sá


Caiu


‘‘Interrompemos a transmissão’, entrou o locutor da Globo News, ‘acaba de chegar a informação de que um avião da empresa aérea Pantanal caiu em cima de um prédio comercial’. Não era verdade, mas foi o que bastou para a Record News e portais como o UOL, em manchete, saírem dizendo a mesma coisa. Também agências, com Reuters e France Presse despachando ao mundo que, ‘segundo a rede local TV Globo, um avião se chocou com prédio’. Em meia hora, voltaram atrás, mas era tarde. Foi parar no britânico Sky News e na CNN, cortando sua transmissão para o mundo com ‘Breaking News’ sobre a queda do avião em São Paulo. A Globo News também se retratou e, minutos depois, entrou com imagens diante do incêndio, da rua, e a surpresa na locução: ‘É um imóvel baixo, uma casa’. A transmissão ao vivo só então foi suspensa.


JORNAIS EMERGENTES


Uma semana atrás, Folha e outros noticiaram que no primeiro trimestre o investimento publicitário em jornais cresceu 24% no país, fato que reproduz emergentes como Índia e China. Ontem o ‘New York Times’ confirmou que ‘Jornais estão em alta nos países em desenvolvimento’. ‘Enquanto a melancolia assombra a indústria nos EUA e na Europa, o negócio floresce em boa parte do mundo em desenvolvimento’, destaca, dando renda e alfabetização como razões do salto em publicidade e circulação. E não é só nos países emergentes, afirma o Media Shift, da PBS, sobre a Espanha -onde ‘a imprensa segue bem viva’.


MAIS COMPUTADOR


Ontem na home page da Bloomberg, o ‘Brasil compra mais PCs que TVs e anima HP, Dell’. É efeito da ‘crescente prosperidade’ -e já estaria sustentando os fabricantes, diante dos problemas nos EUA


NO MERCADO FUTURO


Na Folha Online, ‘Petróleo sustenta patamar de US$ 129 após cravar recorde’. No site do ‘Financial Times’, ‘Temor de petróleo em falta empurra o preço no mercado futuro para US$ 140’. Já no iG e ‘O Estado de S. Paulo’, ‘União Européia zera subsídio ao etanol’ produzido na própria Europa -sem ‘volta atrás’, no entanto, quanto à estratégia de usar o etanol como alternativa ao petróleo.


MANCHA DA CANA


Mas prossegue na Europa a campanha contra o etanol, agora especificamente aquele do Brasil. Na reportagem ‘Práticas mancham indústria de etanol do Brasil’, o ‘FT’ de hoje questiona as condições de trabalho nos canaviais.


DOHA DEMORA


O mesmo ‘FT’ deu ontem que ‘Aumenta a esperança nas negociações globais de comércio’. Não para o Brasil. Horas depois, num despacho da Reuters, o Itamaraty ‘diz que texto revisado da Rodada Doha requer mais trabalho’.’


 


AMAZÔNIA
Elio Gaspari


De PedroSegundo@edu para Lula@org.br


‘ESTIMADO PATRÍCIO,


Vosmecê não sabe como vivo bem. Leio os jornais do dia sem ter de esperar os navios que vêm da Europa. Sábado passado o correspondente do ‘New York Times’ escreveu um artigo sobre a Amazônia, perguntando-se quem é o dono da região. O jornalista definiu como ‘protecionismo territorial’ aquilo que nós, bem como os ianques, conhecemos como soberania nacional. Dias antes, uma folha londrina dissera que os brasileiros precisam entender que a Amazônia é algo muito importante para ser coisa só deles. Na mesma direção já se manifestaram em anos passados o presidente comunista francês François Mitterrand e o ex-vice-presidente americano Albert Gore. Durante o meu reinado já prosperava junto aos povos cultos a idéia de que o nosso vale amazônico é ocupado por gente ‘imbecil e indolente’. Isso dá gravidade ao tema. Não se trata apenas de achar que a Amazônia não é brasileira, mas que, por ser o que é, brasileira não pode ser.


Vossa maçada chama-se meio ambiente. A minha chamou-se ‘livre navegação’. Remanchei o quanto pude para evitar que embarcações estrangeiras subissem o Amazonas. À época sofremos enorme pressão internacional, sobretudo americana. Sei que por aí há uns grosseirões que ainda me chamam de ‘Pedro Banana’, um dissimulado sacerdote do atraso. Quero ser claro: ao lado das sinceras manifestações em defesa do meio ambiente há interessados em mutilar nossa soberania.


Conhecendo minha circunspecção e a maneira como pondero cada palavra, pois os monarcas não devem sair por aí dizendo tolices (os presidente podem), vosmecê avaliará minha preocupação. Quero trazer à memória do patrício uma encrenca do meu tempo.


Em 1850 o governo americano pediu-nos licença para que William Herndon, um oficial de sua Marinha, descesse o Amazonas com uma embarcação tripulada por umas dez pessoas. Falavam em ‘curiosidade científica’ na busca de ‘conhecimentos geográficos’. Havia na Secretaria dos Negócios Estrangeiros quem quisesse negar a permissão, mas acabamos concendendo-a, pois sempre fui um soldado da ciência. Outro dia o tenente Herndon me foi apresentado pelo general Vernon Walters. É um careca destemido e carrancudo. Na nossa conversa, voltou a reconhecer que estava atrás de outra coisa. O governo de Washington estudava a possibilidade de transferir a escravaria do Sul dos Estados Unidos para a Amazônia. Iam além: admitiam a possibilidade de instalar no nosso vale o próprio empreendimento escravocrata americano. Se hoje os americanos falam em ‘protecionismo territorial’, em 1852 o tenente Herndon falava em ‘trabalho compulsório’ para povoar o protetorado da Amazônia norte-americana.


Dissimule muito, esbraveje pouco, mas não ceda. O que eles querem é a nossa soberania. Em 1867, quando eu abri a navegação do Amazonas, os americanos não tinham mais escravos, pois a guerra civil acabara dois anos antes.


Despeço-me desejando-lhe êxito na sua experiência republicana e transmitindo-lhe os cumprimentos da imperatriz a Dona Letícia. Como o senhor sabe, ambas têm a cidadania italiana.


Pedro de Alcântara


Por favor, propague a encrenca do século 19. Sugira a reedição do livro ‘A liberdade de navegação do Amazonas’, de Fernando Saboia de Medeiros, publicado em 1938.’


 


TELES
Humberto Medina


Anatel decide mudanças no setor em audiência fechada


‘O conselho diretor da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) se reúne hoje e poderá analisar as mudanças na regulamentação do setor que permitirão a compra da Brasil Telecom pela Oi. Como tem acontecido desde a criação da agência, em 1997, a reunião será fechada ao público.


Na sexta passada, a Folha solicitou formalmente à agência acesso à reunião. Ontem a Anatel respondeu que o pedido não poderia ser aceito por haver necessidade de preservar dados sigilosos. Somente Aneel (agência de energia elétrica) e Cade (conselho de defesa econômica) abrem suas reuniões.


Para Fábio Osório, presidente do IIEDE (instituto de direito do Estado), é recomendável que as reuniões sejam abertas. ‘Quando há interesses coletivos e difusos em jogo, a reunião deve ser aberta.’ É a mesma posição do Ibrac (Instituto de Estudos da Concorrência) e do Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor).


O jurista Ives Gandra da Silva Martins diz que as agências têm obrigatoriedade constitucional de tornar públicas apenas suas decisões, não as reuniões.’


 


TV DIGITAL
Iuri Dantas


Para Miguel Jorge, fábrica de semicondutor era ‘blablablá’


‘A instalação de uma fábrica japonesa de semicondutores no país, que serviu de justificativa competitiva e política para o governo para a adoção do padrão japonês de TV digital, não passava de um ‘blablablá’, disse o ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge. ‘Nem chamaria de documento de intenções, não chegavam a ser um memorando de entendimento. Era uma coisa muito assim: ‘nos propomos a estudar’. Era mais blablablá’, afirmou o ministro, se referindo ao documento assinado com os japoneses no início da gestão Lula.


Segundo Jorge, o governo poderia ter avançado mais nas negociações, mas há quatro anos o país não tinha a economia em ordem. ‘Mas isso não quer dizer que não possamos avançar agora.’


Após as declarações, o Ministério das Comunicações emitiu nota informando que ‘o governo federal recebeu oficialmente um documento da Toshiba, por meio da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, reafirmando a intenção de montar uma fábrica de semicondutores’.’


 


DOCUMENTOS PÚBLICOS
Folha de S. Paulo


Abram-se os arquivos


‘NUMA PEÇA jurídica irretorquível, o procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza, pediu que o Supremo Tribunal Federal impugne as leis que regulam o sigilo de documentos públicos no país.


A ação direta de inconstitucionalidade movida por Souza visa a pôr um fim ao crime historiográfico cometido por duas figuras que em princípio se julgariam insuspeitas: os presidentes Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) e Luiz Inácio Lula da Silva.


No final de seu governo, FHC baixou um decreto que criava a figura do sigilo eterno para documentos de órgãos públicos classificados como ultra-secretos. Lula foi além: consagrou o absurdo numa medida provisória, depois convertida na lei nº 11.111.


Como aponta o procurador, os dispositivos que restringem o acesso público são inconstitucionais. No aspecto formal, tal matéria, por implicar direitos fundamentais da cidadania, não poderia ter sido objeto de uma MP.


No plano material, o Legislativo não poderia ter delegado ao Executivo a tarefa de definir quais documentos serão classificados nas várias categorias de sigilo. O direito à informação se exerce quase sempre contra atos discricionários do governo. Incumbir o Executivo da tarefa, sem controle do Legislativo, é um contra-senso.


Segredos de Estado são um mal necessário. Há casos em que certas informações, como planos militares de defesa ou tecnologias desenvolvidas por laboratórios oficiais, precisam ser mantidas em segredo. Mas tal sigilo deve ser reservado para situações excepcionais e, mesmo assim, por prazos determinados, nunca superiores a algumas décadas, e sob controle do Legislativo.


Deixar de observar essas regras configura violação de princípios basilares da República. Já que sucessivos governos parecem incapazes de segui-los, cabe ao Supremo resgatá-los.’


 


GOVERNO
Melchiades Filho


Boca livre


‘BRASÍLIA – O Ministério da Fazenda mudou. Antes, preocupava-se com tudo o que dizia, ciente do estrago que uma palavra mal-empregada poderia causar. Hoje, incontinente, não só é pródigo nos comentários como bate recordes de balões de ensaio -idéias que são atiradas ao vento sem que tenham recebido a devida aprovação técnica e/ou política da Presidência.


Não surpreende, portanto, a sucessão de episódios em que o Planalto sai a público para desautorizar sua equipe econômica.


Recapitulando, apenas no último mês, foram descartadas ou devolvidas à gaveta três medidas que tinham sido apontadas como certas pela Fazenda: a restrição ao financiamento dos carros, o aumento das alíquotas do Imposto de Renda e a recriação imediata da CPMF.


No caso do imposto do cheque, Lula deseja, sim, ressuscitá-lo (iria abrir mão de receita?). Mas sob uma condição, sabida desde janeiro: que o Congresso lance a iniciativa e banque o desgaste público. Por que ele, Lula, aceitaria abraçar a ‘maldade’ (ampliar a carga tributária) de um projeto (dar mais verbas para a Saúde) cujo dividendo político ficaria com o Legislativo?


Sobre a compulsão oral da Fazenda, ainda não há explicação definitiva. O jornalismo de hipóteses diria que ministro e assessores:


* são masoquistas e gostam de ser repreendidos pelo presidente;


* se animam com a disputa de bastidores com o Banco Central e tentam de todo modo ocupar espaço na imprensa e no debate público;


* vaidosos, não resistem ao assédio, falando o que lhes dá na telha;


* são gênios da tática e criaram um test-drive para idéias em gestação, a fim de checar sua viabilidade.


O motivo pouco importa, porém.


Interessa que, tantas as declarações e tantos os recuos, o mercado ficou calejado. A especulação deixou de se guiar pela Fazenda. Voluntária ou não, essa é uma contribuição da era Guido Mantega.’


 


ATENTADO
Adriano Ceolin


13 policiais serão interrogados sobre atentado a repórter


‘Por conta do atentado a tiros sofrido dia 15 pelo jornalista Edson Antonio Ferraz, 25, da TV Diário de Mogi das Cruzes, afiliada da Rede Globo, a Corregedoria da Polícia Civil interrogará hoje 13 policiais da cidade que, recentemente, foram alvo de reportagens dele.


Ontem, Ferraz, que agora é escoltado 24 horas por dia por policiais de um grupo de elite da polícia paulista, foi interrogado por mais de cinco horas na corregedoria e confirmou que, há alguns meses, denunciou policiais civis lotados na Delegacia Seccional de Mogi das Cruzes, dentre os quais os 13 que serão interrogados hoje.


Os 13 policiais foram acusados pela Promotoria de cobrar propinas de donos de prostíbulos, desmanches de carros e de donos de máquinas caça-níqueis. À época dos supostos crimes, entre 2002 e 2004, todos -dois deles delegados- eram do Garra (Grupo de Repressão a Roubos e Assaltos).


Os 13 foram transformados em réus no início deste mês. Segundo a denúncia do Ministério Público, o delegado Eduardo Peretti Guimarães, chefe do Garra, liderava o suposto esquema de corrupção. Peretti nega os crimes.


No segundo caso denunciado por Ferraz em reportagem e pela Promotoria à Justiça, dois policiais foram acusados de roubar uma rádio pirata; no terceiro, quatro outros policiais foram denunciados por exigir R$ 5.000 do dono de uma padaria.


Na noite de quinta-feira, Ferraz trafegava, sozinho, por uma avenida de Mogi quando a picape com logotipo da TV Diário foi fechada por um Voyage. Encapuzado, o motorista do Voyage deu dois tiros na direção do veículo, mas não atingiu Ferraz nem o carro.’


 


TELEVISÃO
Daniel Castro


Ministério reprova até bebida em novela


‘Em despacho publicado ontem no ‘Diário Oficial’, o Ministério da Justiça negou recurso da Globo contra a reclassificação indicativa da novela das sete da emissora, ‘Beleza Pura’, de livre para imprópria para menores de dez anos.


A Globo, que vem fazendo vários cortes na novela, argumentou que a produção tem ‘trama light, que aborda valores ligados à beleza e estética de forma bem-humorada’ e que trata todos os temas ‘em tom ameno, com leveza correspondente à classificação livre’.


O ministério reconheceu o ‘tom ameno’, mas manteve a reclassificação de imprópria para menores de 10 anos porque seu monitoramento detectou ‘conteúdos inadequados à classificação livre, que envolvem consumo de bebidas alcoólicas, linguagem depreciativa e agressão física’. A Globo vai recorrer novamente.


A classificação de 10 anos não é vinculada a horário. Portanto, não influi na grade da Globo. Mas, devido ao risco de reclassificação para 12 anos (o que obrigaria a novela a entrar no ar após 20h), tem trazido inúmeras restrições a ‘Beleza Pura’.


Nos últimos capítulos, seqüências em que Regiane Alves e Carolina Ferraz brigaram tiveram de ser amenizadas. Cena em que o personagem de Humberto Martins (Renato), meio bêbado, beijaria o de Mônica Martelli travestida de homem (Mateus), prevista para a semana que vem, deve ser vetada.


SENADOR Visto dentro da Globo como o mais político dos artistas, Luciano Huck promove jantar dia 29 para desejar sucesso a Manoel Martins, que está assumindo o comando da área artística da rede, e dar boas-vindas ao Rio a Ana Maria Braga.


IBOPE A audiência de ‘Ciranda de Pedra’ não anda lá aquelas coisas (anteontem, deu apenas 21 pontos, quatro a menos do que ‘Malhação’). Mas, quase todo dia, a autora da obra original, Lygia Fagundes Telles, liga para o autor da novela, Alcides Nogueira. Ela está adorando.


DECADÊNCIA O programa de Hebe Camargo (SBT) marcou 11,2 pontos de média em 2001. Desde então, só cai no Ibope. Neste ano, a média até agora é de 4,6.


NOVO CANAL 1 A TV Brasil solicitou à Anatel estudos para que possa ocupar um canal ‘mais baixo’ na Grande São Paulo. Dirigentes avaliam que a TV pública terá baixa audiência, porque seus canais, 68 e 69, são muito distantes dos abertos comerciais.


NOVO CANAL 2 O problema é que todos os canais da Grande São Paulo já estão ocupados ou comprometidos tecnicamente.


BARULHO A ESPN espera bater recorde mundial de audiência hoje à tarde (a partir das 15h30) com a transmissão de Manchester United x Chelsea, pela final da Copa dos Campeões. O jogo será exibido em 115 países e deverá ser sintonizado em 185 milhões de domicílios. A Record também transmite.’


 


Bruna Bittencourt


‘Manos e Minas’ destaca a periferia


‘Com formato de programa de auditório e tom engajado, ‘Manos e Minas’, uma das novas atrações da Cultura, quer levar a cultura jovem da periferia para a TV.


Apresentado pelo rapper Rappin’Hood, ‘Manos e Minas’ recebe, em sua terceira edição, o grupo de samba rock Clube do Balanço, que toca seus sucessos, entre quadros do programa -e é aí que a periferia dá as caras.


No quadro ‘Buzão’, o escritor Alessandro Buzo visita de ônibus um bairro da periferia, onde sugere um roteiro cultural. Nesta edição, o escritor vai à Cidade de Deus (RJ), onde conversa com o rapper MV Bill.


De volta a São Paulo, Rappin’ Hood visita um estúdio no Centro Cultural da Juventude (Vila Nova Cachoeirinha), onde músicos gravam seus discos gratuitamente -’Um estúdio dentro da quebrada’, resume. Já no centro da cidade, o programa passeia pelos salões de beleza de galerias de lojas para falar dos penteados afro e de sua ligação com o orgulho negro.


Por fim, ‘Manos e Minas’ chega ao Capão Redondo, para mostrar a recuperação de um jovem que trocou o tráfico de drogas pela literatura.


Em cada edição, o programa traz um grafiteiro e dançarinos convidados, além do DJ Primo, que ao lado de Hood (o MC), formam os quatro elementos da cultura hip hop.


MANOS E MINAS


Quando: hoje, às 19h30


Onde: Cultura’


 


LITERATURA
Folha de S. Paulo


Antonio Candido é eleito intelectual do ano


‘A UBE (União Brasileira de Escritores) escolheu o crítico literário Antonio Candido, 89, para receber o troféu Juca Pato de Intelectual do Ano de 2007.


Em comunicado oficial, a UBE justifica a decisão ao afirmar que Candido é considerado ‘uma das inteligências mais completas e influentes da cultura brasileira contemporânea’ e ‘autor de várias obras de análise, interpretação e avaliação crítica do principal acervo literário do Brasil e da herança européia’.


Em entrevista à Folha, Candido disse: ‘Para mim, o prêmio Juca Pato é uma honra, não apenas devido à sua importância, mas porque na sua base estão duas entidades que foram decisivas na minha vida literária: a Folha e a Associação Brasileira de Escritores, a ABDE, da qual a UBE é sucessora. A partir de 1943 eu me tornei realmente conhecido como crítico titular da Folha, e quando se fundou a ABDE, em 1944, fui segundo secretário na primeira diretoria da seção paulista, da qual fui presidente em 1949. Além disso, ao longo dos anos o Juca Pato vem sendo atribuído a intelectuais de grande qualidade. Estar ao lado deles é muito desvanecedor’.


O prêmio Juca Pato foi entregue pela primeira vez em 1963. Seu nome é uma homenagem ao personagem criado pelo cartunista Belmonte para a ‘Folha da Noite’, jornal que foi fundido com a ‘Folha da Tarde’ e com a ‘Folha da Manhã’ para dar origem à Folha de S.Paulo.


Livro mais recente


No ano passado, Candido relançou o livro ‘Um Funcionário da Monarquia – Ensaio Sobre o Segundo Escalão’ (editora Ouro sobre Azul, R$ 31, 196 págs.). Para a UBE, o crítico, por meio da história de Antônio Nicolau Tolentino (1810-1888), filho de lavradores que se tornou conselheiro do Tesouro no Brasil imperial, conseguiu ‘caracterizar o tipo social do alto funcionário que extravasou da burocracia, sem, todavia, integrar o alto escalão oficial’.


Nascido em 24 de julho de 1918 no Rio de Janeiro, Antonio Candido de Mello e Souza se formou em Ciências Sociais pela Faculdade de Filosofia da USP. Até 1978, foi professor titular de Teoria Literária e Literatura Comparada na mesma universidade.


É autor, entre outros, de ‘Formação da Literatura Brasileira: Momentos Decisivos’ (1959). O livro foi estopim para uma polêmica com o escritor Haroldo de Campos (1929-2003) em relação à importância do barroco na história da literatura brasileira. Em 1962, Campos lançou o livro ‘O Seqüestro do Barroco na Formação da Literatura Brasileira: o Caso Gregório de Matos’.


Candidato único, o crítico literário foi apontado por 50 associados à UBE, entre eles Lygia Fagundes Telles, Nelly Novaes Coelho, Sábato Magaldi, Claudio Willer e Edla van Steen. A data da cerimônia de entrega do troféu ainda não foi definida.


No ano passado, o vencedor do Juca Pato foi o embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, secretário-geral do Itamaraty, por conta do livro ‘Desafios Brasileiros na Era dos Gigantes’ (Contraponto Editora, R$ 55, 456 págs.).’


 


CENSURA
Folha de S. Paulo


Israel veta anúncio de ‘Sex and the City’


‘Anúncios do filme baseado na série ‘Sex and the City’ não poderão ser colocados nas ruas de Jerusalém e Petaj Tikva, próxima a Tel Aviv, porque têm a palavra ‘sexo’. A decisão é da empresa responsável pela publicidade do filme em Israel, em respeito à população ultra-ortodoxa das duas cidades.


Como garota-propaganda de um sabão, a estrela da série Sarah Jessica Parker também já foi censurada no país e teve o corpo coberto num anúncio.’


 


TV NO COMPUTADOR
Daniela Arrais


Fãs se articulam para ver séries no micro


‘Sexta-feira é um dia longo para os fãs do seriado ‘Lost’. Isso porque eles passam a noite de quinta esperando a exibição, nos Estados Unidos, do episódio mais recente da trama.


Assim que termina mais uma aventura de Jack, Kate e sua turma, fãs do seriado se desdobram para colocar o arquivo na internet -principalmente por meio de programas de torrent, que centralizam e direcionam as informações de milhares de microcomputadores.


Com base na cooperação, usuários se articulam em sites para fazer downloads e uploads de suas séries preferidas; outros ficam responsáveis pelas legendas -no Legendas.TV, por exemplo, apenas uma versão das legendas de ‘Lost’ chega a mais de 50 mil downloads.


Em sites como o www.mininova.org são disponibilizados os arquivos. Em três dias, o torrent mais popular com um episódio da série pode ultrapassar os 300 mil downloads.


‘A velocidade de informação é impressionante. O que vai ao ar hoje nos EUA, amanhã já está no meu computador com legenda em português do Brasil com qualidade que nenhuma emissora da TV paga tem’, diz Daniel Barcelos, que mantém o blog Série Maníacos (seriemaniacos.wordpress.com).


Para Ale Rocha, editor do Poltrona TV (poltrona.tv), o crescimento da audiência de séries de TV na internet se deve a uma deficiência dos canais pagos no Brasil. ‘Eles demoram muito para lançar uma série. Há casos de séries que já chegaram ao país em DVD, mas não foram exibidas ainda pela televisão’, afirma.


Outro problema que afasta o telespectador da TV são as legendas. ‘Tem muito erro de português, erro de sincronização. As legendas feitas por fãs são mais caprichadas.’


O aumento no número de domicílios com acesso à conexão banda larga também é apontado como fator que contribui para a prática. ‘Hoje, com velocidade de 2 Mbps, você consegue baixar um episódio em 40 minutos’, diz Rocha.


Para a estudante Gisele Ramos, que escreve no Blog na TV (www.blognatv.com), o principal motivo se deve à facilidade de assistir ao que quiser, quando quiser. ‘Posso montar minha programação. Como eu trabalho, estudo, tenho filhos e outros compromissos, não consigo me adaptar a um horário fixo para assistir aos meus programas favoritos.’


Irreversível


O interesse dos fãs pelos seriados é positivo, na opinião de Paulo Barata, diretor do Universal Channel (globosat.globo.com/universalchannel) -o canal pago exibe séries de sucesso, como ‘Heroes’ e ‘House’. ‘É muito bom que a gente lide com um produto que gera esse tipo de fidelidade, que esteja associado a um conteúdo pelo qual as pessoas façam esse esforço’, diz.


O canal mantém quatro blogs. ‘As mídias se complementam. O fato de as pessoas verem na internet antes ajuda na divulgação. Parte do esforço promocional acontece nesse momento do boca-a-boca digital.’’


 


***


Episódios têm desdobramentos na internet


‘‘Lost’ é um bom exemplo de como a televisão pode ser feita em colaboração com os internautas. A série, sobre os sobreviventes de um acidente aéreo, tem vários desdobramentos na internet.


Em fóruns, blogs, podcasts e games, os mistérios da trama são discutidos por internautas. A experiência de assistir ao seriado, portanto, é uma para quem o acompanha on-line, e outra para quem se contenta com uma hora de episódio.


‘Os produtores colocam dicas e histórias que fazem parte da história em jogos, como o Lost Experience e o Find 815, em que foram divulgados vídeos sobre a Iniciativa Dharma, por exemplo’, diz Daniel Melo, administrador do portal LostBrasil.com, que tem mais de 170 mil cadastrados.


Mas a articulação pode gerar problemas. A equipe do LostBrasil já foi ameaçada, na época em que fazia legenda para os episódios. ‘Tentamos convencer a distribuidora de que não tínhamos nenhum lucro em cima disso’, diz Melo.


Na segunda-feira, a coluna Mônica Bergamo, na Folha, informou que a Polícia Federal prepara uma blitz contra sites de legendagem. Já foram mapeados 19 sites, cujos donos podem responder pelo crime de produção de conteúdo pirata, pois os textos também são protegidos pelas leis de direitos autorais.’


 


***


Baixar séries não é crime, mas infração


‘Baixar conteúdo protegido por direito autoral não é crime, desde que a cópia única seja para uso privado, sem visar lucro, de acordo com especialistas ouvidos pela Folha.


Quem baixa episódios de séries para consumo próprio não comete crime, e sim infração da propriedade intelectual, de acordo com Túlio Viana, professor da PUC Minas e advogado especialista em crimes informáticos.


Ao infringir a propriedade intelectual, um usuário pode ser multado e ter o objeto em questão apreendido, como o computador. ‘Mas preso ele não pode ser de jeito nenhum’, afirma Viana.


Disseminar esse tipo de conteúdo em sites, fóruns ou programas, no entanto, pode ser configurado como crime. ‘O autor fica sujeito a pagar pelo número de downloads. Se não der pra identificar esse número, ele paga 3.000 vezes o valor do vídeo. E fica sujeito a pena que varia de dois a quatro anos’, diz o advogado especialista em direito digital Renato Opice Blum.’


 


***


‘Gossip Girl’ aponta caminho para a TV


‘Em ‘Gossip Girl’, uma fofoqueira anônima manda mensagens de texto comprometedoras para os celulares de uma turma bem-nascida de Nova York. A menina também mantém um blog, onde traições são escancaradas, e pileques, anunciados como se em outdoors.


A série tem sido apontada como um marco na convergência entre televisão e internet. É o primeiro caso de um produção que apresenta fraco desempenho quanda exibida no meio tradicional, mas alcança grande repercussão na rede.


Os espectadores assistem ao seriado na internet e começam o boca-a-boca, postando opiniões e fofocas sobre os atores e seus personagens em blogs e sites de fãs.


‘A combinação da premissa da série, da idade dos espectadores e da tecnologia disponível deu a ‘Gossip Girl’ uma vida on-line própria (…). Não é uma televisão com hora marcada, é uma conversa 24 horas’, disse a ‘New York Magazine’.


Até abril, a CW Television Network disponibilizava episódios por streaming (transmissão direta pela internet, como no YouTube).


Mas a presidente de entretenimento da empresa, Dawn Ostroff, tirou essa opção do ar. A ‘Wired’ classificou a decisão como a pior da carreira da executiva, por não chegar a uma conclusão de como lucrar com essa nova maneira de assistir à televisão.


Desde então, os episódios, que costumavam ficar em primeiro lugar entre os mais baixados no iTunes, chegaram a cair para o sétimo lugar.


Abertura


De olho em um público que faz malabarismos para assistir ao que quer, na hora que quer, o mercado norte-americano busca soluções para manter a audiência.


Desde o ano passado, grandes redes de televisão, como NBC, Fox, CBS e ABC -que têm em suas grades séries como ‘CSI’, ‘The Office’, ‘Lost’ e ‘Ugly Betty’-, oferecem programas para exibição gratuita no portal AOL, mas apenas para quem mora nos EUA.


O Hulu (www.hulu.com), que tem à frente a News Corp. (dona da Fox e do MySpace) e a NBC Universal, também reúne séries, vídeos e filmes -alguns em alta resolução- apenas para o público americano.


No Brasil, a TerraTV (terratv.terra.com.br) tenta suprir a lacuna e oferece episódios divididos em partes e com legendas de séries, como ‘Desperate Housewives’, ‘Alias’ e ‘Lost’.


Para Dan Manu, que edita o Television Without Pity (www.televisionwithoutpity.com), as emissoras têm que encontrar uma maneira de tornar a exibição de séries na internet tão lucrativa quanto na TV.


‘Dessa forma, não vai importar por que meio as pessoas vão assistir aos episódios’, afirmou à Folha. ‘No mundo digital, o que está disponível em um país em um dia vai estar disponível em qualquer lugar depois de algumas horas. Não adianta ir contra isso.’’


 


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MySpace faz séries on-line supercurtas


‘Em busca de um espectador que passa horas conectado, o MySpace desenvolve seriados exclusivamente para a internet, como ‘Beyond the Rave’ (br.myspace.com/beyondtherave), que passou a ser disponibilizado para o público brasileiro na semana passada.


No release enviado à imprensa, estava escrito: ‘Chega de procurar as séries em HD (alta definição), ter de buscar as legendas em português e ainda perder tempo sincronizando tudo’, o que mostra a preocupação do MySpace com o crescente número de usuários que baixam conteúdo para o computador.


‘A molecada é muito rápida. Abre quatro navegadores ao mesmo tempo, vê muitas coisas. Nós temos que pegar a atenção desse público’, afirma Haryston Oliveira, diretor de marketing do MySpace.


Para isso, a rede social estuda formatos diferenciados. ‘O cara fica ali um minuto, um minuto e meio. Então os episódios são curtos e veiculados duas, três vezes por semana’, diz.’


 


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Programa ‘Urbano’ leva internet para televisão paga


‘O programa de TV começa em um fórum na internet, em que usuários discutem idéias sobre os futuros temas.


Antes da transmissão, internautas de diversas partes do país são convidados a discutir o assunto escolhido via webcam, ao vivo.


Enquanto isso, no blog, são mostrados os bastidores da produção. Quando vai ao ar, o programa ‘Urbano’ leva a internet para a televisão.


Apresentado por Renata Simões, o programa (globosat.globo.com/multishow/tv/programas/urbano.asp) é transmitido às quintas-feiras, às 21h15, pelo canal pago Multishow.


‘A idéia é falar sobre esses dois mundos, o da televisão e o da internet, com foco na cultura urbana contemporânea’, diz a apresentadora.


Os temas do ‘Urbano’ variam de lendas urbanas à falta de tempo, passando, é claro, por temas ligados à internet, como conexões reais via redes sociais virtuais.


Apesar de ter a tecnologia como conceito e estrutura, o ‘Urbano’ esbarra em limitações. ‘Para uma pessoa participar ao vivo é preciso ter webcam, conexão mínima de 2 Mbps e tempo para gravar’, diz Renata. ‘Às vezes dá errado. Mas dá certo também, e as pessoas se empolgam. Tem até caso de gente que chegou a se encontrar depois do programa.’


Para a apresentadora, que tem blog, Flickr, Fotolog e Twitter, o futuro da televisão passa pela convergência com a internet.


‘É uma convergência de conteúdo. A internet não serve só para reproduzir o que a TV passa. Precisamos de um espectador que haja como um internauta ativo, que vai atrás de informação.’’


 


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Agências de publicidade valorizam mídia gerada por fãs


‘Ao baixar seriados pela internet, usuários causam mais de um problema para emissoras, produtoras e agências de publicidade, que precisam encontrar uma nova maneira de medir a audiência gerada por essa disseminação do conteúdo.


‘A mídia mudou. Antes ela significava canais de televisão, e hoje pode ser apenas um site popular’, segundo Simon van Wyk, analista de marketing digital da Hothouse Interactive. ‘É muito mais difícil medir de forma precisa a audiência de um programa porque o mercado está mais espalhado.’


Uma série pode ser vista na TV, no computador, discutida em blogs e fóruns. Para dar conta e rastrear tudo, o mercado publicitário se desdobra.


Para Jeff Paiva, gerente de mídias sociais da Agência Click, se a série gera espontaneamente comentários em blogs e fóruns e passa a ser objeto de discussão em mídias feitas por usuários, forma um canal importante a ser utilizado pelos produtores e patrocinadores. ‘Afinal, é um diálogo iniciado pela parte mais difícil de ser alcançada, que é o consumidor’, diz Paiva.’


 


 


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O Estado de S. Paulo


Quarta-feira, 21 de maio de 2008


ALARME FALSO
Marcelo Godoy, Camilla Rigi e Sérgio Durán


Incêndio em loja assusta São Paulo


‘Um incêndio numa loja de colchões em Moema, zona sul de São Paulo – que deixou duas pessoas feridas e atrapalhou o trânsito -, acabou ganhando outra dimensão na tarde de ontem. Pouco depois das 17 horas, as primeiras imagens transmitidas por emissoras de TV a cabo vinham acompanhadas de uma informação que reavivou as piores lembranças dos paulistanos: um avião teria se chocado contra um prédio.


‘Nós interrompemos a transmissão da CPI dos Cartões Corporativos para mostrarmos imagens ao vivo de São Paulo. Acaba de chegar a informação de que um avião da empresa aérea Pantanal caiu em cima de um prédio comercial na zona sul de São Paulo’, informou, às 17h17, a emissora de TV a cabo Globo News. Na seqüência, a BandNews (às 17h18) e a Record News (às 17h19) também relataram o caso da mesma forma. A Central Globo de Comunicação informou que ‘naquele momento, bombeiros e Infraero não tinham informações sobre o ocorrido’ .


A notícia assustou os paulistanos pouco mais de dez meses depois do maior acidente aéreo da história do País. A informação incorreta das TVs foi reproduzida em todos os principais sites jornalísticos do País. O portal Estadão.com.br, do Grupo Estado, chegou a colocá-la no ar, corrigindo-se em seguida.


TEMOR


A possibilidade de uma nova tragédia aérea fez a comitiva do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que estava na capital, ligar para a Aeronáutica, cobrando informações. Alertado por um assessor, o deputado federal Antonio Carlos Pannunzio (PSDB) chegou a informar os colegas sobre a queda do avião durante a sessão oficial da CPI dos Cartões Corporativos.


Só após desmentidos oficiais da Secretaria de Segurança Pública, do Serviço Regional de Proteção ao Vôo, da Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero), da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e da Pantanal, as emissoras começaram a registrar, corretamente, que se tratava de um incêndio. A Aeronáutica afirma não ter sido procurada de imediato para confirmar o acidente, apenas para explicá-lo – como se o ocorrido fosse verdade.


A Reuters e a AFP, duas das principais agências de notícias do mundo, enviaram alerta de urgência sobre a suposta queda de avião. Também com base em informações atribuídas à Globo, a Rádio Buenos Aires noticiou a tragédia. O pânico em São Paulo só não foi maior porque as emissoras abertas de TV esperaram a confirmação dos fatos para divulgar o incêndio.’


 


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TVs admitem o erro e dizem que corrigiram


‘A Central Globo de Comunicação (CGCom) informou que a Globo News, como um canal de notícias 24 horas, pôs no ar imagens do fogo assim que as captou. ‘Como é normal em canais de notícias, apurou as informações simultaneamente à transmissão das imagens.’ A CGCom se justificou, dizendo que ‘naquele momento, bombeiros e Infraero não tinham informações sobre o ocorrido’. Segundo a Globo, eram 17h17min22s, e o desmentido foi ao ar às 17h22min40s.


Os concorrentes da emissora dizem o contrário. Segundo eles, a Globo divulgou a informação às 17h16, pois a primeira emissora a dar a notícia foi a Globo News. A BandNews divulgou que a informação errada foi ao ar às 17h17 e assim ficou até as 17h23. No minuto seguinte, a emissora a retificou. Segundo a BandNews, a origem da notícia seria uma página da internet. A emissora disse que ‘corrigiu na hora’.


A Record News afirmou que divulgou a falsa queda do avião às 17h19, mas só mostrou imagens às 17h22 e, às 17h26, corrigiu a notícia.’


 


CAMPANHA
Bruno Tavares


TRE multa o 1º por propaganda antecipada


‘O ex-vereador paulistano Vicente Viscome foi multado pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de São Paulo em R$ 21.282 por propaganda eleitoral antecipada. Viscome teria distribuído um caderno de receitas culinárias com seu retrato na capa e dizeres como ‘Justiça seja feita em 2008’ e ‘Esse é trabalhador’. É a primeira multa por infração eleitoral aplicada na capital paulista neste ano.


Condenado em 1999 a 16 anos de prisão por envolvimento na chamada máfia dos fiscais, o ex-vereador ficou preso até 2003 em regime fechado. Depois passou outros dois anos em regime semi-aberto, quando conseguiu indulto temporário. Em abril do ano passado, por não ter cometido nenhum crime nos últimos dois anos, obteve indulto definitivo.


Em sua decisão, o juiz Claudio Luiz Bueno de Godoy, da 1.ª Zona Eleitoral, alegou que as mensagens usadas no material permitem ‘inferir, de modo induvidoso, o elo que se tencionou estabelecer com aquelas expressões, tudo voltado a captar a vontade do eleitor’. O material foi distribuído na região da Mooca, antigo reduto eleitoral de Viscome. A propaganda só é permitida a partir de 6 de julho.


Ontem, a defesa ingressou com recurso no TRE. O advogado Leonardo Pantaleão disse que é impossível falar em crime eleitoral, uma vez que seu cliente não é candidato. ‘A convenção partidária do PT do B, legenda a qual o Vicente é filiado, ainda não ocorreu’, argumentou.’


 


TV DIGITAL
Gerusa Marques


Acordo para fábrica de chips no País era ‘blablablá’, diz ministro


‘O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, reacendeu ontem a polêmica em torno da expectativa de empresas japonesas instalarem no Brasil uma fábrica de semicondutores (chips) como contrapartida à escolha do padrão japonês de TV digital. Pela manhã, após participar de um seminário, ele disse que o memorando de entendimento assinado entre os governos do Brasil e do Japão sobre o assunto ‘era mais blablablá’.


À tarde, o Ministério das Comunicações informou que o governo brasileiro recebeu ‘oficialmente’ um documento da empresa japonesa Toshiba ‘reafirmando a intenção de montar uma fábrica de semicondutores’ no Brasil. Esse documento, ainda segundo o ministério, foi entregue à ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, durante viagem ao Japão, no fim do mês passado.


Miguel Jorge afirma que o governo continua trabalhando para ter uma fábrica dessas, mas diz que as negociações não envolvem mais a TV digital. A implantação de uma indústria de semicondutores no País, com investimentos de empresas japonesas, foi apresentada pelo Brasil ao governo do Japão como principal exigência para a escolha do padrão japonês de TV digital. Mas até agora nenhum projeto foi levado adiante.


Para tratar do assunto, uma delegação brasileira foi em 2006 ao Japão, liderada pelos ministros das Comunicações, Hélio Costa, e das Relações Exteriores, Celso Amorim. Na oportunidade, foram assinados vários documentos, incluindo um compromisso de se discutir a instalação da fábrica.


‘Eu vi esse documento. Eu nem chamaria de documento de intenções. Pelo que eu li, ele não chegava nem a ser um memorando de entendimento’, disse Miguel Jorge, depois de participar do Fórum Executivo em Circuitos Integrados, seminário organizado pelo governo brasileiro para atrair investimentos na área de chips. ‘Era uma coisa, muito assim, de que estava disposto a estudar. Para ser muito franco, era mais blablablá. Acredito que era o que era possível negociar naquele momento’, acrescentou.


Segundo ele, a TV digital já é uma realidade no Brasil e não é possível mais exigir contrapartidas. ‘Se você tinha uma discussão de ‘trade off’ entre TV digital e outra coisa qualquer, independentemente do que fosse, isso já foi, já acabou’, insistiu. Jorge disse que o Ministério do Desenvolvimento vem realizando desde o ano passado um trabalho para atrair empresas de semicondutores. ‘Mas essas conversas são muito fechadas e nós não podemos adiantar nada’, afirmou.


Ele disse que, diferentemente de três anos atrás, quando se intensificaram as negociações para a escolha da TV digital, o País hoje tem um ambiente econômico mais favorável. ‘A economia mudou, temos mais estabilidade e crescimento econômico mais vigoroso’, disse. Esse cenário, na avaliação do ministro, é mais atrativo para um projeto como esse. Sem dar muitos detalhes, ele disse que as negociações envolvem empresas do Japão, dos Estados Unidos e de Taiwan.


O Ministério das Comunicações informou que as negociações do governo brasileiro para a construção da fábrica ‘estão evoluindo, inclusive com outros interessados’, mas não citou nomes. ‘O Brasil é hoje, indiscutivelmente, um dos destinos mais procurados do mundo para novos investimentos, ainda mais depois de receber o grau de investimento. O setor de telecomunicações certamente será um dos setores mais beneficiados’, disse a assessoria do Ministério das Comunicações.’


 


E-MAILS
Tutty Vasques


Amigo da onça


‘A cultura do grampo telefônico transformou a troca de e-mails na forma de comunicação mais segura entre comparsas, ainda que a cumplicidade em questão não passe de confidências indiscretas em papo de velhos amigos. Sem testemunhas online, fala-se mal do chefe, elogia-se as pernas da mulher dos outros, estranha-se a riqueza aparente de um colega de trabalho, todo mundo se dá direito a pequenas leviandades e grandes maledicências na certeza de que o assunto morre ali.


Sem entrar no mérito do conteúdo do arquivo que o tal José Aparecido enviou a um certo André Fernandes – pouco importa, também, se anexado à mensagem por molecagem ou mero engano -, o que não se pode desprezar no caso é o fato de tratar-se de uma conversa entre amigos, a ponto de um perguntar como vai a mãe do outro. E, no entanto, deu no que deu: virou bate-boca de CPI.


Pense nisso antes de apertar a tecla ‘enviar’ no próximo e-mail pessoal que escrever.’


 


CINEMA
Luiz Carlos Merten


Culto a ‘São Maradona’ em Cannes


‘Diego Armando Maradona havia jurado para suas filhas que nunca mais falaria (mal) de Pelé, mas, como ele diz: ‘É mais forte do que eu.’ Numa cena de Maradona By Kusturica, exibido ontem pela manhã para a imprensa aqui no 61º Festival de Cinema, depois de falar francamente sobre a sua dependência de cocaína, ele lamenta o fato somente porque poderia ter sido um jogador muito maior. Na coletiva, após a projeção, Maradona, de 47 anos, disse o que parecia uma bravata – se não fosse a cocaína, não haveria nenhum segundo maior jogador do mundo, nem Pelé. Maradona também bate forte em João Havelange, dizendo, em tom apocalíptico, que Deus é justo, porque nos 20 anos em que o dirigente a quem chama de ‘mafioso’ dirigiu a Fifa, o Brasil nunca foi campeão mundial. Mas Maradona também presta tributo a Ronaldinho Gaúcho – pede que os barcelonenses parem de criticar o jogador e que o clube o mantenha no time, porque senão ele vai para o Milan e o Barcelona vai se arrepender amargamente.


Maradona By (por) Kusturica não é, nem de longe, um documentário tradicional. Não poderia ser. São duas personalidades grandes demais para caber dentro daquilo que se chama de ‘normalidade’. Logo na abertura, o próprio diretor sérvio Emir Kusturica empunha a guitarra durante um show de sua banda em Buenos Aires. O teatro quase vem abaixo quando o apresentador anuncia ‘o Diego Armando Maradona do cinema’. E o que dizer do jogador? Maradona costuma ser comparado a… Deus. Um jornalista português, torcedor do Benfica, disse que agora estava convencido da existência de Deus porque acabara de vê-lo (e estava falando com ele). Em Buenos Aires, há um culto tão grande que inclui uma igreja – maradonense -, na qual os devotos de São Maradona se batizam e casam e as crianças rezam ‘a maradona que estás en el cielo’.


Ninguém é louco de cobrar objetividade a duas figuras ‘maiores do que a vida’ como estas. Ou você entra no clima de celebração dionisíaca de Maradona By Kusturica ou vai terminar achando que aqueles 90 minutos de cinema são, simplesmente, o caos. A idéia do caos, por sinal , é recorrente no discurso do diretor, que cita Dionísio justamente porque ele introduz uma ordem – dos sentidos, dos prazeres – na desordem do mundo. Ambos se descobriram almas gêmeas. E usam o cinema para fazer o que não deixa de ser um manifesto político. Maradona ataca George W. Bush, Margaret Thatcher, o príncipe Charles e Ronald Reagan por meio de animações nas quais os poderosos do mundo terminam invariavelmente driblados para que o astro do futebol possa fazer seus golaços. Kusturica confirma que Maradona e ele estão dando voz aos que não podem manifestá-la, estão dizendo o que é voz comum, O jogador diz que recebeu dois convites para homenagens – um dos EUA e outro, de Cuba. ‘Aos EUA, não vou. Prefiro Fidel (Castro).’ Para prová-lo, ele exibe seu corpo cheio de tatuagens – uma com a cara de Fidel, na perna, outra, do Che, no braço, e ainda a inscrição ‘Argentina’. O culto pode parecer excessivo e até discutível – Maradona é mesmo o maior do mundo? Kusturica não tem dúvida. O único outro jogador que lhe interessa é Zidane. Nem ele nem Maradona têm muito respeito pelas escolhas do homem Édson Arantes do Nascimento, mesmo que Pelé tenha sido aclamado como o atleta do século. Pela quantidade de aplausos no Grand Théâtre Lumière e na coletiva, o público de Cannes também não.


Kusturica divide a história do futebol em antes e depois do gol de Maradona contra a Inglaterra – repetido várias vezes durante o filme -, com o qual o jogador massacrou os ingleses e devolveu, no seu território, o gramado, todo o horror ocorrido nas Malvinas. Bush é o grande vilão de Maradona. Não apenas Fidel e o Che, mas também Hugo Chávez e Ivo Morales são seus ídolos, motivos mais do que suficientes para, ao debate futebolístico, se some o ideológico para desacreditar a ambos, Maradona e Kusturica. Na verdade, como Flaubert em relação a M. Bovary, Kusturica também assume que Maradona é ele. Senão ele, realmente, algum de seus personagens. Diversas cenas traçam paralelos entre a vida de Maradona – que Kusturica define como ‘Sex Pistols do futebol’ – e os personagens de Onde Andará Dolly Bell?, O Ano em Que Papai Viajou a Negócios e Gato Branco Gato Negro. Kusturica cita este último para dizer que o maior inimigo de Maradona foi sempre ele mesmo, mas, felizmente, sobreviveu para contar sua história.’


 


TELEVISÃO
Keila Jimenez


Mutantes no cinema


‘Cansou de ver a mistura de tigre com homem, minhoca com leão na novela Record? Pois então prepare sua paciência porque a continuação de Caminhos do Coração, a novela Os Mutantes, como o próprio nome diz, deve bater o recorde de seres bizarros (e troca de atores) no ar e pode ir parar no cinema.


Veja bem, Caminhos do Coração deixará a telinha com a passagem de 33 mutantes – pelas contas do autor – pela trama. Além dos heróis e vilões com superpoderes da novela anterior, Os Mutantes deve estrear com, no mínimo mais 12 criaturas do gênero.


‘Metade dos personagens continuará a ser humana, a outra metade será mutante. E o rodízio de atores também continuará’, adianta o autor Tiago Santiago sobre Os Mutantes, que estréia no dia 2 na Record. ‘Contaremos com 46 estrelas que já vêm de Caminhos e teremos mais 26 atores.’


O autor parece não ligar para as brincadeiras sobre o excesso de mutantes na trama, e não descarta a possibilidade de levá-los também para a telona. ‘Os mutantes não atingem só jovens e crianças, mas também o público adulto, que na verdade é maioria’, diz Santiago.’


 


 


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