Sábado, 17 de Novembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1013
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01/07/2008 na edição 492

FLIP
Último Segundo

Flip começa nesta quarta-feira em Paraty com transmissão simultânea pela Internet, 30/6

‘A 6ª edição da Festa Literária Internacional de Paraty, a Flip, começa nesta quarta-feira (02) no litoral fluminense e, mesmo sem as atrações de peso que marcaram anos anteriores, deve provocar uma verdadeira corrida de turistas à cidade histórica, já que, como de costume, hotéis e pousadas estão com reservas esgotadas há semanas. Além dos debates entre os convidados, as ruas do centro vão oferecer diversas atividades até o próximo domingo para escritores, estudantes, crianças, curiosos e moradores, no evento que ocupa hoje lugar de destaque no calendário cultural do país. O iG fará uma cobertura em tempo real da Flip, mostrando as novidades do dia-a-dia em Paraty.

A novidade para este ano é a transmissão ao vivo das conferências da programação oficial pela Internet. É a primeira vez que a festa oferece o serviço, dando mais uma opção para quem não conseguiu lugar na Tenda de Debates, espaço principal do evento – os ingressos esgotaram dois dias depois de serem colocados à venda, assim como o show de abertura com Luiz Melodia. Ainda há entradas, no entanto, para a Tenda do Telão, local onde os visitantes podem assistir à projeção simultânea do colóquio entre os participantes.

Sem estrelas, a programação deste ano está sendo considerada pela organização como a mais bem articulada do ponto de vista intelectual, levando em conta a montagem dos participantes das mesas. A atração unânime é o dramaturgo britânico Tom Stoppard, um dos mais importantes nomes do teatro em atividade no mundo, que ocupa aquele que é considerado o horário mais nobre da Flip, a noite de sábado. Autor da peça ‘Rosencrantz e Guildensterm Estão Mortos’ e ganhador do Oscar pelo roteiro de ‘Shakespeare Apaixonado’, Stoppard terá como mediador Luis Fernando Veríssimo, admirador confesso de sua obra.

Colunista do Último Segundo e veterano freqüentador da Flip, o jornalista e escritor Sérgio Rodrigues afirma que costuma ir sem expectativas para Paraty, justamente porque as mesas são, em geral, imprevisíveis: as mais esperadas podem se mostrar decepcionantes e outras, subestimadas, revelam-se agradáveis surpresas. ‘O escritor não possui, ao contrário dos músicos, um número ensaiado. Pode ter uma presença ruim no palco, embora tenha um ótimo texto. São muitas variáveis’, explica.

Segundo ele, a programação de 2008, apesar de coerente e com ótimos nomes, é menos impactante e espetacular do que de edições anteriores, o que talvez sirva para quebrar a curva ascendente de público dos últimos anos, que tem variado entre 15 e 20 mil pessoas. A transformação da Flip em fenômeno pop é vista pelo jornalista como positiva, já que a participação popular é também favorável à própria literatura. ‘A literatura brasileira sempre foi vista como careta, conservadora. Por isso, a Flip mostra que a literatura tem tudo para ser pop também.’

Machado de Assis e interdisciplinaridade

Entre os destaques das mesas, Rodrigues aponta a conferência de abertura. Às 19h de quarta-feira, Roberto Schwarz inaugura o evento e também dá início às comemorações do centenário da morte de Machado de Assis, homenageado nesta edição da festa. Considerado um dos mais destacados intérpretes da obra machadiana, Schwarz se baseia em um texto inédito para falar sobre o preconceito social em ‘Dom Casmurro’.

Outro ponto alto deve ser o debate entre Neil Gaiman, romancista e autor da série de quadrinhos ‘Sandman’, e de Richard Price, conhecido pelo gênero policial, mas que, assim como Gaiman, conseguiu subverter os moldes do gênero. O mesmo princípio – convidados de áreas diferentes que dividem a mesa – marca a conversa entre o escritor gaúcho João Gilberto Noll e a cineasta argentina Lucrecia Martel, intitulada ‘Ficções’. Martel, inclusive, será, ao lado de Karim Aïnouz (‘O Céu de Suely’, ‘Madame Satã’), responsável pelo lado educativo da Flip, ao ministrar a tradicional oficina literária, que, esse ano, aborda o roteiro cinematográfico.

Pela primeira vez a festa terá a presença de autores da Itália e Alemanha, que é o caso, respectivamente, de Alessandro Baricco, considerado um dos grandes nomes de sua geração, e Ingo Schulze, alemão com maior evidência e repercussão na Europa atualmente. Outros participantes celebrados são holandês Cees Nooteboom, cotado várias vezes para o prêmio Nobel, e o colombiano Fernando Vallejo, destaque da literatura latino-americana.

Programação paralela

Além dos debates da programação oficial, a organização do evento também promove a paralela Flip Etc, neste ano em sua maioria dedicada a Machado de Assis. Está agendada a exibição de filmes baseados na obra do escritor, espetáculos de teatro e outras peculiaridades machadianas. Também estará em cartaz a exposição ‘O Rio de Janeiro de Machado de Assis’, com fotografias de Marc Ferrez e outros, retiradas do acervo do Instituto Moreira Salles.

As crianças, por sua vez, são atendidas pela Flipinha, que traz programas específicos e dá espaço para trabalhos produzidos pelos jovens de Paraty. Entre as atividades previstas, estão peças, apresentações de música, dança e encontros com grandes nomes da literatura infantil e juvenil.

Mais abrangente, porém, é a Off Flip – Circuito Paralelo de Idéias, que, sem apoio direto dos organizadores da Flip, tem crescido cada vez mais nos últimos anos e apresenta uma programação intensa e diversificada, abrindo espaço para a cena cultural local. Há desde debates sobre o modo de vida caiçara a shows de ritmos brasileiros, além de uma curiosa reconstituição do vôo do Demoiselle, um dos primeiros modelos aeronáuticos construídos por Santos Dumont. A iniciativa deu origem até ao Prêmio Off Flip, que, em sua terceira edição, premia contos e poemas enviados por concorrentes de todo o país.

Confira a programação principal da 6ª Festa Literária Internacional de Paraty:

Quarta-feira (02/07)

19h: ‘A poesia envenenada de Dom Casmurro’, com Roberto Schwarz

21h30: show de abertura, Luiz Melodia

Quinta-feira (03/07)

10h: ‘Primeiro tempo’, com Adriana Lunardi, Emilio Fraia, Michel Laub, Vanessa Barbara

11h45: ‘O espelho’, com Elisabeth Roudinesco

15h: ‘Retrato em branco e preto’, com Carlos Lyra, Lorenzo Mammì

17h: ‘Conversa de botequim’, com Humberto Werneck, Xico Sá

19h: ‘Sexo, mentiras e videotape’, com Cíntia Moscovich, Inês Pedrosa, Zoë Heller

Sexta-feira (04/07)

10h: ‘Formas breves’, com Ingo Schulze, Modesto Carone, Rodrigo Naves

11h45: ‘Ficções’, com João Gilberto Noll, Lucrecia Martel

15h: ‘Os fuzis’, com Caco Barcellos, Misha Glenny

17h: ‘Estética do frio’, com Martín Kohan, Nathan Englander, Vitor Ramil

19h: ‘Veludo cotelê’, com David Sedaris

Sábado (05/07)

10h: ‘Guerra e paz’, com Chimamanda Adichie, Pepetela

11h45: ‘A mão e a luva’, com Neil Gaiman, Richard Price

15h: ‘Fábulas italianas’, com Alessandro Baricco, Contardo Calligaris

17h: ‘Paraíso perdido’, com Cees Nooteboom, Fernando Vallejo

19h: ‘Shakespeare, utopia e rock’n’roll’, com Tom Stoppard

Domingo (06/07)

10h: ‘Os livros que não lemos’, com Marcelo Coelho, Pierre Bayard

11h45: ‘Folha seca’, com José Miguel Wisnik, Roberto Damatta

15h: ‘Papéis avulsos’, com Ana Maria Machado, Luiz Fernando Carvalho, Sergio Paulo Rouanet

17h: Convidados da Flip 2008 lêem trechos de seus livros prediletos’

 

 

TELONA
Ricardo Calil

Crise econômica é boa para o cinema, 29/6

‘O cinema sempre foi a válvule de escape preferencial para tempos sombrios nos Estados Unidos, desde a época da Grande Depressão até os dias de hoje. Em meio a uma das maiores crises econômicas da história do país, o cinema americano vem batendo recordes de bilheteria em sua temporada de verão, com uma arrecadação 4% superior ao do mesmo período do ano passado – puxado por fenômenos como ‘Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal’, ‘Homem de Ferro’ e outros.

Os novos sucessos dessa lista são ‘Wall-E’ e ‘Wanted’, que estrearam neste final de semana com bilheterias de respectivamente US$ 62,5 milhões e US$ 51,1 milhões, bem acima do esperado. Com o dólar em baixa, os americanos estão viajando menos e indo mais ao cinema – uma forma de escapismo mais barata e menos distante.

Invertendo a tese, a culpa das bilheterias fracas no Brasil deve ser do real forte…’

 

 

 

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