Domingo, 24 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

FEITOS & DESFEITAS > OBSERVAÇÃO DO LEITOR

Uma crise escondida

Por Valter Zucchini em 25/09/2007 na edição 452

No domingo (16/9) passei por uma experiência digna do apagão aéreo. A Gol cancelou um vôo por suposto problema técnico e eu cheguei em casa mais de doze horas depois do horário contratado. Hoje já está evidente que as empresas de aviação têm uma grande parcela de culpa no chamado caos aéreo. Mas, depois que o governo cumpriu sua parte, a mídia desapareceu. Simplesmente não tem interesse algum em documentar a incompetência das empresas aéreas. Muito menos investigar as causas que levaram os passageiros a ficar na mão de apenas duas empresas, que não apenas os desrespeitam, mas são responsáveis também pela queda na qualidade do serviço prestado nos últimos anos.


Para a grande mídia, o que interessa é apenas encontrar bodes expiatórios na sua cruzada contra o governo federal. O nome do momento é Renan Calheiros, assim como no passado foi a ‘crise aérea’. Qual será o próximo?


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O jornalista Paulo Henrique Amorim resolveu inaugurar uma linha de jornalismo sensacionalista de defesa do atual governo misturando um pouco do Barão de Itararé, do brizolismo, da Hora do Povo e, como primeira medida, suspendendo os comentários em seu Conversa Afiada – exatamente o contraditório – sob o argumento de que estavam muito extremadas. O jornalismo convive inclusive com extremos. O jornalista parece que pratica o jornalismo que lhe convém. O resultado é que não consegue produzir nem o Barão, nem o brizolismo, nem a Hora do Povo, ficando mesmo numa vulgar troca de palavras na defesa do governo populista e acusação contra suposta mídia golpista que ele conspirativamente antevê. Maneja estudos duvidosos do professor Wanderley Guilherme dos Santos – em que partido político se transformou a mídia, que evidência empírica? O que ela faz é exigir regime de mérito no uso dos recursos públicos, atendendo profissionalização dos investimentos. Habermas já dizia que quando a generalização burguesa se desenvolvesse, a sociedade se libertaria da ordem burguesa. Simples assim. Menos para Amorim. (Roque Callage Neto, cientista social e jornalista, Porto Alegre, RS)


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Estou ainda sem compreender o porquê da equipe do OI ter ficado ‘omissa’ a tema de relevância ocorrido no Brasil, praticamente em todos os estados, na Semana da Pátria, e que não recebeu nenhuma menção dos meios de comunicação social. Até o Observatório pecou. Por ser um espaço democrático e aberto para debates, deveria, a meu entender, ter dado ênfase à questão do ‘plebiscito nacional sobre anulação do leilão da CVRD’. O Observatório ainda está devendo uma resposta a milhões de brasileiros/as que acompanham semanalmende abordagem de temas e gostaria que este do plebiscito fosse contemplado. (Afonso Cláudio Damasceno, auxiliar administrativo, Itabira, MG)


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A ‘grande’ imprensa realmente não tem mais limites para o seu patrulhamento e caça às bruxas a tudo que não esteja dentro de suas teses expostas em editoriais. A investida de Ali Kamel criticando o livro de história adotado nas escolas realmente é surpreendente, para não dizer vergonhoso. Que saudades do Boni e do Armando Nogueira na Globo! Daqui a pouco vão querer que os pais não tenham nem livros marxistas na sua biblioteca!


Reproduzo abaixo de um artigo para ver se merece algum comentário. O artigo inteiro está no site Vermelho: ‘O livro didático que a Globo quer proibir. O professor de História Mario Schmidt responde à altura, diante da campanha de difamação contra o seu livro didático capitaneada pelo diretor executivo do jornalismo da Rede Globo, Ali Kamel. `Em primeiro lugar exigimos respeito. Nós jamais acusaríamos o sr. Kamel de ser racista apenas porque tentou argumentar racionalmente contra o sistema de cotas nas universidades brasileiras.´ Veja a resposta na íntegra. O livro de história que Kamel difamou. A respeito do artigo do jornalista Ali Kamel no jornal O Globo de 18 de setembro de 2007 sobre o volume de 8ª série da obra Nova História Crítica, de Mario Schmidt, o autor e a Editora Nova Geração comentam: `Nova História Crítica da Editora Nova Geração não é…´ (Márcio Lima Nascimento, professor universitário, São Paulo, SP)


Nota do OI: Ver aqui a íntegra dos artigos.


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Gostaria de denuncia atitude do Governo de Roraima em proibir o acesso a informação. Maiores detalhes aqui, ou leia a matéria na íntegra aqui. ‘Ottomar censura servidores à informação’, Edersen Lima, editor. Há três meses, por orientação do procurador do estado, João Félix, todas as repartições do governo Ottomar Pinto, incluindo aí a Defensoria Pública e a Univirr, estão com acessos proibidos ao Fontebrasil. O site não é uma página de relacionamentos ou entretenimento na internet, como o YouTube ou Orkut, que justificaria sua proibição. O Fonte é site de notícias. A Constituição brasileira é clara quando afirma que é um direito do cidadão comum e do servidor público o acesso à informação. Como também é claro na CF que a censura descabida é ilegal. João Félix ao propor a censura ao Fontebrasil assume, além dessas contrariedades à Constituição que o governo Ottomar Pinto teme as notícias e opiniões publicadas pelo site, e enxerga na censura, na proibição ao acesso ao Fontebrasil, a alternativa para não explicar ou justificar as críticas às ações do governo. João Félix prefere a fuga a encarar notícias.’ (Daniella Assunção Vieira, jornalista, Boa Vista, RR)


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A pergunta da urna eletrônica sobre a legalidade do apagão na votação sobre o senador Renan Calheiros gera, na minha opinião, uma dúvida no leitor que pode acabar errando o voto. Considero que todo aquele aparato para esconder do povo o voto de cada senador tenha sido legal, do contrário os órgãos de imprensa denunciariam. Mas eu acho que deveria ser aberto para que todos soubessem o voto de cada um e pudesse exigir explicações aos parlamentares de seus estados. (Carlos Ribeiro, aposentado, São Luis, MA)


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Transcrevo: ‘Em reunião realizada hoje, 19 de setembro, o empresário de comunicação Sílvio Linhares se comprometeu a não mais publicar na capa do jornal Na Polícia e nas Ruas fotos consideradas aviltantes e a encaminhar, semanalmente, exemplares do jornal ao Ministério Público para avaliação. O compromisso do empresário se refere à primeira e à última páginas, expostas nas bancas e pontos de venda. O empresário foi notificado depois que a Procuradoria Distrital dos Direitos do Cidadão recebeu reclamações de cidadãos perplexos com as imagens chocantes de cadáveres na capa do jornal. Familiares de vítimas de homícidio expostas no jornal também procuraram o Ministério Público, assim como a Comissão de Direitos Humanos da Câmara Federal.’ Fonte: www.mpdft.gov.br (Pedro Ivo Rodrigues Velloso Cordeiro, advogado, Brasília, DF)


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Uma pergunta que não quer calar: por que a grande mídia não fala em mensalão peessedebista, haja visto Eduardo Azeredo à época ser da direção nacional do PSDB e o vice dele, do PFL? Explique-me o porquê desta seletividade semântica da grande mídia. (Anselmo Alves de Araújo, professor de História, João Pessoa, PB)


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Possuo registro profissional de jornalista, escrevo a título de colaboração em jornais do interior do estado, colaboro com tablóides à luz de temas sociais e humanísticos – mas, como explicitei, como colaborador, sem remuneração. A Fenaj e alguns sindicatos impedem-me de filiar-me, uma vez que não cursei a faculdade de jornalismo, embora tenha talento e técnica para tal empreendimento. Hoje, dia 22 de setembro, o Globo Online publicou duas matérias com erros de ortografia. 1) ‘Fiscais do trabalho páram por pressão dos senadores’. Meu comentário: o verbo parar, na terceira pessoa do plural do presente do indicativo, não contempla o acento agudo. Portanto, a grafia correta é PARAM, sem acento agudo. 2) ‘Desempregado tem direito à transporte gratuito’. Meu comentário: ora, não há acento grave antes palavra masculina. A grafia correta é A TRANSPORTE, portanto, sem acento grave. Indagação: onde estarão os revisores? Estou desempregado e não posso candidatar-me à vaga de revisor. É democrática essa atitude discricionária e inaceitável da Fenaj e dos sindicatos dos jornalistas? Sugiro, humildemente, um profícuo e imparcial debate sobre o assunto. Enquanto isso, desempregado, vou tentando sobreviver como músico. Faz-se mister lembrar que hoje em dia qualquer cidadão cursa faculdade. Basta não tirar zero no vestibular. (Gilberto Pinheiro, músico e jornalista, Rio de Janeiro, RJ)


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Tenho lido muito na internet, em sites de notícias, manchetes em forma passiva com indicativo passado posterior composto. Exemplo: ‘Fulano teria sido agredido’, ‘Sicrano teria emitido notas frias’ e por aí vai. O uso abusivo deste expediente não abala a credibilidade da notícia? A meu ver, sim, pois me parece que no afã de dar uma notícia antes de todos, o jornalista coloca este tempo verbal para o caso de, se não for verdade, poder se desculpar. Esta não é uma linha editorial muito atrativa. O que pensam disso? Poderia render uns comentários no OI? (Marcelo Pires de Moraes, instrutor de informática, Blumenau, SC)


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‘Chávez acusa Congresso brasileiro de submissão’ (O Estado de S.Paulo, primeira página, 21/9/2007). Seria possível analisar essa história toda de uma forma isenta? (Gerhard Dilger, jornalista, Porto Alegre, RS)

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Professor, São Paulo, SP

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