Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

FEITOS & DESFEITAS > ELEIÇÕES 2010

Uma nova dinâmica na disputa pelo poder

Por Regiane Santos em 26/01/2010 na edição 574

Embora ainda não seja oficial, a campanha eleitoral deste ano já ganha as ruas, e, conseqüentemente, o noticiário político nacional. A novidade de termos duas mulheres com perfis distintos a pleitear o cargo mais influente do Brasil recheia páginas e mais páginas dos veículos de comunicação, especialmente daqueles com periodicidade mais espaçada, como as revistas semanais e/ou mensais.

Mas para chefiar uma nação, exige-se mais do que competência técnica e política ou simplesmente ser integrante do sexo feminino, fator que proporciona destaque na mídia, uma vez que, infelizmente, mulheres ainda têm pouco interesse em ingressar na carreira política. Angariar votos exige que todos os pré-candidatos se munam de poderosas armas. Qualidade e feitos desenvolvidos ao longo de suas carreiras públicas devem tornar-se conhecidos pela população para que os eleitores possam, literalmente, depositar seu voto de confiança naqueles que almejam administrar o país.

Antes da popularização da internet, os eleitores eram obrigados a desvendar universo da pré e também da candidatura por intermédio dos veículos de comunicação de massa. Com computadores e celulares conectados à internet em tempo integral, os candidatos descobriram o imenso potencial dessa infinita teia virtual. Cientes desta grandiosa capacidade, aqueles que concorrem aos cargos políticos mais influentes do Brasil passam a explorar, com veemência, suas páginas pessoais na internet, valendo-se de inúmeros artifícios virtuais, como blogs, redes de relacionamentos, podcasts, vídeos e o tão popular Twitter (microblog que permite curtas mensagens de textos com apenas 140 caracteres).

Um livro indispensável

Esta nova dinâmica incorporada ao jogo político eleitoral altera significativamente a cobertura jornalística. Durante uma considerável parte das rotineiras tarefas executadas neste período, nós, jornalistas, restringíamos nossas notas, notícias e reportagens à cobertura de eventos agendados pelos assessores de imprensa, aos tendenciosos conteúdos fornecidos pelos materiais de divulgação, entrevistas coletivas e informações oficiais. Mas a utilização da tecnologia pelos candidatos proporciona um novo dinamismo: a arena de debates nem sempre diplomáticos na qual se transforma a sucessão presidencial.

Em Webjornalismo: política e jornalismo em tempo real, Juliano Borges detalha, com maestria, esta nova realidade produzida pela internet que modifica a cobertura jornalística nas eleições de 2002. Peculiaridades dos candidatos antes desconhecidas por eleitores – brigas, rivalidades, desavenças e feitos – ganham destaque no universo virtual e o extravasam, passando, assim, a pautar os noticiários que compõem os veículos de comunicação de massa. Alicerçado em uma sólida bibliografia, o autor mescla teoria à análise da cobertura eleitoral feita pelo JB Online e O Globo Online (naquela época, atualmente G1) e repercutida, respectivamente, no Jornal do Brasil e O Globo, veículos impressos daqueles conglomerados de mídia.

Um livro indispensável para os repórteres que devem se preparar para encarar o desafio de cobrir a primeira eleição presidencial na qual seus candidatos irão utilizar até o Twitter como estratégia para somar votos na tentativa de ocupar o Palácio do Planalto.

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Jornalista, Pedro Leopoldo, MG

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