Sexta-feira, 15 de Fevereiro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1024
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FEITOS & DESFEITAS >

Uma oportunidade para discutir o rádio

Por Francisco Djacyr Silva de Souza em 17/02/2009 na edição 525

Os grupos sociais parece que vão conseguir finalmente a execução da Conferência Nacional de Comunicação, o que será um ganho para a sociedade e para todos aqueles que lutam pela democratização das comunicações e para mudança de vários aspectos do processo de uso dos meios de comunicação no momento atual. É deveras importante que os grupos sociais discutam a comunicação e busquem alternativas diante do quadro de coisas que ora se apresenta. Nos meios de comunicação é preciso controle social e mais interatividade com o público para que este possa dizer o tipo de comunicação que quer e ter uma visão crítica mais aprofundada da mídia em geral.

Apesar do desprezo que estes grupos vêm promovendo, o rádio também merece ser discutido e analisado neste processo, pois como mídia do imediato e pelo alcance que tem sua organização, seu funcionamento e forma de atuação têm de ser discutidos de forma incessante para mudança do estado em que está no momento. As formas como os supostos proprietários de rádio o usam são completamente fora de qualquer requisito de democracia ou de comunicação popular. Sem consultar o povo, sem nenhum motivo aparente ou sem qualquer respeito e fiscalização, as emissoras de rádio são vendidas, arrendadas ou transferidas a grupos políticos e econômicos e, a partir daí, programas são retirados do ar, profissionais desligados e o povo tem notícia completamente fora da realidade de sua comunidade e desprovida de todo e qualquer informação do porquê das negociações ou mudanças.

Mero coadjuvante

Seria de bom alvitre que os que propugnam a Conferência Nacional de Comunicação abrissem espaços para discutir a mídia rádio, lutar pela melhoria das programações, discutir incessantemente seus problemas, dar espaços para que os que lutam pelo rádio mostrem a realidade e realizem pesquisas sobre a importância, a penetração e o papel deste meio de comunicação nos dias de hoje.

No entanto, achamos que todo o desejo dos que fazem rádio não será efetivado, pois temos um processo de monopolização por parte dos jornalistas que, de forma corporativista, só vêem comunicação onde mais atuam: na televisão e nos meios impressos. O rádio, para estes, é secundário e não tem importância nenhuma no processo. A briga interminável entre radialistas e jornalistas poderá deixar o povo fora da discussão sobre o rádio, um meio que tem provado sua importância e tem sofrido um desprezo terrível tanto pelos seus próprios profissionais quanto pelos outros setores da mídia.

Na Conferência Nacional de Comunicação seria importante a discussão sobre o rádio, porém com certeza haverá um monopólio do jornalismo em detrimento deste meio que já não conta com participação dos futuros jornalistas, os quais são direcionados a outras mídias e mesmo nas disciplinas voltadas para o rádio não têm efetivação de uma prática. Sabemos que os grupos de poder do jornalismo são muito fortes e, com certeza, há uma cortina de fumaça sobre o rádio, que é um meio de comunicação desprezado, desassistido e pouco levado em conta pelos jornalistas que, em nome do dinheiro que ganham nas outras mídias, fazem do rádio mero coadjuvante ou personagem secundário.

Problemas gravíssimos

Esta reflexão é real, pois os grupos de organização pela Conferência Nacional de Comunicação, no Ceará e em outros locais, sempre deixaram o rádio de lado e promoveram unicamente a discussão sobre as outras mídias, deixando os grupos ligados ao rádio sempre em segundo plano ou mesmo deslocados da discussão. A comunicação é única e não deve ser exclusiva deste o daquele meio de comunicação. O povo deve optar pelo meio que quer e pela discussão geral do processo comunicativo das mídias.

A realidade é que, ao propugnarem uma Conferência Nacional de Comunicação, os grupos de poder e pressão neste setor deveriam também lutar pelo rádio, que teve e tem grande participação na vida política e social de nosso povo e não pode ser desprezado pelos que hoje estão nas outras mídias e não movem uma palha para que este meio de comunicação tenha o respeito e a consideração que sempre mereceu e merece até os dias de hoje.

Na Conferência Nacional de Comunicação seria vital que se discutisse o processo de inanição que o rádio vem sofrendo, que se apresentasse o retorno financeiro do rádio, que se fizesse uma análise do papel do ouvinte como usuário e consumidor. O rádio tem problemas gravíssimos que as outras mídias não compreendem ou preferem esconder debaixo do tapete, preferindo mesmo sua morte ou seu fim.

******

Vice-presidente da Associação de Ouvintes de Rádio do Ceará, Fortaleza, CE

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