Quarta-feira, 13 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº969

FEITOS & DESFEITAS > MÍDIA & SOCIEDADE

Vale a pena ser honesto?

Por Francisco Djacyr Silva de Souza em 12/09/2011 na edição 659

No universo midiático, vemos a cada dia casos renovados de corrupção em todos os setores da vida política, da economia e nos diversos setores de nossa sociedade. As questões da impunidade e do modismo em ser esperto acabam transformando em idiotas aqueles que se rebelam contra tudo isso e os espaços para a divulgação do bem são cada vez mais limitados nos setores da comunicação. A luta que algumas associações ou grupos de movimentos populares tem tido para divulgar suas ações e solicitar apoios é limitada e ignorada pelos grandes meios de comunicação, que preferem mostrar o sangue, a destruição e o sexo, que rendem posições no ranking da informação e das pesquisas. É mais fácil vender o terror do que vender o bem.

Nos meios de comunicação, são raros os programas que irradiam cultura, que passam a boa mensagem, que estimulam a formação de bons valores e que educam, o que faz com que a mensagem de quem deseja melhorar a sociedade seja cada vez mais restrita e menos divulgada em nosso meios de comunicação. Nossas cidades carecem de comunicação que estimule a boa notícia, que dê espaços para situações de sucesso na educação, na luta por uma sociedade melhor e pela melhoria da vida de nosso povo. O problema é que o sentido da mídia é hoje a venda de produtos e quem patrocina mais dita as regras da notícia e o que os indivíduos têm de consumir.

Nesse sentido, é importante que haja uma mudança firme em nossa sociedade e que é urgente que a comunicação faça um caminho diferenciado, onde hajam espaços para cuidar do mundo e gerar um espaço de solidariedade, amor ao próximo e construção da fraternidade. É preciso que a comunicação não dê espaços a quem provoca a corrupção e a quem faz o povo de bobo. É preciso construir novas lideranças e ouvir os nomes que realmente têm compromisso com um mundo melhor e mais digno em todos os sentidos. As televisões tem de mudar os enredos das novelas, onde os indignos ou morrem ou se dão bem fazendo com que as pessoas passem a assimilar que fazer o bem não dá ibope nem sucesso.

Ou será melhor uma sociedade de barbárie?

Programa de televisão que estimula a delação, o passar a perna no outro e levar vantagem em tudo não deveria ter patrocínio nem apoio, em termos de audiência. A cultura, a questão ambiental e a educação de qualidade deveriam ocupar espaço diário na mídia para tentar mudar hábitos das pessoas que consumem a comunicação e dar oportunidades de todos aprenderem valores éticos em seu cotidiano. É preciso que a comunicação seja coprodutora do processo educacional do povo e não dite notícias alinhadas com os que estão no poder. É importante, deste modo, lutar pela democratização urgente da comunicação buscando uma notícia que não seja eivada de interesses que geralmente estão em desalinho com os do povo.

É importante que nossos estudiosos, que estão aí nas universidades, produzam temas que sejam de interesse para a mudança da sociedade e não se percam em temas que nada têm a ver com a busca do fim da alienação cultural, tão comum em nossa sociedade, e que acabam promovendo o sucesso de pessoas que não têm nada em termos de contribuição para a geração de um mundo melhor. Temos que investir em educação de qualidade que seja crítica, questionadora e identificadora de um processo que faça com que todos sejam artífices de um mundo novo sem injustiças sociais ou políticas, tão comuns nos dias de hoje.

A pergunta inicial deste texto leva-nos à reflexão de que é preciso mudar nossa concepção de mundo e buscar urgentemente um processo educativo em que professores e alunos sejam valorizados, não apenas numericamente mas, sobretudo, como artífices da construção de um mundo novo sem injustiças ou desigualdades. Porém essa pergunta só tem sentido se os que estão no poder entenderem a essência de um mundo melhor para todos indistintamente. Ou será melhor uma sociedade de barbárie, miséria e desigualdade onde não podemos falar, agir ou pensar sem ser escravos de uma mídia interesseira, deslocada de seu papel e aliada dos poderosos?

***

[Francisco Djacyr Silva de Souza é vice-presidente da Associação de Ouvintes de Rádio do Ceará, Fortaleza, CE]

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