Sábado, 18 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

ENTRE ASPAS > FIM DE SEMANA, 24 E 25/11

Veja

28/11/2007 na edição 461

MÍDIA RACISTA
Diogo Mainardi

Somos todos chimpanzés

‘O QI dos negros é mediamente inferior ao dos brancos. O QI dos brancos é mediamente inferior ao dos amarelos. O QI dos judeus é mais alto que o dos góis. As mulheres com ancas largas possuem um QI superior ao das mulheres com ancas estreitas. O leite materno faz aumentar o QI. O primeiro filho tem QI mais alto do que os demais. O desempenho intelectual de quem tem mais de 100 livros em casa é melhor do que o de quem tem menos de dez.

Isso é só uma amostra do que foi publicado recentemente sobre o assunto, em particular nos Estados Unidos. O debate costuma descambar para a pancadaria. É de bom-tom imputar as disparidades de QI entre um grupo e outro unicamente a fatores ambientais, tais como renda, perfil familiar, acesso à cultura e qualidade do ensino. Mas a natureza insiste em desafiar esses modelos igualitários. Os estudos feitos nos últimos anos parecem indicar que a capacidade intelectual tem também um forte componente hereditário.

Em que medida? Que sei lá eu. Um dos pioneiros das pesquisas nesse campo, Arthur Jensen, chutou que 50% do QI era decorrente de fatores ambientais e os outros 50% de fatores genéticos. À medida que seus estudos foram adiante, ele mudou o cálculo, atribuindo 20% do QI aos fatores ambientais e 80% à genética. James R. Flynn foi mais preciso. Num livro que acaba de ser publicado, ele estabeleceu que a inteligência é 36% genética e 64% um misto de genética e fatores ambientais.

A Slate fez um bom apanhado sobre as descobertas nessa área. Leia. Está na internet. Os dados sobre os negros incomodam tremendamente porque parecem fornecer argumentos à bestialidade racista. Os dados sobre os latino-americanos também. Mas patrulhar o debate científico apenas porque ele destrói nossas fantasias acerca da realidade é outra forma de obscurantismo. No fim das contas, o que os estudos sobre o QI acabam demonstrando é algo diametralmente oposto à supremacia racial: há tanta disparidade entre as pessoas de uma mesma etnia quanto entre os membros de uma mesma família. Por isso o sistema de cotas é nefasto: ele trata todos os negros como uma coisa só, passando por cima de suas habilidades individuais. No Dia de Zumbi, Lula defendeu o Estatuto da Igualdade Racial, essa asnice totalitária que pretende ampliar o sistema de cotas. É um atalho para o racismo.

Quanto a mim, desconfio dos testes de QI. Ter um QI acima da média pode ser útil na carreira de um engenheiro nuclear. Na carreira de um jornalista, por outro lado, com certeza só atrapalha. Acabei de fazer dois testes de QI, um imediatamente depois do outro. Em menos de dez minutos, meu QI aumentou 11 pontos. Tornei-me um Nobel. Mais do que isso: um Nobel escurinho. Passei a semana lendo análises sobre a capacidade mental de orientais desnutridos e sobre o peso do cérebro de defuntos de todas as cores. O resultado desse grande empenho foi que minha fantasia igualitária continuou de pé: somos todos uns chimpanzés.’

TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO
Carlos Rydlewski

Biblioteca na palma da mão

‘Os primeiros livros feitos com tipos móveis renováveis, predecessores das publicações atuais, surgiram no século XV e semearam uma revolução. Transformaram a leitura em algo popular. Estaremos assistindo a uma nova revolução no conceito de livro? Na semana passada, a Amazon, a maior entre as livrarias on-line, lançou o Kindle, aparelho para ser usado na leitura de textos em formato digital. Não é o primeiro desse tipo de produto, chamado genericamente de e-reader. Mas tem um encanto especial: a conexão direta com a Amazon sem a intermediação de um computador. A livraria oferece 88.000 títulos para download. Há também uma seleção de jornais americanos e europeus, 250 blogs e a Wikipedia, a enciclopédia da web. Nenhum concorrente chega perto em número de publicações.

O conteúdo é baixado para o Kindle por telefonia celular, sem custo para o usuário. Já os livros e jornais precisam ser pagos. Um título recém-lançado sai por 9,99 dólares. Obras de catálogo são vendidas por menos de 1 dólar. Seja qual for o número de páginas da obra, o tempo de download não chega a ser um problema. O aparelho armazena em torno de 200 livros. O teclado permite consulta a textos arquivados e à Wikipedia. ‘O Kindle pode não substituir os livros, mas faz coisas que eles não fazem’, disse Jeff Bezos, dono da Amazon, no lançamento do produto. O Kindle não é barato – custa 399 dólares, o preço de um iPhone. Pesa 300 gramas. É ligeiramente mais grosso que um lápis e tem o formato aproximado de um livro-padrão. Ou seja, pode ser carregado numa pasta sem causar incômodo. O visor, com 15 centímetros na diagonal, usa tecnologia criada pela E-Ink, empresa que nasceu no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT). A tela é constituída por cápsulas microscópicas, preenchidas por pigmentos pretos e brancos. Estes são ativados por uma corrente elétrica, formando as letras. Ao contrário dos computadores e dos celulares, quanto mais claro o ambiente, mais nítida fica a tela.

Os e-readers surgiram no fim dos anos 90. Nenhum deles emplacou. Pioneiros como o SoftBook e o Rocket eBook eram caros (500 dólares), pesados (1,5 quilo) e tímidos em termos tecnológicos (nem sonhavam com downloads por rede sem fio). A Sony produziu duas versões de livros digitais entre 2004 e 2006: o Librié e o Reader. O primeiro naufragou. O segundo tem vendas modestas. Tornou-se um produto de nicho. Em 2006, surgiu o iLiad, da iRex Technologies. Era mais leve que os primogênitos, mas ainda assim pesado: quase 400 gramas. A oferta de amplo conteúdo permite à dupla Kindle-Amazon um sonho mais ambicioso: representar para o mercado editorial o que outra dupla, a Apple-iPod, significou para a indústria fonográfica – uma reviravolta monumental.’

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Clique nos links abaixo para acessar os textos do final de semana selecionados para a seção Entre Aspas.

Folha de S. Paulo – 1

Folha de S. Paulo – 2

O Estado de S. Paulo

Revista Consultor Jurídico

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