Terça-feira, 17 de Julho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº995
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ENTRE ASPAS > FIM DE SEMANA, 5 E 6/7

Veja

08/07/2008 na edição 493

ANA MARIA BRAGA
Marcelo Marthe

Chamado à realidade

‘Nas últimas semanas, Ana Maria Braga transmutou-se num clone platinado do apresentador Pedro Bial. As sessões de culinária que sempre deram o tom a seu programa nas manhãs da Globo, o Mais Você, tiveram o seu tempo reduzido para dar espaço a um novo tipo de atração – algo que poderia ser definido como um ‘momento Big Brother’. São quadros com formato de reality show, nos quais anônimos disputam gincanas decididas pela votação dos espectadores. Já foram explorados um jogo de namoro, uma competição entre estilistas e outra com publicitários. Nesta semana, a pedida será um quadro com bebês. Para agosto, está previsto um concurso de chefs de cozinha. O artífice das mudanças é o mesmo Boninho que dirigiu as oito edições do BBB. No fim do ano passado, ele foi escalado para reanimar um programa que há tempos se mostra estagnado no ibope. O Mais Você, que vai ao ar de segunda a sexta na faixa das 8 às 9 e meia, é acossado pela Record, que exibe nesse horário o telejornal Fala Brasil e a revista feminina Hoje em Dia – e volta e meia tem levado a melhor. É incomodado ainda pelos desenhos do SBT. Para tentar reverter isso, a ordem na Globo é rejuvenescer o Mais Você. A produção foi transferida de São Paulo para o Rio de Janeiro, onde passou a contar com mais recursos. Os reality shows são a última cartada. ‘Não dá para deixar a apresentadora mais jovem. Mas o programa é possível’, diz Ana Maria, de 59 anos.

Até agora, a aposta não rendeu os resultados esperados pela Globo. É, de fato, uma parada dura. Já faz ao menos dois anos que a competição entre as três maiores redes do país se tornou particularmente acirrada nas manhãs. A distância entre a primeira, a segunda e a terceira colocada muitas vezes é inferior a 1 ponto de ibope. Essa briga de foice já vitimou uma loira ilustre – no fim do ano passado, o programa infantil de Xuxa Meneghel foi extinto depois de mais de vinte anos no ar. O caso de Ana Maria também inspira cuidados. Na cúpula da emissora, há quem julgue que o problema está na imagem desgastada dela, e não no formato do programa. Ana Maria mantém seu carisma junto a uma porção do público – as mulheres adultas. Só que não consegue irradiá-lo para além desse universo. O que é um limitante e tanto para um programa todo calcado na figura de sua apresentadora. A Globo já recorria a subterfúgios como o boneco Louro José para garantir o apelo do Mais Você entre os homens (recentemente, ele ganhou a companhia de uma papagaia esgoelada, a Maria Loura). Mas é mais difícil lidar com um dado novo no horário. ‘Percebemos um crescimento no número de jovens que vêem TV de manhã. E a maior característica deles é zapear por vários canais até achar algo que os atraia’, diz Boninho. Esse público pode até gostar de reality shows. Mas um Pedro Bial que conduz essas gincanas como se estivesse dando receita de bolo talvez seja demais.’

 

 

PANTANAL
Marcelo Marthe

O bote de Silvio

‘Silvio Santos é um empresário manhoso. De tempos em tempos, ele irrita os concorrentes com alguma manobra heterodoxa. Em 2001, pegou a Globo de surpresa ao pôr no ar o programa Casa dos Artistas, que usava da mesma fórmula que o Big Brother, então em gestação na emissora rival. O reality show com celebridades brasileiras de segundo escalão foi um enorme sucesso de ibope. No começo de junho, Silvio fez outra jogada ladina: ressuscitou a novela Pantanal, que se tornou um marco da televisão brasileira ao ser exibida pela extinta Rede Manchete, em 1990. Nunca antes um folhetim produzido fora dos domínios da Globo havia alcançado audiência tão expressiva. Com suas imagens plácidas do Pantanal Mato-grossense e cenas de nudez, a trama de Benedito Ruy Barbosa chegou a bater a emissora líder e forçou-a a fazer mudanças em sua programação. A volta de Pantanal no SBT não foi tão retumbante, mas causou estrago. Antes, a emissora não alcançava mais que 8 pontos no ibope na faixa das 10 da noite. Na terça passada, com o primeiro banho de rio da mulher-onça Juma Marruá (Cristiana Oliveira), obteve 14. Foi um banho meio turvo, é verdade, já que a qualidade da imagem é sofrível – o SBT simplesmente tirou as fitas de Pantanal das velhas latas onde estavam guardadas e as pôs para rodar sem submetê-las a ajustes de cor e brilho.

O bote de Silvio Santos fez Benedito Ruy Barbosa subir pelas paredes. Ele pede na Justiça a suspensão da exibição de Pantanal. ‘Puseram no ar e um abraço. No Brasil, direito autoral é um lixo’, diz Ruy Maurício Barbosa, filho do noveleiro. Benedito havia vendido os direitos do texto à Globo, num negócio de 2 milhões de reais. Pode amargar um prejuízo se o SBT mantiver a novela no ar e a Globo desistir da compra.

Silvio obteve as fitas de Pantanal do empresário José Paulo Vallone, que por sua vez as adquiriu dos administradores da massa falida da Manchete. Silvio é exímio em exumar bons produtos do cesto de velharias de outras emissoras. Ao longo dos anos, ampliou a audiência do SBT graças a ‘clássicos’ da TV latina como Chiquititas, Chaves e Carrossel. Acaba de reviver uma gincana japonesa que no passado fez sucesso no Domingão do Faustão. Há algo de divertido na maneira como ele usa esse expediente. Mas há também algo de melancólico. Ele aponta para uma falta total de estratégia de longo prazo – uma falta de desejo de criar.’

 

 

 

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