Quarta-feira, 21 de Agosto de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1051
Menu

ENTRE ASPAS >

Veja

09/06/2009 na edição 541


TELEVISÃO
Marcelo Marthe


Pintou a macaca


‘Nesta semana, a trama da novela Caras & Bocas sofrerá uma virada. A galeria de arte comandada pela protagonista Dafne (Flávia Alessandra) e sua sócia Simone (Ingrid Guimarães) começará a se reerguer graças ao sucesso de uma exposição de telas abstratas. O pintor Denis (Marcos Pasquim) vai levar o crédito pelas obras. Mas o verdadeiro ‘gênio’ não é ele – e sim o chimpanzé que vive, em segredo, no seu ateliê. O enredo não deixa dúvida quanto às intenções do noveleiro Walcyr Carrasco. O autor pretende tecer uma crítica ao mundo das artes (ainda que naquele registro ligeiro típico das comédias das 7 da Globo). ‘A arte contemporânea é regida por códigos fechados, o que dá margem a empulhações. Quero desmistificar isso’, diz Carrasco. O folhetim mostrou colecionadores gastando os tubos em obras de arte feitas de chocolate – alusão óbvia ao artista Vik Muniz e a suas reproduções de pinturas famosas com o mesmo material -, que acabaram derretidas por armação de uma vilã. É inegável que esse espírito de manada dos colecionadores da novela tem seu pé na realidade. ‘Muita gente compra obras de arte contemporânea em busca de status, sem ter noção de nada’, afirma o marchand Jones Bergamin.


A marchande abilolada vivida por Ingrid está nessa categoria: não tem noção de nada. Mantém em sua sala uma escultura de si própria elaborada por um artista primitivista (para fazer companhia a essa peça horrenda, há um retrato de Flávia Alessandra feito pelo paulistano Roberto Camasmie, conhecido pela veia kitsch). E é ela quem mais se deslumbra com a pintura símia. O macaco Xico, aliás, rouba a cena. Uma pesquisa sobre o folhetim concluída na semana passada pela Globo apontou que o animal – que na verdade é uma fêmea, de nome Keith – é tão popular quanto o casal protagonista. ‘Keith é uma unanimidade’, diz Carrasco, com a experiência de quem já escalou de cachorros a uma pata para suas novelas.


A figura do ‘macaco-pintor’ não é invenção do noveleiro. O caso mais famoso, surgido no fim dos anos 50, foi o do chimpanzé-prodígio Congo, revelado pelo zoólogo e artista inglês Desmond Morris. Congo pintava quadros que supostamente não ficavam a dever ao expressionismo abstrato do americano Jackson Pollock. Virou estrela de um programa de TV e caiu nas graças de artistas consagrados. Pablo Picasso mantinha um quadro dele na parede de seu escritório. Joan Miró trocou duas obras suas por uma do bicho. E Salvador Dalí pontificou: ‘A mão do chimpanzé é quase humana; a mão de Pol-lock é totalmente animal’. Em 2005, telas do macaco foram a leilão e superaram os preços de trabalhos do mestre francês Renoir e do artista pop americano Andy Warhol. Esses exemplos de arte animal já foram celebrados como a consumação extrema dos ideais anárquicos do modernismo – mas, de outro lado, também foram brandidos como prova cabal do embuste representado pela arte moderna.


O chimpanzé da novela tem lá seu talento nos pincéis. O método artístico de sua preferência também é ‘pollockiano’. ‘Keith mistura tintas de várias cores e depois atira o líquido nas telas’, conta o diretor Jorge Fernando. A execução dos quadros atribuídos ao personagem começa desse modo, e depois é completada pelo pessoal da produção da Globo. Nascida em cativeiro no Rio Grande do Sul, a macaca tem 13 anos – e dá um trabalhão nas gravações. A alimentação tem de seguir regras do Ibama (a Globo garante que os pastéis e coxinhas que ela devorou na novela eram de mentirinha). Suas cenas são realizadas cedo, pois a atriz não dispensa uma sesta no fim da tarde. ‘A estrela gosta de gravar tudo no primeiro take’, diz Jorge Fernando. A química entre Pasquim e a macaca impressiona. Antes das gravações, é comum o ator passar um tempo conversando com Keith dentro da jaula. ‘Não é uma relação fria. Eles estabeleceram uma amizade sincera’, revela Carrasco. Eis aí um quadro surrealista.’


 


***
Muito canto, pouca ação


‘O primeiro episódio de A Fazenda, exibido no domingo passado pela Record, teve um momento fraternal. Abraçadas, as catorze celebridades de segunda linha confinadas na tal estância rural do título fizeram uma prece – puxada pela ex-apresentadora e ex-mutante da emissora Babi Xavier. ‘Que a participação neste programa desenvolva nossas melhores qualidades’, rogou ela. Consta que executivos da concorrência vibraram com a cena – enquanto bispos da Record não escondiam sua consternação. Nos quarenta países em que o formato já fez sucesso, A Fazenda extrai sua graça dos choques entre temperamentos fortes confinados num mesmo local. Na versão brasileira, ao menos nos primeiros dias, todos ali faziam pose de santo. Conhecido por se envolver em barracos (o último dos quais com a ex Luana Piovani), o ator Dado Dolabella estava um doce de coco. O que ele mais fez foi tocar canções ripongas ao violão – no que foi imitado pela roqueira Danni Carlos, pelo humorista Mendigo e por Pedro, filho do sertanejo Leonardo. Sorte que há um só violão na casa.


A Record está torrando uma fábula em A Fazenda – serão mais de 30 milhões de reais até o fim do reality show, em agosto. Com edição arrastada, o primeiro episódio ficou aquém das (altas) expectativas da emissora: obteve 16 pontos de média na Grande São Paulo, o que trouxe ganhos de ibope, mas não ameaçou a liderança da Globo. Só na quarta passada, com o início das gincanas entre os confinados, o programa começou a engrenar. Os conflitos incipientes vêm sendo superexplorados pela Record não só nas duas edições diárias de A Fazenda, à noite, mas também em inúmeros compactos ao longo do dia. No entanto, é nos bastidores que as intrigas andam bem mais empolgantes. Por seu know-how como ex-participante da versão portuguesa do programa, Quinta das Celebridades, o ator-brucutu Alexandre Frota foi destacado como assistente de direção. Ele vem se estranhando com seu superior, Rodrigo Carelli. ‘Algumas pessoas da equipe de produção estão, sim, me incomodando. Elas se acham donas do programa’, diz Frota, sem citar nomes. Na semana passada, ele também fazia campanha para virar apresentador do reality show – pois é opinião unânime que o desempenho do titular, Britto Jr., está um tédio.’


 


PROPAGANDA & MODA
Bel Moherdaui


O lugar de Emanuela


‘Quem começa a olhar para Emanuela de Paula demora um pouco para desgrudar os olhos – são l,77 metro de altura, 52 quilos e os obrigatórios e elegantes 89 centímetros de quadris. As suas mais que evidentes qualidades insuflaram uma ascensão estonteante. A lista das modelos mais bem pagas do mundo nos últimos doze meses feita pela revista Forbes é previsivelmente encabeçada por Gisele Bündchen (25 milhões de dólares de faturamento anual), e dela também constam a baiana Adriana Lima (8 milhões) e a gaúcha Alessandra Ambrosio (6 milhões), todas com mais de uma década de carreira. A surpresa está no 11º lugar ocupado pela pernambucana de 20 anos, na passarela há apenas quatro, com ganhos atribuídos de 2,5 milhões de dólares. ‘Liguei para a agência para saber onde estava esse dinheiro todo’, brinca a modelo, que não faz tanto tempo assim cobrava 100 reais para posar em campanhas publicitárias no Recife. O apartamento lotado de modelos iniciantes em que morou nos primeiros tempos de Nova York foi substituído por um dúplex próprio de dois dormitórios com vista para a Ponte do Brooklyn. A vida de dinheiro contado com o pai radialista, que a criou depois da separação, ficou para trás. Detalhe: Emanuela tem a pele negra, a cor que o Ministério Público de São Paulo resolveu implantar por decreto nos desfiles sob sua jurisdição.


‘Não é nem cota, nem obrigação. Por enquanto, é uma sugestão de que haja pelo menos 10% de negros, afrodescendentes ou indígenas nos desfiles’, explica a promotora Deborah Kelly Affonso, do grupo de atuação especial de inclusão social do MP paulista, sobre o Termo de Ajustamento de Conduta assinado pela empresa que administra a São Paulo Fashion Week, marcada para começar no dia 17. Nesse documento, que constitui uma espécie de promessa de bom comportamento vigiado, a empresa se compromete a recomendar às grifes que sigam a determinação e a posteriormente encaminhar vídeos comprovando o cumprimento ou justificativas cabíveis. ‘Se alguma grife quiser fazer um desfile temático sobre a Escandinávia e só usar modelos loiras de olhos azuis, tudo bem. Só precisa enviar essa justificativa’, diz a promotora. Do alto do seu sucesso, Emanuela se manifesta a favor das cotas. ‘O Brasil é um país negro e falta uma mistura nas passarelas’, afirma a exemplarmente misturada modelo, filha de mãe loira de olhos azuis (de origem holandesa), pai negro e avó descendente de índios.


‘Sempre fui tratada da mesma forma que as outras. Mas é comum ser a única ou uma das únicas negras nos desfiles’, relata a modelo, que hoje está no catálogo da marca de lingerie Victoria’s Secret. No ano passado, estrelou o celebrado calendário da Pirelli. ‘Além de ser lindíssima, ela tem personalidade, estilo próprio e uma versatilidade incrível: funciona bem com roupa sofisticada, jeans ou lingerie’, elogia o estilista Carlos Miele, que contratou Emanuela para sua última campanha. Na semana de moda de São Paulo, infelizmente, ela não estará disponível para o preenchimento da cota – tem contrato de exclusividade com uma grande marca do varejo e não vai desfilar em nenhuma passarela.’


******************


Clique nos links abaixo para acessar os textos do final de semana selecionados para a seção Entre Aspas.


Folha de S. Paulo


Folha de S. Paulo


O Estado de S. Paulo


O Estado de S. Paulo


Comunique-se


Blog Claudio Weber Abramo


Terra Magazine


Agência Carta Maior


Veja


Mídia Sem Máscara

Todos os comentários

x

Indique a um amigo

Este é um espaço para você indicar conteúdo do site aos seus amigos.

O Campos com * são obrigatórios.

Seus dados

Dados do amigo (1)

Dados do amigo (2)

Mensagem