Terça-feira, 21 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

FEITOS & DESFEITAS > LIBERDADE DE IMPRENSA

Vida de jornalista

Por Alessandra Adão em 26/10/2010 na edição 613

Depois de estudar quatro anos, fazer curso de inglês (nem todos), especializações e escolher uma área dentro do jornalismo (política, econômica, cultura, esporte, arte, cidade) para seguir, escrever e dominar o assunto, os jornalistas enfrentam outros problemas: as represálias, violência, crimes, censura e os ditos das empresas privadas e públicas.

Vou te contar, as coisas estão mudando. Consta que no período de 2007 a 2008, 91 jornalistas sofreram agressões no país, geralmente como represália a reportagens com denúncias. Em sua maioria, os agressores são, além de políticos e policiais, milicianos, seguranças particulares, torcedores e advogados – é o que diz o relatório da Comissão Nacional de Direitos Humanos e Liberdade de Imprensa da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj).

Até por isso, tramita na Justiça Federal uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 15/10 do senador Roberto Cavalcanti (PRB-PB), em que os autores de crimes praticados contra jornalistas, em razão de sua atividade profissional, poderão ser processados e julgados. É preciso ter claro que jamais haverá liberdade de imprensa se não houver respeito ao trabalho dos jornalistas, inclusive com garantias de preservação da sua integridade física. Os direitos à informação e à liberdade de expressão teriam valor meramente ilustrativo se o trabalho jornalístico viesse a sofrer, cotidianamente, ameaças e intimidações de toda ordem, argumenta Roberto Cavalcanti, em matéria para a Agência Senado.

Os veículos de comunicação não são um partido

A PEC 15/10 foi resultado de palestras e seminários, em que Roberto Cavalcanti participou na PUC do Rio de Janeiro, e a sugestão na criação da PEC foi da procuradora regional do Ministério Público de São Paulo, Janice Ascari. Os crimes praticados contra jornalistas têm dimensão nacional, já que os veículos de comunicação alcançam vários países.

Acho que isso não foi avisado ao presidente e a todos os atores sociais que insistem em usar da censura, da violência, das represálias contra os jornalistas. Recentemente, 84 veículos de comunicação foram censurados no Tocantins pelo corregedor-geral do Tribunal Regional Eleitoral do estado, desembargador Liberato Póvoa, e ficaram proibidos de publicar qualquer notícia referente a um escândalo que atinge diretamente o governador Carlos Gaguim (PMDB). Além disso, o presidente Lula, quando questionado sobre o caso Erenice, disse que os meios de comunicação deveriam anunciar seus candidatos e partidos.

Agora, cabe ao eleitor analisar e pensar em que irá votar. Porque os veículos de comunicação não são um partido, e sim, uma ferramenta para divulgar e noticiar da forma mais clara os fatos. Mas se os políticos e atores sociais conseguem ver na imprensa uma ofensa, arma e com certo temor para alguns, deve-se pensar e repensar em quem estamos votando, escolhendo e preferindo.

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Jornalista, Vitória, ES

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