Domingo, 24 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

GRANDE PEQUENA IMPRENSA

Tendências e desafios dos sites de jornalismo hiperlocal

Por Andrew Williams em 22/07/2014 na edição 808

Reproduzido do site do Centro para Jornalismo Comunitário, 7/7/2014, tradução de Rodrigo Neves

Uma pesquisa conduzida por três universidades do Reino Unido (Cardiff, Westminster e Birmingham) resultou em um relatório detalhado sobre os sites de jornalismo hiperlocal do país. Participaram do estudo 183 websites. O levantamento procurou analisar a produção, o financiamento e o papel democrático destes veículos (ver aqui o relatório final da pesquisa, em inglês).

Atualmente, o ambiente jornalístico hiperlocal do Reino Unido encontra-se bem estabelecido: quase três quartos dos sites existem há mais de três anos. Sete em cada dez entrevistados disseram ver seu trabalho como uma forma de participar ativamente de sua comunidade.

Mais de a metade dos jornalistas desses veículos vê sua produção explicitamente como uma forma de jornalismo local e quase a metade deles possui treinamento ou experiência prévia na profissão.

Um dos aspectos centrais da pesquisa foi descobrir tendências na produção jornalística destes veículos. A cobertura de assuntos políticos locais é preponderante e a maioria dos sites produz campanhas e reportagens investigativas. Quase três quartos dos entrevistados já cobriram campanhas locais e mais de um terço já instigou uma campanha própria, normalmente sobre cortes em serviços públicos, contabilidade governamental ou planejamento municipal.

Público

Outro assunto levantado pela pesquisa é a relação dos sites hiperlocais com seu público. Mais de dois terços dos donos desses sites possui conhecimento básico de sua audiência, como o número de visitantes únicos e de impressões.

Muitos dos sites sofrem com uma ausência de visibilidade e pouquíssimos deles alcança uma alta porcentagem de audiência local. Uma pequena parcela de sites consegue mais de 10 mil visitantes únicos mensais, enquanto a média entre todos os analisados é de 5 mil.

Apesar do problema de visibilidade, a maioria dos jornalistas continua a ver um crescimento de público, tanto em seus sites quanto nas redes sociais. Nove em dez usam o Twitter e 79%, o Facebook.

Financiamento

A sustentabilidade financeira do jornalismo hiperlocal continua um enigma. Cerca de um terço dos sites tem lucro, mas baixo: 12% rendem menos de £100 mensais (algo em torno de R$ 330,00), mas outros 13% lucram mais de £500 mensais (em torno de R$ 1.650,00).

A publicidade é a principal geradora de renda, mas outros métodos são utilizados, como patrocínios e editais. A maioria, entretanto, financia suas atividades com seu próprio bolso.

Boa parte dos jornalistas hiperlocais trabalha meio período em seus veículos, com 57% trabalhando até 10 horas por semana.

Se não existissem restrições de tempo ou de dinheiro, os principais investimentos dos veículos seriam: resolver assuntos técnicos dos sites; envolver a audiência nas redes sociais; vender anúncios e gerar renda; cultivar uma comunidade ativa de assinantes. Infelizmente, três quartos dos entrevistados citam a falta de tempo como um obstáculo para expansões. Seis de cada dez dizem que gostariam de ajuda e aconselhamento para gerar uma renda sustentável e aumentar o número de leitores.

Apesar da baixa proporção de veículos financeiramente bem-sucedidos, o cenário ainda é de esperanças. Nove em cada dez jornalistas acreditam que seu veículo irá conseguir se sustentar no próximo ano, e oito em dez possuem ambição de expandir seus sites.

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Andrew Williams, do Centro para Jornalismo Comunitário

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