Terça-feira, 19 de Junho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº991
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GRANDE PEQUENA IMPRENSA > EUA: FALAM OS NÚMEROS

Produtores de notícias locais aderem ao jornalismo de dados

Por Tanveer Ali em 19/08/2014 na edição 812
Reproduzido da Columbia Journalism Review, 7/8/2014, tradução de Rodrigo Neves

Bancos de dados sempre estiveram presentes no jornalismo de qualidade, principalmente nas reportagens investigativas e nas feitas com auxílio de computadores.

Mas, recentemente, o jornalismo de dados transformou-se em uma tendência marcante e influente na grande imprensa norte-americana: o blog “FiveThirtyEight” ficou famoso com esse tipo de reportagem e grandes jornais como o “The New York Times” já criaram seções especializadas.

Pequenos jornais dos Estados Unidos já aderiram ao movimento, criando páginas na web que tentam fornecer dados esclarecedores por trás dos problemas locais. O “Hartford Courant” ressuscitou recentemente seu departamento de dados, que entre 2008 e 2009 já cobriu assuntos diversos, como esportes e inspeções alimentares.

“Naquela época já tínhamos consciência de que fazia sentido jornalisticamente ter alguém dedicado à analise quantitativa do ambiente ao nosso redor”, disse Stephen Busemeyer, que se tornou editor de dados novamente. “Olhar para as nossas vidas pelas lentes dos dados é iluminador”.

Busemeyer tem hoje uma vantagem – os dados estão bem mais disponíveis do que em 2009. Novos aplicativos também facilitam o processamento de dados, muito além do tradicional Microsoft Excel.

O resultado para o “Hartford Courant” foi um espaço capaz de gerar jornalismo de qualidade e mais visitantes no site do jornal.

Oficinas internas

Segundo Busemeyer, o jornalismo de dados se tornou uma prioridade graças à paixão dos jornalistas empregados e ao apoio da administração. No entanto, os recursos continuam a ser limitados.

O blog “FiveThirtyEight” possui 20 funcionários. A seção “Upshot” do “The New York Times” possui dúzias de jornalistas. No “Hartford Courant” só há oficialmente, até agora, um jornalista para a editoria de reportagem de dados. Busemeyer disse que uma equipe maior ajudaria a editoria a produzir notícias diárias com base em dados, além de pensar em projetos maiores, como aquele sobre os números de violência sexual na região, no qual ele está trabalhando atualmente.

Analistas de mídia, como Ken Doctor, do “Nieman Journalism Lab”, apontam que os cortes na imprensa local estão piorando cada vez mais a cobertura jornalística das instâncias municipais e regionais.

O jornalismo de dados pode ser uma ferramenta para se contrapor a esse enfraquecimento da indústria.

O “Courant”, por exemplo, já realiza oficinas internas para ajudar todos os seus jornalistas a entender como coletar, visualizar e analisar dados. O jornal também prioriza cada vez mais a habilidade de trabalhar com dados na hora de fazer suas contratações.

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Tanveer Ali, da Columbia Journalism Review

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