Sábado, 23 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

GRANDE PEQUENA IMPRENSA > AS NOVAS REDAÇÕES

Debatedores divergem sobre futuro do jornal

Por ‘FSP’ em 24/03/2015 na edição 843
Reproduzido da Folha de S.Paulo, 20/3/2015

O debate “O futuro dos jornais na era das multiplataformas”, no auditório lotado da Folha, terminou nesta quarta (18) com uma exortação de Eugênio Bucci, professor da Escola de Comunicação e Artes (ECA-USP): “Sem contrapoder não há sociedade livre. Nós precisamos de grandes Redações independentes”.

Foi depois de duas horas de discordância do colunista da Folha Leão Serva com Bucci, a ombudsman da Folha, Vera Guimarães, e o editor-executivo do jornal, Sérgio Dávila, que também moderou o debate.

A intervenção final de Bucci, apoiada por Guimarães e Dávila, foi uma resposta à defesa, por Serva, de que a sobrevivência dos jornais passa pela “desintegração” das Redações –separando as equipes on-line e impressa. Integrar as equipes “é submeter o futuro ao passado”, disse. Serva lançou no evento seu livro “A Desintegração dos Jornais” (ed. Reflexão).

A Redação on-line, exemplificou o colunista, “tem o chefe à distância de um cochicho do estagiário, parte do que garante a agilidade da internet”. Já na “lógica das Redações em papel, são 9 ou 10 andares hierárquicos entre o repórter que vem da rua e o editor-chefe”.

Bucci contrapôs que “toda democracia depende de contrapoder, e é aí que precisamos de grandes Redações”. São elas que garantem que “um jornalista possa entrevistar um ministro de igual para igual”, que “processam informações capazes de questionar o Estado”.

Criticou ainda a sustentação, pelo livro, do fim do espelhamento entre Redações –divididas em editorias– e Estado. “Por que as divisões? Porque as Redações olham para o Estado, fiscalizam. É uma reunião de pessoas que conseguem dirigir um olhar sem subserviência, sem subordinação ao poder”.

Dávila acrescentou que é um erro pensar que as redes sociais podem substituir o que Bucci chamou de grandes Redações”.

A natureza das redes sociais “é reforçar as convicções dos usuários: você tem sua rede de amigos, que mais ou menos pensa como você, e se relaciona com o conteúdo que eles reproduzem”.

A função social da imprensa é oposta: “Expor o leitor, o usuário, o internauta ao contraditório, a ideias diferentes das suas, a notícias que ele não sabia que queria e que são apresentadas com uma curadoria feita pelo jornalismo profissional”, disse.

Houve ainda discordância entre Serva e a ombudsman quanto à qualidade do jornalismo on-line. Para o colunista, ele “não publica coisas apressadas e falsas, como diz o senso comum”, porque sua dinâmica inclui autocorreção.

“Empiricamente, acredito no oposto”, disse Guimarães. Para ela, profissionais experientes melhoram o texto do site. “Está muito longe do ideal, mas a integração das Redações ajudou muito o [produto] digital.”

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