Quarta-feira, 22 de Maio de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1038
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Estudo aponta manipulação de buscas na Web

Por Lygia Aguillar em 07/07/2015 na edição 858

Um estudo divulgado nos EUA concluiu que o Google manipula e distorce resultados de buscas para favorecer os próprios produtos. A análise foi feita pelos professores Michael Luca, da Harvard Business School, Tim Wu, da escola de direito da Universidade de Columbia, e por cientistas de dados do app de recomendações de serviços Yelp, velho inimigo do Google.

A revelação chega num momento delicado, já que o Google é processado na Europa por concorrência desleal e deve apresentar uma resposta sobre o assunto para a Comissão Europeia até o dia 17 de agosto. Em 2011, a Comissão Federal de Comércio dos EUA (FTC, na sigla em inglês), iniciou uma investigação sobre atitudes monopolistas e abusivas do Google após o Yelp acusar a empresa de exibir as resenhas e avaliações do serviço no resultados de busca como se fossem suas, sem direcionar o usuário para o seu site e, posteriormente, barrar a empresa nos resultados de busca. O FTC encerrou a investigação em 2013, após fechar um acordo com o Google e estabelecer que a companhia não poderia bloquear sites especializados, como o Yelp.

Agora, Tim Wu, que além de um advogado respeitado é ex-membro do FTC, aparece como autor de um estudo que vai contra o Google, apesar de no passado ter dado pareceres favoráveis ao gigante das buscas. “Quando os fatos mudam, suas conclusões podem mudar também”, disse Wu em entrevista ao site norte-americano Re/Code. “A mais surpreendente e chocante descoberta é que o Google não está oferecendo o seu melhor produto. Na verdade, a empresa está apresentando uma versão degradada do seu produto e que é intencionalmente pior para os seus consumidores”, afirmou.

Procurado pelo Estado, o Google emitiu uma nota afirmando que o Yelp tenta usar esse tipo de argumento contra a empresa há cinco anos. “Este último estudo foi baseado em uma metodologia falha, que focou somente em alguns tipos de resultados escolhidos a dedo. No Google, nós estamos focados em entregar os melhores resultados para nossos usuários.”

A pesquisa se baseia em dados do Yelp. Ao fazer uma pesquisa no Google, o usuário pode encontrar avaliações sobre um estabelecimento ou a indicação de onde encontrar determinado serviço em um espaço no topo da página chamado de Onebox. O Google nega que nesses resultados privilegie informações de serviços próprios da marca, como o Google+ ou o Google Shopping. O estudo publicado ontem (29/06), porém, diz que o Google está mentindo. O Yelp criou um sistema para fazer testes A/B e recriar as buscas feitas pelo algoritmo do Google sem privilegiar os resultados de produtos da empresa.

Eles identificaram que ao realizar uma busca por “pediatra sem NY”, por exemplo, o Google exibiu 31 resultados, sendo todas avaliações feitas por meio da rede social Google+. Já na busca feita pelo sistema criado pelo Yelp, foram exibidos 719 resultados, nenhum deles relacionado ao Google+. Há pontos sensíveis no estudo. O Yelp não explica com detalhes a metodologia usada e os pesquisadores Wu e Luca foram pagos pela empresa, que é inimiga do Google, para participar da pesquisa.

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