Sexta-feira, 22 de Junho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº992
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HOMENAGEM A ALBERTO DINES > A crítica de mídia no Brasil

O jornalista e o engraxate

Por Luiz Egypto em 29/05/2018 na edição 989

Publicado originalmente no livro Ensaios em homenagem a Alberto Dines, de Avraham Milgram e Fábio Koifman (orgs.), 432 pp., Edições de Janeiro, Rio de Janeiro, 2017

Nosso ofício que começa e se esgota a cada novo dia é, no entanto, o exercício da permanência, da duração. Por melhor ou pior que tenha sido a edição anterior, o que vale é a seguinte. E depois dela, a outra. É um nunca acabar, ou eterno renascer. Um grande jornal faz-se com a consciência do tempo. Os fios que importam são os invisíveis, aqueles que amarram o leitor e o trazem de volta todos os dias para a maravilhosa aventura de saber um pouco mais. [Alberto Dines, “Os fios do tempo”, Observatório da Imprensa nº 605 (31/08/2010), disponível em http://bit.ly/1KPavRn]

Dentre as tantas definições de jornalismo — das essencialmente técnicas às mais espirituosas —, uma parece expressar com exatidão o espírito do ofício e tudo o que o exercício da profissão implica: “O jornalismo é um eterno estado de prontidão”. Quem formulou o aforismo foi Alberto Dines, numa data qualquer, em meio a uma das tantas conversas que mantivemos em uma convivência profissional e humana que começou no início da década de 1990 e intensificou-se no período de 1997 a 2015.

Aquela foi apenas uma frase solta, e não por isso desimportante, entre os milhares de outras construídas na profícua carreira profissional trilhada por um menino que aprendeu com o pai imigrante a manter acesa uma inamovível preocupação com a justiça social e, ademais, a engraxar os seus próprios sapatos. Quando jovem, queria ser cineasta (dirigiu o documentário Secas escreveu roteiros, assinou críticas na revista de cinema Cena Muda), até que, em 25 de agosto 1952, teve sua carteira de trabalho assinada como repórter na revista Visão e ali abraçou uma profissão que o converteria em um dos expoentes do jornalismo brasileiro do século 20.

Depois da Visão, Dines trabalhou na revista Manchete; foi editor na Última Hora, sob a direção de Samuel Wainer; reformou e revitalizou o Diário da Noite; comandou o lançamento da revista Fatos & Fotos e chegou a editor-chefe do Jornal do Brasil, veículo que sob sua batuta, entre janeiro de 1962 e dezembro de 1973, instituiu um novo paradigma de qualidade no jornalismo brasileiro. Mais adiante, trabalhou na Folha de S.Paulo, no Pasquim e na Editora Abril (no Brasil e em Portugal). Na área acadêmica, lecionou Jornalismo Comparado na PUC-Rio de 1963 a 1972, foi professor visitante na Escola de Jornalismo da Universidade Columbia (Nova York, 1974-75) e responsável pela disciplina História e Mudanças no Jornalismo, no Curso de Pós-Graduação em Jornalismo com Ênfase em Direção Editorial, da Escola Superior de Propaganda e Marketing (São Paulo, 2011-2013).

Em que pese sua longa história profissional do jornalista e professor, interessa aqui o Alberto Dines observador da imprensa, o mestre de ofício dedicado ao exercício perene de observação ativa e transformadora do objeto de seu trabalho cotidiano. O profissional crítico convencido de que o simples ato de observar, medir e interpretar um fenômeno concorre para a modificação desse mesmo fenômeno. A observação da mídia, por decorrência, é também uma forma de intervenção no comportamento e nos procedimentos adotados pelos meios de informação jornalística.

Coube a Dines inaugurar a prática sistemática da crítica da mídia no Brasil. Primeiro com a coluna “Jornal dos Jornais”, publicada nas edições dominicais da Folha de S.Paulo, entre julho de 1975 e setembro de 1977, depois assinando artigos sob as retrancas “Jornal da Cesta” (Pasquim, 1980-82), “Pasca Tasca” (Pasquim São Paulo, 1986) e a coluna “Observatório” (revista Imprensa, 1992-93), até chegar ao portal Observatório da Imprensa, gestado por ele a partir de 1994 e que finalmente tomou forma, na internet, em abril de 1996. O diferencial do Observatório da Imprensa reside na sua dupla configuração de veículo jornalístico cuja pauta primordial é a crítica dos meios de informação, em especial os jornalísticos, e de fórum de discussões sobre a mídia aberto à participação da cidadania. O Observatório nasceu compromissado com o debate em prol da excelência da atividade jornalística e com a tese – de resto comprovada – de que o jornalismo é um exercício crítico permanente ao qual todos os atores do processo da informação devem ser submetidos, inclusive o próprio jornalismo [Cf. DINES. “Um compromisso, uma história, um saldo”, Observatório da Imprensa nº 379 (02/05/2006), disponível em http://bit.ly/1Qfqryt].

“Jornal dos Jornais”

O caminho foi extenso até chegar ao Observatório da Imprensa. Em 1965, instado por Manoel Francisco do Nascimento Brito, então controlador do Jornal do Brasil, Dines matriculou-se em um curso para editores latino-americanos na Universidade Columbia (EUA). Como parte das obrigações acadêmicas, os alunos deveriam escolher um jornal americano para estudar – e Dines elegeu The New York Times”. No período em que frequentou o diário, chamou-lhe a atenção uma publicação interna intitulada Winners and Sinners [ganhadores e pecadores, em tradução livre], na qual os jornalistas do Times comentavam e criticavam livremente as edições jornal. Ali se exercia um tipo de crítica de mídia, embora com foco direcionado exclusivamente ao que publicava o Times. Inspirado nessa experiência, Dines voltou ao Brasil com o projeto de criar, no Jornal do Brasil, os Cadernos de Jornalismo.

O primeiro número da nova publicação saiu ainda em 1965. Dali em diante o título manteve circulação irregular, mas com menos três edições por ano. A partir de 1968, os Cadernos passaram ser vendidos em livrarias. Até a saída de Dines do jornal, em dezembro de 1973, foram impressas 49 edições. No texto de apresentação do número 1, onde demarcava a função da publicação como estimuladora do “processo de aprimoramento técnico dos jornalistas”, Dines escreveu:

“Como cumprir com a função educativa e de difusão cultural se ao próprio jornalista não forem fornecidas oportunidades para o seu aprimoramento? Esta é a motivação número 1 desta publicação, ainda que a meta seja grande demais para um grupo de jornalistas isolados alcançar.” [JAWSNICKER, Claudia. “Cadernos de Jornalismo e Comunicação: iniciativa precursora de media criticism no Brasil”. Revista Alceu vol. 8, nº 16, jan/jun 2008, disponível em http://bit.ly/1PL1GEO]

Da sexta edição em diante, os Cadernos de Jornalismo adotaram a denominação de Cadernos de Jornalismo e Comunicação. Sua proposta editorial navegava pelas questões técnicas do ofício e também abrigava reflexões teóricas sobre a profissão, a mídia e a comunicação em geral. Foi a primeira publicação brasileira dedicada à abordagem crítica sobre a mídia, como o próprio Dines admite:

“(…) para mim os ‘Cadernos de Jornalismo e Comunicação’ têm importância porque essa publicação foi a primeira etapa de uma série de coisas que fui fazendo nessa área: o ‘Jornal dos Jornais’, o Observatório da Imprensa.” [UCHA, Francisco. “O rapaz que sonhava ser cineasta”. Jornal da ABI nº 374 e 375, jan/fev de 2012, título original “Dines Extraordinário!”; reproduzido no Observatório da Imprensa, disponível em http://bit.ly/1O9GSVA]

A última edição de Cadernos de Jornalismo e Comunicação, a de número 50, preparada às vésperas da demissão de Dines do Jornal do Brasil, não foi para o prelo e seus originais se perderam. Entre estes havia um artigo intitulado “A crise do papel e o papel dos jornais”, no qual Dines fazia uma análise da imprensa brasileira e mundial à luz do primeiro choque do petróleo e da crise do papel imprensa que então se abatera sobre a indústria jornalística. No texto, apontava a necessidade de a imprensa se aprimorar diante do avanço avassalador da televisão, defendendo que os jornais só podiam contar com a qualidade do jornalismo que produziam para fazer frente ao poderoso concorrente eletrônico. A convocação era singela: diante de um mercado adverso, a melhor alternativa é investir em um jornalismo melhor, um jornalismo de ponta.

As anotações originais desse artigo serviram para inspirar uma acurada reflexão que logo se transformou no livro O papel do jornal, a cuja redação Dines dedicou seus primeiros meses de desemprego. A primeira edição do livro é de abril de 1974 e a mais recente, a nona, sob o título O papel do jornal e a profissão de jornalista, foi para as livrarias em 2009, depois de sucessivas edições revistas e ampliadas.

Sem perspectivas imediatas de emprego no Brasil, Dines foi convidado para atuar como professor visitante na Escola de Jornalismo de Columbia, para onde se deslocou em agosto de 1974, o mesmo mês em que Richard Nixon renunciava à presidência dos Estados Unidos para escapar de um processo de impeachment. Vivendo em Nova York, e leitor obsessivo de jornais e revistas, Dines acompanhou com interesse as discussões sobre o comportamento da imprensa no pós-Watergate e evolução das críticas ao chamado check-book journalism, ou “jornalismo de talão de cheques”, mecanismo por meio do qual algumas fontes bem situadas ousavam cobrar por informações que forneciam — e alguns jornalistas e empresas jornalísticas aceitavam pagar. Esse debate sobre o comportamento da imprensa se travava na própria imprensa — e foi justamente esse aspecto até então inusitado que chamou a atenção de Dines. Foi nessa estada em Columbia — onde, anos antes, em 1970, recebera o Prêmio Maria Moors Cabot — que, pela primeira vez, ele ouviu e assimilou a expressão media criticism.

A temporada em Nova York coincidiu com uma etapa de grandes transformações no Brasil. O general Ernesto Geisel, eleito em eleições indiretas, havia tomado posse na presidência da República, em março de 1974, prometendo relaxar o regime ditatorial por meio uma distensão política “lenta, segura e gradual”. Atento ao novo cenário, o publisher Octavio Frias de Oliveira, da Folha de S.Paulo, jornal que havia comprado em 1962, decidiu fazer uma reforma profunda no seu empreendimento jornalístico com o fito de aumentar a participação da Folha no mercado à época dominado pelo quase centenário O Estado de S. Paulo. Frias convidou o jornalista Cláudio Abramo para comandar o projeto, e este procurou se cercar de profissionais de primeiro nível — Alberto Dines entre eles — para dar conta da tarefa. Anotou Cláudio Abramo, no livro A regra do jogo:

“Frias decidiu mudar a Folha basicamente por razões de competição de mercado. O Estado podia ficar na oposição sem perder prestígio, pois era e sempre foi do establishment; sobre o Estado nunca pesou uma ameaça real. A Folha podia obedecer integralmente à censura, mas não era de confiança. (…) Frias percebeu então que seu jornal só poderia prosperar num regime democrático, e por isso adotou a linha combativa.” [ABRAMO, Cláudio. A regra do jogo, Companhia das Letras, São Paulo, 1988, p. 88]

Pelas mãos de Abramo, Dines foi conhecer o novo patrão. Para o livro Eles mudaram a imprensa – Depoimentos ao CPDOC, ele recordou seu encontro com o dono da Folha:

“Foi um encontro memorável. Era maio de [19]75. O Frias disse assim: ‘Dines, eu tenho o único jornal que tem condições de fazer uma revolução na imprensa. Os outros estão todos amarrados com o governo, devem fortunas ao governo. O Globo, você sabe; o Jornal do Brasil, você sabe; o Estadão (…) enterrou dinheiro no prédio. Eu sou o único que não deve um tostão. (…) Tenho dinheiro, estou capitalizado, tenho uma tiragem espetacular.” [ABREU, Alzira Alves; LATTMAN-WELTMAN, Fernando e ROCHA, Dora. Eles mudaram a imprensa – Depoimentos ao CPDOC. FGV Editora, Rio de Janeiro, 2003, p.118]

Dines foi chamado para chefiar a sucursal do Rio da Folha e escrever um artigo político diário para o jornal. Aceitou, e contrapropôs:

“Eu disse [ao Frias]: ‘Está bem. Aceito’. (…) ‘Não quero ganhar um tostão a mais, mas quero que na edição de segunda-feira, no último caderno, você me dê um espaço. Quero escrever uma coluna de crítica de mídia. Ele disse: ‘Dines, não te mete nisso! Você vai ganhar inimigos. Eles vão te matar. Essa gente é vingativa, não te mete nessa coisa!’ Comecei a falar sobre Watergate, sobre o que tinha acontecido. Disse: ‘Nós estamos com a imprensa sob censura. Já que vamos fazer uma revolução, temos que começar a falar sobre a imprensa! Isso é importantíssimo! O processo começa com a própria imprensa’. O Frias sacou: ‘Está bom. Então, no primeiro caderno, domingo’ – eu tinha pedido segunda-feira, segundo caderno, e ele me botou no domingo, no primeiro, página 6. A coluna chamava-se ‘Jornal dos Jornais’.” [Idem, p. 119]

A nova seção foi batizada como “Jornal dos Jornais”. Refletindo o clima gerado pelas promessas liberalizantes do governo Geisel, a primeira nota da coluna de estreia, publicada em 6 de julho de 1975, levava o título de “A distensão é para todos”. Alguns trechos:

“O direito à informação não funciona apenas num sentido, mas tem múltiplas direções: serve aos veículos para informar ao público e serve ao público para se informar sobre os veículos. Democracia vale para todos, caso contrário não é democracia.

“A grande consequência do episódio Watergate, com repercussões mundiais, não foi apenas o fortalecimento da imprensa e a sua institucionalização como quarto poder. A dinâmica e a flexibilidade do processo democrático converteram os meios de comunicação dos EUA, simultaneamente, em grandes campeões e grandes alvos. O acusador, se não passou a acusado, pelo menos sente-se fiscalizado, o que lhe traz mais responsabilidade e ainda maior respeito.

“Hoje, menos de um ano depois da renúncia de Nixon, desponta um novo tema até então circunscrito às academias, associações de classe e aos órgãos especializados — ‘o media criticism’. A imprensa, os jornalistas, os meios de comunicação, os conflitos de interesses, tudo está sendo salutarmente questionado, revirado, exposto.

“Espontaneamente a imprensa se submete à mesma devassa que ela própria provocou na sociedade americana. Porque a imprensa integra a sociedade, é reflexo dela, não pode esconder-se em santuários que ela própria nega aos poderes políticos e econômicos.

“Assim, a liberdade de imprensa finalmente está sendo usada, ou está prestes a ser usada, em todos os sentidos e direções. E só assim o binômio liberdade-responsabilidade poderá ser posto em funcionamento. A opinião pública despertada e estimulada pela imprensa, agora se acha no direito de saber o que se passa em seus bastidores.

“No Brasil, a crítica à imprensa não é recente. A Última Hora de Samuel Wainer também nisto inovou com a famosa coluna de Octávio Malta. No mesmo vespertino seguiram-se Paulo Francis e Artur da Távola (Paulo Alberto Monteiro de Barros), que continuam no veio, o primeiro escrevendo de Nova York para a Tribuna da Imprensa (Rio) e o segundo comentando diariamente a televisão em O Globo.

“A partir de 1963, quando Hélio Fernandes comprou a Tribuna da Imprensa, passou a ocupar-se com frequência com jornais e jornalistas, tendo mesmo, em fins de [19]73, levado durante vários dias para a primeira página uma crise que atingia o Jornal do Brasil [N. do A.: que redundou no afastamento do próprio Dines]. Seu raciocínio na ocasião foi simples: o que se passa dentro de um jornal interessa diretamente aos leitores, que são justamente aqueles que dão peso e força a este jornal, comprando-o, lendo-o e respeitando suas informações. Infelizmente, o mesmo não pensavam as autoridades censórias da então Guanabara, que impediram a continuação daquelas publicações, sob a alegação de que era uma ‘intromissão em assunto privado de uma empresa’.

“A revista Veja, sob a direção de Mino Carta, foi a primeira publicação que regularizou a cobertura noticiosa dos meios de comunicação com uma rubrica semanal. [A revista] Visão, em certa fase, sob a inspiração de Zuenir Ventura, também se ocupou com a temática profissional. O Pasquim, desde 1968, com a sua famosa verve e o seu descomprometimento, se ocupa à farta com a vida dos jornais.

“Assim, a coluna que a Folha de S.Paulo inicia hoje, e que será publicada todos os domingos, não é um fato novo, nem isolado. Representa uma continuidade, uma preocupação antiga e constante da imprensa brasileira em se aperfeiçoar através da discussão franca.

“O único fato novo é que esta coluna está sendo lançada no exato momento em que a distensão política está sendo discutida e tentativamente implantada. No momento em que todos pedem mais debates, porque só estes é que fortalecem as instituições, cabe à imprensa mostrar que expor-se às críticas não é danoso, nem doloroso.

“A função da crítica responsável é estimular, elevar os padrões. Onde a crítica está vigilante, seja no campo das artes como no das ideias, a qualidade se eleva. Quando a crítica abranda, abre-se o caminho para a estagnação.

“Cabe à imprensa provar em sua própria carne que abrir-se à crítica não é prova de vulnerabilidade, mas de amadurecimento. O que prejudica é o silêncio.

“É hora, pois, de mostrar que a distensão vai servir a todos e que a liberdade não é propriedade de alguns poucos.” [DINES. “A distensão é para todos”. Folha de S.Paulo, 06/07/1975, p. 6]

Publicado há mais de quarenta anos, este texto mantém o vigor e a atualidade de um programa de observação da imprensa que Dines cumpriu à risca ao longo de sua subsequente trajetória. De tudo o que o jornalismo brasileiro produziu entre julho de 1975 e setembro de 1977, nada ficou de fora do radar do “Jornal dos Jornais”.

Os textos da coluna tinham entre 12 mil a 14 mil caracteres (com espaços). A receita editorial da coluna consistia em uma nota de abertura, que “puxava” o título principal, seguida de outras, menores, mas não por isso menos relevantes. No quinto dos nove tópicos da coluna publicada em 12 de outubro de 1975, por exemplo, sob o título “Caça às bruxas”, apareceu a primeira manifestação em jornal de grande circulação sobre as ameaças que então sofria o jornalista Vladimir Herzog, diretor de Jornalismo da TV Cultura de São Paulo. Escreveu Dines:

“Fazer crítica à imprensa considerando aspectos puramente profissionais e objetivos é uma necessidade. Faz parte da maturação do processo jornalístico e deve ser praticada por todos. Mas abandonar problemas objetivos de qualidade e ética e incorporar-se aos denunciadores da infiltração ideológica nos meios de comunicação é, no mínimo, trair sua própria classe hoje tão amordaçada, pagando por erros que não cometeu.

“É o caso de dois jornalistas, um em São Paulo e outro no Rio, que desencadearam ultimamente uma ofensiva política. Aqui, trata-se de Cláudio Marques, colunista do Shopping News (‘Coluna Um’, página dois), que há três domingos vem investindo contra o Departamento de Jornalismo da TV Cultura, a quem o jornalista apelida de TV Vietcultura. A campanha chegou a tentar macular a própria figura do secretário [estadual de Cultura] José Mindlin.

“No Rio, trata-se de Adirson de Barros, colunista de Última Hora, que não apenas denuncia a infiltração vermelha na imprensa brasileira como, inclusive, cita o caso do seu próprio jornal.” [DINES. “Caça às bruxas”. Folha de S.Paulo, 12/10/1975, p. 6]

No sábado, dia 25 de outubro de 1975, Herzog foi assassinado, sob tortura, nas dependências do DOI-Codi, em São Paulo. A coluna “Jornal dos Jornais” daquele fim de semana já estava fechada, prestes a ser impressa. Mas no domingo seguinte, 2 de novembro, Dines dedicou todo seu espaço a analisar a cobertura jornalística oferecida pela imprensa brasileira sobre os fatos ocorridos naquela semana trágica. “Vamos nos ocupar aqui dos aspectos puramente jornalísticos deste episódio que abala o país já há uma semana. Em outras páginas e em outros dias nos ocupamos da morte do jornalista nos seus aspectos morais, legais e políticos”, escreveu Dines, na abertura da coluna. E o que se segue é um exemplo acabado de media criticism, em que o equilíbrio da análise se sobrepõe à emoção e à raiva. Por essas e outras tantas razões o “Jornal dos Jornais” marcou época, sobretudo por aplicar à crítica da mídia os fundamentos do ofício jornalístico.

Crítica permanente

A última coluna circulou no domingo, 11 de setembro de 1977. No domingo seguinte, 18 de setembro, em uma nota curta, em duas colunas, a Folha avisava: “Por motivos de ordem técnica, deixa de sair nesta edição o ‘Jornal dos Jornais’, de Alberto Dines, que retornará no próximo domingo”. Não retornou.

Os “motivos técnicos” alegados para a suspensão do “Jornal dos Jornais” eram, em realidade, políticos. No sábado, 17 de setembro de 1977, Cláudio Abramo fora afastado da direção de Redação da Folha de S.Paulo na esteira de um episódio envolvendo um dos colunistas do jornal. Na página 12 da edição do dia seguinte, sob o título “Lourenço Diaféria presta depoimento”, o jornal informava que seu cronista havia sido ouvido no dia anterior pela Polícia Federal e saíra do depoimento enquadrado na Lei de Segurança Nacional. Isso porque, dias antes, em 1º de setembro, Diaféria publicara na Folha uma crônica sobre um sargento do Exército que morrera no Zoológico de Brasília ao pular num poço de ariranhas para salvar a vida de um menino. “Prefiro esse sargento ao duque de Caxias”, escreveu Diaféria. “O duque de Caxias é um homem a cavalo reduzido a uma estátua. (…) O povo está cansado de espadas e cavalos. O povo urina nos heróis de pedestal”.

O texto irritou os militares identificados com o ministro do Exército Silvio Frota, então candidato à sucessão de Ernesto Geisel. Diaféria foi preso. Em 16 de setembro, o espaço de sua coluna saiu em branco, como forma de protesto. Foi a gota d’água. O general Hugo Abreu, ministro-chefe da Casa Militar do governo Geisel, telefonou a Octavio Frias de Oliveira e exigiu a demissão de Cláudio Abramo. O jornal acatou as determinações do poder em nome da sua sobrevivência empresarial. Frias passou a direção da empresa para o sócio Carlos Caldeira; em 20 de setembro retirou sua assinatura de diretor-presidente do alto da primeira página e substituiu-a pelo byline “Editor-responsável: Boris Casoy”.

Cláudio Abramo, alijado da Redação, pouco tempo depois foi ser correspondente do jornal na Europa. Alberto Dines teve interrompido o seu “Jornal dos Jornais”, deixou de escrever artigos políticos na página 2, mas manteve as funções executivas na sucursal do Rio. Em 21 de setembro de 1977, a Folha parou de publicar editoriais e, em seu espaço, criou na página 2 a seção “Análise/Perspectivas”, onde reproduzia artigos traduzidos sobre política internacional. Ali Dines voltou a escrever — sem assinatura — textos sobre filosofia “cozinhados” da coleção “História da Filosofia”, de Dario Antiseri e Giovanni Reale. O primeiro artigo aparece em 21 de outubro, com o título “Camus e o suicídio”, ao que se seguiram “Kierkegaard e o desespero” (22/10), “Montesquieu e os chineses” (23/10), “Spinoza e o Estado” (28/10), e por aí foi.

A partir de janeiro de 1978, aos poucos Dines retomou seu artigo habitual da página 2. Depois de uma greve de jornalistas em São Paulo, deflagrada em maio de 1979, retirou-se do cargo de chefia e tornou-se apenas articulista da Folha. Deixou o jornal em 1980.

Os motivos para sua saída vinham se acumulando em razão de um tenso relacionamento profissional com o diretor de Redação Boris Casoy, que vetava alguns dos textos de Dines. No auge de uma greve dos metalúrgicos do ABC paulista, iniciada em 1º de abril de 1980, Dines escreveu o artigo “São Paulo e os dois Paulos” (referência a Paulo Maluf e d. Paulo Evaristo Arns). Não foi publicado. Em seguida escreveu outro, sobre o mesmo tema, com outro título. Não saiu. Insistiu no assunto uma terceira vez, e nada. Decidiu, então, publicar no Pasquim o artigo embargado. Lembra Dines:

“Eu era muito ligado ao pessoal do Pasquim, que sempre me perguntava se eu não queria escrever para eles, e tive uma ideia: (…) criei, naquela hora, uma seção, que depois eu continuei, chamada ‘Jornal da Cesta’, com uma frasezinha que atribuí a Shakespeare, porque no Pasquim você podia fazer isso, dizendo: ‘A história da imprensa não se faz só com o que sai publicado, mas com o que vai para a cesta’. Botamos o artigo, paginado como se fosse a página 2 da Folha, escrito embaixo: AD.” [ABREU, Alzira Alves; LATTMAN-WELTMAN, Fernando e ROCHA, Dora. Op.cit., p.118]

Por causa dessa “indisciplina”, Dines foi demitido da Folha. Não se abateu e, dali em diante, passou a dedicar-se a uma paixão até então escondida: a literatura. Manteve colaboração regular com o “Jornal da Cesta” e, em novembro de 1981, lançou a primeira edição de Morte no paraíso, uma biografia do escritor Stefan Zweig. Logo foi convidado a prestar consultoria para a Editora Abril e, em 1982, foi contratado para atuar na Secretaria Editorial da editora. “Roberto Civita queria que eu realizasse alguns dos sonhos dele”, lembra Dines [declaração ao autor, 01/11/2013]. Um deles foi implantar o Curso Abril de Jornalismo, que formou a primeira turma em 1983. Também organizou o Curso Nacional para Professores de Jornalismo, uma parceria da Abril com o hoje extinto jornal Gazeta Mercantil e a Associação Nacional de Jornais (ANJ), então presidida por Maurício Sirotsky, com apoio do Ministério da Educação. Esta experiência foi reeditada anos mais tarde, no Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Seu já testado pendor de biógrafo levou Dines a enfrentar uma nova tarefa, a biografia de Antônio José da Silva, “o Judeu”. Para tanto ganhou uma bolsa da Fundação Vitae, demitiu-se da Abril e foi morar em Lisboa para pesquisar a história da Inquisição portuguesa em fontes primárias. Com o fim da bolsa, aceitou o convite da Abril para integrar-se aos projetos de revistas que a editora brasileira logo iria lançar em Portugal. Aproveitou para ampliar a apuração sobre a história de Antônio José da Silva e produziu o monumental Vínculos de fogo, um volume de 1056 páginas sobre a odisseia dos judeus ibéricos, lançado no Brasil em 1992.

No começo da década de 1990, de volta ao Brasil para tratar de uma doença pulmonar mal curada em Lisboa, Dines encontrou uma imprensa seduzida pelas mágicas dos gurus do marketing. A circulação dos jornais crescia artificialmente em função de promoções mercadológicas de toda ordem, de fascículos colecionáveis a panelas de cozinha. No plano editorial, a imprensa promovia denúncias diárias que atiçavam o processo político que redundaria na renúncia do então presidente Fernando Collor de Mello. O jornalismo brasileiro estava em ebulição.

Entre 1992 e 93, ainda residindo em Portugal, Dines escreveu uma coluna na revista Imprensa, sob a retranca “Observatório”. Já nesse momento ele acalentava o projeto de criar uma entidade que trabalhasse para elevar os padrões de qualidade da imprensa brasileira por meio de seminários, colóquios e cursos de pós-graduação latu sensu. O professor Carlos Vogt, então reitor da Unicamp, animou-se com a ideia de Dines e aceitou ajudar a levá-la adiante. Numa viagem à Europa, Vogt fez escala em Lisboa e os dois travaram uma conversação que durou todo um fim de semana. Dali saíram os planos para a constituição do Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo (LabJor), que em 1994 passou a funcionar como um “centro de pesquisa e acompanhamento crítico da mídia” [ver http://bit.ly/1Th2eaa], vinculado ao Núcleo de Desenvolvimento da Criatividade (Nudecri), da Unicamp. Além de Dines e Vogt, o professor José Marques de Melo também participou do grupo fundador. O primeiro evento público do LabJor foi o seminário “A Imprensa em Questão”, realizado em abril de 1994. Outros seminários se seguiram, além de cursos de aperfeiçoamento para jornalistas e professores, conferências e workshops. Ainda em 1994, o LabJor promoveu o Seminário de Atualização para Professores de Jornalismo. Da convivência dos participantes do seminário nasceu a ideia da construção do Fórum Nacional de Professores de Jornalismo (FNPJ), ainda hoje na ativa.

Em 1995, o LabJor promoveu o Curso de Especialização em Jornalismo Esportivo, seu primeiro curso de extensão, em nível de pós-graduação. E Alberto Dines, agora fixado em São Paulo, matutava formas de criar uma publicação que pudesse dar organicidade ao processo de observação da mídia que então se consolidava no LabJor. Os planos encontravam um obstáculo poderoso, os custos. Onde buscar recursos para montar uma redação — aluguel, mobiliário, equipamentos, telefonia — e fazer frente aos investimentos para a compra de papel, contratação de gráfica e sistema de distribuição? O impasse foi resolvido por um dos pesquisadores do LabJor, o jornalista Mauro Malin, que lembrou a seus pares que havia pouco mais de um ano estava em curso a implantação do serviço de internet comercial no Brasil. A nova plataforma, argumentava Malin, poderia suportar um veículo jornalístico sem o peso dos custos de instalações físicas e processos industriais de impressão e distribuição. Afora o fato de que a internet representava o futuro para os meios de comunicação.

A primeira edição do Observatório da Imprensa apareceu na web em 1º de abril de 1996; a segunda, em 1º de julho. Depois da terceira, publicada em 5 de agosto, as edições passaram a ser quinzenais, “subindo” todos os dias 5 e 20 de cada mês – inicialmente hospedadas em um servidor da Unicamp, depois no UOL e, mais adiante, no iG.

A periodicidade quinzenal logo se mostrou insuficiente para um veículo jornalístico baseado em uma plataforma tão dinâmica como a internet. Depois de novembro de 1999, as edições dos dias 5 e 20 foram intercaladas por outras duas, nos dias 12 e 27 — às quais se deu o nome de “Última Hora”. Em 7 de fevereiro de 2001, as edições passaram a ser publicadas na web nas manhãs das terças-feiras. Com a disseminação das conexões por banda larga e o aprimoramento dos sistemas publicadores, as atualizações do Observatório tornaram-se diárias, a partir da edição-base apresentada às terças-feiras.

Enquanto isso, o Observatório da Imprensa estreava uma versão televisiva em maio de 1998, na antiga TV Educativa do Rio de Janeiro (TVE), com sinal distribuído pela Rede Pública de TV. Com a incorporação da TVE pela Empresa Brasil de Comunicação, criada em outubro de 2007, o programa passou a ser transmitido pela TV Brasil. Houve ainda uma edição impressa do Observatório, de periodicidade mensal e distribuição gratuita, que circulou entre agosto de 1997 e março de 2000 com o resumo das edições quinzenais na web, patrocinada pelo Xerox do Brasil. Por fim, em 4 maio de 2005, o Observatório estreou um programa radiofônico diário, com cinco minutos de duração, transmitido de segunda a sexta-feira por emissoras públicas e acadêmicas até o fim junho de 2015, quando foi extinto.

Na concepção e animação — no sentido de “dotar de alma” — dessas iniciativas, a presença de Alberto Dines. Sob sua inspiração, o site do Observatório firmou-se como a matriz integradora de um projeto multiplataforma articulado em torno de um mesmo pressuposto:

“[O Observatório] sempre esteve ciente de que a democracia é um processo dinâmico e que cada poder necessita de um contrapoder para equilibrá-lo. O único e legítimo contrapoder ao poder da imprensa é a conscientização do cidadão-leitor, cidadão-ouvinte, cidadão-telespectador e cidadão-internauta. [O Observatório] considera o exercício crítico como ação política, mas a partidarização desta crítica converte-a em algo tão enganoso quanto as manipulações que pretende corrigir.” [DINES. “Um compromisso, uma história, um saldo”, Observatório da Imprensa nº 379 (02/05/2006), disponível em http://bit.ly/1Qfqryt]

Jornalismo necessário

O Observatório da Imprensa nasceu em meio ao turbilhão provocado pela mais profunda mudança por que passou o jornalismo desde o aparecimento da imprensa periódica, no começo do século 17. Surgiu 27 anos depois do estabelecimento do primeiro link da rede Arpanet, precursora da internet, quinze anos depois do lançamento do primeiro computador pessoal, cinco anos após a criação da web, dois anos depois do início dos serviços de internet comercial no Brasil. O Observatório acompanhou a crescente popularização das tecnologias de informação e comunicação; assistiu, com olhar crítico, às transformações havidas no mundo do jornalismo, obrigado a uma profunda reciclagem em vista da disseminação dos novos padrões de conectividade e de interatividade impulsionados pelas redes sociais. As empresas jornalísticas, que tradicionalmente operavam modelos de negócio baseados no domínio absoluto da cadeia produtiva, de um só golpe perderam a primazia da notícia e do controle sobre a distribuição de seus conteúdos — isto é, foram atingidas no âmago dos antigos padrões de rentabilidade de seu negócio. Em simultâneo, a indústria da mídia precisou adaptar-se à nova realidade suscitada pela ubiquidade de seus públicos fiéis e potenciais. Onde estão agora os leitores e as audiências? Estão em qualquer lugar, em todos os lugares.

As situações de crise, no entanto, sempre carregam em si os germes da inventiva. Diante da avalanche digital, permanece válida a proposição formulada por Alberto Dines nos anos 1970, quando publicou a primeira edição de O papel do jornal: para arrostar o aumento da concorrência, a saída é aplicar aos veículos doses maciças de bom jornalismo para conquistar a atenção pública. O objetivo principal deve ser garantir a existência de um modelo jornalístico sustentável para um negócio — a imprensa livre e independente — vital para a democracia. E essa meta deve ser alcançada no contexto de um cenário desafiador e mutante, tal como descrito no relatório “Jornalismo pós-industrial — Adaptação aos novos tempos”, produzido por pesquisadores do Tow Center for Digital Journalism, da Universidade Columbia [ANDERSON, C. W; BELL, Emily e SHIRKY, Clay. “Jornalismo pós-industrial: O ecossistema”. Tow Center for Digital Journalism, Escola de Jornalismo da Universidade Columbia, 2012. Conclusão do relatório e links para as suas seções disponíveis em http://bit.ly/1odmUUM]. Seus autores assim descrevem o novo ecossistema jornalístico da segunda década do século 21:

“O jornalismo sempre teve meios para receber denúncias e sempre foi ouvir o cidadão nas ruas. Membros do público sempre recortaram e passaram adiante matérias de seu interesse. A novidade aqui não é a possibilidade de participação ocasional do cidadão. É, antes, a velocidade, a escala e a força dessa participação — a possibilidade de participação reiterada, e em vasta escala, de gente anteriormente relegada a um consumo basicamente invisível. A novidade é que tornar pública sua opinião já não requer a existência de um veículo de comunicação ou de editores profissionais.” [ANDERSON, C. W; BELL, Emily e SHIRKY, Clay. Op.cit.]

Como imperativo de sobrevivência, ao jornalismo resta reciclar-se. Mesmo a contragosto, a indústria dá-se conta de que o que se passa nas redes sociais não é mais invenção das empresas, como antes, mas iniciativa dos usuários da mídia. O discurso unidirecional cedeu lugar à cacofonia de vozes, a informação organizada e hierarquizada foi substituída pela algaravia de notícias e opiniões. Todos esses fenômenos, aliás, acompanhados e analisados por Dines e pelo conjunto de articulistas do Observatório da Imprensa desde a sua primeva edição, em abril de 1996.

Diante de tantas transformações — e aqui vai o substrato das teses defendidas por Alberto Dines em numerosos artigos que assinou no Observatório —, o valor da reputação percebida pelas audiências será o melhor ativo com que poderá contar um veículo jornalístico, ou um jornalista individualmente. Dines defende o jornalismo socialmente necessário, crítico e a serviço do público, exercido sem negligenciar dos fundamentos construídos ainda era pré-digital, como a isenção, a clareza, a exatidão, a objetividade possível, a fidedignidade, o compromisso com a verdade factual e com o interesse público.

Um veículo reconhecido pelo rigor com que trata a matéria-prima jornalística e pela probidade em sua relação com as audiências gozará, certamente, de uma inestimável vantagem competitiva no novo mercado nascido sob a égide da revolução digital. Dines e o Observatório sempre estiveram atentos a isso. A experiência dos media watchers demonstra que, ao se perceberem observados, os veículos jornalísticos tendem a buscar o aprimoramento de seus controles de qualidade e a melhorar o produto que entregam ao público. No caso brasileiro, essa prática profilática começou com o “Jornal dos Jornais” e disseminou-se em todas as direções a partir do lançamento do Observatório da Imprensa e a posterior eclosão de vários outros “observatórios”. Em suma, Alberto Dines inaugurou a crítica de mídia no Brasil e contribuiu decisivamente para a sua propagação.

Para Dines, o jornalismo é uma atividade relevante para a manutenção do sistema de pesos e contrapesos que sustenta e promove a democracia e, no limite, o bem-estar das pessoas. A sociedade precisa do jornalismo. Por isso o compromisso do Observatório da Imprensa com as melhores práticas do ofício e com a qualificação do debate público sobre a mídia. Por isso a luta de uma vida inteira de Alberto Dines em favor de uma mídia jornalística forte, plural e diversificada. Como deve ser. Como a sociedade requer e precisa.

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Luiz Egypto é jornalista.

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