Terça-feira, 20 de Novembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1013
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IMPRENSA EM QUESTãO >

Jornais buscam novas receitas

Por Thiago Herdy, Tatiana Farah e Paulo Justus em 16/10/2012 na edição 716

Diversificar a receita e focar em novos mercados de mídia e conteúdo são caminhos que algumas empresas jornalísticas vêm tomando para sobreviver em meio à fragmentação das verbas publicitárias que atinge a indústria da comunicação. Mas ainda não há uma resposta para a pergunta: como continuar financiando o jornalismo investigativo em meio à revolução digital que desafia as empresas de mídia? Da mesma forma, ainda que a cobrança de conteúdo esteja sendo adotada por empresas no Brasil e no exterior, muitas organizações simplesmente optam por não mexer na audiência porque ter mais fluxo de leitores as ajuda a faturar mais com publicidade on-line. Cada empresa, portanto, deve montar sua própria fórmula de transição para a realidade da internet e das plataformas móveis de distribuição de conteúdo.

Essas foram algumas das conclusões do segundo dia de debates da 68ª Assembleia da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP, da sigla em espanhol), que acontece até terça-feira no Hotel Renaissance, em São Paulo, e que reúne cerca de 600 profissionais de mídias das Américas.

– Não está decretado o fim do jornal de papel ou do jornalismo, temos é que descobrir como fazer novos modelos capazes de subsidiar esse trabalho – diz Rosental Calmon Alves, diretor do Centro Knight para jornalismo nas Américas, da Universidade do Texas (EUA), para quem a solução não é um modelo único a ser copiado, mas vários modelos distintos, cada um adequado a contextos específicos.

Modelos que permitem a doação de leitores para financiar investigações jornalísticas têm funcionado nos EUA, por exemplo. Mas ainda não emplacou em países como o Brasil. Ganhar dinheiro com redes sociais também é um desafio. O especialista lembrou que 90% do tempo gasto hoje com leitura nos EUA são em tela, não em papel:

– A crise dos jornais dos EUA mostra o esgotamento do modelo. O problema não é a queda de circulação, que ocorre há 60 anos. O problema é a queda da publicidade. Os anunciantes estão descobrindo outras formas de anunciar.

Aposta em soluções híbridas

Rosental diz que é válida a discussão sobre cobrar ou não pela leitura de material na internet, mas aposta em soluções híbridas:

– Não acho que é uma coisa ou outra, é uma coisa e outra – acredita.

O mesmo pensa Marcello Moraes, diretor-geral da Infoglobo, que publica os jornais O GLOBO, “Extra” e “Expresso”:

– O jornal impresso vai sobreviver como carro-chefe pelo menos por dez anos. Só que este é o mundo do “e” e não do “ou”. O papel vai conviver cada vez com mais produtos digitais – disse Moraes. – O país vive um momento maravilhoso para testar todos os modelos de negócios e o “paywall poroso”, sistema de cobrança por acesso em termos quantitativos, adotado pelo jornal “New York Times”, não é a única forma de monetizar o serviço e garantir a produção de jornalismo de qualidade.

Unificação de redações

Para ele, o grande desafio dos meios de comunicação é mudar a cultura dentro das redações para fazer conviver os negócios e a produção de conteúdo tanto do mundo “offline” como “on-line”:

– O conteúdo pago tem de existir, com o bom jornalismo. E o conteúdo, para ter valor, deveria vir de um conjunto de produtos e não apenas de um – disse ele, citando os produtos produzidos hoje pela Infoglobo: jornais impressos, sites de notícias, aplicativos para celulares, produtos interativos para tabletes, a versão digital do impresso (flip) e o próprio acervo digital.

A executiva do Grupo Folha e vice-presidente da Associação Nacional de Jornais (ANJ), Judith Brito, disse que a ANJ estimula que as empresas fechem e rastreiem seu conteúdo.

A revolução digital não só criou novas narrativas jornalísticas e formas de produzir notícia, mas implicou mudanças na organização física das redações. Duas mudanças foram apresentadas ontem: a nova rotina de edição do “Estado de S. Paulo” e a unificação das redações do “El Tiempo”, na Colômbia.

No caso colombiano, em 2007 foram unificadas as equipes do jornal “El Tiempo”, de um diário econômico, um periódico popular, um jornal gratuito, um canal de TV aberta de Bogotá e um de TV a cabo, além de uma série de revistas. Essa redação, hoje, segundo Roberto Pombo, diretor do “El Tiempo”, tem 300 jornalistas que produzem 500 notícias por dia e 300 vídeos mensais.

No “Estado de S. Paulo”, a produção de conteúdo simultaneamente para site, tablet e smartphone exigiu adequação na rotina das decisões editoriais.

– O editor tem de pensar a curto, médio e longo prazos – diz Ricardo Gandour, diretor do Grupo Estado.

***

[Thiago Herdy, Tatiana Farah e Paulo Justus, de O Globo]

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