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Sexta-feira, 17 de Agosto de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1000
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Bezos muda rota do ‘Washington Post’

Por Emily Steel em 25/03/2014 na edição 791
Reproduzido do Valor Econômico, 19/3/2014; intertítulo do OI

O jornal The Washington Post vai oferecer a assinantes de jornais e serviços parceiros livre acesso a seus produtos digitais pagos, sendo essa uma das primeiras grandes novidades do jornal sob o comando de Jeff Bezos, fundador da Amazon.

Assinantes de mídia impressa e digital de outros jornais passarão a ter acesso ao site do Washington Post e a aplicativos móveis. A assinatura custa normalmente mais de US $100 por ano.

O programa será posto em prática em maio, e envolverá jornais americanos locais e regionais com uma circulação combinada de mais de 1 milhão de exemplares. A iniciativa poderá ser expandida de modo a incluir qualquer empresa que venda assinaturas premium, tais como o serviço de entregas Prime, da Amazon, o serviço Spotify de streaming de música e provedores de televisão paga, disse Steve Hills, presidente do Washington Post.

A novidade assinala uma mudança de estratégia do Washington Post, que planeja ampliar sua presença digital, após ter, anteriormente, praticado cortes de custos e se concentrado no mercado local. Em 2009, o jornal fechou sucursais em Nova York, Chicago e Los Angeles.

Bezos adquiriu o jornal, que foi propriedade da família Graham durante oito décadas, por US$ 250 milhões no ano passado.

Ele havia pedido aos executivos que analisassem alternativas para posicionar a empresa de maneira a ter sucesso digitalmente no longo prazo, disse Hills.

“Ele está perguntando: ‘O que pode ser feito para ter um grande público digital daqui a 10 anos ou 20 anos?’”, disse Hills. “Com os donos anteriores, a pergunta muito razoável que colocávamos era: ‘Como vamos ganhar dinheiro nos próximos dois a três anos?’”

Programa poderá gerar mais de US$ 1 bilhão

Executivos do Washington Post também estão buscando uma vantagem competitiva mediante o estabelecimento de uma marca nacional de jornalismo de alta qualidade. “Existe uma posição atraente para qualquer instituição capaz da escala e do tipo de qualidade jornalística pelas quais somos conhecidos”, disse Hills.

Em troca de seu conteúdo, o Washington Post espera que seus parceiros lhe proporcionem uma exposição e promoção de marca em nível nacional. Nenhum dinheiro trocará de mãos.

Durante a década passada, as receitas dos jornais foram reduzidas à metade devido à erosão da publicidade e da circulação. As assinaturas digitais têm sido motivo para otimismo. O Washington Post estima que o programa poderá gerar mais de US$ 1 bilhão em valor para o setor jornalístico. Uma presença mais abrangente daria ao Washington Post mais peso na venda de anúncios.

“É gratificante ver uma empresa jornalística de marca nacional fazer uma experiência para testar se ambas as partes podem tirar algum proveito disso”, disse Jim Moroney, editor e executivo-chefe do Dallas Morning News. “Reunir jornais para criar alguma escala é algo em e por si mesmo valioso.”

O programa não está aberto a jornais distribuídos na mesma área que o Washington Post, como o New York Times e o Wall Street Journal.

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Emily Steel, do Financial Times, em Nova York

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