Terça-feira, 21 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

IMPRENSA EM QUESTãO > CASO JILL ABRAMSON

Diretor do ‘NYT’ nega que tenha demitido editora por sexismo

Por ‘OG’ em 20/05/2014 na edição 799
Reproduzido do Globo.com, 18/05/14

O jornal “The New York Times” quebrou o silêncio e falou sobre a demissão da editora-chefe, Jill Abramson, que estava no cargo há menos de três anos.

O publisher Arthur Sulzberger Jr., membro da família Ochs-Sulzberger, que controla o jornal, divulgou um comunicado direcionado a seus funcionários. O presidente do veículo diz, no texto, que, apesar de Jill ter sido uma jornalista e editora notável, sua falta de habilidade na gestão de sua equipe foi a principal razão para sua remoção abrupta do posto. Ele ressalta na carta que a demissão nada teve a ver com o fato de que a editora era do sexo feminino.

Sulzberger ainda cita “decisões arbitrárias, falha em consultar e incluir colaboradores, comunicação inadequada e distrato de colegas em público” como motivos para a dispensa da jornalista.

“Todos nós queríamos que ela tivesse sucesso. Ficou claro, no entanto, que o abismo era muito grande para ser superado e, finalmente, cheguei à conclusão de que ela tinha perdido o apoio de seus colegas e não conseguiria ganhá-lo de volta”, diz Sulzberger na carta.

Jill, nomeada editora executiva em setembro de 2011, foi a primeira mulher a comandar a redação do “The New York Times”. Sua demissão foi comunicada na quarta-feira, mas a falta de uma explicação para o afastamento da jornalista levantou especulações e também um debate sobre a posição das mulheres na mídia.

A revista “New Yorker” citou fontes anônimas que afirmaram que as tensões entre Sulzberger e Jill aumentaram recentemente quando ela descobriu que seu salário era menor do que o de seu antecessor, Bill Keller. O “‘NYT”, no entanto, respondeu ao artigo dizendo que a remuneração de Jill era mais de 10% maior do que a de Keller.

“Tem havido rumores persistentes mas incorretos de que o salário de Jill não era equivalente ao de seu antecessor. Isso não é verdade”, afirma Sulzberger em seu comunicado, antes de acrescentar: “Pagamento igualitário para mulheres é uma questão importante no nosso país, que o ‘The New York Times’ cobre regularmente”.

Jill ainda não comentou sobre sua saída, mas, em sua agenda, há um discurso de formatura programado para esta segunda-feira, na Universidade Wake Forest.

Dean Baquet, de 57 anos, será o substituto de Jill. Ele é vencedor do prêmio Pulitzer (o principal do jornalismo americano) e ex-editor do jornal “Los Angeles Times”. Baquet será o primeiro editor-chefe negro do jornal e era uma espécie de braço-direito de Jill.

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