Sexta-feira, 25 de Maio de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº988
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IMPRENSA EM QUESTãO > ILUMINISMO & JORNALISMO

A informação é a saída do homem de sua menoridade

Por Jeferson Bertolini em 28/10/2014 na edição 822

Em 1783, na esteira do movimento iniciado na França que questionava o poder do rei e as explicações divinas para a vida, a revista alemã Berlinische Monatsschrift convidou Immanuel Kant (1724-1804) a responder “o que é o iluminismo?” O filósofo escreveu: “O iluminismo é a saída do homem de sua menoridade”. Kant definia a menoridade como “a incapacidade de se servir do entendimento sem a orientação de outrem”. E julgava que “a preguiça e a covardia” explicam por que os homens “continuam menores durante toda a vida” e por que “aos outros se torna tão fácil assumirem-se como seus tutores”.

Para o pensador francês Michel Foucault (1926-1984), o texto de Kant inaugura uma nova era do pensamento: marca o fim da era das sombras, baseada na crença absoluta no divino, e o início da era da razão, apoiada no conhecimento, na luz. Nesse contexto, “sair da menoridade” seria algo como libertar-se. E libertar é um verbo que idealmente se conjuga no jornalismo, segundo os autores norte-americanos Bill Kovach e Tom Rosenstiel. Em Os elementos do jornalismo: o que os jornalistas devem saber e os jornalistas exigir (2003), eles afirmam que uma das funções do jornalismo “é oferecer informações de qualidade para que as pessoas sejam livres e se autogovernem”. Dito na perspectiva de Kant, uma função do jornalismo é oferecer informações de qualidade para que as pessoas saiam da menoridade e se libertem para a luz. Assim, a informação seria a saída do homem de sua menoridade.

Liberdade e consciência

Kovach e Rosenstiel acrescentam que “as pessoas precisam saber o que acontece do outro lado do país e do mundo, precisam estar a par de fatos que vão além de sua experiência” porque “o conhecimento do desconhecido lhes dá segurança, permite-lhes planejar e administrar suas próprias vidas”.

Na lista deles, os elementos do jornalismo são: sua primeira obrigação é com a verdade; sua primeira lealdade é com os cidadãos; sua essência é a disciplina da verificação; seus praticantes devem manter independência daqueles que cobrem; o jornalismo deve ser um monitor independente do poder; o jornalismo deve abrir espaço à crítica ao compromisso público; o jornalismo deve empenhar-se para apresentar o que é significativo de forma interessante e relevante; o jornalismo deve apresentar as notícias de forma compreensível e proporcional; os jornalistas devem ser livres para trabalhar de acordo com sua consciência.

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Jeferson Bertolini é repórter e doutorando em Ciências Humanas

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