Quarta-feira, 13 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

IMPRENSA EM QUESTãO > ‘THE ECONOMIST’

O oportunismo do vetusto semanário

Por Sergio da Motta e Albuquerque em 04/11/2014 na edição 823

Na pequena cerimônia que anunciou a criação de um escritório para a Unidade de Inteligência do Grupo Economist (EIU, na sigla em inglês) em São Paulo (29/10), as críticas do semanário The Economist ao governo reeleito continuaram. Mas conviveram e exploraram o crescimento da base de leitores da revista no Brasil (2,5%, de acordo com O Globo, 29/10) para vender consultoria a empresas, ONGs e governos em nosso país e em toda região. Aproveitaram-se do crescimento da classe média indicado por seus próprios analistas.

A revista inglesa ganhou publicidade grátis nas maiores emissoras de TV do país. Aproveitou-se do período pós-eleitoral para anunciar o novo escritório da EIU – a Unidade de Inteligência que presta consultoria a negócios e empresas pelo mundo afora. O Brasil é estratégico para a publicação. Virou referência entre executivos e profissionais do mercado local, e foi além: também é lida por seus opositores mais racionais, que precisam dialogar com quem pensa diferente e tem bons argumentos.

Quem leu a maior parte das matérias que eles publicaram na semana passada vai verificar que a revista reconhece muitas conquistas do governo que eles não apoiam no Brasil. E que seus editores e analistas mais importantes dão crédito ao que os governos do PT fizeram para manter a geração de empregos e o investimento direto das multinacionais. O Brasil é um mercado estratégico para o crescimento da revista, sempre na oposição aos governos do PT. O papel da companhia que edita a revista foi contraditório: eles desacreditaram a atual administração, mas inauguraram um novo escritório para seu time de inteligência em São Paulo. O investimento deles aqui é um sinal tácito do reconhecimento do trabalho feito por políticos, burocratas e técnicos que eles tanto criticam.

Território estratégico

Suas análises continuam cautelosas e reticentes com o novo mandato de Dilma Rousseff, mas eles não estão apontando sinais de devastação de nossa economia em nenhum momento. Querem menos presença do Estado na economia e mais condições para melhorar a competitividade de nossa economia para que ela volte a crescer. Coisa em que não acreditam é no curto prazo. Seus analistas acreditam em um crescimento baixo até 2019, de acordo com o site da revista Próxima (29/10).

A Unidade de Inteligência da Economist tem uma autonomia relativa da revista e do grupo que a controla. Seu diretor de pesquisas David Humphreys afirmou que “o florescimento de negócios, seja de multinacionais querendo investir no Brasil ou de empresas locais querendo se expandir para o exterior, justifica um maior investimento do Grupo na filial”.

A declaração do pesquisador bastou para colocar as coisas no lugar: a revista sempre fez oposição aos governos do PT, mas a equipe do time de pesquisas do grupo acredita na relevância econômica do Brasil. E o Grupo Economist aprova o relatório de sua equipe de pesquisa, trazendo para o país um respeitável time de especialistas em negócios e ativando planos de aumento da presença da revista em nosso território, considerado estratégico para eles. Com estagflação e tudo, eles ainda acreditam no potencial do país para atrair investimento e continuar a expandir os seus negócios pelo mundo.

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Sergio da Motta e Albuquerque é mestre em Planejamento urbano, consultor e tradutor

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