Sábado, 18 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

IMPRENSA EM QUESTãO > ENTREVISTA / MARY WILKINSON

‘Não acredito num jornalismo seco, sonífero’

Por Silvio Essinger em 10/03/2015 na edição 841
Reproduzido do Globo.com, 7/3/2015

“Nasci na Suazilândia, e fui morar em Londres aos 12 anos. Meu trabalho é garantir conteúdo para um público global, de TV ou internet. Nossa definição de notícia é ampla: tudo que tem a ver com negócios, história, cultura, viagem, estilo de vida e geopolítica. E, neste momento, o mundo é um lugar fascinante”

Conte algo que não sei.

Mary Wilkinson – Eu me formei em Engenharia. E sabe por quê? Porque eu queria ser jornalista mas, como o mercado jornalístico no Reino Unido era muito competitivo, uma forma inteligente de entrar nele era escolher algum interesse especial. Meu primeiro emprego foi numa revista especializada em Engenharia, escrevendo sobre grandes projetos. Depois, consegui entrar na BBC World Service Radio, apresentando um programa sobre tecnologia.

Por que razões o Brasil desperta interesse no mundo?

M.W. – O país tem uma população muito grande, o que faz com que ele tenha um lugar econômico no mundo. O Brasil é cheio de belezas naturais e tem a Amazônia, pulmão do planeta, que importa muito para quem se interessa pelas mudanças climáticas. As Olimpíadas vêm aí, cada vez mais os filmes e os livros brasileiros estão chegando a nós… E ainda tem a música, é claro.

Você esteve em São Paulo há dois anos e agora veio ao Rio. Quais suas impressões?

M.W. – É ótimo estar aqui, com exceção do trânsito. Eu sabia que ia ser ruim, mas em São Paulo… nem dá para acreditar, foi um inferno para ir de um lugar a outro! Tudo o que vi do Rio até agora foi o hotel. Adoraria conhecer mais daqui e ir a outras cidades, como Manaus, Recife e Salvador. O Brasil é um país grande, e sei que esses lugares são muito diferentes.

O que a BBC tem de mais forte em seu jornalismo?

M.W. – Nossa visão de mundo é genuinamente global. Somos bons em juntar os pontos e fazer reportagens sobre temas que são comuns a vários países, como inflação, reflexos da queda dos preços do petróleo, saúde, ciência e tecnologia, terrorismo… Temos muitos correspondentes que são especialistas e podem dar boas explicações e análises.

Como anda o interesse geral por notícias do mundo?

M.W. – Bom, nossa audiência vem aumentando, e tudo por causa do que tem acontecido na economia mundial. Há toda essa classe média emergente, interessada no que acontece com a vizinhança, mas ciente de que, para seguir adiante nesse mundo interconectado, terá que saber o que acontece no resto do mundo também.

E os jovens, como eles se relacionam com o noticiário?

M.W. – Tenho uma filha de 14 anos que não vê notícias nem na TV nem na internet, mas ela sabe tudo sobre o sequestro das 200 meninas na Nigéria pelo Boko Haram e sobre o surto de ebola na África. As pessoas falam sobre isso, compartilham matérias, assistem documentários sobre isso, querem saber mais. O desafio é descobrir como mobilizar os jovens e pôr nosso conteúdo na frente deles.

O quanto de entretenimento deve ter o jornalismo?

M.W. – Não acredito no jornalismo seco, sonífero. Você tem que achar uma forma de se comunicar, algo que seja acessível e , ao mesmo tempo, informativo. Mesmo quando você está falando sobre algo terrível, há formas de contar a história com um pouco mais de vida.

Ainda dá para fazer muitas reportagens investigativas?

M.W. – Os orçamentos são limitados e, muitas vezes, não dá para levar ao ar algumas matérias, por falta de provas. Mas se você tem vários jornalistas em várias investigações, um dia chega a hora em que você consegue veicular sua história.

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Silvio Essinger, do Globo

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