Quarta-feira, 20 de Junho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº991
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IMPRENSA EM QUESTãO > NOTAS DE UM LEITOR

A bomba coreana e a mídia brasileira

Por Luiz Weis em 15/02/2005 na edição 316

Na edição de 11/2, o Globo perguntou ‘o que se sabe sobre o programa nuclear norte-coreano?’ (Na véspera, o governo de Pyongyang anunciou oficialmente, pela primeira vez, que tem armas atômicas.)

O jornal respondeu em breves 79 palavras, sendo as últimas das quais as seguintes: ‘Os EUA crêem que os norte-coreanos já tenham uma ou duas bombas’.

Isso e nada é quase a mesma coisa, comparando com o que escreveram naquele dia os mais bem informados ‘jornalistas bélicos’ do Brasil, Ricardo Bonalume Neto, da Folha, e, principalmente, Roberto Godoy, do Estado.

A leitura deste último, quando o assunto é armamento, deixa a sensação de que o que ele não sabe não vale a pena saber. A massa de informações que deu sobre o status nuclear da Coréia do Norte – o país mais fechado do mundo – levou um leitor a comentar, com uma ponta de ironia, que ele parece saber mais sobre as bombas e outras armas coreanas do que o presidente Bush.

Godoy citou como fontes um relatório parlamentar americano – segundo o qual a Coréia tem não ‘uma ou duas bombas’ como saiu no Globo, mas ‘de 8 a 18’ – o obrigatório Instituto Internacional de Estudos Estratégicos de Londres, e o menos famoso North Korea Advisory Group, dos Estados Unidos.

Bonalume, citando apenas o instituto londrino, escreveu que o novo míssil norte-coreano Taepo-dong-2 poderá alcançar ‘mais de 6 mil km’, o que inclui o Havaí. Godoy fala em ‘8 mil km’, o que se for verdade fará uma diferença muito maior do que a distância em si. Pois nessa hipótese não só o Havaí, mas também o Alasca, poderia ser alvo de um ataque atômico.

O curioso é que há quem diga, no próprio governo americano, que o anúncio da quinta-feira passada seria um blefe, uma forma de pressionar Washington a iniciar conversações bilaterais com o governo de Kim Jong-il, pondo fim ao grupo negociador que inclui também Coréia do Sul, Japão, China e Rússia.



Quando não basta corrigir o desserviço

Do Estado de 6/2: ‘Os aposentados e pensionistas não devem comparecer ainda às agências da Previdência Social para antecipar o recadastramento. A orientação é do próprio Ministério da Previdência Social. Por enquanto, a única forma de o segurado atualizar seus dados e endereço é pelo Prevfone (0800-780191) ou pela internet (www.mpsa.gov.br).’

Do Estado de 13/2: ‘Por enquanto não existe a garantia de atualização de endereços pelo Prevfone (0800-78-0191) ou pela internet (www.mps.gov.br) nessas etapas do recadastramento.’

Faltou acrescentar no segundo texto: ‘Ao contrário do que este jornal publicou no domingo passado, quando também informou errado o endereço eletrônico da Previdência.’

Matérias de serviço, que os interessados lêem com especial atenção e depois fazem ou deixam de fazer coisas com base no que leram, exigem por isso mesmo especial atenção de quem vai publicá-las. Publicadas com erros, não basta dar depois a versão certa.

Para jogar limpo com o leitor é preciso admitir os erros e explicar por que aconteceram. É uma forma de pedir desculpas aos prejudicados pelos eventuais transtornos. E de restaurar, no caso particular, a credibilidade do jornalismo de serviço.

[Textos fechados às 16h07 de 14/2]

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