Quarta-feira, 12 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
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IMPRENSA EM QUESTãO >

A chance da grande catarse do jornalismo

Por Alberto Dines em 04/07/2005 na edição 336

O atual ciclo de denúncias não chega a ser uma antologia de jornalismo mas é uma preocupante coleção de mazelas jornalísticas. Busca-se a credibilidade mas poucos oferecem transparência, pretende-se a moralização da vida pública mas os bastidores da imprensa continuam imersos na sombra:


** Tudo começou com uma matéria de capa da Veja sobre as propinas nos Correios, clássico do jornalismo fiteiro.


** Foi completado por duas entrevistas à Folha de S.Paulo do deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) sobre o esquema do ‘mensalão’, clássico do jornalismo declaratório.


** Foi agravado por uma investigação da revista IstoÉ Dinheiro, que dirigiu os holofotes para o publicitário Marcos Valério e está sendo ferozmente contestada por duas concorrentes.


** E, novamente graças à Veja, o vazamento de um documento sigiloso empurrou o furacão para dentro da direção nacional do PT.


Estas cinco matérias, mesmo que sejam as últimas da série, já produziram um dos maiores abalos políticos desde 1945 e, pela repercussão, devem provocar profundas mudanças nos usos e costumes políticos do país.


Resta saber se conseguirão modificar nossos usos e costumes jornalísticos. Entrarão para a história do moderno jornalismo brasileiro pelos efeitos que causaram e ainda causarão. Mas sobre algumas dessas peças jornalísticas pairam sombras no tocante aos procedimentos adotados para produzi-las e aos interesses que as motivaram. [Veja, abaixo, ‘As primeiras e segundas intenções jornalísticas’]


Operação escusa


Não é o caso das entrevistas concedidas pelo denunciado-denunciante Roberto Jefferson à Folha. A repórter Renata Lo Prete, ex-ouvidora do jornal, teve o cuidado de informar poucos dias depois da primeira entrevista que o deputado Jefferson, na qualidade de fonte habitual, tomara a iniciativa de procurá-la. Cortou pela raiz qualquer tipo de especulação sobre eventuais interesses ou beneficiários das suas revelações.


Carece da mesma transparência a ouverture desta triste e ruidosa temporada através da Veja. Dois meses depois, a divulgação do vídeo da propina nos Correios continua envolta em sombras, rodeada de dúvidas e desconfianças. E, como não poderia deixar de acontecer com fatos mantidos no lusco-fusco da dubiedade, cada vez que a matéria é examinada ou discutida sob o ponto de vista estritamente profissional, mais interrogações levanta.


Caso da entrevista ao Jornal Nacional (Rede Globo, quinta-feira, 30/6) do ex-agente da ABIN, Jairo Martins de Souza, autor da gravação. O araponga — que, aliás, se diz jornalista [veja abaixo comentários de Ricardo Noblat] e faz negócios com jornalistas — revelou que ofereceu o vídeo ao repórter Policarpo Júnior, da sucursal da Veja em Brasília, e que este aceitou-o antes mesmo de examinar o seu teor [abaixo, a transcrição da matéria do JN].


Na hora da entrega, o jornalista teria usado um reprodutor portátil de DVD para avaliar a qualidade das imagens. De que maneira chegou ao jornalista e por que este aceitou o vídeo são questões que até hoje não foram esclarecidas.


Tanto o repórter como a revista recusam-se terminantemente a oferecer qualquer tipo satisfação ou esclarecimento aos leitores. Não se trata de proteger as fontes: elas seriam inevitavelmente nomeadas quando o funcionário flagrado, Maurício Marinho, começasse a depor. Foi exatamente o que aconteceu e hoje Veja carrega o ônus de ter se beneficiado de uma operação escusa – chantagem de um corrupto preterido ou ação formal da Abin para desmoralizar um aliado incômodo (o PTB, de Roberto Jefferson).


O que está por trás?


Diferente é a aura que envolve a segunda bomba do semanário (capa da edição 1.912, de 6/7, de autoria do repórter Alexandre Oltramari): baseada num documento rigorosamente secreto, protegido pelo sigilo bancário, sua obtenção parece livre de suspeitas – resultou de um vazamento ou de investigação, mas é trabalho reporterístico, legítimo. Araponga não é jornalista, vídeo secreto ainda não é reconhecido como gênero de jornalismo. Talvez o seja num futuro próximo.


Diferente dos demais é o desempenho de Leonardo Attuch, da IstoÉ Dinheiro, que revelou a existência da ex-secretária do publicitário Marcos Valério, sua patriótica indignação e, sobretudo, a preciosa agenda de compromissos do ex-patrão.


Revelações arrasadoras que ninguém até agora ousou contestar, porém envoltas em controvérsias no tocante aos seus reais beneficiários e/ou patrocinadores. É um dos seus pontos fortes – franqueia aos leitores a discussão sobre os bastidores da imprensa – mas é também uma de suas fraquezas – evidencia contradições importantes.


A saudável disposição do repórter Attuch em ser sabatinado na edição televisiva do Observatório da Imprensa (terça, 5/7, 22h30, ao vivo pela TVE) coloca-o automaticamente num patamar diferenciado.


Mas as descontraídas declarações da ex-secretária no Programa do Jô (Rede Globo, quarta-feira, 29/6), os diversos textos publicados em IstoÉ Dinheiro e uma discreta matéria (‘A mentira da secretária’, págs.72-73) enterrada no meio das 31 páginas de denúncias da última edição de Veja reforçam perguntas cruciais:


** Por que uma matéria produzida no início de setembro de 2004 só foi publicada em fins de junho de 2005?


** Se a idéia era transformar o depoimento de Fernanda Karina em matéria de capa (segundo Veja, ela posou para fotografias num estúdio de Belo Horizonte), por que razão só foi revelada no site da revista nove meses depois, durante o primeiro depoimento de Roberto Jefferson na Comissão de Ética da Câmara dos Deputados?


** Quem procurou quem – Fernanda tomou a iniciativa de procurar o ex-editor de economia do Estado de Minas ou foi o jornalista que chegou à secretária do poderoso empresário-publicitário em meio a uma investigação?


** Por que Veja, a desencadeadora da mais grave crise do governo Lula, agora investe contra a testemunha-bomba Fernanda Karina e CartaCapital, que praticamente omitiu a sucessão de escândalos, agora empenha-se em desacreditar o repórter que descobriu a ex-secretária?


** Justificam-se as suspeitas que atrás desta guerra de denúncias está a guerra das operadoras de telefonia?


Valores a preservar


A imprensa não pode entrar no clima de que o fim justifica os meios. Ela é um meio – ou um conjunto de meios, media – que não pode ser desacreditado. A moralização da sociedade não se faz com golpes de moral duvidosa. A busca da verdade exige um mínimo de transparência dos buscadores.


O atual turbilhão desvenda uma grave crise política mas, acima dela, uma gravíssima crise de valores. Cabe à imprensa preservá-los. Sem valores, a imprensa vai para o brejo – junto com os mensalistas, os ensandecidos, os utopistas, os irresponsáveis e os corruptos, ativos ou passivos.


Este watergate, felizmente, não foi batizado. Não é Correiogate nem Mensalãogate, muito menos PTgate. Melhor seria designá-lo como ‘A Grande Catarse’, purgação. A imprensa não pode ficar de fora.




As primeiras e segundas
intenções ‘jornalísticas’


Luiz Egypto


O depoimento do ex-agente da Abin Jairo Martins de Souza à CPI dos Correios, na tarde de terça-feira (5/7), revelou uma relação entre a arapongagem e a imprensa a que o distinto público jamais tivera oportunidade de ser apresentado. Souza disse ter sido movido por ‘espírito jornalístico’ ao tomar a decisão de entregar ao repórter Policarpo Junior, da Veja, o vídeo que mostra o funcionário dos Correios Maurício Marinho recebendo uma propina de 3 mil reais. Transformadas em matéria jornalística, essas cenas funcionaram como estopim para a grave crise política que atazana o governo Lula no geral e o Partido dos Trabalhadores, no particular. Noves fora o deputado Roberto Jefferson.


Com o caminhar das investigações, aos poucos vão ficando mais claros procedimentos políticos para lá de suspeitos e, de lambujem, da lama revolvida também afloram procedimentos outros, agora estritamente jornalísticos, que, sob qualquer ótica, devem ser considerados, no mínimo, pouco edificantes. Os fatos que se sucedem mostram o quanto o ‘jornalismo investigativo’, cantado em prosa e verso como arte maior ofício, é capaz de macular-se quando imiscuído na arapongagem pura e simples, na jogatina de interesses escusos, e na cumplicidade com protagonistas de atos tipicamente ilegais. Em crimes, enfim.


A Agência Senado divulgou, na mesma terça-feira, mais um fiapo do novelo de relações que começa a tomar forma. Eis um trecho do despacho ‘Jairo contradiz depoimento de Wascheck’ [íntegra disponível aqui]:




‘O deputado José Eduardo Cardozo (PT-SP) apontou ainda divergências entre os depoimentos do jornalista Policarpo Junior à Polícia Federal e o de Jairo à CPI: à PF, Policarpo disse ter sido procurado por Jairo sobre um esquema de corrupção envolvendo o PTB, sobre o qual garantiu ter provas. À CPI, Jairo afirmou não ter comentado o assunto com o repórter e que, à época do contato, anda não existiam provas. O jornalista, prosseguiu Cardozo, afirmou ainda que a primeira fita que viu não foi a divulgada, ao contrário do que afirmou o ex-agente da Abin.’


Durante o seu depoimento à CPI, o ex-agente Souza foi inquirido pela senadora Ideli Salvatti (PT-SC). Dois trechos do diálogo que se seguiu estão transcritos abaixo. Eles mostram o quanto vale uma boa amizade na obtenção de uma notícia-bomba. Nada contra a notícia, claro, mas o leitorado ficaria muito mais satisfeito – e confiante nos veículos de informação que compra ou assina – se lhe fosse dado o direito de saber como foi conseguida.


***


Ideli Salvati – O senhor disse aqui que fez isso pelo interesse da nação e como jornalista investigativo. O senhor disse aqui também que fez isto combinado com o jornalista Policarpo [Júnior, da sucursal de Brasília da revista Veja]. O senhor confirma?


Jairo Martins de Souza – Eu não entendi. Vocês estão combinados, eu não entendi, eu não entendi.


Ideli Salvati – O senhor que disse!


Jairo Martins de Souza – Combinado?!


Ideli Salvati – É, porque o senhor disse que…


Jairo Martins de Souza – Não. Eu disse que todo o momento eu fui acompanhado pela revista. Quando eu tomo conhecimento de um fato desse, que é para ser divulgado, eu tenho que trazer um veículo. Eu trouxe a quinta maior revista do mundo para dentro do assunto.


Ideli Salvati – Para dentro do assunto… É.


[…]


Ideli Salvati – O senhor fez isso no caso do Maurício Marinho?


Jairo Martins de Souza – Perfeitamente.


Ideli Salvati – Fez isso no caso do André Luís?


Jairo Martins de Souza – Perfeitamente.


Ideli Salvati – Fez isso no caso do Calazans?


Jairo Martins de Souza – Perfeitamente.


Ideli Salvati – Então o senhor é uma espécie de funcionário da revista Veja para a arapongagem?


Jairo Martins de Souza – Não senhora.


Ideli Salvati – Mas é muita coincidência, né! Três episódios, nos três o senhor é quem faz as gravações. Então eu quero saber: tem vínculo direto ou indireto com a revista Veja?’


Jairo Martins de Souza – Não, não tenho vínculo.


Ideli Salvati – E quanto é que o Policarpo lhe paga para fazer esses serviços para ele?


Jairo Martins de Souza – Excelência, não paga nada.


Ideli Salvati – Não paga nada! Só de bondade, só por amor à pátria.


Jairo Martins de Souza – É um amigo meu, né?!


Ideli Salvati – Amigo… O senhor tem muitas amizades né, Seu Jairo? Bastante amizade. Umas amizades que provocam determinados serviços, que têm interesses econômicos, empresariais e de corrupção e de crime organizado, como era o caso do André Luís e do Calanzas. E isso tudo por amizade, na ‘faixa’, só ‘faixa’.


Jairo Martins de Souza – Excelência, meus amigos me convidam, me aguçam…


Ideli Salvati – Aguçam a sua cobiça?


Jairo Martins de Souza – Não, aguçam minha intenção de ajudar, a minha intenção jornalística, a minha intenção de prestar um serviço. Eu vou e faço.


***


Ricardo Noblat


‘Mais respeito! Araponga, não, jornalista’, copyright Blog do Noblat, 5/7/2005, às 11h16


Jairo Martins, que está depondo na CPI dos Correios, foi quem cedeu o equipamento para gravar o vídeo onde aparece Maurício Marinho, ex-chefe de departamento dos Correios, embolsando R$ 3 mil. O vídeo detonou o escândalo que levou o deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) a falar tudo que anda falando.


No ano passado, também foi Jairo que gravou as conversas telefônicas responsáveis pela cassação do mandato do deputado André Luiz (PMDB-RJ) – aquele que pediu grana ao ex-bicheiro Carlinhos Cachoeira para livrá-lo da CPI da Assembléia Legislativa do Rio sobre maracutaias na Loteria Estadual.


Jairo acaba de dizer que foi como jornalista que atuou nos dois episódios – não como araponga, araponga o quê? Estão pensando o que dele? Ex-funcionário da Agência Brasileira de Inteligência, formou-se em jornalismo no final do ano passado. E como tal diz que se comporta.


Ao ser contratado para filmar Marinho e grampear André Luiz, a primeira coisa que ele disse que fez foi procurar a Veja e oferecer o material. ‘Foi um trabalho puramente jornalístico’, garantiu.


A amigos, nas duas últimas semanas, Jairo confessou mais de uma vez que espera ganhar o próximo Prêmio Esso de Jornalismo. Ele se considera um sério candidato ao prêmio.


Não é brincadeira não, é serio! Porque ele está convencido de que filmou e grampeou como free-lancer da Veja – embora jamais tenha recebido um tostão dela por isso. Recebeu dos que encomendaram as gravações.


Jairo ganhava como araponga e pensava em brilhar como jornalista.


É, de certa forma faz sentido.’


***


‘Eu fiz jornalismo investigativo’, copyright Blog do Noblat, 5/7/2005, às 13h10


‘Imperdível o depoimento na CPI dos Correios do ex-araponga e que agora se apresenta como jornalista Jairo Martins – que cedeu equipamento para gravar às escondidas a cena onde Maurício Marinho, ex-chefe de departamento dos Correios, aparece embolsando R$ 3 mil.


Durante nove anos ele foi araponga da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN). Mas insiste em dizer que ajudou a gravar Marinho na condição de repórter free-lancer.


– Eu fiz jornalismo investigativo – repetiu Jairo.


Foi ele que entregou à Veja a fita que desempregou Marinho e que abriu a boca do deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ). ‘Fiz um bem ao país’, desculpou-se Jairo.’


***


Jornal Nacional


‘Ex-agente da Abin fala sobre gravação’, copyright Jornal Nacional, 30/6/2005


‘O ex-agente da Abin – Agência Brasileira de Inteligência – Jairo Martins de Souza falou nesta quinta-feira pela primeira vez sobre o envolvimento dele nas gravações em que o ex-funcionário dos Correios Maurício Marinho aparece recebendo propina.


Jairo Martins só aceitou dar entrevista se o rosto dele não aparecesse, porque teria sido ameaçado de morte. Ele mora em Campo Grande, Mato Grosso do Sul. Trabalhou nove anos na Abin e deixou a agência em 2001. Ele disse que conheceu o empresário Artur Washeck causalmente num bar em Brasília.


‘Nesse primeiro momento, em nosso contato não se falou sobre grandes assuntos, até mesmo porque tinha várias pessoas. Mas meu amigo falou que eu era jornalista e que gostava de jornalismo investigativo’, disse Jairo.


Segundo o ex-agente da Abin, o empresário Artur Washeck acreditou que fosse esta a profissão dele. Tempos depois, num segundo encontro casual, o empresário teria falado sobre o desejo de fazer uma gravação.


‘A gente conversa sobre vários assuntos e ele fala que estaria com alguns problemas nos Correios e que esses problemas tinham de acabar e que queria divulgar esse fato’, diz Jairo. ‘Aí ele fala: pois é, eu queria gravar, você me ajuda? Eu falei: ajudo’.


Jairo conta que os dois trataram, então, da compra dos equipamentos para a gravação.


‘Aí, dado o OK, de que ele iria gravar, eu compareci à feira dos importados, que existe em Brasília’.


Jairo Martins disse que Artur Washeck deu a ele dois cheques para a compra do equipamento. Num novo encontro no terraço da casa do empresário, entrou em cena o advogado Joel dos Santos Filho.


‘E lá nesse terraço eu cheguei e expliquei para o Joel, o autor das gravações, expliquei para o Joel como manusear o equipamento’, disse Jairo. ‘Nesse momento eu não sabia o eram as gravações. Nem sabia que eram para o Marinho’.


Jairo relatou como foram feitas as gravações.


‘É preciso deixar claro que houve quatro encontros entre Joel e Maurício Marinho. Três com equipamento de gravação. Porém um ele não adotou o procedimento adequado, por isso não gravou. Depois ele teve o segundo encontro que gravou. Eu baixei as imagens, entreguei pro empresário Artur Washeck’.


Mas, segundo o ex-agente da Abin, a gravação não deu o resultado esperado.


‘Ele me liga e fala de novo que não ficou boa. Porque que não ficou boa, eu não sei. Não prestou pra finalidade deles. Aí foi o quarto encontro. Terceiro com equipamento, mas a segunda gravação, que foi a publicada pela revista Veja’.


Jairo disse que depois da gravação voltou a se encontrar com Washeck e com o advogado Joel dos Santos.


‘Eu fui ao encontro deles à noite, não sei se já eram onze horas da noite. Recebi o equipamento. Olhei, falei: gravou. Peguei o equipamento. Baixei as imagens no dia seguinte. Fiz duas cópias: uma para o Artur Washeck e a outra pro Policarpo Júnior, da revista Veja’.


Segundo Jairo Martins, desde o início toda a negociação foi acompanhada pelo jornalista da revista. O primeiro contato teria sido antes das gravações.


‘Eu procuro o jornalista da revista Veja Policarpo Júnior. E relato pra ele esse fato. Ele diz:


‘Olha se tiver algum fato jornalístico que nos interesse, tô dentro, tô contigo’’.


O novo encontro com o jornalista foi depois, quando a conversa com Maurício Marinho já havia sido gravada.


‘Entreguei pro empresário, marquei o encontro com o Policarpo. Nós nos encontramos no Parque da Cidade, em Brasília. Ele no carro dele, o Policarpo, trouxe um mini DVD. Nós assistimos juntos aquela fita. Foi quando nós nos surpreendemos. ‘Pô, o cara recebeu dinheiro’’.


O ex-agente da Abin disse que, depois disso, ficou à espera de um novo contato do empresário Washeck.


‘Aí fiquei esperando o OK do Artur Washeck pra divulgação do material na imprensa. Encontrei com ele pela última vez no restaurante, em Brasília, no setor hoteleiro sul, quando ele disse: ‘Eu vou divulgar o fato. Quero divulgar’. E decorreu um período que essa divulgação não saía. Aí foi quando eu fiz um contato com o jornalista e falei: ‘Pode divulgar a matéria’’.


Jairo disse ainda que enquanto estava na Abin nunca soube de investigação nos Correios. Mas afirmou que conhece um agente que, segundo comentários que ouviu, estaria envolvido no assunto.


‘A pessoa que eles citam envolvida na questão dos Correios é o Edgar Lange. Eu conheço. Passei nove anos na agência. Não vou mentir e dizer que não conheço. Claro. Eu conheço ele. Mas desconheço qualquer atividade que ele estivesse desenvolvendo por lá. Isso aí eu não tenho conhecimento’.


O ex-agente da Abin também contou por que se mudou de Brasília para Campo Grande.


‘Eu vim para Campo Grande em decorrência do episódio que cassou o mandato do deputado federal André Luiz, do PMDB do Rio de Janeiro, no qual eu fui autor das gravações’.


As gravações a que Jairo se refere mostraram o então deputado André Luiz tentando extorquir dinheiro do dono de casas de jogos Carlos Cachoeira para que ele não fosse citado na CPI da Assembléia Legislativa do Rio, que investigava irregularidades na loteria do estado. Na gravação, o deputado André Luiz conversa com um emissário de Cachoeira, que finge negociar com o deputado. Veja um trecho da conversa.




Homem: Sabe o que aconteceu, deputado? O advogado assustou, porque o pedido foi de US$ 3 milhões.


André Luiz: Não foi US$ 3 milhões não.


Homem: O advogado chegou com essa conversa lá pra ele.


André Luiz: Não foi US$ 3 milhões, foi R$ 3 milhões.


‘No desenrolar desse episódio, eu recebi várias ameaças de morte, de mim e da minha família. Naquele momento eu resolvi tirar minha família de Brasília e vim morar em Campo Grande’.


O ex-deputado André Luiz não foi encontrado para comentar a suposta ameaça de morte ao ex-agente da Abin.’

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