Sábado, 15 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
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IMPRENSA EM QUESTãO >

A difícil arte de informar

Por Renata Noiar em 07/10/2008 na edição 506

Lançada há um ano, a Record News chega a seu primeiro ano de vida ainda entusiasmando seus criadores, mas muito distante de conseguir atrair a atenção do telespectador. E, em termos de audiência, ao que parece, a emissora não será capaz de impor grandes modificações. Mas a situação em que se encontra a Record News vai além do fracasso em audiência, como tantos insistem em evidenciar. É uma situação preocupante para quem é, faz e consome notícia. O flagrante desinteresse do público em relação à informação permite à Record News compartilhar com vários outros programas e emissoras este fracasso. Informação de qualidade ecoando no vazio! Tal como acontece com os excelentes Canal livre (TV Bandeirantes) e Roda viva (TV Cultura).

À exceção da notícia diária, a medida em ocorre o aprofundamento da informação a queda de interesse é significativa. O que justificaria o mau desempenho de um canal aberto com notícias 24 horas. O brasileiro até quer saber o que aconteceu durante o dia, mas sem o compromisso da compreensão destes acontecimentos. Razão pela qual muitos de nossos noticiários de televisão terem de se esforçar, de forma quase didática, para explicar a notícia e acontecimentos, como a crise econômica americana atualmente.

O interesse ainda está centrado no escândalo, na comoção e na velocidade com que estes vão sendo substituídos. Nem líderes de audiência, como Fantástico (Rede Globo) estão imunes à crescente falta de interesse do público pela informação. Nada apavorante, mas que já deixa marcas, obrigando a produção do programa – Fantástico – a se reinventar quase que semanalmente para manter sua posição.

Fonte de informação

Para a implementação da Record News, os números do investimento feito, divulgados pela direção da emissora, impressionam: US$ 7 milhões em infra-estrutura e equipamentos, mais de mil jornalistas por todo país, envolvidos na produção diária do canal, que tem 19 horas de programação diária inédita e outras cinco de reprises de programas do dia. E uma expectativa de faturamento para o primeiro ano de R$ 100 milhões. Quanto à audiência, nas transmissões em UHF na cidade de São Paulo o canal ficou com 0,25 ponto e no Rio de Janeiro com 0,17 ponto. Em relação às transmissões feitas em TV paga, o canal ficou, em média, com 0,06 ponto nas seis principais regiões metropolitanas do país. Segundo o mesmo levantamento, a Globo News ficou com 0,33 ponto no período. (Ibope/agosto de 2008). O entusiasmo de seus criadores está na tradução destes números, que significam – dados da própria emissora – uma atração de cerca de 10 milhões de telespectadores nos últimos 12 meses.

Pilar dos desejos mais profundos daqueles que estudam, escrevem ou sonham com uma televisão de maior qualidade – e aqui me insiro –, a informação está longe de ser um produto que atraia o telespectador a ponto fazer com que um canal aberto de notícias se torne uma referência nacional. Pelo menos, não por aqui! A verdade é que na maior parte do tempo, as emissoras se contentam com o papel de repetidora, fugindo, assim, do oneroso papel de fonte de informação, que possibilita o aprofundamento da notícia, garantindo a reflexão.

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Crítica de televisão, Brasília, DF

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