Segunda-feira, 11 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº969

ENTRE ASPAS > ELEIÇÕES CHILENAS

A euforia mal disfarçada

Por Luciano Martins Costa em 21/01/2010 na edição 573

Desde que foi anunciado o resultado da eleição presidencial no Chile, onde o oposicionista Sebastián Piñera derrotou o governista Eduardo Frei, os jornais brasileiros vêm sendo entulhados de análises e declarações sobre as possibilidades de repetir-se no Brasil um resultado eleitoral semelhante, a despeito da grande popularidade do presidente Lula da Silva.


As abordagens escolhidas por cada veículo são sutilmente distintas, mas podem ser classificadas entre aquelas que não dissimulam a euforia e as que buscam manter algum distanciamento político.


O Globo e a Folha de S.Paulo foram os primeiros a embarcar no entusiasmo provocado pela eleição do empresário Piñera, apontado pela imprensa brasileira como de ‘direita’, se é que essa expressão ainda carrega algum significado relevante. O Estado de S.Paulo reproduziu as declarações de políticos de ambos os lados, destacando, obviamente, as celebrações entre oposicionistas.


O Globo e a Folha foram além, encomendando artigos de seus colaboradores e multiplicando manifestações de colunistas em torno da tese segundo a qual popularidade não ganha eleição, necessariamente.


O mote central é demonstrar que, a despeito da alta aprovação popular, a atual presidente do Chile, Michele Bachelet, não conseguiu eleger seu candidato.


Notícia escondida


As análises têm deixado de lado diferenças fundamentais entre o Chile e o Brasil. Uma delas: Sebastián Piñera é um empresário que se desloca de uma posição conservadora para propostas de centro-esquerda, enquanto no Brasil o movimento dos partidos no poder, desde a primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso, tem sido percebido como uma tendência oposta.


O caráter pragmático e pouco ideológico das alianças políticas no Brasil também se diferencia dos quatro blocos que disputaram o governo do Chile. Além disso, não se levam em conta as diferenças de tamanho, complexidade e momento histórico entre os dois países.


Muitos outros aspectos aconselham a imprensa a conter o entusiasmo e oferecer mais inteligência aos leitores. Mesmo porque a vida de Sebastián Piñera não será um mar de rosas.


Na edição de quinta-feira (21/1), o Estado de S.Paulo noticia – embora discretamente – que o empresário, considerado o homem mais rico do Chile, já está envolvido em um escândalo: ele ganhou 332 milhões de dólares em apenas dois dias, com a valorização das ações de suas empresas, impulsionada por sua vitória eleitoral. Além disso, está sendo acusado de impor restrições a jornalistas durante as entrevistas, exigindo que não o questionem sobre seus negócios.


O Globo e a Folha esconderam essa notícia.

Todos os comentários

  1. Comentou em 25/01/2010 Marcelo Ramos

    Pois é, Ney José, é a velha baixa-estima do brasileiro. O Estadista Lula (com E maiúsculo) tem merecido prêmios de diversas organizações como Estadista da década, governante do ano, e outros etc. Só no Brasil, onde os brasileiros ainda acreditam nos jornais, é que o operário Lula, apesar do apoio de 80% da população, ainda não veio a público para dizer que a imprensa deveria cobrir esse tipo de premiação. Talvez ele nem dê muita bola pra isso. Se fosse o FHC, teríamos manchete em todos os jornais e nos cansaríamos de ver aquela boca mole cheia de dentes mostrando as gengivas do egoísmo incontido. Até nesse sentido, Lula está dando uma aula de como é ser Estadista. Olhem e aprendam. E o Filipe Faria? Cismou com a Venezuela, o cara.

  2. Comentou em 22/01/2010 Ney José Pereira

    Tomara -caso vença- que a mãe Dilma não transforme o Estado Brasileiro numa mamãezada!. E, caso vença o Serra tomara (também) que ele não transforme o Estado Brasileiro num ‘papaizada’!. Observação: Não queremos nem mãe nem pai!. Queremos presidentes da República (estadistas) para governarem o Brasil!. Não este ou outro Brasil, mas, o Brasil!.

  3. Comentou em 30/01/2008 Paulo Cesar Lima Bastos

    Saudações.
    Pela primeira vez, em 53 anos, usei, ontem (29/01/2008) um casaco de lã, em pleno verão. Moro no nordeste do Paraná.
    Aí, pergunto: cadê o aquecimento global, esse engodo capitalista?
    ‘Eles’ queriam vender algum produto novo ou só incutir mais medo nas pessoas?
    Lembram da camada de ozônio? Anunciaram que ela estava seriamente perfurada. Descobriram, depois, que era para, através de terrorismo psicológico, induzir as pessoas a trocarem os seus refrigeradores e aparelhos de ar condicionado, gerando lucros enormes aos porcos capitalistas!
    Não se podendo mais enganar com a camada de ozônio, partiram para o aquecimento global.
    É só questão de tempo para identificarmos as causas dessa nova enganação.
    Sugiro que a mídia tome a iniciativa para elucidar mais esse golpe branco dos senhores do capital.
    Abraços do
    Paulo Cesar Lima Bastos

x

Indique a um amigo

Este é um espaço para você indicar conteúdo do site aos seus amigos.

O Campos com * são obrigatórios.

Seus dados

Dados do amigo (1)

Dados do amigo (2)

Mensagem