Terça-feira, 28 de Março de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº938

IMPRENSA EM QUESTãO > MÍDIA E BIOCOMBUSTÍVEIS

A imprensa com o pé na terra

Por Alberto Dines em 12/03/2007 na edição 423

Enquanto o presidente Bush prossegue seu périplo latino-americano, nossa mídia curte uma ressaca etílica. No domingo (11/3), o Estado de S.Paulo, o mais ruralista dos nossos grandes veículos, comemorava o início da maior safra de cana da nossa história enquanto a Folha de S.Paulo, mais cética, avisava que sem investimentos seremos logo ultrapassados por concorrentes mais ágeis.


Nossa mídia não soube acompanhar o Proálcool, há mais de 30 anos, porque estávamos em plena ditadura, os democratas então chamados de liberais não podiam enxergar as dimensões da ‘revolução verde’ porque ela estava sendo comandada por um ditador, o general Ernesto Geisel.


Primeiros frutos


A mistura do álcool na gasolina, depois os carros movidos a álcool e, mais recentemente, os motores flex, bicombustíveis, só foram acompanhados pelas revistas especializadas, a grande mídia ficou de fora. No máximo faturou os anúncios.


A verdade é que a nossa imprensa é essencialmente urbana; a mídia interiorana, além de pequena, prefere reproduzir os modismos da grande imprensa e nossos jornalistas só calçam botas em dia de enchente ou quando participam de festas juninas.


Mesmo que a parceria firmada na sexta-feira (9/3) entre os presidentes Lula e Bush demore para dar frutos, vamos precisar de uma imprensa com o pé na terra. Literalmente.

Todos os comentários

  1. Comentou em 13/03/2007 Cesar Augusto Dutra da Rosa

    A questão da mudança de matriz energética com a inclusão dos biocombustíveis, pode vir a causar, pela euforia, grandes desastres ambientais no país, pois grande parte da área agricultavél já é utilizada por soja, pecuária e cana de açucar, que não possuem tendências a diminuir seu espaço, por exemplo a soja quando invadiu a área de pecuária na região norte, no seu auge de preço fez com que a pecuária invadisse as florestas nos dando nos primeiros anos do governo Lula recordes de desmatamento, que só diminui com a queda do preço da soja, e regras rígidas de controle ambiental, no processo a fome por biocombustiveis deve seguir o mesmo processo, principalmente nas áreas de cerrado onde mais de oitenta porcento já foram destruidos pelo agronegócio.

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