Quinta-feira, 14 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

IMPRENSA EM QUESTãO > LULA NA ANTÁRTIDA

A imprensa numa fria

Por Luciano Martins Costa em 18/02/2008 na edição 472

A imprensa brasileira embarcou alegremente na excursão do presidente da República à Antártida. Os primeiros relatos são aquele mesmo festival de declarações que nada dizem, como é do estilo e gosto do presidente.


A impressão que se passa ao leitor é de que o contato entre Lula e os jornalistas é feito de longe, aos gritos, na imensidão da geleira. Parece que os repórteres simplesmente anotam as declarações do presidente, que soam para o público como frases desconexas.


Se de fato os jornalistas não têm a oportunidade de questionar o presidente sobre os temas que mais interessam aos cidadãos, é de se perguntar que diabos estão fazendo naquele lugar gelado. Se foi para fazer jornalismo, o resultado deixa muito a desejar. Se foi para fazer turismo, os cadernos especializados têm apresentado coisa muito melhor.


Melhor aqui


Se de fato estivessem preocupados em aproveitar todo contato com o chefe do Executivo para manter a população informada sobre estratégias de governo e oferecer respostas para questionamentos que intrigam o cidadão, os jornais deveriam exigir, como condição para aceitar o convite, que os assessores de Lula garantissem pelo menos uma ou duas entrevistas formais durante a viagem.


Poderiam ameaçar com um boicote caso o presidente insistisse nessa relação de mão única: ele fala, os jornalistas anotam e publicam.


Declarações unilaterais do principal mandatário da nação não oferecem resposta para os problemas que se acumulam em função do estilo lulista de governar. Até mesmo seu aliado José Sarney, cuja biografia não oferece exatamente uma plataforma de boa reputação, ganha espaço na imprensa para criticar a omissão do presidente diante da necessidade da reforma política. E os jornalistas que passeiam na Antártida não têm a oportunidade – ou, se têm, não a aproveitam – para questionar o chefe do Executivo.


Para fazer o que fazem um gravador digital e um bom programa de reconhecimento de voz, melhor ficar no Brasil, que é mais quentinho.

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Jornalista

Todos os comentários

  1. Comentou em 18/02/2008 Marcelo Flaeschen

    A imprensa brasileira há muito está desaprendendo a fazer jor-na-lis-mo. Também sou do grupo que acha que o presidente deveria dar entrevistas nas suas viajens e tantas outras para dar explicações ao povo brasileiro. Aliás, o brasileiro é um povo preguiçoso. Tarifas aumentam, dinheiro é roubado, escandalos abafados e ninguém se manifesta. A imprensa, com isso, faz a festa. Ela, que deveria ajudar o povo na luta pela informação e estimular a nação por dias melhores, segue interesses políticos e comerciais.

    Jornalista não tem que ter ‘chance’ para entrevistar e fazer uma reportagem. Ele cria a oportunidade, pergunta, grava. O ímpeto de curiosidade dos nossos comunicadores está cada dia mais extinto.

  2. Comentou em 18/02/2008 Ana Luiza

    Só para esclarecer, embora não seja essa a questão central e relevante no caso, AntártiDa e AntártiCa estão certos, ainda que último seja mais usado e considerado mais correto por linguistas.

    O fato central e realmente relevante é que o jornalismo espetáculo sempre esteve e sempre estará em alta. Interessante no jornalismo televisivo, como já vimos, é o como , não mais o o quê . É bonitinho para o público ver o diferente, ainda que privado de conteúdo.

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