Quinta-feira, 13 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
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IMPRENSA EM QUESTãO >

A liderança da imprensa

Por Guilherme Cardoso em 19/02/2007 na edição 421

A mídia precisa pautar todo dia mudanças na legislação penal brasileira. Tem que ouvir o clamor da população, que vive indefesa frente à crescente violência que se espalha pelo país. Não podemos aceitar ponderações como a da ministra Helen Gracie, do STF, que diz que não se devem promover mudanças num clima de emoção. Ou do presidente Lula, que afirma que a diminuição da idade penal não vai resolver nada, que precisamos é resgatar os valores morais da sociedade.

Como falar em valores morais se é exatamente dos ocupantes do Legislativo e do Judiciário que vêm os piores exemplos de comportamentos? Essas declarações contrariam o sentimento de dor, medo e indignação da maioria da população brasileira, que luta para sobreviver com dignidade, enquanto a corrupção e a impunidade correm à solta no meio daqueles que fazem parte dos três poderes da República.

A Globo e o jornalismo social

Grande parte desses políticos e autoridades que agora opinam e pedem prudência só conhecem a realidade social brasileira pela mídia, pois vivem em outros mundos, moram em condomínios fechados, têm seguranças particulares, carros blindados, curtem férias em Miami ou na Disney. Ganham altos salários e benefícios, seus filhos estudam em escolas de qualidade avançada. Para eles, as mudanças não precisam ter pressa.

O povo não pode mais aceitar passivamente esses discursos apaziguadores de alguns políticos e autoridades judiciais de que o problema da violência brasileira é culpa nossa. Nossa, não, deles! Pela falta de competência e patriotismo.

Desde muito tempo é moda bater na Globo, atacar seu poder, criticar sua omissão na defesa das causas populares. Mas o que ela fez neste domingo, na abertura do Fantástico, e hoje, 12.02, no Jornal Nacional, merece aplauso e serve como exemplo de conduta para os demais órgãos da imprensa brasileira. Ela usou sua força e audiência para mostrar a gravidade do crime contra o menino João Hélio e, como poucas vezes tem feito, deu sua opinião direta sobre o assunto, pediu reflexão a todos e exigiu mudanças imediatas nas leis penais do país. Praticou o autêntico Jornalismo Social.

Em busca de melhores dias

Seria ótimo que a imprensa deixasse de ser hipócrita quando diz buscar isenção em suas matérias e assumisse de vez uma posição clara em favor do povo brasileiro e de suas causas sociais. Já se conhecem os interesses econômicos e a posição ideológica da Folha, do Globo e da Veja e a marcação cerrada contra as idéias do Lula, Chávez e Evo Morales. Por que não se posicionar patrioticamente em defesa do Brasil e de sua gente?

É hora da imprensa tomar partido contra quem deseja que as coisas continuem como estão. Tem que liderar campanhas. Como fez nas Diretas Já e no impeachment do Collor. É preciso que blogueiros, repórteres, editores, colunistas, âncoras e apresentadores de rádio e TV assumam sua brasilidade e se engajem numa cruzada cívica para transformar o cenário político social do Brasil. O povo há muito anda carente de lideranças, não sabe se mobilizar. A maioria sequer sabe dos seus direitos constitucionais. Precisa de quem o convença e conduza em busca de melhores dias. A imprensa pode fazer isso.

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Jornalista, Belo Horizonte, MG

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