Quinta-feira, 20 de Setembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1005
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IMPRENSA EM QUESTãO > FANTASMA DA FOME

A mídia comeu mosca

Por Alberto Dines em 28/04/2008 na edição 482



A fome ganhou destaque na imprensa de todo o mundo, como se fosse um tsunami. Mas a fome é um fenômeno previsível, resultado da combinação de fatores naturais com movimentos econômicos. Ao reagir com manchetes assombradas a uma desgraça anunciada, a imprensa foge do questionamento essencial sobre o funcionamento dos mercados.


A imprensa nacional e internacional está tratando o espectro da fome como se fosse fato novo, quente, recém-acontecido. A revista The Economist (espécie de bíblia do jornalismo econômico) informou na semana passada que a escassez de alimentos pegou a todos de surpresa.


Não é verdade. A própria Economist mostrou na mesma matéria o salto espetacular nas cotações das commodities agrícolas nos últimos anos. A mídia comeu mosca nessa história de falta de comida – aqui e lá fora.


Dietas e brioches


Certos movimentos econômicos só se tornam perceptíveis quando estão muito adiantados. O silêncio é a alma do negócio e os investidores não gostam de barulho – movimentam-se antes que as suas jogadas sejam transformadas em tendência.


Veja-se o caso da crise hipotecária americana que só se tornou visível quando já era fato consumado, irremediável e irreversível. Contribuíram muito para a atual alta nos preços agrícolas as aplicações nos mercados futuros praticadas justamente por aqueles que perderam dinheiro no mercado hipotecário americano e europeu.


A escassez de alimentos é um fenômeno global criado por uma conjunção de fatores que precisam ser explicados de forma muito clara. O sensacionalismo não funciona numa cobertura deste tipo. Muito menos os modismos mundanos: enquanto a fome transforma-se no personagem do ano, a capa da revista Veja neste fim de semana ensina como fazer dietas balanceadas. Lembra a infeliz Maria Antonieta com os seus brioches.

Todos os comentários

  1. Comentou em 29/04/2008 Egomet Lion

    Desculpe, Sr. Dines, mas seu texto baseia-se em duas premissas falsas: a primeira, e a de que nao e verdade que a crise do subprime nao era esperada/prevista – qualquer um que efetuasse compra de imovel nos quatro ou cinco anos anteriores na America, sentindo no bolso os efeitos da bolha que se estava formando, sabia que ela iria estourar em breve. A segunda premissa falsa, e a mais importante delas, e que, na verdade, nao faltam alimentos (ou, pelo menos, condicoes de se produzir alimentos para o mundo todo) – o que acontece e uma impossibilidade de producao e de comercializacao deles, pois os paises pobres nao podem produzi-los, nem pagar por eles, por consequencia da ganancia, do protecionismo e da vaidade dos paises ricos da Europa e da America. Certo esta o governo brasileiro, ao dizer que as condicoes materiais existem; so que a inveja e o ciume dos grandes de sempre nao querem permitir que paises pobres aparecam, deem as cartas em assunto tao primordial para a humanidade. No momento em que os paises ricos se aceitarem como incapazes para a producao de alimentos, como cartas fora desse baralho, o jogo podera fluir sem problemas nenhuns.

  2. Comentou em 28/04/2008 Fabiano Mendes

    Em compensação, certa emissora de TV,num desses programas que divulga ‘fatos’ da maior importância para a nossa vida, como por exemplo um ator ou atriz que foi passear em uma praia com seus rebentos, ou entrou na loja x para fazer compras, mostrava uma certa atriz em restaurante no Rio, onde segundo a ‘repórter’, o óculos de sol não conseguiu o disfarce que a atriz tanto queria. É por essas e outras que comem moscas.Perdem tempo com insignificâncias enquanto assuntos sérios que estão ocorrendo, são relegados. Ah… lembrei de uma outra coisa, se faltar alimentos vão dizer: a culpa é do Lula.

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