Terça-feira, 26 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº959

ENTRE ASPAS > LEITURAS DA FOLHA

A ‘neutralidade acomodada’

Por Eduardo Maretti em 27/07/2010 na edição 600

A Folha de S.Paulo de domingo (18/7), no caderno horrivelmente chamado ‘Poder’, publica um texto com tom de editorial para deixar clara sua postura isenta (sic) nas eleições deste 2010. ‘Folha reafirma princípios editoriais’, intitula, e, abaixo, a ‘linha fina’ explica: ‘A Folha não apoia nenhuma candidatura; parâmetros ajudam a fazer cobertura isenta, sem deixar de ser crítica’.

Voltando a 1984, quando lançou o que chama de ‘primeiro Projeto Editorial’, continua o texto, ‘a Folha cristalizou no Manual da Redação a opção por um jornalismo crítico, pluralista, apartidário e moderno’ (leia na íntegra, só para assinantes). O jornal da Barão de Limeira, citando seu Manual de Redação, afirma que ‘tais valores adquiriram a característica doutrinária que está impregnada na personalidade do jornal’. Bom, já que a Folha se encarrega de dotar a si mesma de uma aura tão humana, tendo até uma ‘personalidade’, eu diria que se trata de uma criatura um tanto egocêntrica. Senão, não diria a seguir que, segundo ela mesma, ‘ajudou a moldar o estilo brasileiro da imprensa nas últimas décadas’.

Tudo para dizer que ‘a cobertura eleitoral deste ano, assim, não poderia fugir desse script‘. Claro, a Folha ‘não apoia nenhuma candidatura’, esclarece cabalmente o diário dos Frias, diferentemente de jornais como o New York Times, que apoiou Obama nos Estados Unidos, como explica nosso periódico.

O que seria um ‘álibi’ em tal contexto?

Impressionante. Fiquei sabendo ontem dessa postura tão importante para o processo eleitoral no país, com esse texto tão esclarecedor. Ainda bem que meu amigo Emerson mo enviou, como se dizia antigamente. Senão eu poderia jurar que a Folha tem apoiado os candidatos tucanos em 2002, 2006 e 2010. Mas acho que foi impressão minha.

Só achei meio obscura a passagem do (artigo?, matéria?, arrazoado democrático?) texto, não assinado, onde afirma o seguinte: ‘E a atitude apartidária, que `obriga a um tratamento distanciado em relação às correntes de interesse´, não poderia ser `álibi para uma neutralidade acomodada´.’

O que viria a ser ‘álibi para uma neutralidade acomodada’ em tal contexto? De qualquer maneira, pelo menos agora eu sei que a Folha foge da ‘neutralidade acomodada’ como o diabo da cruz.

PS: Infelizmente, não sei em que página do jornal impresso está o texto. Como não comprei o exemplar, tentei saber desse detalhe de alguns amigos por telefone ou via MSN, mas nenhum deles tem, comprou ou assina o diário da Barão de Limeira.

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Jornalista

Todos os comentários

  1. Comentou em 30/07/2010 Leonidas Souza

    Fugir da neutralidade acomodada quer dizer que em situações especiais, como defender o PSDB e seus candidatos ela pode tomar partido escancaradamente.
    Como representante da Elite conservadora paulista, ela não pode agir de outra forma.
    É como a história do escorpião e da rã, a Folha não pode contrariar a sua natureza.
    No resto sim, ela é isenta e democrática, acredite quem quizer.
    Como diria a minha velha mãezinha, ‘Folha, que te viu e quem te vê’.

  2. Comentou em 30/07/2010 Leonidas Souza

    Fugir da neutralidade acomodada quer dizer que em situações especiais, como defender o PSDB e seus candidatos ela pode tomar partido escancaradamente.
    Como representante da Elite conservadora paulista, ela não pode agir de outra forma.
    É como a história do escorpião e da rã, a Folha não pode contrariar a sua natureza.
    No resto sim, ela é isenta e democrática, acredite quem quizer.
    Como diria a minha velha mãezinha, ‘Folha, que te viu e quem te vê’.

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