Domingo, 19 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

ENTRE ASPAS > JORNALISMO NO CARNAVAL

A opção pela indigência

Por Alberto Dines em 07/03/2011 na edição 631

É licito supor que os leitores de jornais e revistas que não viajaram nesta temporada carnavalesca têm tempo para ler, ao contrário do que sucede no resto do ano. Ora, se dispõem de tempo, esta não seria uma oportunidade para cativá-los oferecendo produtos caprichados, com textos ricos e variados?


Quando o cliente está disponível não se deve seduzi-lo com atrações?


Pois justamente nesta época, por força de uma lógica perversa, os nossos veículos impressos saem esquálidos, magros, sombras do que são. No domingo, a Folha de S.Paulo eliminou o caderno ‘Ilustríssima’ e a ‘Revista São Paulo’; o Globo cortou os cadernos ‘Morar Bem’ e ‘Boa Chance’; o Estado de S.Paulo saiu inteiro, embora afetado pela mesma redução no número de páginas e a dispensa de vários colunistas. Na segunda-feira (7/3), a Folha não publicou os cadernos ‘FolhaTeen’ e o que reproduz matérias do New York Times.


Previsões confirmadas


A imprensa é um serviço público e serviços públicos devem ser disponibilizados em dias úteis ou feriados. Se os políticos aproveitam o feriado prolongado para fugir das suas responsabilidades, se as autoridades procuram esconder-se e os governos funcionam em regime de plantão, cabe à imprensa estrilar, reclamar. Este é o seu papel. Mesmo que esta deserção se repita todos os anos.


Os acontecimentos não respeitam o horário nem o calendário, jornalismo é uma atividade contínua, permanente. A dramática situação na Líbia não pode ficar espremida ou minimizada em edições esqueléticas só porque os executivos das empresas jornalísticas concluíram que não vale a pena premiar aqueles que gostam de ler.


Numa indústria que assume estar em vias de extinção este descaso só serve para confirmar todas as expectativas e previsões. O pior é que o jornalismo da internet, privado da massa de informações que captura nos impressos, parece ainda mais depauperado e vazio do que o habitual.

Todos os comentários

  1. Comentou em 11/03/2011 Wendel Anastacio

    Dinis, lembro duas frases de seus artigos, que vêm muito a calhar neste dias:
    ‘Quando não há novidades no front, melhor lembrar os mortos.’ e
    ‘O pior é que o jornalismo da internet, privado da massa de informações que captura nos impressos, parece ainda mais depauperado e vazio do que o habitual.’
    Dito isto, vejo que até hj, e até às horas que posto, nada apareceu no OI, sobre a tragédia do Japão!
    Como vc bem disse, jornalismo da internet ‘… que captura nos impressos… ‘ ao qual eu disse que concordava parcialmente, vejo que vc tem razão, pois agora irão aparecer artigos ‘copiados’ dos impressos, os quais merecerão muito pouco credibilidade, como sempre!
    Infelizmente, estamos vivendo dias de pouca originalidade e muito cópia/cola. Mas, vamos ver o que vai dar.
    Com a palavra, os ‘grandes’ articulistas/jornalistas/redatores/repórteres, ‘(de)formadores de opiniões, etc, etc, etc.

  2. Comentou em 11/03/2011 Wendel Anastacio

    Dinis, lembro duas frases de seus artigos, que vêm muito a calhar neste dias:
    ‘Quando não há novidades no front, melhor lembrar os mortos.’ e
    ‘O pior é que o jornalismo da internet, privado da massa de informações que captura nos impressos, parece ainda mais depauperado e vazio do que o habitual.’
    Dito isto, vejo que até hj, e até às horas que posto, nada apareceu no OI, sobre a tragédia do Japão!
    Como vc bem disse, jornalismo da internet ‘… que captura nos impressos… ‘ ao qual eu disse que concordava parcialmente, vejo que vc tem razão, pois agora irão aparecer artigos ‘copiados’ dos impressos, os quais merecerão muito pouco credibilidade, como sempre!
    Infelizmente, estamos vivendo dias de pouca originalidade e muito cópia/cola. Mas, vamos ver o que vai dar.
    Com a palavra, os ‘grandes’ articulistas/jornalistas/redatores/repórteres, ‘(de)formadores de opiniões, etc, etc, etc.

  3. Comentou em 07/03/2011 Luiz Claudio Zabatiero

    Penso exatamente igual a voce, mas parece que estamos carentes de mentes criativas, revolucionarias e que realmente queiram trazer de volta a importancia da midia impressa, de cativar novos leitores e com isto vamos deixando os usurpadores do poder tomar conta de tudo, vamos elegendo os tiriricas, dilmas e lulas, vamos sofrendo com a falta de transporte, segurança educação e dando destaque apenas ao carnaval, futebol e a vida de celebridades…Que saudade do jornalismo investigativo, das denuncias, da cobrança, mas hoje tudo é esquecido rapidamente, assim que rouba hoje, pode roubar amanha, ladrao vira heroi e trabalhador é marginalizado. Assunto nao falta, temos uma periferia abandonada, temos bairros de luxo como a vila olimpia em pleno abandono, hospitais no completo caos, cidades deste Brasil enorme sendo destruidas, como São Luis – MA, Belem -PA, falta de estradas, desmatamentos, venda de alimentos deteriorados e uma outra infinidade de temas… mas a mediocridade é mais pratica e depois reclamamos ao vizinho que tudo esta ruim… triste o fim de uma imprensa que ja fez tanto por este país!

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