Quinta-feira, 23 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

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A palavra, a opinião e o jornalismo

Por Fernando Soares Campos em 02/01/2006 na edição 362

Walfrido Canavieira era um dos personagens mais atuantes em Chico City, programa de grande sucesso de audiência nos anos 1970, na TV Globo. O humorista Chico Anysio interpretava um prefeito corrupto que, quando lhe cobravam o cumprimento de suas promessas eleitorais, respondia sempre com o bordão: ‘Palavras são palavras, nada mais que palavras’. Era assim que Canavieira dava início aos seus discursos, até que o extinto Conselho Superior de Censura proibiu a exibição do personagem, atendendo a um abaixo-assinado subscrito por centenas de prefeitos que se sentiam ofendidos com o caricato alcaide de Chico City.

Hoje, porém, não ocorre apenas a banalização da palavra empenhada, o não-cumprimento do compromisso assumido oralmente. Pelo visto, o uso inadequado do sentido das palavras está se tornando uma prática generalizada. Nei Duclós, no seu Diário da Fonte, especial de Natal, trata dessa questão.

Sobre a palavra ‘normal’, diz o Nei: ‘Normal, hoje, é tudo aquilo que pode ser contestado de maneira explícita’. Ou seja: tudo aquilo que se torna ‘comum’ passa a ser considerado ‘normal’. Os dicionaristas em geral registram a palavra ‘comum’ como sinônimo de ‘normal’; mas, desde quando eu ainda era criança, me acostumei a sentir a palavra ‘normal’ com o significado de ‘natural’; enquanto ‘comum’ sempre me soou, basicamente, como a expressão daquilo que se tornou ‘habitual’, ‘corriqueiro’, e nunca gostei de usar uma pela outra.

Tenho acompanhado a preocupação de alguns bons jornalistas a respeito da opinião inserida na notícia. Em La Insignia leio os comentários de Urariano Mota sobre certas práticas jornalísticas, analisando acontecimentos relevantes que não se tornaram notícias (‘A revolta que não saiu no jornal’, ‘O que é a notícia?’), e notícias que ocultaram os acontecimentos relevantes (‘Onde está a refinaria de Pernambuco?’).

Em 2005, colaboradores de La Insignia abordaram o tema jornalismo por diversos ângulos. Faço uma recomendação especial: comece pelo artigo ‘Ser jornalista’, no qual Luís Nassif faz esta bela declaração de amor à profissão que abraçou:

‘Nesses anos todos, freqüentei muitos ambientes, o da música, o dos empresários, o da academia, os ambientes políticos, os econômicos. Mas não me arrependi nem um pouco quando, aos 13 anos, enfrentei meu pai e anunciei: ‘Quero ser jornalista’. Nasci jornalista. Vou morrer jornalista. E lutar até o último dia pelos valores que elevaram nossa profissão à condição de bem público, até mesmo em brigas inúteis pelos valores que dona Tereza me ensinou desde cedo, quando se tornou a primeira pessoa a me sonhar jornalista.’

Mais recente temos a transcrição do discurso de Gabriel García Márquez, pronunciado ante a 52ª Asamblea de la Sociedad Interamericana de Prensa (SIP), em Los Angeles (EUA), em 7 de outubro de 1996: ‘El mejor oficio del mundo’, do qual destaquei este trecho:

‘Un avance importante en este medio siglo es que ahora se comenta y se opina en la noticia y en el reportaje, y se enriquece el editorial con datos informativos. Sin embargo, los resultados no parecen ser los mejores, pues nunca como ahora ha sido tan peligroso este oficio.’

Certamente GGM não estava exprimindo apenas um mau pressentimento quando identificou um ‘perigo’ na prática jornalística de inserir comentários e opiniões pessoais em notícias e reportagens. Hoje as manchetes estão sendo formuladas de tal forma que o leitor inicie a leitura da matéria ‘armado’ de ‘espírito crítico’.

Opinião e sarcasmo

Recebi do jornalista Eurico Schwinden, que também assina Eurico T. S. e é um ferrenho crítico do governo Lula, encaminhamento de um texto assinado por Luiz Francisco, da Agência Folha, em Salvador. Trata-se de uma entrevista com o presidente da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), que recebeu o título de ‘Presidente da CNBB ironiza declaração de Lula’. Vejamos a que Luiz Francisco chama de ironia do cardeal:

‘O presidente da CNBB, d. Geraldo Majella Agnelo, 71, usou a ironia para comentar as últimas declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre os escândalos de corrupção que há seis meses tomaram conta do país – o petista disse que as CPIs instaladas para apurar as denúncias não comprovaram a existência do ‘mensalão’.

‘Acho que o presidente Lula precisa ver melhor. Se os ‘mensalões’, as transferências [de dinheiro] irregulares e o caixa dois não são nada, então o que são?’, disse o cardeal primaz do Brasil.

(…)

Ao ser indagado sobre a decisão do governo brasileiro de quitar a dívida com o FMI (Fundo Monetário Internacional), o presidente da CNBB também foi irônico:

‘A dívida interna permanece e, quem sabe, ainda é maior. É essa dívida para com a sociedade que precisa ser quitada.’

Creio que não há necessidade de colocar aqui todas as definições da palavra ironia; em todo caso, escolhi o sentido denotativo do termo, extraído do dicionário Houaiss: ‘figura por meio da qual se diz o contrário do que se quer dar a entender; uso de palavra ou frase de sentido diverso ou oposto ao que deveria ser empregado para definir ou denominar algo’. O autor ainda nos esclarece: ‘A ironia ressalta do contexto’.

Li e, por diversas vezes, reli o texto para identificar a ‘ironia’ do eminente cardeal Dom Geraldo Majella Agnelo. Nada. Devo ser péssimo em interpretação de textos, pois identifiquei apenas uma declaração crítica, normal, legítima, à qual o presidente Lula deveria dar atenção, refletindo sobre as questões que levaram seu governo a enfrentar uma profunda crise política. O presidente também poderia rever a orientação da política econômica e financeira do seu governo e concluir sobre as suas conseqüências no âmbito social. Porém, a partir do título da matéria jornalística, temos a impressão de que Dom Geraldo Majella Agnelo debochou do presidente, e ‘deboche’, todos sabemos, é o desprezo irônico, uma atitude que, certamente, Sua Eminência seria incapaz de manifestar. Entretanto ninguém está livre de se tornar vítima do sarcasmo aplicado em nome do jornalismo de opinião.

Pretendi encerrar essas considerações destacando os melhores trechos da intervenção apresentada pelo jornalista Miguel Urbano Rodrigues na conferência preparatória do I Congresso de Jornalistas Portugueses, em dezembro de 1982. Porém, diante da elevada qualidade do texto, tornou-se difícil selecionar apenas os melhores trechos. Trata-se de uma profunda reflexão de um jornalista preocupado com os destinos de sua profissão, portanto de interesse de todos que pretenderem exercer com dignidade aquilo que García Márquez considera ‘el mejor oficio del mundo’. Acreditando que o autor não se opõe a que prestemos este serviço à causa do bom jornalismo, decidi apresentá-lo na íntegra.

***

Sobre editorial

Miguel Urbano Rodrigues (*)

Estamos aqui para falar do jornalismo de opinião.

O tema aparece-me intimamente ligado a uma questão fundamental: a que diz respeito aos fins do jornalismo.

Por ser a mais jovem das ciências sociais, o jornalismo conhece-se mal a si mesmo. As leis resultantes de uma Teoria Geral do Jornalismo estão ainda por formular.

Tornou-se já um lugar comum a afirmação de que o jornalismo não pode ser isolado do meio social em que se desenvolve. Assim, obviamente, ele terá de ser diferente em Portugal do que é no Chile ou na Tailândia. Mas não é apenas a realidade envolvente que marca os vários tipos de jornalismo existentes. O jornalismo, nas suas muitas formas concretas, apresenta-se estreitamente vinculado a concepções políticas e sociais. Seja ele informativo ou opinativo, o jornalismo não pode ser uma actividade abstracta. Numa sociedade de classes está sempre, de maneira mais ou menos perceptível, ligado a uma determinada classe social, cujos interesses procura exprimir e defender. Parece-me útil, portanto, recordar que Portugal é hoje na Europa, a sociedade onde a luta de classes assume maior intensidade.

A objectividade absoluta, tão enaltecida como virtude em determinados manuais de jornalismo, é um mito. Sendo o jornalismo um espelho da vida, não há neutralidade possível perante os factos da vida, o seu fluir, a sua essência.

A resposta às questões inerentes aos objectivos e técnicas do jornalismo de opinião implica, pois, para mim, uma definição prévia clara. Não há jornalismo neutro. A própria opção profissional gera o comprometimento perante a sociedade. Sem compromisso – o que não significa escolha partidária – o objectivo e a essência do jornalismo não existiriam.

Um colóquio como o que nos reúne aqui coloca uma tal multiplicidade de questões que a simples escolha dos sub-temas traduz critérios valorativos complexos.

Que aspectos privilegiar num debate breve sobre o assunto Editorial?

Costuma-se dizer que o editorial deve exprimir a opinião do jornal. A definição parece-me frouxa e imprecisa.

Um jornal deve ser um corpo vivo. Não funciona como computador. Se cumpre a sua função social, os leitores identificam-se com ele como se fora um ser humano. Tal como o concebo, o jornal sente, pensa, actua, analisa, sorri e sofre como ser colectivo.

Uma das coisas belas no trabalho dos profissionais da imprensa é a consciência permanente de que, num jornal comprometido com o povo, aqueles que o produzem têm da ponte invisível que os liga à massa dos leitores.

Daí uma opção primeira quanto ao editorial. Esse texto deve ser a palavra, o pensamento, o sentir do jornal e não a opinião pessoal de fulano ou beltrano. É mau que um homem ou uma mulher pretendam confundir-se com um jornal e possam fazer da sua opinião a opinião do órgão de informação em causa. O ideal, a meu ver, é um estilo editorial com tais características que o leitor ligue o texto à personalidade do jornal, que sinta nele o pulsar do sangue e das ideias do seu jornal.

Sendo de execução individual, o editorial aparece-me como resultante de uma ideia colectiva, de uma atmosfera, de uma síntese harmoniosa de estilos e pessoas diferenciadas sem os quais não existiria aquele corpo vivo autónomo, vocacionado para falar com o leitor e inspirar-lhe confiança.

O óptimo, numa redacção, é que haja pelo menos meia dúzia de jornalistas que escrevam, quando necessário, o editorial, assumindo a sua personalidade própria de tal maneira que o leitor não se aperceba de que muitas mãos diferentes o podem redigir na mesma semana.

Do que acabo de dizer conclui-se que rejeito como aberração jornalística o editorial assinado pelo director do jornal. Tal prática ofende a ética profissional e as redacções que do abuso são vítimas. É natural, e até útil, que o director, se não for um burocrata, escreva, que assine os seus artigos. Mas tais textos são dele, comprometem-no pessoalmente, não devem confundir-se com a opinião do jornal que dirige, não devem substitui-la.

A aberração, todos dela temos conhecimento, existe em Portugal. Tornou-se mesmo rotina em jornais estatizados. Num deles, o director, que foi deputado e dirigente de um partido do Governo, exerce o monopólio da opinião. O editorial é a sua pessoa, com ela se fundindo.

Situações como essa prostituem o jornalismo de opinião.

À partida, uma escolha marca logo a imagem editorial. Há jornais – refiro-me evidentemente à imprensa diária – que publicam matéria editorial em todas as edições e outros que somente o fazem excepcionalmente. Há jornais que publicam vários editoriais numa página consagrada à opinião e outros que publicam apenas um editorial, mas inserem noutras páginas textos de opinião que são também pequenos editoriais.

A opção que determina as diferentes fisionomias editoriais está ligada ao espírito do jornal ou, mais exactamente, àquilo que ele pretende ser e ao tipo de relação que ambiciona manter com os leitores.

Há jornais que se querem distanciados editorialmente do seu próprio público; outros que desejam que público assuma uma postura de participação, mais profunda do que a de simples identificação.

Pessoalmente, penso que a personalidade editorial resulta de uma soma de componentes unidas por fios de interdependência: as opções temáticas, a unidade de estilo e linguagem, a coerência ideológica, a mundividência da história e da aventura cultural, a firmeza na sustentação das posições defendidas, a capacidade autocrítica, o rigor informativo, a sensibilidade para a captação do essencial, e sobretudo a solidez da ponte que liga o editorial ao jornal de que é parte.

O editorial deve, creio, exprimir, na medida do possível, o sentido mais profundos das tensões e fenómenos que assinalam no quotidiano ou no fluir não transparente da História, aquilo que é determinante para a transformação da vida.

Tal escolha não obriga a que o editorial seja um texto pesado. O jornalismo de opinião, particularmente quando é o jornal quem opina, somente cumpre a sua função quando consegue revelar ao leitor o lado menos visível dos factos sociais, quando lhe oferece, sem arrogância, a chave para o entendimento de situações, de atitudes, de palavras, de mudanças, de perigos, de crises, de rupturas, enfim de tudo o que é ou pode ser fundamental na montanha de notícias que diariamente nasce da marcha de cada País e do Mundo.

Dois aspectos devem, creio, merecer atenção especial na selecção dos temas: em primeiro lugar, uma correcta avaliação da importância do assunto. Nunca entendi a política editorial de jornais que durante o mês percorrem, saltitantes trinta temas editoriais.

Se o acontecimento tratado é socialmente significante raramente se esgota num só comentário jornalístico. A insistência editorial, quando forçada e sensacionalista, fatiga o leitor e desprestigia o jornal. Mas sempre que os factos a justificam, prende o leitor, confere ao jornal aquela imagem de ser vivo e coerente de que falei há pouco. Abre-se, então, a ponte que liga o editorial ao corpo do seu jornal. Penso que é indispensável uma interacção, a enfeixar num todo a manchete, o editorial, a reportagem, a notícia, o artigo assinado, a pequena nota.

Um facto que irrompe numa notícia pode percorrer em poucos dias todo o sistema circulatório do jornal. Os órgãos de informação que esquecem ou subestimam as suas manchetes e os temas que comentam, desvalorizam perante o leitor a sua própria, reduzem-lhe a credibilidade.

Concebido como totalidade, um jornal diário é um complexo sistema de vasos comunicantes no qual o editorial desempenha uma função insubstituível. Outro aspecto que me parece útil aflorar é o que se refere à diversidade na unidade. Mesmo num jornal muito voltado para as questões consideradas no domínio da política, o editorial tornar-se-ia enfadonho se incidisse exclusivamente sobre os temas da actualidade política. É verdade que em Portugal, hoje quase tudo, no movimento da vida, apresenta um significado político, uma marca ideológica. Mas, apesar disso, julgo ser vantajosa a abertura do leque editorial. Tudo aquilo que preocupa o corpo social e se torna para ele assunto de reflexão e debate, constitui, em princípio, tema para tratamento editorial. Um filme, um livro, uma aldeia como personagem, um acontecimento local, uma efeméride pouco lembrada, uma palavra pronunciada nas antípodas podem ser bons temas editoriais.

A diversificação e o salto das fronteiras facilitam a passagem do particular ao geral, a compreensão do que é nosso e do que é universal. Integram mais o leitor no seu jornal. Acredito também que é positivo alternar os textos editoriais mais densos e menos atractivos com os textos em que a crítica social nasce do humor. É de todo esse caldeirão que deve resultar a personalidade humanizada de um jornal e a clareza da sua linha.

Uma questão muito discutida é a da personalização da crítica. Como os homens são sujeito da História, tornam-se também objecto da crítica. Mas o que interessa a um jornalismo responsável são os actos, tudo o que envolva a participação social e não a pessoa, a sua vida privada. Quando o indivíduo, como tal, e o seu quotidiano mais íntimo aparecem transformados em pólo de matérias editoriais, o jornalismo degrada-se, desce ao nível do colunismo mundano que se alimenta de fofocas.

A fome de actualidade, de coisas sempre novas que suscitem tensões e debates, leva alguns editorialistas a erigir o que na política é acessório em motor da política. Aquilo que é determinante – o comportamento das forças e classes sociais e a sua relação dialéctica com a estratégia do Poder e a evolução da conjuntura económica – é então relegado a plano secundário. As intrigas da pequena política e as declarações dos pequenos políticos são impostos ao público nas matérias de opinião como se dessa buliçosa e leviana movimentação e desse palavreado espumejante viesse a depender o rumo da situação geral.

O chamado jornalismo especulativo é inseparável dessas tendências. O editorial (e não só) com base em hipóteses e cenários fantasistas passou a ser coisa rotineira em Portugal.

Pessoalmente, sempre recusei esse tipo de jornalismo. Nele, a especulação futurológica toma o lugar da notícia alicerçada em factos. Todo o processo de análise é conscientemente viciado. A fixação do interesse é muitas vezes obtida. O público reage, discute o assunto. Mas a análise especulativa tem vida curta. E faz perder a credibilidade.

Editoriais que, pelo seu conteúdo sensacionalista, provocaram tempestades políticas e foram transformados em temas nacionais pela televisão e pela rádio, perdem todo o fascínio lidos um mês depois, quando se percebe que tudo neles carecia de pontes com a realidade social, configurando um processo de intervenção artificial e não ético na conjuntura e na modelagem da opinião pública.

Sempre fui profissionalmente um defensor do editorial com base em situações, atitudes e factos comprovados. Rejeito a moda dos cenários.

Julgo apropriada uma referência ao peso, esmagador, que a opinião importada tem hoje em Portugal nas colunas editoriais. Seria um bom tema para outro colóquio.

A rapidez da transmissão produz efeitos imediatos. Muitos editoriais são o desdobramento, relativamente aos mais diferentes temas, e por vezes em péssimos cozinhados, de artigos publicados nos grandes órgãos da imprensa americana, britânica, francesa ou alemã ocidental.

Alguns assuntos ganham uma presença obsidiante e o tratamento que lhes é dado deixa transparecer uma notória falta de originalidade e mesmo de técnica.

E já que falo de técnica, uma referência final para a linguagem. A clareza é condição indispensável para que o editorial atinja o seu objectivo. Cada editorialista tem, evidentemente, um estilo próprio, no tocante à forma.

A minha experiência pessoal como jornalista, em Portugal, no Brasil e em países de idioma castelhano, leva-me, contudo, a concluir que existe uma relação directa entre a eficácia do editorial e a utilização do período curto, que confere mais força ao conteúdo e reduz distâncias, facilitando a comunicação entre o jornal, ser vivo (quando o é) e o leitor.

Uma última palavra. O jornalismo de opinião, como o de reportagem, implica, pela sua função social, uma exigência de autenticidade, um sentido permanente de responsabilidade.

Sempre acreditei e continuo a acreditar que jornalistas de formação ideológica muito diferente podem e devem dialogar, com muito proveito, estabelecer laços de boa camaradagem e arte de amizade. Mas existe um tipo de jornalismo subterrâneo, ancorado no escândalo, na calúnia, na mentira, consciente, que constitui insulto à profissão. Em Portugal está muito na moda. Floresce. Penso que em colóquios como este podemos e devemos chegar a um consenso para repudiar essa perigosa caricatura do jornalismo.

(*) Jornalista

******

Agente de Disciplina, lotado na Secretária Estadual da Infância e Juventude (RJ), autor de ‘Adolescentes infratores acautelados – uma caricatura dos sistemas penitenciários’, artigo publicado em Para além das grades – elementos para a transformação do sistema socioeducativo, Editora PUC-Rio e Edições Loyola, 2005

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