Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

IMPRENSA EM QUESTãO > FATO, NOTÍCIA, CONTEXTO

A pauta da dor

Por Alberto Dines em 08/01/2010 na edição 571

A mídia, especialmente a eletrônica, não gosta de vestir luto. Prefere a euforia, a badalação despreocupada. Coisas tristes não ‘vendem’, sofrimento não é bom produto. Tragédias, só as anônimas e as que logo podem ser esquecidas, substituídas por outras.


Neste inicio de 2010, porém, nossa mídia começou a encarar a dor e a conviver com ela. Os dez primeiros minutos dos telejornais noturnos da quinta-feira (7/1) foram ocupados com o rescaldo das tragédias produzidas pela chuva no Rio, São Paulo e Rio Grande do Sul. Isso vem ocorrendo ininterruptamente há oito dias, em seguida às festas de fim de ano, em pleno verão, quando toda a mídia, inclusive a impressa, preparava-se para mergulhar de cabeça na temporada das mundanidades.


Não há como escapar: previsão do tempo tornou-se prenúncio de susto, meteorologia associou-se à sensação de insegurança. E assim será por algum tempo, mesmo que o ‘El Niño’ 2009-2010 seja mais breve e menos intenso – o que não parece provável.


Lama e filas


Não adianta apelar para as lágrimas das vítimas, dos sobreviventes ou para a emoção das audiências. O telespectador de repente tornou-se mais solidário e mais exigente: quer providências, quer saber o que está sendo feito na sua rua, bairro, cidade, estado. O leitor, o ouvinte, o internauta quer saber onde estão naquela hora os prefeitos, os governadores e os ministros. O cidadão quer vê-los tomando providências à luz do dia e não nas entrevistas coletivas montadas por especialistas como se fossem shows.


Informações são processadas nas redações, mas são colhidas na rua e para que os jornalistas possam ir ao encontro de tantas tragédias simultâneas é preciso de mais recursos e, sobretudo, mais gente, mais bem treinada.


É ofensivo perguntar àqueles que tudo perderam como é que estão se sentindo. Estão arrasados, é óbvio. O que deve ser mostrado é a dolorosa verdade: montes de eletrodomésticos cobertos de lama e filas de compradores de eletrodomésticos nas megaliquidações de janeiro.

Todos os comentários

  1. Comentou em 08/01/2010 Wallace Lima

    Mesmo vendo que o comentário de Kelly Cristina está ‘colcheteado’ (os colchetes são o ‘piiiiiii’ da Internet), mesmo ignorando o que está oculto nos colchetes, faço minhas as suas palavras. Em seguida, com relação aos insistentes pedidos dos leitores do OI, cito-me: ‘Boris Casoy, a pessoa, externou, sem saber que o Brasil quase todo o ouvia, um preconceito desprezível que infelizmente grassa em nossa sociedade, o preconceito social. Boris Casoy, o jornalista, porém, este não cometeu nenhum erro, no que tange ao exercício do seu ofício, naquele último dia de 2009, durante a apresentação do telejornal de que é âncora. Se Boris Casoy, durante a apresentação do jornal, tivesse dito algo semelhante ao que disse naquele vazamento de áudio, aí sim, concordo que seria o caso de a imprensa se posicionar a respeito, sobretudo o Observatório, pois nesse caso haveria duas graves falhas, uma do ser humano e outra do jornalista, de livre arbítrio levadas a público. Não foi o que ocorreu! Então, no máximo, poderíamos solicitar aos jornalistas que abordassem o tema, o preconceito de classes, a propósito do ocorrido (que tanta indignação conseguiu nos causar, e não era para menos), em algum artigo, talvez à luz da sociologia, ou da psicologia, não sei, isso, é claro, ficaria a critério dos jornalistas. É o que penso.’

  2. Comentou em 08/01/2010 Enilson da Silva

    Ok, Dines… mas continuamos esperando sua opinião sobre o assunto mais quente da semana…

  3. Comentou em 12/11/2008 Andreza Zaparolli

    Prezados Senhores,

    Gostaria de saber se vcs poderiam me ajudar com informações ref a uma criança de 1 ano que foi morta pelos pais, eles são primos e adotaram essa criança.

    Atenciosamente,

    Andreza

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