Quinta-feira, 13 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
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IMPRENSA EM QUESTãO >

A publicidade informativa

09/11/2009 na edição 562

O fim de semana da imprensa trouxe um episódio curioso: o melhor material jornalístico sobre a questão do petróleo publicado recentemente não é produto de jornalismo, mas de publicidade.


O informe publicitário postado na mais recente edição da revista Veja (edição nº 2138, com data de capa de 11/11/2009), por iniciativa da Petrobras e do Ministério de Minas e Energia, oferece aos leitores a mais ampla visão sobre a questão do pré-sal já apresentada ao público pela mídia desde que foi anunciada a descoberta das reservas em grandes profundidades.


São 14 páginas de um texto direto, didático, no qual são respondidas praticamente todas as questões que têm sido levantadas pela imprensa nos últimos meses.


Alguém pode observar, com razão, que o informe publicitário é um texto de um lado só, que raramente contempla a controvérsia como um todo. Mas sabe-se também que as empresas e outras instituições recorrem à comunicação direta com o público quando não conseguem ver seus pontos de vista refletidos no noticiário e nos comentários do material jornalístico.


No caso do pré-sal, assim como em outros temas de grande complexidade técnica ou política, a imprensa anda claramente em débito com os leitores.


Se o objetivo do jornalismo é informar a sociedade, temos então o caso explícito em que o trabalho do jornalista foi realizado pelo publicitário, ou por jornalistas trabalhando em publicidade.


Sinal de alerta


O episódio, cada vez mais comum na imprensa brasileira, serve como exemplo de como a contaminação dos debates por certo viés político – que impede ou constrange a publicação da verdade inteira nos espaços jornalísticos – acaba estimulando a comunicação direta de empresas e outras instituições com a sociedade.


Claro que as empresas de comunicação comemoram o ingresso do dinheiro correspondente aos grandes informes publicitários, como esse de iniciativa da Petrobras. Mas, no longo prazo, corre-se o risco de que algumas grandes empresas cheguem à conclusão de que é mais conveniente falar diretamente aos seus públicos de interesse, por seus próprios meios.


Com a sofisticação da internet e o crescimento das redes sociais, esse é mais um sinal de alerta para o futuro dos jornais e revistas de papel.

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