Quinta-feira, 20 de Setembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1005
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IMPRENSA EM QUESTãO > MÍDIA & CRISE POLÍTICA

A purgação do jornalismo está longe

Por George Brito em 12/07/2005 na edição 337

Quero pegar carona no coerente e lúcido artigo intitulado ‘A chance da grande catarse do jornalismo‘, de Alberto Dines. É que me espanta a capacidade da imprensa, fora algumas exceções, de ‘apimentar’ o pirão, mesmo quando nem sequer a linha do anzol deu uma mínima indicação de peixe na isca. Pior, sai, a torto e a direito, inferindo sobre suspeitas, que nem de longe, ela (a imprensa) chega perto de investigar suas verdades. Até aí tudo bem, engole-se o sapo. Mas irrita e indigna o jornalismo tendencioso que, querendo engrossar o caldo de matérias que não deveriam ser mais que pura informação, traz a desfaçatez de um jornalismo vendido como engajado, quando não, está ali apenas o intento de vender o produto, ou, por trás, as jogadas políticas.

E o principal motivo de tamanha indignação se deve à matéria publicada em 9 de julho de 2005, na página online do jornal baiano A Tarde. Logo no título da matéria, mostra-se que o principal objetivo do texto não é informar – como se propõe um bom jornalismo – mas influenciar, ‘conduzir’ o leitor a conclusões precipitadas. Está lá: ‘Empresas de Lulinha receberam ajuda da Telemar’.

Jornalismo perigoso

Bom, não é que se tenha de calar sobre supostas relações promíscuas do filho do presidente com empresas que trabalham com capital público, mas a precisão da informação se faz necessária, além de respeitar a inteligência do leitor, capaz de inferir suas suspeitas e desconfianças quanto à lisura das figuras políticas e públicas. Matéria que li anteriormente, da Folha de S. Paulo, exemplifica, sem tirar nem pôr, o que me refiro. Ela diz, diferentemente do A Tarde, que a Telemar financiou a empresa do filho de Lula. Perdoem-me se estiver abusando da condição de um pseudo-semioticista, é que ‘receberam ajuda’ soa moleque e sugestivo. Na matéria da Folha, deu-se espaço à resposta das partes envolvidas, na outra, não. Aliás, na outra, usou-se como fonte a revista Veja.

Para não me alongar muito, já que poderia escrever e escrever sobre o mau jornalismo que impregna aquela matéria do A Tarde, restrinjo-me a criticar as inferências sugestivas de suspeitas, com base em informações de outra matéria, quando fazê-lo sobre fatos em si já ultrapassaria uma linha tênue entre o bom jornalismo investigativo e o denuncismo irresponsável. Coisas do jornalismo perigoso.

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Estudante de Jornalismo da Universidade Federal da Bahia

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