Quinta-feira, 21 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

IMPRENSA EM QUESTãO > JORNALISMO E DEMOCRACIA

A quem a imprensa deve prestar contas

Por Alberto Dines em 09/01/2007 na edição 415

Todos sabemos que a imprensa faz parte da sociedade, ela tem compromissos de vigilância específicos, mas a imprensa não é um corpo isolado, nem sua constituição diferencia-se das demais instituições e segmentos da comunidade.


Apesar de constituída do mesmo tecido, nossa imprensa consegue destacar-se positivamente quando comparada, por exemplo, com a classe política. A imprensa também tem um ‘baixo clero’ como na Câmara Federal, também tem uma ‘banda podre’, como nas polícias, e isso ficou muito claro no episódio do Dossiê Vedoin.


O que distingue a imprensa de outros setores de vanguarda da sociedade brasileira é que ela está comprometida com a transparência. Por vontade própria ou forçada, em grau maior ou menor, nossa imprensa aprendeu a submeter-se ao escrutínio da sociedade – e isso começou muito antes dos blogs e da massificação da internet.


Mas é preciso lembrar que estamos falando de jornalismo, de imprensa. Mídia, entretenimento e show business são outro departamento.


Leitores reclamam


Mas por que razão não podemos obrigar as demais instituições e poderes públicos a adotar a mesma transparência à qual imprensa já se acostumou?


Simplesmente porque a imprensa não é um poder político, não é do Estado, a imprensa não pode aumentar os seus privilégios, não pode impor coisa alguma. A imprensa, no máximo tenta convencer. O Estado manda, o Estado decreta, o Estado determina. A imprensa não pode desobrigar-se do que disse ontem, o Estado pode dizer e desdizer-se.


A imprensa depende diariamente do seu público, o Estado só presta contas nas eleições, de dois em dois anos. Os leitores da Folha de S.Paulo reclamaram do seu ombudsman que o jornal suprimiu alguns cadernos no período natalino. Os leitores estavam certos. Mas a quem recorrer quando o governo deixa de cumprir com as suas obrigações e seus deveres?

Todos os comentários

  1. Comentou em 11/01/2007 Marcelo del Questor

    Este texto me é familiar. Já vi o conceito, redigido com outras palavras. Na minha sincera opinião ambos os segmentos referidos acima são obscuros. E suas ações também. Mas o motivo me parece comum. Dinheiro. Ou a manutenção do mesmo em seus bolsos. Mas como o Observatório é de imprensa, acho que a mesma não sofre nenhum tipo de fiscalização, tendo ai a mesma atitude que o governo. Dai discordar do artigo. Não vejo como a imprensa, que gera tantos factóides possa ser considerada transparente. A imprensa tem realmente sua ‘banda podre’, parafraseando Dines, e ela não é nada estreita. Seus capatazes e simpatizantes usam de uma truculência de causar nostalgia à ditadura. Não uma truculência física, antes que os ‘iluminados’ critiquem. Mas uma truculência (i)moral. Com uma assumida posse elitista, decadente e preconceituosa, parte para o ataque de quem dela discorda. Como bons “capatazes”, rotulam, desqualificam e humilham os seus desafetos. Quem em sã consciência pode dizer que a imprensa não manipula notícias em benefício próprio ou de seus apaniguados ou benfeitores. E falta a imprensa e seus simpatizantes a básica boa educação. Aqui mesmo as vezes sentimos falta dessa boa educação. Proferem impropérios a quem lhes for conveniente sobre o manto da ‘liberdade de imprensa’, que julgam ser o direito maior..

  2. Comentou em 10/01/2007 Ivan Berger

    Não tinha lido o post das 3:38 do engenheiro Clerton.Matou a pau,velho.Vamos ver se depois dessa o tal sargento de portaria se manca.Quanto ao menino maluquinho,falta de criatividade é o de menos,o seu maior problema parece ser dislexia mesmo,haja vista o regalo que faz ao OI por conceder ‘tanto espaço para opiniões divergentes como as minhas,o que não impede que eu ache que está (sic) tremendamente equivocado em suas opiniões.’ Sacou ? Então,por favor,traduza para mim.

  3. Comentou em 10/01/2007 JOSE ORAIR Silva

    Vejo uma diferença fundamental no comportamento dos poderes e da imprensa. Enquanto, em relação aos poderes executivo e legislativo, nós podemos, pelo menos, substituir periodicamente os personagens, no caso do poder judiciário e da imprensa eles pairam, de forma soberana e permanente, acima da vontade popular. Assim os leitores podem até, exercendo o seu legítimo direito ao ‘jus esperneandis’, manifestar sua inconformidade com o posicionamento dos jornalões e das revistas semanais, mas é pouco provável que os donos desses veículos leiam esses comentários. O jornalão que eu assino, por exemplo, tem dispensado olímpico desprezo ás críticas dos internautas mantendo o mesmo plantel de colunistas amestrados….

  4. Comentou em 10/01/2007 JOSE ORAIR Silva

    Vejo uma diferença fundamental no comportamento dos poderes e da imprensa. Enquanto, em relação aos poderes executivo e legislativo, nós podemos, pelo menos, substituir periodicamente os personagens, no caso do poder judiciário e da imprensa eles pairam, de forma soberana e permanente, acima da vontade popular. Assim os leitores podem até, exercendo o seu legítimo direito ao ‘jus esperneandis’, manifestar sua inconformidade com o posicionamento dos jornalões e das revistas semanais, mas é pouco provável que os donos desses veículos leiam esses comentários. O jornalão que eu assino, por exemplo, tem dispensado olímpico desprezo ás críticas dos internautas mantendo o mesmo plantel de colunistas amestrados….

  5. Comentou em 09/01/2007 william guimaraes

    O Poder do Estado não se resume a um só poder. Teoricamente, o estado é composto de três poderes, que apesar de autônomos, vigiam uns aos outros. Assim, nós temos o Judiciário, o Legislativo e o Executivo e mais um poder especial, o Ministério Público, que trata de fiscalizar o cumprimento da lei. Esses três poderes apenas respeitam o verdadeiro soberano, que é o povo. Infelizmente isso é apenas em tese. Na prática, com resssalvas, tem-se a defesa dos interesses eleitoreiros, de acomodação de apadrinhados políticos, a bajulação ao poder econômico e a paparicação a um 5° poder informal, que é a mídia. Esta, na sociedade do espetáculo, representa o ‘poder maior’. Muita gente hoje adora a espetacularização das notícias, onde fatos corriqueiros são transformados em terror ou palhaçada. Muita coisa importante acontece no dia-a-dia, mas se não vira ‘mídia’, não aconteceu. É pela mídia que as pessoas enxergam( ou são induzidas a enxergar de um determinado modo) as atitudes dos represetantes do Estado. Poucas pessoas ousam enfrentar a grande mídia, sob pena de condenação , no mínimo, ao desterro público. Ruim com a grande mídia, pior sem ela. A censura é um mal maior do que o espetáculo. Será que os poderes econômico, constituídos e midiático estão interessados em promover a educação das massas para serem mais cobrados?

  6. Comentou em 09/01/2007 Carlos Américo

    O Ivan Berger se diz jornalista e sendo se enquadra na banda podre citada pelo Dinnes, pois escreve um texto pobre, recheado de preconceitos e ao contrário do que acredita fazer, com muitos erros de português.

    Quanto ao Dinnes, me pareceu que ele está tentando dar o braço a torcer e começa a escrever textos que nos levam a uma dúbia interpretação. Talvez mais uns três ou quatro textos ele volte a ser o Dinnes que conhecemos e estamos com saudades.

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