Domingo, 22 de Julho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº996
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IMPRENSA EM QUESTãO > Distorções na cobertura da tragédia de Mariana

A responsabilidade dos novos jornalistas

Por Renan Castro em 25/11/2015 na edição 878

O rompimento da barragem da Samarco em Mariana (MG) que arrasou o distrito de Bento Rodrigues no dia 5 de novembro, assassinou o Rio Doce e mais 12 pessoas – há quem suspeite que o número de mortos seja muito maior – mostrou o descaso de uma empresa capitalista, a ineficiência do poder público e a mediocridade da imprensa brasileira.

Preocupados exclusivamente em divulgar informações oficiais, os veículos de “comunicação” colorem o retrato da pobreza intelectual. O tsunami de lama afogou vidas, encobriu casas, devastou sentimentos e agora oculta verdades. Jornalistas, ainda que focados em empreitar uma investigação profunda, são reféns dos objetivos politico-corporativos de veículos que sobrevivem da barganha e caminham de mãos dadas com o jornalismo chapa-branca.

Quem assiste aos noticiários, lê jornais etc., é bombardeado por uma quantidade exorbitante de conteúdo. Mas de tudo o que é veiculado, qual a porcentagem de relevância? Onde estão os detalhes mais obscuros da tragédia? Cadê o jornalismo investigativo e onde está a prática da tão exigida liberdade de imprensa? Ser livre para noticiar é agarrar a oportunidade de dar voz a quem realmente tem o que dizer. É expor os sofrimentos de quem sentiu na pele o estouvamento inerente ao “governo do povo”. Faltam olhares mais sensíveis para Mariana. Sobram comparações esdrúxulas e picaretagem de oportunistas de plantão.

Os veículos de “comunicação” retrocedem e estão cada vez mais dominados por subversões de interesses políticos. Abrem as pernas para irresponsabilidades sociais e chupam até o palito do picolé de carnificina vendido pelos mandachuvas e distribuído aos receptores ingênuos, desprovidos de senso crítico e vítimas de uma ideologia hegemônica.

Em um artigo publicado no site Observatório da Imprensa no dia 20 de novembro, Yago Sales e Juliana Junqueira, escreveram a “Carta aos estudantes de jornalismo em Minas Gerais”. Os autores delegam aos estudantes de jornalismo a tarefa de narrar histórias e não deixar a tragédia cair no esquecimento. E por que aos estudantes? Por que ainda que nos braços do academicismo, esses estudantes estão livres das mazelas da imprensa política. Representam o futuro de uma profissão tão aclamada e têm nas mãos a oportunidade de resgatar verdadeiras histórias e fazer um jornalismo independente.

***

Renan Castro é estudante de Jornalismo

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