Quarta-feira, 18 de Outubro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº962

IMPRENSA EM QUESTãO > UM DIA SEM GLOBO

A superestimação do Twitter

Por Lia Segre em 30/06/2010 na edição 596

Foi notícia em diversos veículos a campanha ‘Um dia sem Globo’, inventada por usuários do Twitter para que na sexta feira (25/6) a população visse o jogo do Brasil contra Portugal por outros canais, para o ibope global diminuir.


A ideia veio depois da polêmica envolvendo Dunga e a Globo, no domingo (20/6). Partindo em defesa do técnico da seleção brasileira, os usuários se levantaram contra o monopólio da emissora. Ir contra um monopólio inconstitucional é um bom motivo para qualquer campanha, ainda que ao fim da partida a Globo tenha conseguido um bom número, 43,6 pontos de audiência, e a Band 12,7 – resultado recorde segundo o site especializado AdNews.


Mas o mérito do Twitter não deve ser superestimado. É importante lembrar a contradição de uma campanha contra o monopólio ser feita em um meio monopolizado, elitista, que é a internet – e o Twitter – no Brasil. O número de usuários frequentes de internet é por volta de 39% no Brasil, considerando como ‘uso frequente’ ter utilizado a rede nos últimos três meses.


Apenas 3% desses 39% que utilizaram a internet nos últimos três meses entra na rede menos de uma vez por mês, sendo que 58% a utilizam diariamente, ou seja, 22% da população brasileira (dados do Centro de Estudos das TICs do Comitê Gestor da Internet Brasileira) . Um número bem abaixo dos que têm acesso diário à TV. Ainda assim, a grande mídia tem noticiado acontecimentos do Twitter como se fossem a nova revolução da comunicação depois da internet.


Tendência para o monossílabo


A luta pela democratização da comunicação deve ser feita em todos os meios possíveis, mesmo que elitizados. O Twitter tem um alcance significativo na classe média, mas essa atuação não pode ser confundida ou substituída por uma atuação política fora desse âmbito. Afinal, a esfera de microblogs é o cúmulo da desinformação (milhares de desinformações seguidas, que têm curta duração e memória). Tão curto quanto um tweet. Como disse Flavio Gomes, colunista esportivo do iG no texto ‘A era do grunhido‘ (19/6), discutir uma hashtag de Twitter é como sugerir um congresso sobre comunidades bizarras do Orkut.


Gomes criticava a escolha editorial de Veja em dar sete páginas para o caso ‘Cala Boca Galvão’ e poucas linhas para criticar as escolhas políticas do escritor José Saramago (1922-2010). Ele tinha blog e Twitter, mas uma opinião realista sobre as comunidades digitais. Gomes conta que em uma recente entrevista por e-mail a O Globo, Saramago disse:




‘Nem sequer é para mim uma tentação de neófito. Os tais 140 caracteres reflectem algo que já conhecíamos: a tendência para o monossílabo como forma de comunicação. De degrau em degrau, vamos descendo até o grunhido.’

Todos os comentários

  1. Comentou em 04/07/2010 Cristiana Castro

    a qq tipo de legislação. Dentre todas as empresas de telecomunicações, a única que goza de privilégios junto ao legislativo e ao judiciário e usa isso sem a menor cerimônia é a Globo,sim. Tanto é assim, que está sendo denunciada em organismos internacionais pq o Poder Judiciário Brasileiro, tem medo de enfrentar o monopólio. Mas voltando, esse bloco maciço,coloca-se entre demandantes divergentes e coloca suas demandas como demandas do grupo opositor . Em função disso a esquerda toma como sendo a direita, reivindicações que não são da direita e sim da própria empresa. Nossa Imprensa hoje,é nada mais que uma atravesadora de pautas, uma cambista de reivindicações. Se a esquerda parte para cima é acusada de censora, se parte a direita, perde o apoio.O judiciário se borra, nem pensar em contar com ele. O Poder Judiciário, preferiu abrir mão de princípios de direito a confrontar a TV Globo. Ficamos como,então? Nem as pautas convergentes podem ser discutidas pq temos que debater a pauta midiática que não sabemos de onde vem. O exemplo da Reforma do Código Florestal é emblemática, direita e esquerda acordam na quase totalidade dos pontos. Quem discorda? Quem é o representate do verdismo e que determina a pauta? A mesma Imprensa, que não revela a verdadeira situação do campo para conseguir apoio popular a sua causa. A questão midiática não é a questão partidária que a Imprensa vende.

  2. Comentou em 03/07/2010 Gerson Chagas

    Por que as discussões ficam circunscritas ao nefasto e destrutivo sectarismo de sempre ? O Fla x Flu PT x PSDB. Estaria o Brasil, seus problemas e as providenciais soluções restritas a este tolo e superficial embate ? Discutir legendas é , como diz o provérbio, discutir pessoas, e não as ideias. Parece conversa de comadres, alcoviteira, sem outro propósito que não seja o de se comprazer de forma instintiva e egoísta. Será que a Educação, notadamente a Pública, por exemplo, não merece atenção , neste e noutros espaços em que supostamente os temas são abordados de forma racional, séria e, acima de tudo , respeitosa ? Ok, já sabemos a resposta. E o artigo do Flávio Gomes é de fato emblemático , embora não surpreenda a conduta da Veja e publicações congêneres. Quanto maior for a imbecilidade e ingorância, com a consequente alienação, maior será a facilidade para os cartéis lucrarem à enésima. Pior é que , pelo quadro social para o qual não há indícios de mudança, a Era dos Grunhidos está próxima, mas a dos Urros já fora instalada, de há muito.

  3. Comentou em 01/07/2010 Clerton de Castro e Silva

    Os blogueiros considerados de esquerda( Azenha, PHA, Nassif e mais alguns sem nenhuma expressão) deram um tiro no pé. Foram tentar fazer propaganda partidária no Twitter e quebraram a cara. Quem navega nas redes sociais não está nem aí para esta politicagem barata, que só faz sentido para esta pequena turma. Espero apenas que eles tenham aprendido a lição.

  4. Comentou em 01/07/2010 Romilda Raeder

    Marcelo Idiarte tirou as palavras da minha boca (ou do meu teclado): tanto no que diz respeito ao significado do movimento via twitter, quanto no que se refere à confiabilidade das tais medições.
    Detalhe: eu também não conheço ninguém que tenha o tal aparelho em casa, como não conheço ninguém que conheça alguém que tenha o tal aparelho em casa.
    É preciso compreender a importância desse movimento, não tentar desmerecê-lo.

  5. Comentou em 30/06/2010 Boris Dunas

    Viu ali, Marcelo E Ramos? A autora usa como fonte aquele site (Adnews) que eu te apresentei, e os mesmos números daquele, segundo você, “ilustre desconhecido”. Quanto ao twitter (que, se teve alguma influência na audiência da Globo foi para aumenta-la) foi feito sob medida para a nova geração que quanto menos escrever menos vergonha passa, dado o analfabetismo resultante dessa “Educação para todos” que temos no Brasil. Nessa batida, a próxima etapa da “internet para todos” será apostar pesado no envio e troca de sinais de fumaça digital.

  6. Comentou em 30/06/2010 Boris Dunas

    Viu ali, Marcelo E Ramos? A autora usa como fonte aquele site (Adnews) que eu te apresentei, e os mesmos números daquele, segundo você, “ilustre desconhecido”. Quanto ao twitter (que, se teve alguma influência na audiência da Globo foi para aumenta-la) foi feito sob medida para a nova geração que quanto menos escrever menos vergonha passa, dado o analfabetismo resultante dessa “Educação para todos” que temos no Brasil. Nessa batida, a próxima etapa da “internet para todos” será apostar pesado no envio e troca de sinais de fumaça digital.

  7. Comentou em 30/06/2010 Larissa M

    Mais uma coisinha além da opinião extremamente fundamentada que foi barrada….O twitter é tão fraco enquanto veículo de comunicação´, e agora a Globo cismou que é por lá que vai promover seus programa sesu artistas né! Vai vendo…

  8. Comentou em 30/06/2010 Larissa M

    Mais uma coisinha além da opinião extremamente fundamentada que foi barrada….O twitter é tão fraco enquanto veículo de comunicação´, e agora a Globo cismou que é por lá que vai promover seus programa sesu artistas né! Vai vendo…

  9. Comentou em 30/06/2010 Thomaz Magalhães

    A autora fala em movimento que nasceu entre os usuários do Twitter, mas a idéia e empenho foi da blogosfera de esquerda, como se pode ver no blog do Azenha, em campanha. Não deu certo, como se pode ler também no Azenha. O Twitter só bobilizada os já mobilizados.

  10. Comentou em 30/06/2010 Otavio Santos

    Que tal fazermos uma semana sem a Globo?
    Já estou a quatro anos e não sinto a menor falta.

  11. Comentou em 30/06/2010 Larissa M

    Você faz essa reportagem, e pretensiosamente deve se dizer alguém imparcial que está simplesmente relatando o fato sem no entanto querer reprimir o movimento não é? Pois não é….ose o twitter não tivesse o poder de transmitir a opinião popular, o que são então todas essas reportagens que tentam convencer aqueles sem crítica, que apenas concordam com tudo o que leram? Desespero. Mas o enfoque da notícia está errado. Não se busca a superestimação do twitter e sim a verdadeira estimação da sabedoria popular, e da análise crítica das coisas que se lê ou se vê, pois se você quer saber, a camapanha tomou outras dimensões que não só o twitter, o twitter é um meio de comunicação, mas a campanha foi feita por e-mail, boca a boca, orkut (não só através de 140 carácteres como vc pretende), e se originou de um fato em que a opinião pública ficou sim na grandfe maioria favorável ao Dunga e contra a compra da Copa pela emissora. Mas a camapanha se tratoud e todos mudarem de uma vez o canal só pra que a opinião pública fosse sentida. Mas o jornalismo ético se empenhou bastante em dividir a população não é? Entre aqueles que pensam e aqueles que são papagaios da mídia. Conta outra, jornalisminho peba….

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