Sábado, 25 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

ENTRE ASPAS > DILMA CANDIDATA

A Veja de ressaca

Por Luciano Martins Costa em 22/02/2010 na edição 577

Talvez o leitor tenha se surpreendido com a edição da revista Veja que circula nesta semana (nº 2153, com data de capa de 24/2/2010).


Transformada em panfleto político nos últimos anos, a publicação semanal de maior circulação do Brasil apresenta na capa a ministra Dilma Rousseff, anunciada candidata à Presidência da República no quarto congresso do Partido dos Trabalhadores.


O que deve ter surpreendido muitos leitores é o tom ameno, até cordial, com que a engajada revista trata a ministra, a quem considera desde muito como uma adversária quase pessoal.


Na edição desta semana, Veja trata Dilma como uma personalidade pragmática, que apesar de seu passado como guerrilheira não assusta o empresariado. A revista produziu até mesmo uma tabela para mostrar como o discurso – que considera ‘radical’ – se dilui em ações práticas de governo com resultados positivos, casos das iniciativas da ministra na redução de riscos no setor energético, na competitividade do setor agrícola nacional e na recuperação da malha rodoviária.


Matérias tendenciosas


Para quem está habituado aos textos editorializados e tendenciosos da revista, chega a surpreender o esforço que faz para contar os bastidores da convenção petista sem forçar demasiado sua tendência natural de desqualificar o partido do governo.


Talvez os erros do passado recente, quando apostou demasiado no outro extremo do espectro ideológico – ao apoiar explicitamente políticos do Partido Democratas –, tenha deixado escaldados os editores da revista.


O ex-governador José Roberto Arruda, que já foi o herói de Veja, está na cadeia. O prefeito paulistano Gilberto Kassab, que também mereceu afagos da revista, acaba de ter seu mandato cassado temporariamente, por receber doações consideradas ilegais.


Não basta uma edição para que se possa afirmar que Veja resolveu voltar ao jornalismo. Afinal, a revista ainda segue coalhada de textos arrivistas e tendenciosos. Mas não deixa de chamar a atenção essa sua ressaca pós-carnavalesca.

Todos os comentários

  1. Comentou em 23/02/2011 Ricardo Grandinetti Teixeira

    Estou ‘boquiaberto’ com a falta de profundidade da cobertura das negociações do clube dos 13 pela Globo.com.

    As informações estão sendo dadas como se existisse um ‘racha’ natural entre os clubes, sem demonstrar a correlação deste ‘racha’ com as negociações comerciais com a própria Globo e Record.

  2. Comentou em 23/02/2010 Haroldo Werneck

    Acredito que o Luciano não leu a edição toda da Veja… O tal sociólogo das páginas amarelas só faltou demonizar o atual governo, sobrando elogios para o governo anterior. O comentário de que o aumento de pessoas na classe C foi causado pela globalização deveria ser suficiente para cancelar o diploma do sociólogo! Quando diz que Lula ganhou a eleição ao se comprometer em preservar a estabilidade, o entrevistado esquece do terrorismo que a imprensa fez exatamente para reforçar a imagem de radicalismo Lula/PT.

    A reportagem sobre a Dilma foi uma obra de muances, ora omitindo informações, ora deixando no ar sugestões de problemas futuros caso ela seja eleita… e por aí vai o texto. As 10 perguntas para Dilma demonstram o direcionamento da reportagem – ou o baixo nível do articulista.

    Por fim, a revista traz na capa e logo em seguida à reportagem um artigo de 3 páginas com o principal concorrente da ministra. O artigo é uma ode do governador, como se este representasse o que há de melhor nestes 25 anos da nova república!…

    Como se vê, a Veja procura se mostrar democrática mas sempre direcionando suas reportagens. Enfim, a Veja de sempre…

  3. Comentou em 22/02/2010 Evandro Santos

    Fiquei surpreso com a matéria de capa desta semana de Veja. Achava que a cobertura do congresso do PT resultasse em matéria de apenas uma página e, ainda por cima, recheada de críticas, como a revista sabe bem fazer. O conteúdo da reportagem realmente foi ameno, o que levanta desconfiaça. O curioso foi a entrevista da ministra, com as dez perguntas de Veja respondidas por e-mail. Dá a impressão de que Dilma não queria correr o risco de ter suas palavras distorcidas ou manipuladas pela edição daquela que um certo deputado chamou de ‘revistinha’.

  4. Comentou em 22/02/2010 Raphael Perret

    Ok, mas ainda assim não é curioso na capa ter uma chamada pra um artigo do principal adversário da Dilma?

  5. Comentou em 22/02/2010 Raphael Perret

    Ok, mas ainda assim não é curioso na capa ter uma chamada pra um artigo do principal adversário da Dilma?

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