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Sábado, 18 de Agosto de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1000
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A ‘Pesquisa Brasileira de Mídia 2014’ como primeiro passo

Por Wladimir G. Gramacho em 18/03/2014 na edição 790

Quatro interessantes artigos publicados nos últimos dias pelo Observatório da Imprensa ocuparam-se dos alcances e das limitações da “Pesquisa Brasileira de Mídia 2014”, estudo com características inéditas elaborado pela Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência da República. Em todos os casos, os autores chamaram a atenção sobre aspectos inovadores e relevantes que permitem entender a pesquisa como um primeiro passo rumo a um conhecimento mais abrangente sobre a relação entre os brasileiros e os meios de comunicação.

Luciano Martins Costa (“Um retrato da mídia no Brasil”, 7/3) destaca a decisão metodológica de buscar amostras representativas de cada uma das 27 unidades da Federação, levando a pesquisa para além dos grandes centros urbanos. Em seguida, o mesmo autor identifica uma possível tensão entre jornais impressos e revistas (“A briga pelo leitor domingueiro”, 10/3). Ao observar um padrão de uso mais próximo do semanal tanto entre leitores de jornais como de revistas, Costa enumera razões pelas quais os primeiros levariam vantagem sobre os segundos.

Já Carlos Castilho ocupa-se do meio de comunicação com maior cobertura em todo o país (“A importância da observação crítica dos telejornais”, 8/3). A partir dos hábitos declarados na pesquisa, o autor destaca o poder de influência dos dois principais telejornais do país – Jornal Nacional e Jornal da Record – e convida os leitores a fazerem uma análise crítica desse conteúdo, cotejando-o com outras fontes.

Finalmente, Rogério Christofoletti descortina uma instigante análise histórica, empírica e epistemológica num texto com agudas observações (“Sobre pesquisas de mídia, empadas e pastéis”, 11/03). Uma parte das anotações merece comentários pontuais.

Novas perguntas

Importante registrar que o estudo não foi elaborado pelo Ibope Inteligência, mas pela equipe técnica da Secom, que contou com a consultoria de nove pesquisadores de opinião pública de oito universidades brasileiras durante a fase de planejamento. O instituto participou de outras etapas da pesquisa, ocupando-se essencialmente do pré-teste do questionário, da coleta dos dados, da checagem de entrevistas e da consolidação do banco de dados.

Além disso, o governo Lula e a gestão de Franklin Martins na Secom ocuparam-se, sim, de pesquisar os hábitos de uso da mídia no Brasil. Duas pesquisas foram feitas em 2010 com esse mesmo objetivo, conduzidas pelo Instituto Meta. Entretanto, optou-se naquele momento por amostras nacionais ou regionais, que não permitem descrever com precisão padrões de uso de meios cuja atuação é circunscrita ao estado (ou ao DF). Em diversas reuniões de planejamento da nova série inaugurada pela “Pesquisa Brasileira de Mídia 2014”, consideramos que a melhor unidade de análise é a unidade da Federação, já que é financeiramente inviável a realização de pesquisa com amostras por município ou por microrregiões do IBGE.

O conjunto de dados que emerge da “Pesquisa Brasileira de Mídia 2014”, como registra Christofoletti, interessa a muitos atores. Por esse motivo, a Secom optou por ampliar a divulgação desse estudo, facilitando sua consulta por meio de um relatório disponível aqui. Além disso, o estudo foi pago com recursos orçamentários e, com base na Lei de Acesso à Informação, seu conteúdo é de livre acesso, incluindo o banco de dados, que pode ser solicitado pelo e-mail fale.secom@presidencia.gov.br.

A intenção de realizá-lo anualmente responde muito mais à velocidade das transformações que tem afetado nossos hábitos de uso da mídia e ao Decreto 6555 – que dispõe sobre as ações de comunicação do Poder Executivo Federal e orienta a Secom a obedecer, entre outras diretrizes, a que comanda “adequação das mensagens, linguagens e canais aos diferentes segmentos de público”. Neste ano, a realização da segunda edição da pesquisa foi assegurada pelo ministro Thomas Traumann, mas é inegável que caberá ao titular da Secom em 2015 a decisão sobre a manutenção da pesquisa.

Por último, Christofoletti afirma, corretamente, que “a partir da leitura do estudo, é mais fácil fazer novas perguntas”. Enumera algumas e conclui: “a ‘Pesquisa Brasileira de Mídia 2014’ nos oferece uma grande quantidade de dados, mas sequer toca em alguns dos mais relevantes para a compreensão das vontades e costumes de consumo da população”.

Convite ao diálogo

Ao contrário da pauta de pesquisas acadêmicas, que por definição não deve conhecer limites, as ações do governo estão condicionadas ao estabelecido em lei. Inclusive nas pesquisas de opinião pública há limitações e prioridades inerentes ao escopo legal que orienta o trabalho da Secom. Essa não é razão para entender a “Pesquisa Brasileira de Mídia 2014” como um projeto acabado e insuperável. Ao contrário.

Há certamente diversos ajustes e temas relevantes a serem incorporados. O que será feito, sempre que atendidas as diretrizes legais que orientam o trabalho da Secom. Todos os interessados estão convidados a contribuir para esse aperfeiçoamento. Basta enviar correio eletrônico ao endereço fale.secom@presidencia.gov.br, até o dia 30 de junho de 2014, com sugestões de temas ou questões, devidamente justificados, que serão avaliadas e possivelmente incluídas no questionário que irá a campo em novembro.

A aspiração de que a “Pesquisa Brasileira de Mídia” seja uma referência “nacionalmente representativa” dos hábitos de uso da mídia pelos brasileiros está garantida por sua estratégia amostral. Já a de que seja também uma referência “tecnicamente sólida” depende de um diálogo de alto nível com todos os interessados no tema, especialmente com pesquisadores da área.

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Wladimir G. Gramacho é chefe da Assessoria de Pesquisa de Opinião Pública da Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência da República

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