Domingo, 08 de Dezembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1066
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ENTRE ASPAS >

Abaixo a gratuidade online

25/08/2009 na edição 552

Com os jornais americanos lutando contra a queda nas vendas e na publicidade, os executivos da News Corp. vêm se encontrando com editores para discutir a formação de um consórcio que cobraria pelas notícias distribuídas online – o que poderia melhorar os balanços das empresas. O diretor da área digital da News Corp., Jonathan Miller, já teria se reunido com as grandes editoras de jornais dos Estados Unidos, como New York Times Co., Washington Post Co., Hearst Corp. e Tribune Co.

Uma das razões para a News Corp. tomar a frente do projeto seria o bem-sucedido modelo do Wall Street Journal, cujo site tem mais de um milhão de assinantes pagos. O grupo conta ainda com a rede Fox (cinema e TV), a TV por assinatura Sky e diversos jornais, como The Times e New York Post.

– A realidade é que, a não ser que várias pessoas que produzem notícias ajam em uníssono, individualmente elas vão falhar – disse o consultor de novas mídias Alan Mutter, que já foi editor e colunista de jornal.

A proposta de cobrar pelo acesso online às notícias vêm ganhando força desde abril, quando houve a reunião anual da Associated Press (AP). William Dean Singleton, presidente da AP e diretor-executivo do MediaNews Group, criticou, na ocasião, a expropriação das notícias na internet – o que foi visto como uma referência à gigante das buscas online, a Google:

– Não podemos mais ficar parados e ver os outros usurparem nosso trabalho sob teorias legais equivocadas.

O editor do Wall Street Journal, Robert Thomson, fez coro, afirmando que a Google e os sites que reúnem notícias, que defendem que o conteúdo seja livre, são ‘parasitas ou tênias techie nos intestinos da internet’.

Recentemente, o diretor-executivo da News Corp., Rupert Murdoch, afirmou que seus sites de notícias começarão a cobrar pelo acesso ainda este ano e que espera, com isso, obter ‘receitas significativas’.

Consumidor específico

A receita com publicidade no setor caiu 28% no primeiro trimestre deste ano, segundo a Associação de Jornais da América.

Segundo analistas, se por um lado a desaceleração na economia contribuiu para isso – principalmente pela retração na publicidade de automóveis –, também há fatores estruturais, com leitores e anunciantes vão para a internet. Os jornais conquistaram muitos leitores online, mas a receita não veio junto. Os anúncios na internet só respondem por 12% da receita de um jornal, segundo a associação.

Analistas duvidam que a cobrança de assinaturas online ou por reportagens isoladas traga receita significativa para as editoras de jornais. Publicações especializadas, como o Journal e o Financial Times, são bem-sucedidas porque fornecem informações valiosas para operar no mercado de ações. Cobrar por notícias locais, de esporte ou entretenimento seria outra história.

– Provavelmente serão uns trocados – disse Edward Atorino, analista de mídia da Benchmark.

Para o consultor Alan Mutter, as tentativas de cercar as notícias com barreiras de cobrança estão fadadas ao fracasso porque essas barreiras são facilmente rompidas por qualquer um que saiba copiar e colar um documento.

Mas ele vê chances de um consórcio, como quer a News Corp., funcionar. Para isso, diz Mutter, o ideal seria criar um único registro online, que os leitores usariam em todos os sites de jornais e que registraria o que foi lido. Somando dados geográficos e demográficos, esse leitor anônimo seria valioso para anunciantes buscando atingir um consumidor específico.

Mas um consórcio de editoras de jornais levaria as autoridades reguladoras a analisar qualquer prejuízo à concorrência, afirmou o advogado especializado Robert W. Doyle Jr., da firma Doyle, Barlow & Mazard.

Posição única

Murdoch, que construiu um império de mídia a partir de um único jornal na Austrália, seu país natal, vem buscando uma solução para a crise financeira do setor.

Isso o levou a se reunir tanto com projetos como o Journalism Online – criado especificamente para desenvolver ferramentas permitir a cobrança pelo acesso online – quanto com fabricantes de e-readers, como o Kindle, da Amazon.

Só que esta fica com 70% da receita das assinaturas digitais.

A tarefa de encontrar uma solução digital ficou a cargo de Miller, que entrou na News Corp. em abril. Mês passado, em uma conferência, ele disse que o grupo adquiriu experiência na cobrança online ao administrar o serviço de informações financeiras Factiva, da Dow Jones.

– Temos uma posição única para exercer um papel-chave na criação de novos modelos de negócios que apoiem o jornalismo de qualidade em plataformas digitais.

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