Quinta-feira, 23 de Janeiro de 2020
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1071
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IMPRENSA EM QUESTãO >

Afinal, a mídia é golpista?

Por Bruno Henrique de Moura em 21/03/2016 na edição 895

De cada 10 posts na minha timeline do Facebook, cinco são “mídia golpista”, “Globo golpista” e “não vai ter golpe”. A imprensa tornou-se o bode expiatório. Mas eu pergunto: a mídia é que é golpista?

Dos diversos jornais de grande circulação, dos portais de maior acesso e credibilidade, que têm seus posts republicados por defensores dos dois lados, quando o teor da matéria agrada, e das emissoras de rádio e televisão mais ouvidas e rechaçadas pelos defensores da ideia de mídia golpista, não foram desmentidos uma vez sequer pelos agentes que estão sendo pautados.

Alguém viu Dilma, Lula, Aécio, Eduardo Cunha ou Renan Calheiros afirmar que as informações publicadas eram invenções da mídia? E se o disseram, tinham provas de que a imprensa estava criando fatos? E algum desses processou algum desses veículos criminalmente ou civilmente?

O governo federal repassou, durante os 12 anos de governo de presidentes do Partido dos Trabalhadores 6,2 bilhões de reais somente para a golpista Rede Globo.

Por que a mídia iria querer destruir quem a sustenta?

Observemos texto da CartaCapital sobre a porcentagem de destinação de verbas para a Globo, comparando os governos FHC e Lula em porcentagem: “Ao final do governo de Fernando Henrique Cardoso, em 2002, as emissoras globais detinham 49% das verbas estatais destinadas à propagada em TV aberta, chegaram a 59% durante o governo Lula e, no ano passado, a Globo ainda liderava com R$ 453,5 milhões investidos, mas do total, o valor representa 36%” (CAPITAL, Carta. 29/06/2015).

Ainda na matéria da revista, vemos que o jornal O Globo foi o que mais recebeu do governo em 2014 dentre os impressos: 21,5 milhões de reais. No online, o portal UOL faturou 14,7 milhões em 2014.

Oras, a fatia de verbas arrecadas pela chamada mídia golpista do governo é no mínimo impressionante. O montante financeiro é imenso e dificilmente seria maior em um governo dos “protegidos da grande mídia”. Podemos, por exemplo, comparar a porcentagem para a Globo no governo FHC e no meio do governo Lula. Lula pagou mais à Globo naquele período, proporcionalmente, que FHC quando presidente.

Por que raios a mídia iria querer destruir quem a sustenta? Ou pelo menos paga uma fatia importante da sua receita? 6,2 bilhões é uma quantia, no mínimo, relevante, no fechamento da folha de pagamento de qualquer empresa.

A mídia observa e relata

Agora, o ponto na minha visão, de maior relevância. Fatos. A mídia está inventando fatos? As provas contra Eduardo Cunha foram mostradas e tiveram grande cobertura pelo Jornal Nacional. O dito golpista-mor. O Fantástico fez reportagens especiais sobre o assunto. O Globo estampou na sua capa: “Escândalos em série. Procuração mostra que Cunha geria conta suíça”. Da mesma forma que a Veja estampou em uma edição de 2007: “Mais Laranjas de Renan: Como o Senador se tornou o dono oculto de duas rádios em Alagoas”. Ele pagou 1,3 milhão em dinheiro vivo.

Da mesma forma, as denúncias, grampos, áudios, conversas, documentos relacionados à atual crise da presidência da República estão sendo explorados pela tal “mídia golpista”. E é exatamente isto que a mídia deve fazer. Deve relatar os fatos, procurar e escravunhar as denúncias, ir atrás de provas e denunciar escândalos, mostrando ao público aquilo que está a ocorrer.

A mídia não tem poder de incriminar, criar provas, abrir e fechar inquéritos e investigações. Ela não é polícia, não prende; ela não é Justiça, não cria investigações. Ela observa e relata e é isso que neste momento a mídia está fazendo.

Portanto, vamos refletir com senso crítico: a mídia é que é a golpista?

Referências:

http://veja.abril.com.br/acervo/home.aspx

http://www.cartacapital.com.br/blogs/midiatico/emissoras-de-tv-receberam-mais-de-r-10-8-bilhoes-publicidade-federal-7609.html

http://g1.globo.com/fantastico/noticia/2016/03/nova-denuncia-mostra-vida-de-alto-nivel-de-eduardo-cunha-fora-do-brasil.html

***

Bruno Henrique de Moura é jornalista e estudante de Direito

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