Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

ENTRE ASPAS > FIM DE SEMANA, 13 E 14/10

Agência Carta Maior

16/10/2007 na edição 455

MÍDIA EM DEBATE
Lula Miranda

Movimento dos ´Sem-mídia` promove assembléia em SP, 9/10

‘Movimento inaugurado com uma manifestação em frente à ´Folha de S.Paulo` convoca assembléia para constituir uma ONG dos ´sem-mídia´. Encontro discutirá também os próximos passos da luta em defesa da democratização da mídia.

Você ainda deve se lembrar, prezado leitor, a Carta Maior noticiou, com destaque, a primeira manifestação do Movimento dos Sem-Mídia (MSM) realizada no dia 15/09 – portanto, há praticamente um mês – em frente ao prédio-sede do jornal Folha de S.Paulo. Desde então, muito pouco, quase nada, se tem noticiado sobre esse movimento. O que é ´natural` – natural assim mesmo, entre aspas. Afinal, como um movimento que faz duras e pertinentes críticas à grande mídia encontraria espaço nos veículos pertencentes aos grandes grupos de comunicação?

É natural (agora sem aspas), portanto, que os que leram a matéria aqui na CM estejam se perguntando: o que foi feito do MSM? A quantas anda esse movimento? Dissolveu-se, apesar das boas e nobres intenções dos seus integrantes? Foi apenas mais um gesto bem-intencionado e voluntarista que não teve prosseguimento e não resultou em nada? Ainda é cedo para tanto pessimismo.

A boa notícia é que o MSM não se dissolveu. Os seus integrantes não se dispersaram. Ao contrário, o movimento cresce, lenta e gradualmente, e ganha corpo a cada dia. Na manifestação em frente à Folha, cerca de 210 indivíduos (homens e mulheres) assinaram in loco um manifesto, explicitando suas reivindicações, que foi entregue ao jornal (a Folha, ao que se sabe, não deu nenhuma satisfação – nem aos seus leitores e, muito menos, ao MSM – apesar de explicitamente cobrada pelo seu ombudsman). Hoje, cerca de 350 pessoas já preencheram o cadastro inicial do movimento e aproximadamente 190 já concretizaram sua filiação – inclusive, dispondo-se a pagar uma taxa mensal (de R$ 20,00), que servirá, segundo seus organizadores, num primeiro momento, para subsidiar uma estrutura mínima e custear as próximas ações a serem desenvolvidas. Alguns ´semidianos` foram até mais generosos na contribuição e se dispuseram a colaborar com um pouco mais, um deles até doou uma máquina fotográfica digital ao movimento.

O próximo passo será a assembléia na qual o movimento ganhará, digamos, uma ´solidez` jurídica. Será constituída a ONG dos ´sem-mídia´. Nessa assembléia serão apreciados, e submetidos a uma votação, os nomes dos candidatos a ocupar os cargos de direção nessa organização – uma exigência legal para constituição de organismos ou entidades dessa natureza. Serão discutidos e definidos, também nesse fórum, os próximos passos do movimento.

O primeiro passo, o marco inicial, como se sabe, foi a manifestação em frente à Folha. O segundo será a formalização do movimento nessa assembléia e a definição/consolidação de um ideário mínimo. Um terceiro passo, já em discussão, seria uma manifestação em frente à Globo no Rio de Janeiro. Outros passos virão e serão projetados e delineados nessa reunião. A marcha dos ´sem-mídia´, ao que tudo indica, promete ser mesmo não tão breve, rompendo de vez com a inércia imobilizadora dos que protestam, de modo solitário, contra a mídia oligopolizada, conservadora e, para muitos, golpista.

O MSM, após se constituir numa Organização Não Governamental, projeta implementar ações mais perenes e concretas. Ir além das manifestações de protesto em frente aos grandes veículos de mídia – atos esses necessários, mas reconhecidamente insuficientes. Nos seus projetos e propostas inclui-se a promoção de debates em escolas, sindicatos e universidades acerca das mazelas e equívocos da grande mídia, tais como a parcialidade, a manipulação da informação e a ´politização` do noticiário; a luta pela democratização do acesso aos meios de comunicação (meios que hoje estão concentrados nas mãos de poucos grandes empresários e políticos) – inclusive com ações junto ao Ministério Público e ao Legislativo; e a constituição de mídias do próprio movimento, tais como um site e um periódico, para veiculação de suas demandas e idéias – uma vez que, como já explicitado anteriormente, seria ingênuo imaginar que a grande mídia lhe franqueará espaços.

Por enquanto, são apenas projetos e boas intenções. Mas o MSM dá um importante passo e sinalização ao evidenciar que pretende constituir-se em algo mais sólido, concreto; num movimento que agrega, de forma legal e organizada, os mais diversos, distantes e variados cidadãos, aglutinando anseios e reclamos, hoje dispersos, por uma mídia mais cidadã e democrática.

O MSM sinaliza ir, de modo efetivo e definitivo, à luta – dando-lhe corpo e movimento. Dando assim um passo além dos protestos virtuais e solitários feitos em blogs, sites, ou através de massivos ataques de e-mails endereçados a parlamentares e outras autoridades constituídas. O MSM dá mais um passo em sua necessária – e, ao que parece, irrefreável – marcha.

Aos que desejarem participar do ato constitutivo do movimento, a assembléia será no próximo dia 13/10, sábado, a partir das 10h, na cidade de São Paulo, à Rua Tabapuã, 627, no bairro do Itaim Bibi.

Aos que desejarem obter mais informações sobre o movimento e suas propostas, fazer-lhe críticas ou mesmo propor caminhos alternativos, sugerimos acessar o site http://edu.guim.blog.uol.com.br.’

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Clique nos links abaixo para acessar os textos do final de semana selecionados para a seção Entre Aspas.

Folha de S. Paulo – 1

Folha de S. Paulo – 2

O Estado de S. Paulo – 1

O Estado de S. Paulo – 2

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