Domingo, 23 de Setembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1005
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IMPRENSA EM QUESTãO > MOVIMENTO PATRONAL

ANJ, o fim da unanimidade

Por Alberto Dines em 23/08/2010 na edição 603

Surpresa sabática: divergências no seio da ultrafechada Associação Nacional de Jornais (ANJ)! Jornalistas divergem, o patronato vacila! A autorregulamentação não é unanimidade!


O noticiário sobre o encerramento do 8º Congresso Brasileiro de Jornais apresentou um desfecho feliz, isto é – não teve desfecho. Uma inefável e indizível sensação de ceticismo e pluralismo marcou a discussão e transformou-se em letra de forma no dia seguinte (sábado, 21/8).


‘Jornais veem entraves para criar conselho de autorregulamentação’, sapecou o Estado de S.Paulo (pág. A-16). ‘Em congresso da associação de jornais, participantes defendem mais discussão sobre proposta de conselho’, explicitou O Globo (pág. 17). A Folha de S.Paulo ficou de rabo preso nos seus múltiplos compromissos: a sua representante, Judith Brito, foi reeleita presidente da ANJ e os entraves mencionados pelo Estadão contestam a proposta da diretoria que encabeça. O que explica a dubiedade do título da Folha: ‘Criação do Conselho de autorregulamentação tem apoio de grupos de midia’ (pág.A-16, grifo nosso). Não todos – uma raridade.


E a composição?


Tudo isso porque os jornalistas Aluizio Maranhão, editor de Opinião do Globo, e Sidnei Basile, vice-presidente de Relações Institucionais do Grupo Abril consideram prematura a aprovação da proposta de autorregulamentação sem a necessária reflexão e estudos.


Maranhão disse que se sentia desconfortável ao criticar a tentativa de criação de um Conselho Federal de Jornalismo e, ao mesmo tempo, defender a proposta da ANJ. ‘É muito mais fácil identificar o desvio de uma publicidade do que o desvio de uma reportagem. Qual o código capaz de abranger o universo de 140 jornais num país tão disparatado como o nosso?’


João Roberto Marinho, vice-presidente das Organizações Globo concordou: ‘Autorregulamentar o jornalismo é mais dificil’. Sidnei Basile foi claro: ‘A autorregulamentação é como carregar uma carga de dinamite. Dá para ser feito, mas com enorme cuidado, o risco é imenso’.


A desinteligência passa também pela questão da composição do Conselho de Autorregulamentação – haverá representantes da sociedade e como escolhê-los?


Acabou a unanimidade, a ANJ desceu do Olimpo e hesita. Louvado seja o Senhor.

Todos os comentários

  1. Comentou em 23/08/2010 Wendel Anasacio

    Sabático: O fazer algo adiado há tanto tempo.
    Maranhão:’Qual o código capaz de abranger o universo de 140 jornais num país tão disparatado como o nosso?’
    Resposta: Hilário! Se a Constituição atinge e regula a vida de quase 200 milhões de almas no País, um mísero Conselho com um Estatuto não poderá fazer com 140 jornais?
    João Marinho:’A autorregulamentação é como carregar uma carga de dinamite. Dá para ser feito, mas com enorme cuidado, o risco é imenso’.
    Resposta: Pela declaração, estão desesperados, pois com a confirmação da eleição da Dilma, e a implementação das sugestões da Confecom, estão vendo que o monopólio da opinião pública, está lhes fungindo das mãos. Deveremos estar atentos sobre a nova composição do Congresso, pois os vendilhões que lá estão e os que chegarão, possivelmente serão cooptados pelo lobby da imprensa, para não deixarem que se moralizem este prostíbulo em que se transformou nossa mídia.
    Se fossem honestos, não estariam rastejando no limbo do descrédito, pois transformaram a nobre função de informar em desinformar, tripudiar, manipular, distorcer e em querer se apossar do Poder Central, eleito por nós, que pode não ser perfeito, pois possui várias e enormes deficiências, mas foi eleito por nós!
    Finalizo dizendo: Não votei na mídia para me representar, e não dou a ela este direito!

  2. Comentou em 23/08/2010 Silvério Cardoso Corrêa

    Será que esses senhores tem peito, disposição e honestidade intelectual para se reunirem e elaborarem uma autoregulamentação? Quem mais participaria? Governo? Sociedade Civil… veremos no que vai dar, ou não vai dar em nada.

  3. Comentou em 23/08/2010 Silvério Cardoso Corrêa

    Será que esses senhores tem peito, disposição e honestidade intelectual para se reunirem e elaborarem uma autoregulamentação? Quem mais participaria? Governo? Sociedade Civil… veremos no que vai dar, ou não vai dar em nada.

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