Sábado, 20 de Outubro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1009
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ENTRE ASPAS >

Após perseguição, Elvira Lobato leva o Prêmio Esso

Por Leticia Nunes (seleção de textos) em 11/12/2008 na edição 515

Leia abaixo a seleção de quinta-feira para a seção Entre Aspas.


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Folha de S. Paulo


Quinta-feira, 11 de dezembro de 2008


 


PRÊMIO ESSO
Folha de S. Paulo


Elvira Lobato conquista o Prêmio Esso


‘Ao receber o Prêmio Esso de Jornalismo anteontem à noite, a repórter especial da Folha Elvira Lobato definiu sua vitória como uma resposta aos processos que ela e o jornal têm de enfrentar devido à reportagem ‘Universal chega aos 30 anos com império empresarial’, sobre o conglomerado da Igreja Universal do Reino de Deus.


‘Encaro esta premiação como um desagravo. A reação de fiéis e pastores foi uma coisa muito violenta, uma tentativa de calar a imprensa, de intimidar. Essa tática não pode sobreviver. Dedico o prêmio a todos os jornalistas, para quem o oxigênio da profissão é a liberdade de imprensa’, disse a repórter, que disputou o prêmio com outros 532 trabalhos.


A reportagem de Elvira Lobato saiu em 15 de dezembro de 2007. Integrantes da igreja entraram com 105 ações judiciais contra a jornalista e a Empresa Folha da Manhã, que edita a Folha, pedindo reparação por danos morais. As 58 ações julgadas até agora tiveram sentenças favoráveis à Folha.


A Folha também ganhou o Esso de Criação Gráfica por ‘Cigarro e álcool na adolescência’, publicado no Folhateen. Os autores são Renata Steffen, Fernanda Giulietti, Ivan Finotti, Alexandre Jubran, Tarso Araújo e Letícia de Castro. Ao todo, foram anunciados os vencedores de 13 categorias, incluindo reportagem (‘Os brinquedos dos anjos’, do ‘Correio Braziliense’), fotografia (‘Martírio no presídio’, de Clóvis Miranda, de ‘A Crítica’) e telejornalismo (‘Roraima: Pedofilia no poder’, da TV Record).


O Prêmio Esso de Jornalismo foi criado em 1955. Em 2004, a Folha e ‘O Estado de S. Paulo’ criticaram a estrutura da premiação, afirmando que a composição do corpo de jurados não era ‘representativa do mercado editorial do país’.’


 


 


NAS BANCAS
Folha de S. Paulo


‘Tribuna da Imprensa’ volta a circular


‘Jornal fundado por Carlos Lacerda, em 1949, volta hoje a ser vendido, conforme o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio. A circulação do diário, que enfrenta crise financeira, foi interrompida no dia 2.’


 


 


MARCIO MOREIRA ALVES
Carlos Heitor Cony


Marcito


‘RIO DE JANEIRO – Quarenta anos atrás, num 11 de dezembro, a Câmara Federal negava a licença para que o governo da época processasse o deputado Márcio Moreira Alves. Em represália, dois dias depois, foi editado o AI-5, que fechou definitivamente o regime. A história é sabida, apesar das versões divergentes sobre detalhes pontuais.


Marcito ainda não era conhecido nacionalmente, mas já se tornara personagem no Rio dos anos 50 e 60. Bem nascido, parente dos Melo Franco e dos Rodrigues Alves, promovia réveillons famosos em seu apartamento na Vieira Souto. Muito jovem, seus melhores amigos eram mais velhos do que ele: Antônio Callado, Rubem Braga, Affonso Arinos (pai).


Ganhou um Prêmio Esso de reportagem quando foi ferido num tiroteio em Alagoas. Em 1964, fez parte do grupo que, no ‘Correio da Manhã’, desde os primeiros dias da quartelada, denunciava as torturas do novo regime. Em 65, foi preso na porta do hotel Glória quando, ao lado de outros amigos, protestava contra o marechal Castelo Branco, que presidia uma reunião da OEA.


Elegeu-se deputado pela antiga Guanabara, foi cassado e viveu anos no exílio. Ao voltar, optou por um jornalismo sem ressentimentos. Dedicava uma crônica semanal a um aspecto positivo da sociedade brasileira, destacando municípios e entidades que davam certo. Em todos os sentidos, Marcito era não apenas um garotão de sucesso, mas um puro.


Atravessa grave crise de saúde. Fui visitá-lo no hospital Samaritano, estava no CTI. A mídia vem relembrando, nesta semana, a data redonda do AI-5. Chovem os comentários, as análises, levanta-se o background de um dos episódios mais dramáticos da vida nacional. Eu penso em Marcito e me honro de sua companhia e amizade.’


 


 


POLÍTICA E CULTURA
Vera Guimarães Martins


Dá para olhar para a frente?


‘VIRE O DISCO. Mesmo com ele, o disco, já obsoleto, esse é o melhor mantra para reagir ao reducionismo que bate cartão na maioria das discussões da inteligentsia nacional. Não poderia ser diferente no debate (parte dele) sobre ‘Política e Cultura’, o primeiro tema do ciclo de debates que comemorou os 50 anos da Ilustrada. Para quem anseia por respostas novas e discussões arejadas, a impressão é a de que o mundo passou na janela, e a academia não viu.


Uma frase dita pelo poeta e colunista da Folha Ferreira Gullar, um ex-comunista quase octogenário, resumiu bem o espírito do tempo.


O problema, disse ele, é que nós ficamos tentando resolver questões novas com instrumentos velhos.


Perfeito para o pessoal do fã-clube de Adorno & seus Horkheimers, que parece desconsiderar a revolução tecnológico-digital que está botando o mundo de ponta-cabeça e insiste em repetir automaticamente conceitos como ‘cultura de esquerda/direita’, ‘indústria cultural’, ‘arte para as massas’ e chucrutes do gênero, sempre servidos conforme a receita original. Nem uma pitada de Youtube ou duas gotas de redes sociais, para atualizar.


Faz sentido ficar batendo em cultura de esquerda/direita e ditadura da indústria cultural para jovens (a maioria na platéia do debate; a totalidade nos bancos universitários) que têm acesso praticamente irrestrito a música de todos os quadrantes sem pagar um tostão para a tal indústria? (Além dos que produzem sua própria música e jogam nos ouvidos do mundo.)


Que sentido fazem idéias gastas para esse batalhão de desconhecidos que ‘socializa’ e distribui filmes em esquema de mutirão, manuseando as obras aos pedaços em vários continentes, pegando diálogos daqui, imagens dali, traduções e legendas de lá, tudo para driblar leis que, em última instância, protegem os direitos da tal indústria?


Nesse universo, até a crítica cultural perdeu espaço; os usuários formaram sua própria massa crítica, com avaliações diretas e sem intermediários.


Todas as velhas concepções de intermediação cultural ainda sobrevivem e ganham dinheiro, mas rompeu-se o ciclo de produção/ distribuição de cultura e idéias. E, embora a exclusão digital seja tão real quanto outras exclusões, vale repetir aqui uma história narrada por Cacá Diegues. O cineasta contou ter ficado angustiado ao ser chamado para dar uma aula inaugural de cinema a jovens de uma favela carioca: o que falar a uma moçada carente até de educação formal decente? Descobriu ao se apresentar à turma: dos cerca de 140 (140!), um número entre 20 ou 30 já havia feito seus próprios filminhos. Foram eles o tema.


VERA GUIMARÃES MARTINS é secretária-assistente de Redação. O colunista Kenneth Maxwell está de licença.’


 


 


MISSÃO
Painel do Leitor


‘New York Times’


‘‘Aqui no ‘New York Times’, estamos satisfeitos com o fato de o ombudsman ler o nosso caderno, publicado às segundas-feiras na Folha. Mas discordamos de sua descrição de nossa publicação como ‘desatualizada’ (‘Notícia velha para embrulhar peixe’, Brasil, 9/ 12).


Não é preciso explicar a um jornalista veterano como o ombudsman que reportar notícias imediatas é apenas parte da missão de um jornal. Nas páginas do ‘New York Times’, como em cada edição da Folha, existe muita informação valiosa que tem pouca ou nenhuma relação com as notícias do dia.


São artigos desse tipo que compilamos, em colaboração com os nossos colegas de edição na Folha, para nosso caderno especial ‘The New York Times International Weekly’.


Nossa visão é a de uma revista semanal sobre acontecimentos correntes. O ‘International Weekly’ foi deliberadamente concebido e editado para não girar em torno das notícias cotidianas. Queremos, evidentemente, que o caderno seja atual e relevante para os acontecimentos de cada semana, mas selecionamos artigos com a intenção de que possam ser lidos e desfrutados em períodos mais longos que o do ciclo diário de notícias.


Ao reunir alguns dos melhores textos de interpretação, análise e reportagem especial do ‘New York Times’, oferecemos uma perspectiva sobre os acontecimentos mundiais que os leitores que não lêem o ‘Times’ rotineiramente não poderiam ter de outra forma.


Esses leitores podem confiar em nossa publicação, que circula com 6 milhões de cópias em 30 jornais de 27 países espalhados pelo mundo.


A audiência da Folha é agora parte de nossa comunidade mundial.


Estamos satisfeitos e orgulhosos por termos essa audiência e o ombudsman como parte da conversação.’


LAURENCE M. PAUL , editor-executivo do serviço noticioso (Nova York, EUA)’


 


 


RAPOSA/SERRA DO SOL
Janio de Freitas


Terra de índio


‘SURPREENDENTE -esta é a palavra a ser aplicada a qualquer aspecto decisivo da confirmação, pelo Supremo Tribunal Federal, da reserva indígena Raposa/Serra do Sol em área contínua, e não dividida em espaços separados como reivindicaram os grandes fazendeiros da região e o governo de Roraima.


A suspensão do julgamento há quatro meses, a pedido do ministro Menezes Direito, quando havia apenas o parecer do relator Ayres Britto favorável à área contínua, difundiu temores de que o retardamento viesse a facilitar a reação ao parecer. O noticiário das duas últimas semanas reforçou os temores, com as reiteradas ‘antecipações’ de que o STF imporia uma ‘solução intermediária’, o que seria contrário à reserva contínua, como demarcada em 2005 no decreto de sua efetivação. Já com a retomada do julgamento começaram as surpresas.


O extensíssimo voto de Menezes Direito correspondeu aos quatro meses consumidos para apresentá-lo. Mas não a outra expectativa: foi ‘favorável em parte’ ao parecer do relator. Um voto duas vezes surpreendente: aceitou a área contínua, quando o esperado e o decorrer da sua leitura sugeriam o contrário, mas apoiou ‘em parte’ um relatório que não se ofereceu a divisões. As razões expostas por Ayres Britto fundamentam só a conclusão contrária ao recurso dos fazendeiros e ao governo de Roraima, e pronto. Nenhuma questão adicionada.


O ‘em parte’ foi utilizado para explicar outra surpresa trazida pelo voto de Menezes Direito: 18 condições a serem satisfeitas pelos índios e pelas repartições governamentais envolvidas com os assuntos indígenas e, em particular, com a Raposa/Serra do Sol. Além do reconhecimento da liberdade de ação das Forças Armadas e polícias dentro da reserva. Afora a preocupação com horário de visitas, com pedido de licença governamental para fazê-las, por exemplo, as condições relevantes já encontram resposta na Constituição e em várias leis e regulamentos, ficando pendentes preocupações surpreendentes, em se tratando do Supremo, como, por exemplo, o horário de visitas e a proibição de cobrança de pedágio por índios.


O STF tem sido acusado de apropriar-se do poder de legislar, que seu presidente, Gilmar Mendes, define como decisões decorrentes da ‘omissão e lentidão do Congresso’. As regras dadas como condições, no voto de Menezes Direito, talvez sejam provenientes das novas tendências de que o STF é acusado. Ainda assim, é bem aparente sua relação com a animosidade que extravasou de muitas partes do voto de Menezes Direito. Sugestões de uma contrariedade mal contida, como nesta expressão sem cabimento algum nas circunstâncias: ‘O índio pode tudo’. O ‘É,’ inicial não fez falta para a ênfase da crítica aos estudiosos e legisladores (será que jornalistas também?) que defendem a população indígena.


Seguiram-se seis votos, antes de adiado o complemento apenas formal da decisão. Cinco surpresas: com uma ou outra ressalva e a exceção do ministro Joaquim Barbosa, os ministros Cármen Lúcia, Ricardo Lewandowsky, Eros Grau, Cezar Peluso e Ellen Gracie acompanharam as regras, ou o ‘em parte’, do voto de Menezes Direito. Embora a questão posta ao STF não passe da compatibilidade, ou não, entre a Constituição, a demarcação da reserva estabelecida no governo passado e o decreto do atual governo que a efetivou. Sim ou não, antecedidos de por quê.


O ministro Marco Aurélio Mello não faltaria com a sua em um dia de surpresas. Ou as suas. Pretendeu adiar a sessão com um ‘pedido antecipado de vista’ em seguida ao primeiro voto do dia, e ainda distante da sua hora de votar. Não teve êxito. Ao final, a segunda surpresa: já com oito votos favoráveis à demarcação contínua, insistiu no pedido e adiou o que será a complementação sem possível reversão do decidido.


O ministro Ayres Britto celebrou resultado e sessão com uma de suas frases peculiares: ‘O Brasil vai se olhar na história e não mais corar de vergonha’. Se um mal letrado pode imitar um douto ministro do Supremo, sugiro uma regra singela: para a certeza de não corar, é melhor não olhar para trás, nem olhar muito para as mazelas que sobram no presente.’


 


 


TODA MÍDIA
Nelson de Sá


A qualquer custo?


‘E foram mantidos os juros do Banco Central, após atraso inusitado que deixou para trás o fechamento inicial dos jornais e o ‘Jornal Nacional’.


Mas até o ‘Financial Times’ antecipou a decisão do BC ‘normalmente conservador’. E o correspondente normalmente conservador justificou, dizendo que a inflação está ‘muito acima da meta’.


Em contraponto ao Banco Central, na manchete do site de ‘O Estado de S. Paulo’ ao longo do dia todo, ‘Lula finaliza pacote para garantir crescimento de 4% em 2009 a qualquer custo’, expressão dele.


ÍNDIOS VENCEM, MAS…


Marco Aurélio Mello pediu vista às pressas e mais tarde Gilmar Mendes saiu em entrevistas questionando o voto da maioria. A dupla tirou a vitória de alguns enunciados on-line. ‘O Estado de S. Paulo’ manteve sua manchete com ‘Índios vencem no Supremo, mas decisão é adiada’. Também o site da Reuters Brasil, ‘Demarcação contínua é apoiada por maioria no Supremo’.


E até a escalada do ‘JN’ estranhou a ‘polêmica’ que adiou a decisão já tomada pelos outros ministros.


VOZ, NÃO DIREITO


No encontro da ONU sobre aquecimento global, que se encerra amanhã na Polônia, a AP destacou o acordo fechado ontem que garantiu ‘voz aos povos que vivem na floresta’, mas não ‘direitos’.


TROCA OU DINHEIRO


‘FT’ e ‘The New Republic’ destacam a resistência do Brasil à proposta européia de compra de crédito de carbono nos emergentes. O país quer dinheiro e nada de troca. A ‘TNR’ concorda.


SINAIS DE AQUECIMENTO


O britânico ‘Guardian’ saiu ontem com caderno sobre meio ambiente e, com o olhar voltado à reunião da ONU, focou o Brasil. Na reportagem central, ‘Mais úmido e mais selvagem: os sinais de aquecimento estão por todo lado’, escreveu desde Imaculada, na Paraíba, sobre ‘como a mudança no clima já está afetando a vida dos cidadãos comuns da Austrália ao Brasil’.


Em outra longa reportagem, de Afogados, Pernambuco, mostrou que os ‘eco-fazendeiros estão avançando mesmo quando a mudança no clima ataca’.


ATOS E OMISSÕES


O ‘Newsday’ de Long Island, onde moram os pilotos americanos, saudou a queda na Justiça brasileira de uma das acusações sobre o acidente de 2006.


Mas não foi a notícia que mobilizou o caso, ontem nos EUA. A ‘Vanity Fair’ traz na edição de janeiro e postou on-line longa reportagem, inclusive com áudio do diálogo entre os pilotos. O enviado William Langewiesche falou com controladores e foi aos índios Caiapó. E não isentou ninguém, ao relatar os ‘atos e omissões que levaram ao choque dos dois aviões’. A associação internacional dos pilotos se revoltou, segundo a AP.


‘NÃO NO BRASIL’


O ‘New York Times’ deu reportagem anunciando que ‘a bolha dos jornais também estourou’, falando das redes Tribune, Gannett, McClatchy. E o ‘FT’ noticiou que o ‘NYT’ estuda vender ativos para enfrentar sua dívida. No ‘Washington Post’, um colunista previu ‘consolidação massiva na indústria de jornais’.


Por aqui, segundo longa reportagem postada ontem no site The Huffington Post e ecoada no site do ‘Guardian’, a mesma indústria vive um ‘boom’. Para ilustrar, o site entrevista o dono de banca Salvador Neves, para quem o setor ‘está se segurando bem’, e se estende nos números, concentrados no avanço da classe C.’


 


 


CHICAGO TRIBUNE
Andrea Murta


Jornal afirma não ter sofrido pressão para demitir funcionários


‘O jornal ‘Chicago Tribune’ afirmou em reportagem publicada ontem que não sofreu pressão pela demissão de membros de seu conselho editorial, apesar dos esforços que investigadores federais afirmam que o governador de Illinois, Rod Blagojevich, fez a respeito.


‘Não houve nenhuma ocasião em que eu tenha sido contatado ou sofrido qualquer tipo de pressão’, disse o editor-chefe do jornal, Gerould Kern.


A acusação diz que o chefe-de-gabinete de Blagojevich, John Harris, alertou repetidamente um indivíduo identificado como ‘assessor financeiro do Tribune Co.’ de que o apoio do governador para um negócio envolvendo o campo esportivo Wrigley, do time de beisebol Chicago Cubs, do mesmo grupo, ‘poderia azedar por causa das páginas editoriais’ do jornal -no último ano, o ‘Chicago Tribune’ publicou uma série de editoriais defendendo o impeachment do governador.


Nas gravações feitas pela investigação, Blagojevich e Harris discutem quais membros do conselho editorial do jornal deveriam perder seus empregos. Harris disse ao governador que o ‘assessor financeiro do Tribune’ já havia contatado o ‘dono do Tribune’ -supostamente uma referência ao CEO do grupo, Sam Zell- e que ele ‘se mostrou sensível ao tema’.


Em outra conversa, o chefe-de-gabinete afirma que o grupo estava em processo de demitir funcionários. ‘Lendo nas entrelinhas’, diz Harris, haveria demissões no conselho editorial. ‘Ah, isso é fantástico’, responde Blagojevich.’


Zell, que não comentou a denúncia, doou US$ 82 mil à campanha de Blagojevich em 2002. Em setembro, o governador compareceu à festa de aniversário de 67 anos de Zell.


‘Tudo isso é para mim uma completa surpresa’, disse o responsável pelos editoriais do ‘Chicago Tribune’, Bruce Dold. ‘Sam Zell afirmou quando assumiu o controle da empresa que não queria interferir em decisões editoriais e até hoje manteve sua palavra.’


O jornal informou que não houve cortes no conselho editorial, de 11 membros.’


 


 


TELES
Julianna Sofia


Cade limita Oi-BrT no acesso à internet


‘O Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) e a Oi/Brasil Telecom fecharam ontem acordo para ‘congelar’ uma parte da operação de fusão entre as duas empresas de telefonia. O acerto busca preservar as condições para que o negócio possa ser desfeito, caso os conselheiros decidam vetar ou restringir a compra na análise definitiva do caso.


A preocupação do Cade no acordo recaiu principalmente sobre os segmentos de acesso discado e provedor de internet. Nesses mercados, as empresas apresentam sobreposição, que, em algumas regiões, chegam a 78%, no caso de internet discada, e de 59%, na banda larga.


No documento assinado ontem, as empresas ficaram obrigadas a submeter ao conselho a partir de agora autorizações concedidas pela Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) para exploração dos serviços de Wi-Max, MMDS e 3G.


‘Nesses novos mercados, como são poucas as empresas com capacidade de concorrer, há um prejuízo potencial que precisa, no mínimo, ser monitorado pelo Cade’, disse o relator da fusão, conselheiro Paulo Furquim. Ele disse que a determinação vale também para outras novas plataformas tecnológicas que vierem a aparecer.


Pelo acordo, as empresas -que respondem por iG e OI Internet- também ficam obrigadas a manter um provedor gratuito aos consumidores. Além disso, a independência administrativa entre os dois provedores deverá ser mantida até o julgamento final da operação.


‘Com isso, as empresas não poderão exercer poder de mercado, acabando, por exemplo, com o provedor gratuito que hoje existe, o iG. Também fica assegurada a reversibilidade, que impede a mescla das duas empresas iG/Oi Internet, que devem ficar absolutamente separadas’, afirmou o relator.


Furquim explicou que as medidas previstas no acordo não são ‘lights’. ‘Dado o quadro inicial de informações que temos das empresas, esses são os pontos de preocupação’, disse, lembrando que o processo ainda está em fase de análise na Anatel e na Seae (Secretaria de Acompanhamento Econômico). Ele não descartou a adoção de outras restrições temporárias até o julgamento do caso -ainda sem data para ocorrer.


O descumprimento de uma das três medidas impostas à BrT/Oi implica multa diária de R$ 3.000 e ainda pode levar à aplicação de outras providências de forma unilateral pelo Cade.


Na avaliação preliminar do conselho, a fusão das empresas não apresenta sobreposição nas áreas de telefonia fixa. Já nos serviços de celular, ocorre uma concentração pouco relevante (abaixo de 20%), de acordo com Furquim.


O relator declarou ainda que os acordos de preservação de reversibilidade da operação -como são tecnicamente conhecidos esses acertos- ocorrem quando os negócios sugerem algum problema para o mercado, por conta de sua dimensão, e quando a demora na análise pelos órgãos competentes traz risco à concorrência.’


 


 


FUTEBOL
Juca Kfouri


O fotógrafo e o Pacaembu


‘TODO DE branco, o velho fotógrafo chegou à noite de autógrafos pontualmente. Thomaz Farkas, 84, entrava no Museu de Futebol, recebido por seu diretor, Leonel Katz, na terça-feira à noite, de braço dado com a companheira Marli, para lançar oficialmente o livro ‘Pacaembu’, da DBA Editora.


Um livro que resume parte do trabalho de toda uma vida, a deste brasileiro nascido na Hungria que viu o o estádio surgir desde que o terreno foi desmatado e que fotografou também todo o entorno para mostrar uma cidade de São Paulo que não existe mais, mas que era de uma delicadeza insuspeitada.


Delicadeza. Eis a palavra que melhor define o velho e bom, e ótimo, e exemplar, Farkas.


Ali estavam seus filhos Bia, João e Kiko, cada um a seu modo herdeiros do talento do pai, netos e netas, noras e genro, numa noite em que o carinho era a marca registrada. Mais de uma centena de admiradores foram pegar a dedicatória do autor cuja letra é desenhada, clara, firme e invejável.


Nada mesmo como um dia após o outro. Thomaz Farkas não é apenas um dos fotógrafos que revolucionaram a fotografia brasileira ao lado de Geraldo de Barros, José Oiticica Filho e José Yalenti.


É, também, um calígrafo de primeira. E diga-se que nem precisava, dada a excelência de suas fotos, invariavelmente em branco e preto, cores também de seu time do coração, o Corinthians.


Três dias antes da tocante noite, porém, uma ambulância na porta do prédio em que mora em Higienópolis, com vista para o portão principal do Pacaembu, assustou os vizinhos.


O velho combatente que conheceu os porões da ditadura brasileira foi dar no hospital, vítima de uma infecção que está sendo devidamente tratada com antibióticos.


A proposta de adiamento do lançamento foi rechaçada com a firmeza dos bravos e lá estava ele, belíssimo em seus trajes de verão, como se o estádio de sua vida fosse o rio Danúbio de sua infância.


Bob Wolfenson, Cristiano Mascaro, Edu Simões, discípulos que honram o mestre, lá estavam, tão comovidos como Alexandre Dórea, o editor, Alexandre Machado, Antonio de Franceschi, Carlos Augusto Calil, Danilo Santos de Miranda, Gaspar Gasparian Filho, cujo pai foi outro gigante da fotografia, José Possi Neto, Luiz Carlos Bresser Pereira, Roberto Teixeira da Costa e Zuza Homem de Mello, a cultura em desfile.


Farkas, cuja trajetória está também indissociavelmente ligada à Fotoptica, loja que herdou do pai e multiplicou até vender, depois de duas horas ininterruptas de dedicatórias individualizadas para cada admirador, cansou-se e voltou para casa, de onde, ao acordar, foi para o hospital retomar os cuidados que sua saúde exige.


Com a tranqüilidade de quem viveu mais um belo dia, tanto quanto as poéticas 101 fotos que ilustram as 142 páginas de sua obra mais recente, em formato de livro de mesa, nas quais muito mais que a bola rolando interessam as pessoas, os torcedores que lotavam o chamado, pelos narradores das antigas, próprio da municipalidade, sinônimo de estádio municipal… O que vale é que Farkas é uma graça.’


 


 


ARTE
Silas Martí


Bienal tem catálogo em forma de jornal


‘Quase todos os jornais noticiaram a invasão dos pichadores no dia da abertura da 28ª Bienal de São Paulo. Mas só um lembrou Jean-Luc Godard e Glauber Rocha na hora de interpretar o episódio. Foi concluindo, como Rocha, que ‘está tudo bem, e pronto’ que o jornalista Marcelo Rezende assinou o editorial do ‘28b’, jornal produzido pela Bienal.


Seis edições dele já foram distribuídas de graça nas ruas da cidade, um para cada semana da mostra. O penúltimo número sai amanhã e o último, na sexta-feira da semana que vem. Juntos, todos formam o catálogo da 28ª Bienal, a primeira vez na história que o grande volume lançado com a exposição é substituído por um periódico -todas as edições têm uma versão no site www.28bienalsaopaulo.org.br.


No lugar da tiragem limitada de um livro caro -tão caro que o último volume dos três dedicados à Bienal anterior foi lançado só agora, por falta de dinheiro- , houve um alcance maior, com 50 mil exemplares de cada número. ‘É uma escala popular, as pessoas foram envolvidas na conversa’, avalia Rezende, editor do ‘28b’.


Mais do que isso, foi um experimento. Se, nos catálogos tradicionais, pouco importa o que acontece ao longo da exposição, já que costumam ficar prontos antes mesmo da abertura, este dependeu de tudo, das performances e eventos no pavilhão a episódios não-programados, como a pichação.


‘A idéia era usar toda a gramática do jornal -foto, notícia, ensaio, perfil- para levar outro tipo de informação ao leitor’, afirma Rezende, na redação que funcionou em pleno pavilhão. ‘Foi a Bienal traduzida por uma dinâmica de jornal.’


Alguns artistas se apropriaram dessa dinâmica de jornal para fazer as próprias obras, como o indiano Sarnath Banerjee, que publicou uma história em quadrinhos que serviu de crônica da cidade de São Paulo. Até um horóscopo foi publicado nas páginas do ‘28b’.


No lugar da crítica de arte ou matérias ‘pretensamente didáticas’, nas palavras de Rezende, o jornal também publicou interpretações da mostra de outros pontos de vista, como o de um pintor de paredes, viciado em leituras como Dostoiévski e Henry Miller, que há décadas trabalha no pavilhão.


‘Procurei abolir uma hierarquia para o leitor’, diz Rezende. ‘Eu não estou decidindo por ele se é possível ou não fazer determinadas conexões. Ele não é dirigido, tem a chance de montar o próprio jogo.’


Outro jogo será correr atrás dos oito números do jornal para montar o catálogo completo. Rezende descarta a possibilidade de editar todos num único volume, porque a compilação anularia a proposta de catálogo que ‘sai do pavilhão’.


‘A gente sabe que o jornal não foi rejeitado, acompanhamos a distribuição para ver a reação do público’, conta Rezende. ‘Interessante é ver o que acontece agora, se as pessoas vão embrulhar fruta com ele ou guardar para os filhos.’’


 


 


TELEVISÃO
Caio Jobim


Record prepara série sobre violência carioca


‘Enquanto no alto do morro o crime organizado faz a sua própria lei em tribunais improvisados, no asfalto da zona sul carioca a polícia se divide entre os que enfrentam bandidos e os que se corrompem.


Este é o pano de fundo de ‘A Lei e o Crime’, primeiro seriado produzido pela Record.


Escrita por Marcílio Moraes e com direção de Alexandre Avancini -dupla responsável por ‘Vidas Opostas’, uma das novelas de maior êxito da emissora-, a produção tem um formato inspirado no de séries americanas. Serão 16 capítulos, exibidos às segundas-feiras, a partir de 5 de janeiro.


Assim como em ‘Vidas Opostas’, a série fará uma abordagem ‘crua’ e ‘realista’ do ‘estado de guerra’ em que se vive no Rio, segundo Avancini.


‘O seriado tem muito realismo. O texto do Marcílio, apesar de não se propor a fazer uma crítica social, é muito crítico. O que a gente mostra é o que nós, que moramos no Rio, passamos no dia-a-dia’, diz o diretor.


Os personagens da série transitam entre o respeito a princípios e a priorização de interesses pessoais. ‘Não é um seriado que vai falar o que é certo e errado’, diz André Ramiro, de ‘Tropa de Elite’, que encarna um traficante na produção.


Ao colocar em dúvida o caráter dos personagens, ‘talvez se produza uma reflexão maior sobre a questão da violência’ e das fronteiras entre ‘a lei e o crime’, acredita o ator Ângelo Paes Leme, intérprete de Nando, o protagonista do seriado.


Na trama, Nando mata o sogro, que o submetia a humilhações constantes, e se torna um fugitivo. Ele vai ser perseguido pelo genro, um inspetor de polícia ligado à milícia, chamado Romero (Caio Junqueira, outro ator de ‘Tropa de Elite’). Nando se refugia no fictício morro Alvorada e torna-se chefe do tráfico. Não sem antes cometer outro assassinato, tendo uma delegada em seu encalço.


‘É um seriado de entretenimento, mas a gente pretende ir um pouquinho além. Procuramos questionar essa fronteira entre a lei e o crime, que no Brasil é um pouco indistinta’, afirma Moraes.’


 


 


Heloisa Lupinacci


Nigella abusa de temperos em especial


‘Sempre sexy, Nigella exibe uma face cravo e canela em seu especial natalino. É verdade que se trata de uma versão invernal e britânica dos temperos de Gabriela, mas eles são a base daqueles usados nas receitas de Natal do programa.


A que abre o especial parece seis meses deslocada no calendário de delícias festivas: sidra quente, consumida no Natal europeu, mas pouco atraente para um dezembro tropical.


As outras sugestões da britânica são boas para o Natal brasileiro. Isso porque funcionam se servidas frias, em forma de sanduíches carregados do tal aroma de Natal que Nigella descreve toda vez que despeja na panela generosos punhados de diferentes temperos.


O presunto acompanhado de pepino e bacon vira um sanduíche apetitoso. A receita de salmão curado também vai bem, fácil de ser feita e excepcionalmente dada com medidas.


Já na receita do bolo natalino ela não diz quanto de farinha vai. Bons cozinheiros deduzem, os normais vão quebrar a cabeça até acertar a medida.


Com seus sorrisos provocativos, Nigella faz escorregarem tabletes de manteiga para dentro das panelas. E esse é outro ponto de adaptação para o Natal nos trópicos, quando a sombra de caber no biquíni se impõe a cada garfada.


NATAL COM NIGELLA


Quando: amanhã, às 21h30


Onde: GNT


Classificação indicativa: não informada’


 


 


 


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O Estado de S. Paulo


Quinta-feira, 11 de dezembro de 2008


 


CRISE
Sonia Racy e Mariana Barbosa


Economistas debatem a crise em livro virtual


‘O Instituto de Estudos de Política Econômica da Casa das Garças, centro de estudos carioca dirigido pelos economistas Edmar Bacha e Ilan Goldfajn, publica a partir de hoje, em sua página na internet (www.iepecdg.com), um livro virtual sobre a crise, com artigos de 18 dos mais conhecidos e renomados economistas do País. Intitulado ‘Como Reagir à Crise? Políticas Econômicas para o Brasil’, o trabalho, organizado por Bacha e Goldfajn, reúne artigos de Pedro Malan, Armínio Fraga, André Lara Resende, Gustavo Franco, Alkimar Moura, entre outros, além dos próprios organizadores. O Estado obteve o livro virtual ainda sem o artigo de Pérsio Arida, previsto para ser entregue ontem à noite.


O ex-presidente do Banco Central e sócio da Gávea Investimentos, Armínio Fraga, alerta para o risco de se tentar perseguir um crescimento de 4% para a economia no ano que vem: ‘Cabe perguntar se tal meta é factível, que riscos corremos ao persegui-la e como fazê-lo’. Na opinião de Fraga, se para a economia americana faz sentido falar em ‘expansão fiscal temporária’, no Brasil a situação é outra. ‘No nosso caso, é preciso levar em conta que há anos os gastos públicos vêm aumentando de forma pró-cíclica e focada em gastos correntes e permanentes.’


Fraga também questiona a política de instruir os bancos públicos a expandirem seus balanços para compensar a retração do setor privado. ‘O sistema bancário brasileiro está bem capitalizado e provisionado. Se não mantém um crescimento do fluxo de financiamento é porque teme perder dinheiro.’ Na sua avaliação, é necessário ter ‘um pouco mais de paciência’.


Para Fraga, somente com uma postura mais conservadora em termos de expansão fiscal e creditícia é que se conseguirá cortar os juros. ‘Caso o governo exagere na dose anticíclica fiscal e creditícia, corre-se o risco de desperdiçar uma possível, rara e não muito distante oportunidade de redução da taxa de juros.’


O ex-ministro da Fazenda Pedro Malan defende a contenção do gasto público do governo como ‘único caminho’ para o País atravessar a crise. ‘A grave crise atual levou muitos a acreditar que o nome do jogo é a adoção generalizada de políticas ?keynesianas? para combater a desaceleração do crescimento’, escreve.


‘O Brasil não está em recessão, nem em deflação, mas em processo de desaceleração do crescimento que vai significar sim redução das receitas e portanto vai exigir cortes na expansão de gastos antes contemplados e não o contrário, como vem acontecendo com as contratações e aumentos anticíclicos’, diz o ex-ministro.


Em seu texto, Edmar Bacha alerta para os riscos das políticas creditícias compensatórias (pelo uso de reservas internacionais, da expansão dos bancos públicos e da queda de juros), ainda que defenda a intervenção do governo para atenuar os impactos da crise na economia. ‘Quanto maior controle se exercer sobre o gasto corrente do governo, maior poderá ser a expansão creditícia compensatória sem afetar negativamente as contas externas.’


O economista André Lara Resende escreve sobre a arquitetura do sistema financeiro internacional. Segundo ele, ‘a regulamentação que teria evitado os excessos que levaram à crise de hoje não é necessariamente a mais indicada, nem para o sistema financeiro em frangalhos de hoje nem para o sistema financeiro do futuro.’


O economista tampouco se mostra a favor da concentração bancária. ‘Como já ficou evidente com os bancos internacionais que foram obrigados a serem resgatados pelos cofres públicos, tamanho não é garantia de invulnerabilidade.’ E critica a reversão do processo de redução dos bancos públicos no Brasil.


Lara Resende sugere que toda instituição financeira, independentemente da forma de organização, deve estar submetida a um limite de alavancagem consolidada. ‘Os atuais critérios de Basiléia são anacrônicos. No Brasil, onde ainda há restrição de crédito, é necessário reduzir o grau de restrição para que se possa aumentar o crescimento e emprego.’’


 


 


TELES
Gerusa Marques e Daniele Carvalho


Oi e BrT fazem acordo preventivo no Cade


‘O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) assinou ontem um acordo preventivo com a Oi e a Brasil Telecom para evitar que elas tomem medidas irreversíveis de concentração no mercado de banda larga e de internet discada, depois da fusão. A compra da BrT pela Oi deve ser aprovada na próxima semana pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), segundo apurou a Agência Estado. Depois disso, o processo será encaminhado ao Cade.


No Acordo de Preservação da Reversibilidade da Operação (Apro), espécie de ação preventiva, o Cade definiu três exigências. Pela primeira, a Oi e a BrT terão de submeter ao Cade a obtenção de qualquer licença que utilize as tecnologias Wimax, 3G (terceira geração da telefonia celular) e MMDS (microondas terrestres).


O conselheiro-relator do processo no Cade, Paulo Furquim, explicou que as três tecnologias são as mais modernas para uso da banda larga e que, nesses mercados, as empresas são potenciais concorrentes entre si. Segundo ele, constatou-se concentração no mercado de acesso à internet na área de atuação da Oi, que abrange 16 Estados – do Rio de Janeiro ao Amazonas. Nessa região, a Oi e a BrT, juntas, dominam 78% do mercado de acesso à internet por linha telefônica (acesso discado) e 59% do de banda larga.


A segunda exigência é a de que as empresas terão de manter pelo menos um provedor gratuito de internet. Em terceiro lugar, o Cade determinou que seja mantida independência entre os provedores iG (da Brasil Telecom) e Oi Internet (da Oi). O descumprimento de uma das três exigências pode resultar em multa diária de 5.000 UFIRs (cerca de R$ 5 mil).


Em nota, a Oi considerou ‘uma solução ponderada’ a decisão do Cade de firmar o acordo. Para a empresa, a iniciativa evita que haja um congelamento da operação até que esta seja avaliada de maneira mais detalhada.


Furquim disse que não foi detectada sobreposição relevante de serviços nem na área de telefonia fixa nem na de celular. O relator não fez previsão de quando o processo de fusão será julgado pelo Cade, mas prometeu agilidade: ‘A idéia é a de que, chegando, o Cade julgue rapidamente.’ Segundo uma importante fonte da Anatel, a intenção é concluir a votação antes do dia 21 de dezembro, prazo fixado pelas empresas para a conclusão do negócio. Para tanto, já foram agendadas duas reuniões do conselho diretor, para os dias 16 e 18.


A expectativa, segundo a fonte, é de que não haja maiores problemas para a aprovação do processo de compra, chamado de anuência prévia. ‘O problema da anuência era o PGO, agora não tem mais obstáculo’, disse a fonte, lembrando que o novo Plano Geral de Outorgas (PGO) modificou as regras da telefonia, eliminando as restrições legais à compra.


O conselho diretor aguarda o parecer da Procuradoria da Anatel para escolher, por sorteio, o conselheiro-relator, mas os conselheiros já estariam trabalhando em seus votos.


A avaliação de fontes do governo e da Anatel é de que pelo menos três dos quatro conselheiros votarão a favor da fusão – Ronaldo Sardenberg, Antônio Bedran e Emília Ribeiro -, número suficiente para aprovar o negócio. A dúvida seria quanto ao voto do conselheiro Plínio de Aguiar Júnior, que, com o ex-conselheiro Pedro Jaime Ziller, votou por um PGO com regras mais rígidas para as empresas. Plínio e Ziller foram derrotados nessa votação.’


 


 


FUTEBOL
Anelso Paixão e Fábio Hecico


Jogada de marketing nasce de ‘papo de louco’


‘De rebaixado no fim de 2007 e com destaque até nas páginas de noticiário de polícia, o Corinthians mudou radicalmente sua imagem em menos de um ano. A contratação de Ronaldo é mais uma etapa de trabalho de recuperação que vem sendo desenvolvido desde o maior vexame da história do clube: o rebaixamento. Antes de acertar com o Fenômeno, o departamento de marketing já havia surpreendido com outras ações bem-sucedidas, como a camisa roxa, a campanha ‘Eu nunca vou te abandonar’ e a camisa do acesso, com o rosto dos torcedores (embora, neste caso, não tenha vendido todas as cotas disponíveis).


A tarefa de reconstruir a marca Corinthians fica a cargo de Luiz Paulo Rosenberg, diretor de marketing e convidado para o cargo assim que Andrés Sanchez assumiu a presidência em 2007. Em um ano, o clube lançou seis diferentes modelos de camisa, um filme sobre a volta à Série A, um livro de fotos sobre o mesmo tema, TV via internet (não foi bem-sucedida) e o programa Fiel Torcedor. Resultado: lucro de cerca de R$ 4 milhões. Ainda pouco para um clube que tinha dívidas de R$ 110 milhões, agora em R$ 90 milhões.


Na busca por ações de impacto surgiu a idéia de contratar Ronaldo. De acordo com Caio Campos, gerente de marketing, a primeira vez que se comentou o nome do craque foi em bate-papo no escritório de Rosenberg. ‘O Luiz Paulo disse que era fã do Ronaldo e que seria um sonho, um dia, tê-lo no Corinthians’, conta Campos.


Seis dias mais tarde, Campos esteve na sala do presidente do clube, Andrés Sanchez, e ouviu do dirigente: ‘Precisamos de um grande jogador para o ano que vem e eu estava aqui pensando se não poderia ser o Ronaldo.’ Ao ouvir isso, Campos reagiu com ironia e desconfiança. ‘Você é tão louco quanto o Luiz Paulo!’


Começava naquela ‘conversa de loucos’ o projeto para a contratação do Fenômeno. O clube parece não temer o risco. O investimento de R$ 6 milhões por um ano de salários deve ser recuperado com ações de marketing em gestação para 2009, quando o Corinthians aceita freqüentar páginas de Economia dos jornais, não mais as de Polícia.’


 


 


TELEVISÃO
Patrícia Villalba


Definitivamente favorito


‘Se fosse possível eleger apenas uma característica da personalidade intrigante do autor João Emanuel Carneiro, depois de um encontro de pouco mais de duas horas, seria a capacidade de definir coisas complicadas em idéias simples, mas que dizem muito. Para ele, por exemplo, escrever novela das oito da TV Globo, o mais visto e comentado produto cultural do País, é como fazer o jantar para uma família de umas 50 pessoas. ‘Durante oito meses, todo mundo pergunta quem é que vai cozinhar essa janta, a refeição mais importante da família, porque todo mundo está em casa’, resume o autor, no ar com A Favorita, sua estréia no seleto grupo de autores que durante 20 anos teve apenas seis nomes – agora, tem sete.


A novela A Favorita é um jantar que começou a ir à mesa em meio a um ‘11 de Setembro para a TV Globo’, admite Carneiro, agora satisfeito com o sucesso da trama, hoje marcando 47 pontos no ibope (cada ponto equivale a 56 mil domicílios). Em junho, quando entrou no ar, a trama foi classificada como ‘a pior estréia de todos os tempos de uma novela das 8’, ao marcar 35 pontos de audiência. Numa operação sem precedentes, a TV Record estreou a segunda fase de Mutantes – Caminhos do Coração e transformou o autor Thiago Santiago no Lex Luthor do ano, ao render uma audiência de 24 pontos. ‘Foi um golpe de Estado, golpe de mestre, porque eles puseram uma coisa que fazia sucesso em outro horário ao mesmo tempo em que a Globo começava uma nova novela’, observa Carneiro, que recebeu o Estado em seu apartamento no Leblon, no Rio.


Mas não foi só o manejo da Record que prejudicou A Favorita. Trama soturna, fotografada em noir, ela pretendia confundir o telespectador diante da dúvida sobre quem era a vilã e quem era a mocinha – Flora (Patrícia Pillar) ou Donatela (Cláudia Raia), sendo que a malvada seria a assassina de Marcelo, homem disputado pelas duas. ‘De alguma forma, as pessoas não conseguiram assimilar a coisa da dubiedade das personagens, que é o principal da novela. É uma questão simples, qualquer filme tem isso’, reflete o autor.


Na época de lançamento da novela, de fato, as chamadas dentro da programação da Globo perguntavam ao telespectador ‘quem está falando a verdade?’. ‘Gente, como podem não ter entendido? Só pode ser porque essa novela contrariava a fórmula do bolo’, anota o autor, que diz ter chegado à conclusão de que a trama só começou a ser aceita pelo público e pela imprensa especializada depois do capítulo 54, quando foi revelado que Flora, com seus cachinhos loiros, é a vilã.’Não é ?um quem matou?, um policial clássico. É sobre a dubiedade, o valor das aparências, a ética. Não é uma coisa que eu vou encontrar um mordomo ou que é a Catarina (Lilia Cabral) a verdadeira assassina’, diz.


Nesta entrevista, o autor fala sobre os bastidores mais particulares da novela, protagonizados por ele diante do computador. Faz algumas confidências – ‘Eu manipulei a imprensa no começo da novela. Sempre soube que a assassina era a Flora. Isso não foi decidido depois, claro que não. Mas era importante que todos ficassem na dúvida para o andar da trama’ – e dá algumas pistas do desenrolar da trama até o final, em janeiro. Trama que não tem o ‘quem matou?’ nem o ‘quem vai ficar com quem?’. ‘A Favorita é um revólver de uma única bala’, define.


Agora, que a gente já ouve coisas tipo ‘você viu o Gonçalo (Mauro Mendonça) e o Halley (Cauã Raymond) ontem?’, já dá para perceber que A Favorita repercute muito bem, além da boa audiência. Mas como foi no começo? Como se sentiu ao ser o responsável pela ‘pior estréia de todos os tempos de uma novela das 8’?


Foi tudo contra, tive um lançamento muito difícil. Tive uma trombose, inclusive. Eu fazendo uma novela das 8 pela primeira vez e houve um ataque. A TV Globo foi, de fato, atacada por outra emissora. Nunca tinha acontecido isso e foi acontecer justamente com uma história ousada, fora dos padrões usuais. Houve também uma dificuldade muito grande do próprio meio, da imprensa especializada, de absorver algo novo. O brasileiro rejeita quem chega, senti um pouco isso. Um cara tão jovem como eu (ele tem 38 anos) num lugar como esse é uma coisa muito estranha para as pessoas. Mas acho que qualquer pessoa que comece a fazer novela das 8 vai passar pelo mesmo problema. Seis autores apenas monopolizaram o horário durante 20 anos, imagina.’


 


 


***


‘Escrever novela das 8 é dar festa e não ir’


‘Da escola de Silvio de Abreu, João Emanuel Carneiro fala de A Favorita como se fosse mero espectador, não o autor da trama. Vibra com as maldades da sua Flora (Patrícia Pillar), ri da inocência de Irene (Glória Menezes), sente pena de matar Dodi (Murilo Benício) e até um certo remorso por matar a cachorra Vilma, do intrépido repórter Zé Bob (Carmo Della Vecchia). Silvio supervisionou o texto de Carneiro em Da Cor do Pecado (2004), sua primeira novela de sucesso no horário das 7 da TV Globo. Depois dela, em 2006, veio Cobras & Lagartos, também às 7 horas, e antes de tudo isso, em 1998, o roteiro do longa-metragem Central do Brasil, de Walter Salles.


Ouça trechos da entrevista


Do cinema, ficou a teimosia de fazer ‘várias demãos de tinta nas paredes dos capítulos’, como ele define seu método de trabalho. E dos ensinamentos de Silvio de Abreu, ficou o gosto pelos diálogos e acontecimentos concentrados, em texto enxuto – o que põe em cada final de bloco de A Favorita um clima de final de capítulo, o mesmo que se vê nas novelas de Silvio de Abreu.


Na continuação da entrevista, Carneiro fala sobre seu método de trabalho – ‘Lento demais’, confessa – e dá suas impressões sobre a vida de autor de novela das 8, que ele experimenta pela primeira vez. ‘É como dar uma festa e não poder ir. Quando você finalmente pode ir, a novela acaba e ninguém mais quer saber de festejar com você.’


São duas horas da tarde e você parece tranqüilo para quem tem de escrever a novela das 8. Como é seu esquema de trabalho?


Desta vez, estou acordando meio-dia e trabalhando até 4 horas da manhã. Em Cobras & Lagartos eu consegui ficar mais diurno . E em Da Cor do Pecado eu extrapolei, e passei a trabalhar até 9 horas da manhã. Fiquei deprimido com isso, é péssimo. Agora, tenho um relógio: 4 da manhã acabou.


Mas pára e vê a novela?


É melhor ver gravado, porque é comida fria. Assim, não sofro. Quando o capítulo está no ar e você vê alguma cena que poderia ter ficado melhor, dá nervoso. Ver gravado é uma coisa boa para o autor, um prato comido frio.


Quer dizer que você cozinha o jantar e come a comida fria…


Há, é! É o mal da cozinheira. A satisfação que você tem é essa. A sensação de fazer novela é a de que você está dando uma festa, mas não pode ir. É uma coisa comentada, mas você não pode participar das discussões porque tem de escrever. E quando termina, acabou, já querem saber da próxima.


Há muitas versões a respeito de como você decidiu levar a trama. Ela já teria uma virada, mas desde o começo estava decidido que seria a Flora?


Eu… Será que assumo a verdade? Vou assumir. Fui um pouco manipulador, manipulei a imprensa, já tinha isso decidido desde o início. Acabei de te falar que já tinha 60 capítulos prontos quando começou. Menti como a Flora, a favor da trama. O que você acha, criou muita confusão?


Acho que demoramos mesmo para entender. E, depois, quando veio a virada, em meio a um Ibope baixo, houve quem achasse que foi relançamento, uma reformulação total da novela.


A imprensa de televisão está mais viciada do que o telespectador numa fórmula boba de fazer novela, sempre achando que ela será uma repetição de clichês, do ‘quem matou?’, do ‘quem vai ficar com quem?’. Isso mostra que as pessoas estão viciadas numa fórmula de sardinha em lata.


Novela das 8, então, é um terreno difícil de plantar inovação?


É muito difícil você fazer algo que não seja a fórmula, porque é uma responsabilidade muito grande, algo que não envolve só meu talento, mas um empreendimento da televisão. É muito difícil para um autor de novela das 8 tentar ousar. E, às vezes, para dar certo, você tem de ousar em alguma coisa. Essa negociação é complicada. Não é uma obra minha, só minha.


Como é o seu contato com a produção?


Conversamos para combinar as cenas-chave. Conversamos muito, por exemplo, sobre a morte do Gonçalo que vai acontecer agora.


Ah, não queria que ele morresse.


Não queria, né? Ninguém queria. Mas chega um ponto em que a história se conta sozinha.’


 


 


Jotabê Medeiros


Contrato muda gestão na TV Cultura


‘O Conselho Curador da Fundação Padre Anchieta, mantenedora da TV Cultura de São Paulo, aprovou por unanimidade na segunda os termos do primeiro contrato de parceria entre a entidade e o governo estadual. O contrato abrange, além da TV Cultura, a TV Rá Tim Bum, rádios Cultura AM e FM e novas mídias.


O contrato prevê que tanto a TV Cultura quanto o governo cumpram metas e ofereçam contrapartidas entre 2009 e 2013. O governo vai diminuir as verbas que envia para o custeio da fundação (de R$ 78,6 milhões para R$ 56,8 milhões), e aumentar sua participação nos investimentos – serão R$ 18 milhões anuais em 2009 e 2010, e R$ 15 milhões de 2011 a 2013, e o valor destinado à programação será de de R$ 6 milhões em 2009, e de R$ 7 milhões anuais de 2010 a 2013.


O documento também exige a inversão total das metas de publicidade nos próximos cinco anos – teria de passar de 1% de publicidade institucional e 4% de comercial em 2009 para 1% de comercial e 4% de institucional em 2013.


Pelas metas estabelecidas no contrato de parceria, a fundação tem de buscar no mercado (em publicidade e prestação de serviços) R$ 698,6 milhões até 2013, enquanto o governo deve entrar com outros R$ 417,2 milhões.


A TV Cultura informou ontem que o contrato não foi assinado ainda, e que o presidente da fundação, Paulo Markun, só pretende falar sobre os termos do documento após a assinatura oficial. A emissora não informou se Markun pretende contestar algum dos termos propostos, mas ao site Tela Viva ele disse que o contrato aumenta a ‘blindagem’ da TV Cultura, que não fica mais sujeita ao humor orçamentário do Estado.


A parte mais vantajosa do contrato para a atual direção da emissora é que o governo, além dos aportes financeiros, assume o reembolso de sentenças trabalhistas definidas pela Justiça em 2008. O Estado deverá ainda cobrir indenizações de débitos trabalhistas referentes a processos sub judice que tratem de estabilidade, ações de sindicatos, pagamento de horas extras e outras questões (sempre que a fundação seja condenada em última instância).


Esse é o principal ponto: o passivo trabalhista é o maior nó enfrentado pela gestão de Paulo Markun na Fundação Padre Anchieta desde que ele assumiu, em junho de 2007. A profusão de processos enfrentados após demissões maciças nas gestões de Jorge Cunha Lima e Marcos Mendonça culminou numa dívida que travava o funcionamento da emissora. Até hoje, por exemplo, está sendo cobrado na Justiça do Trabalho 12% do dissídio de 2003.


Oficialmente, não se informa o montante dessa dívida, mas o efeito dela é perverso. Atualmente, segundo informações do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Radiofusão e Televisão do Estado de São Paulo, até os veículos de reportagem da emissora estão em estado crítico. ‘Problemas graves, como falta de freio, são constantes e por diversas vezes os trabalhadores passaram perto de acidentes perigosos’, diz boletim do sindicato.


Fontes próximas ao comando da emissora informaram que o governo assumiu a dívida trabalhista com o compromisso de que a TV Cultura enxuge drasticamente seu quadro de funcionários. Quando Markun assumiu, a TV Cultura tinha em torno de 1,6 mil funcionários. Ele extinguiu diretorias e cortou 200 postos de trabalho, mas deverá promover novas demissões no ano que vem. Markun foi nomeado para um período de três anos na emissora.


Pelo contrato, caso não cumpra o estabelecido, a fundação sofrerá reduções no volume de investimentos, mas não de custeio, o que não prejudicaria a operação. Ficará estabelecido um sistema de avaliação de metas.


Pacto


O contrato estipula que a meta de crescimento da receita própria da TV Cultura deve passar de 66% para 74% do total em 2013.


A participação da produção independente na programação deve crescer de 27% no próximo ano para 32% em 2013.


O valor destinado pelo governo para investimento tem destino certo, a saber: modernização da rede elétrica e dos estúdios da TV; melhoria da transmissão analógica em 13 regiões do Estado; implantação da TV Digital em Campinas e Ribeirão Preto; digitalização do acervo na multiprogramação digital; ampliação das horas de programação; reforma do Teatro Franco Zampari, utilizado para gravações de programas da TV.


Do total a ser repassado pelo governo à fundação até 2013, R$ 417 milhões, R$ 328 milhões continuam sendo para verbas de custeio.’


 


 


Etienne Jacintho


Net aposta em HD Telecine, Universal e Fox lideram a fila


‘O mercado de TV por assinatura cresceu 15%, de julho de 2007 a julho de 2008, e a aposta da Net, maior operadora do setor, para 2009, em termos de conteúdo são os canais em High Definition (HD). Quem anuncia a estratégia é o diretor de Programação da Net, Fernando Magalhães.


A Net fechou o ano com um canal em alta definição, o Globosat HD, que alterna a programação dos canais Globosat como Multishow, GNT, SporTV e Telecine. Segundo o diretor-geral da Globosat, Alberto Pecegueiro, o segundo canal em alta definição do grupo tem previsão de entrada na Net em março do próximo ano: é o Telecine HD. Pecegueiro contou ao Estado que a Globosat já está desenvolvendo um novo canal em alta definição, o Universal HD, com a mesma grade do Universal Channel.


Ainda na fila de espera no line-up da Net estão outros canais, como o Fox HD, que já está pronto, de acordo com o vice-presidente da Fox no Brasil, Gustavo Leme, e deve chegar também no ano que vem com programação composta por atrações da National Geographic e do canal Fox – que ocupará o horário nobre no canal HD, com séries e filmes.’


 


 


 


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