Sexta-feira, 20 de Julho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº996
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ENTRE ASPAS > SEXTA-FEIRA, 11/4

Após proibição, jornal põe tarja preta em foto de político

Por Leticia Nunes (seleção de textos) em 11/04/2008 na edição 480

Leia abaixo a seleção de sexta-feira para a seção Entre Aspas.


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Folha de S. Paulo


Sexta-feira, 11 de abril de 2008


IMPRENSA NA JUSTIÇA
Felipe Bächtold


Decisão da Justiça faz jornal de SP pôr tarja preta em foto de político


‘Um jornal do interior de São Paulo passou a publicar tarjas pretas em fotos de políticos e a omitir os nomes deles depois de ser proibido pela Justiça de divulgar notícias relacionando obras ao prefeito e a vereadores.


O Ministério Público em Águas de Lindóia (160 km da capital) considerou que a ‘Tribuna das Águas’ promovia o prefeito e outros políticos em suas reportagens e ingressou com uma ação civil pública. Uma liminar foi concedida há duas semanas determinando o fim de notícias relacionadas a serviços e obras ‘com nomes e imagens de agentes públicos’.


A direção do jornal, que circula em nove cidades com 5.000 exemplares por semana, e a ANJ (Associação Nacional dos Jornais) classificam a decisão como censura.


Para o promotor Rafael Beluci, que iniciou a ação, o jornal, em vez de publicar uma notícia dizendo ‘Prefeito entrega duas ambulâncias’, deve escrever ‘Prefeitura entrega duas ambulâncias’ para não promover o político. Ele diz que havia nas reportagens uma vinculação ‘escrachada’ entre a imagem do prefeito e as obras realizadas.


Com a decisão, o jornal passou a publicar fotografias com tarjas pretas e apenas as iniciais do prefeito e de vereadores nas matérias. ‘Alguns reclamaram e falaram que parecem bandidos nas fotos’, diz a diretora do jornal, Eliane do Prado.


Ela afirma que não tem nenhuma ligação com a prefeitura e que apenas costuma utilizar informações e fotos divulgadas pela área de comunicação da administração do município. O jornal recorre da decisão.


A ANJ, em nota, disse que o Judiciário ‘exerce o papel de censor’ no caso e ‘desrespeita a Constituição’.


Procurada pela reportagem, a juíza que concedeu a liminar, Fernanda Benevides Dias, não quis comentar o assunto.’


 


Folha de S. Paulo


Juízes condenam fiéis da Universal por má-fé


‘Mais três seguidores da Igreja Universal do Reino de Deus foram condenados por litigância de má-fé -ou seja, uso da Justiça para fins ilícitos- em ações de indenização por dano moral movidas contra a Folha e a repórter Elvira Lobato.


Até ontem, foram ajuizadas 85 ações e proferidas 28 sentenças, todas favoráveis ao jornal. Elas foram propostas em nome de pessoas que se dizem ofendidas com a reportagem ‘Universal chega aos 30 anos com império empresarial’, publicada em dezembro último.


O juiz Valériano Cezário Bolzan, da comarca de Venda Nova do Imigrante, no Espírito Santo, condenou Wagner Panisset Turques ao pagamento de multa, honorários de advogados e custas do processo.


O magistrado entendeu que o fiel da Igreja, ‘orientado por seus líderes espirituais, utilizou-se do processo para conseguir objetivo ilegal, qual seja, promover a intimidação e retaliação da imprensa’.


‘A matéria jornalística não ofende a liberdade religiosa ou sequer critica o ato de fé daqueles que entregam o dízimo. Limita-se a matéria a levantar suspeitas quanto à utilização dos dízimos pela Iurd, que seriam repassados, através de paraísos fiscais, para empresas comerciais’, afirmou Bolzan.


Segundo o magistrado, ‘a expressão ‘esquentamento’ do dízimo não significa, no contexto, que a origem do dinheiro (dízimo) seja ilícita, não havendo que se falar em difamação’.


O juiz Livingstone dos Santos Silva Filho, de Conceição de Macabu (RJ), também condenou o pastor Rodrigo de Lima do Nascimento por mover uma ação ‘com o fim ilícito e antidemocrático’, ou seja, ‘o de tolher a atividade jornalística’. Ao constatar que o réu não provou ter havido ofensa, o juiz registrou na sentença que a cidade não tem distribuição da Folha e que a população não tem acesso ao jornal pela internet.


‘Esta ação faz parte de movimento orquestrado pela denominação da qual faz parte o autor com fins de desacreditar e tolher a atividade jornalística’, decidiu o juiz Silva Filho.


O juiz Marcelo Mattar Coutinho, de Alegre (ES), condenou Gleidson de Paiva Lima por litigância de má-fé. O magistrado afirmou, na sentença, que fez pesquisa de ações movidas em outros juizados. Ele concluiu que ‘o objetivo da propositura de tantas ações indenizatórias nada mais é do que o de promover uma verdadeira retaliação de forma orquestrada, visando dificultar a defesa’.’


 


CRIME ONLINE
Folha de S. Paulo


Pedofilia na rede


‘O CONFLITO tradicional entre direito à privacidade e combate ao crime abjeto da pornografia infantil ganhou dimensão planetária com a expansão da internet. Muitos países ainda se debatem para criar maneiras de lidar com o problema nessa escala amplificada e transnacional. O desafio é fazê-lo sem atentar contra a liberdade.


No Brasil, o Ministério Público Federal (MPF) computou 56 mil denúncias nos últimos dois anos. Mais de 80% delas envolvem o serviço de relacionamentos Orkut, da empresa Google.


Em agosto de 2006, o Ministério Público Federal (MPF) ajuizou ação civil pública contra a empresa, para obrigá-la a entregar dados que permitissem a averiguação, abrindo um difícil contencioso. Em outubro de 2007, iniciou-se uma negociação mais amigável, que culmina, agora, em acordo na CPI da Pedofilia.


Na sessão de terça, a empresa concordou com uma das principais exigências do MPF, manter por 180 e não só 30 dias os registros de usuários suspeitos; informou que pretende instalar um filtro aperfeiçoado para evitar fotos pornográficas de crianças; e viu aprovada a quebra do sigilo de 3.261 álbuns de imagens restritos aos internautas autorizados pelo criador da página.


A esmagadora maioria dos mais de 27 milhões de usuários do Orkut faz emprego inocente dos álbuns. Alguns exploradores da pedofilia, porém, encontram neles uma ferramenta para instituir clubes virtuais de perversão. É imperioso inibir sua ação, mas a quebra indiscriminada de sigilos não é o meio menos danoso à privacidade de cumprir tal dever.


O número de 3.261 álbuns parece alto. O fato de terem seu conteúdo bloqueado e serem objeto de suspeita no MPF é um requisito necessário, mas não suficiente, para a quebra de sigilo.


Na ausência do poder moderador de um juiz, cabe à própria CPI zelar por uma triagem rigorosa das denúncias. É sua responsabilidade garantir que resultem vasculhados apenas aqueles álbuns com indícios concretos de crime.’


 


TRAMA
Nelson Motta


Romances de espionagem


‘RIO DE JANEIRO – Adoro romances de espionagem, e, ouvindo o general Jorge Felix na TV, tentei imaginar uma história em que a segurança de um presidente da América Latina é ameaçada quando um hacker invade os arquivos dos gastos secretos com cartões corporativos ou suborna funcionários da Visa/Mastercard para obtê-los.


É claro que nenhum esquema de segurança repete, a cada viagem, a cada cidade, as mesmas estratégias de vigilância e prevenção de ameaças à segurança do presidente e sua família. Tudo depende da situação e do momento. Então, como as despesas de viagens feitas meses, e até anos, antes poderiam orientar possíveis atentados à integridade do presidente? Hummm…


Talvez se fossem usados para comprar veículos, armamentos e equipamentos. Mas quem acreditaria que as equipes de segurança presidencial fossem para a rua sem o melhor de seus equipamentos, armamentos e veículos? O que eles precisariam comprar de emergência? Um binóculo novo? Um radinho? Um iPhone? Um GPS?


Qualquer conspirador verossímil buscaria outras fontes de informação sobre os homens, armamentos, comunicações, localizações e equipamentos do esquema de segurança para um eventual plano de ataque. Nos cartões, seria perda de tempo: de que valeria saber o que a comitiva comeu e bebeu, os hotéis onde dormiram, os remédios que compraram?


Até se algum louco ousasse planejar o seqüestro de alguém da família do presidente, de que serviriam, para seus planos malignos, despesas passadas dos cartões de seus protetores?


Como esses dados poderiam orientar um seqüestro, uma baderna, um atentado? Nem o mais imaginativo romancista conseguiria convencer o leitor. Não daria nunca um romance de espionagem.’


 


TRAPALHADA
Clóvis Rossi


Má tradução constrange presidente na Holanda


‘Uma pergunta de um jornalista holandês sobre pedofilia, destinada a causar embaraço ao primeiro-ministro Jan Peter Balkenende, acabou constrangendo seu colega brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, por causa da má tradução feita pela intérprete local.


O jornalista queria saber a opinião de Lula sobre o caso de dois holandeses presos no Rio de Janeiro, com material pornográfico infantil, mas que conseguiram sair do país e, na Holanda, tiveram penas leves (serviço social), ao passo que a Justiça brasileira os condenou (à revelia) a 17 anos.


Mas a pergunta, na tradução, ficou assim:


‘Presidente, um tribunal no seu país decidiu que a Holanda deve ser punida na ONU por violação dos direitos da criança, no caso de holandeses que produziram material pornográfico usando crianças brasileiras. O seu governo vai fazer isso? O senhor falou com o primeiro-ministro sobre isso?’


Lula não entendeu (nem podia). Tanto que começou perguntando ele próprio se a pergunta era para ele. E emendou: ‘Não sei se a Holanda será julgada na ONU por conta de material pornográfico, se foi esta a pergunta feita para mim. Não tenho nenhuma informação de que a ONU vai julgar’.


Balkenende, então, assumiu a resposta para dizer, primeiro, que pornografia infantil ‘é terrível e repugnante’. Depois informou que a condenação dos dois foi motivo de apelação do procurador público. ‘Não é minha responsabilidade intervir num caso que está sendo apreciado pela Justiça’, completou.


Enquanto o primeiro-ministro falava, o chanceler Celso Amorim passou a Lula todos os dados da história, o que permitiu ao presidente informar que o governo holandês já pedira desculpas ao Brasil pelo fato de o consulado no Rio ter dado novo passaporte aos dois, após os originais terem sido apreendidos pela Polícia Federal. Graças aos novos documentos, os dois puderam deixar o Brasil, via Paraguai, retornando à Holanda.


Lula aproveitou para defender ‘um acordo para aperfeiçoamento da cooperação judicial’ entre os dois países, já que não há acordo de extradição entre eles. O presidente terminou com a condenação da pedofilia, ‘inadmissível, seja praticada por brasileiros, por holandeses, por japoneses, por chineses. Por isso, as pessoas têm que ser punidas de verdade’.


Um segundo embaraço ocorreu à tarde na praça Dam, marco zero de Amsterdã, após Lula depositar a tradicional coroa de flores no Monumento Nacional (que homenageia os mortos nas guerras, em especial a 2ª Guerra Mundial). Quando Lula e dona Marisa deixavam a praça, a sirene de um carro de bombeiros cobriu completamente o som da música executada pela banda marcial.


Os bombeiros tentavam entrar na rua atrás da praça, que conduz ao chamado ‘distrito da luz vermelha’, a zona de prostituição, agora em processo de reforma para trocar as vitrinas em que mulheres seminuas se exibem por galerias de arte.’


 


TODA MÍDIA
Nelson de Sá


Ansiedade e tensão


‘O cabo-de-guerra, como diz Delfim Netto, continua. O presidente do Itaú falou à Folha que a redução no crescimento, vale dizer, o aumento nos juros, seria ‘salutar’. Já o ‘Valor’ deu relatório da Fiesp que vê só pressões localizadas em commodities e dá a indústria por ‘âncora à inflação’. Ou seja, nada de aumento.


Mas ‘a inflação está de volta’, globalizada, deu o ‘Wall Street Journal’ em manchete, citando comida e energia. Diante dela, os bancos centrais de China, Rússia, África do Sul elevam juros, enquanto nos EUA e Grã-Bretanha eles caem, para evitar recessão.


A ‘Economist’ prevê ‘teste de virtude’ na América Latina, agora que ‘tensões e ansiedades começam a emergir’, arriscando a política de metas de inflação, já desrespeitadas por Chile e Colômbia, e o câmbio livre. Diz que o esperado salto nos juros do Brasil ‘fortalece mais’ o real -e o país já sofre na frente externa.


O ETANOL DE…


Dada aqui pelas manchetes como resposta de Lula à inflação local, a ‘produção maior de alimentos’ proposta por ele foi destacada nas agências, no topo dos sites de busca, como defesa dos biocombustíveis, que ‘não estão pressionando’ a inflação global, devida aos alimentos. É que ele chegava à Holanda, na Europa em campanha antietanol.


LULA E AMIGOS


Apesar de editoriais e da pressão de Grã-Bretanha etc., o presidente da Comissão Européia, José Barroso, disse na home do ‘Financial Times’ que o efeito inflacionário dos biocombustíveis é ‘pequeno’ e não vai frear a mistura crescente na gasolina. Nos EUA, aliás, ainda se encontra defesa do etanol do Brasil, como no ‘Dallas Morning News’.


UM ANJO


Sob pressão na economia, Lula foi saudado pelo ‘De Telegraaf’, jornal popular e de maior circulação na Holanda, com retrato na capa entre fotos de modelos e com um longo artigo afirmando que o filho de camponeses ‘às vezes parece ter um anjo olhando por ele’. Foi a tradução da BBC Brasil para o texto publicado em página financeira, mais sóbria (acima). Lula também deu entrevista ao jornal.


DA EXXON À BR


A Bloomberg destacou, com fotos, que na visita da Petrobras a Tóquio foi fechado que a estatal brasileira vai ‘herdar’ os contratos da Exxon com as forças norte-americanas e passar a fornecer o combustível para as bases dos EUA no Japão


BAHIA ‘BOOM’


Depois do ‘FT’, dias atrás, ontem foi o Market Watch, o site de finanças do ‘WSJ’, que postou três longas reportagens e dois vídeos sobre o ‘boom’ da economia da Bahia. Chegou a ser a manchete do site. Em suma, seu crescimento industrial, a começar de Camaçari (acima, num dos vídeos), ‘ilumina o potencial não-aproveitado do Brasil’, em especial do Nordeste emergente. O Market Watch foca paralelamente o turismo e o cacau.


GOOGLE SOZINHO


Desta vez, até nos EUA, em blogs como Search Engine Land e sites como The Inquirer, nada se encontrava de defesa do Google, sob acusação de pedofilia no Orkut no Brasil. Apoio, só de agência vinculada ao próprio Google.


MICROSOFT LEVA?


O Yahoo tenta se juntar a Google e AOL, mas a Microsoft se uniu à News Corp. de Rupert Murdoch e deve comprar o site de busca, afinal. Em suma, foi o resultado da intensa cobertura do tema, ontem, por ‘WSJ’, ‘FT’, Reuters etc.’


 


TELECOMUNICAÇÕES
Folha de S. Paulo


Embratel quer operar TV por assinatura via satélite


‘A Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) poderá analisar na semana que vem, na próxima reunião de seu conselho diretor, um pedido da Embratel para operar TV por assinatura via satélite (DTH, ‘Direct to Home’).


Não há impedimento regulatório para que a empresa obtenha a autorização, que custa aproximadamente R$ 470 mil e vale para todo o país. Procurada, a Embratel não informou que serviços pretende oferecer quando obtiver a autorização.


Hoje, a Embratel, que pertence ao grupo mexicano Telmex, do empresário Carlos Slim, está no mercado de TV por assinatura em parceria com a Net. Juntas, as duas empresas oferecem pacotes com telefonia fixa, TV por assinatura (cabo) e acesso à internet em banda larga.


O serviço de TV por assinatura via satélite (DTH), que representa 33% do setor, pode ser oferecido nacionalmente, como é o caso da Sky. As TVs a cabo (fios) têm 62% do mercado e dependem de concessões para as cidade em que pretendem operar -é o caso da Net. Outra alternativa tecnológica para chegar ao cliente é o MMDS (microondas), que tem 5% do mercado e é usado, por exemplo, pela TVA. O serviço de DTH tem dez operadores no Brasil.


Em março de 2007, a Anatel havia autorizado a Telefônica a oferecer TV por assinatura por meio de satélite.


Lei


Atualmente, as concessionárias de telefonia fixa estão proibidas de oferecer TV por assinatura usando suas redes de fios já instalada.


De acordo com a Lei do Cabo (8.977/95), a oferta de TV por assinatura por meio de cabo (fios) é uma concessão. A lei impede que uma mesma empresa tenha duas concessões na mesma região. Dessa forma, como telefonia fixa também é uma concessão, as teles não poderiam prestar o serviço.


O projeto de lei 29, que está tramitando na Câmara dos Deputados, revoga a Lei do Cabo e libera as operadoras de telefonia para oferecer TV por assinatura usando sua rede de fios. Segundo avaliação do deputado Jorge Bittar (PT-RJ), relator da proposta, a entrada das teles deverá aumentar o número de assinantes de aproximadamente 5 milhões para até 30 milhões.’


 


TECNOLOGIA
Folha de S. Paulo


Gigantes da internet tomam posição na disputa pelo Yahoo!


‘Depois de o Yahoo! ampliar seus esforços para melhorar sua posição de negociação diante da oferta não solicitada de aquisição apresentada pela Microsoft -se encaminhando a uma aliança tripla com o Google e a America Online-, surgiram informações de que a News Corp. estava discutindo com a Microsoft a possibilidade de aderir à oferta da empresa pelo Yahoo!.


As negociações com a News Corp. envolveriam a combinação do site de redes sociais MySpace com os serviços de internet do Yahoo! e da Microsoft, segundo reportagens. News e Microsoft se recusaram a comentar.


Por outro lado, as parcerias da Yahoo! poderiam proteger sua independência, ou ao menos forçar a Microsoft a pagar mais.


No fim de semana passado, a Microsoft tentou aumentar a pressão sobre o Yahoo!, ameaçando levar sua oferta de aquisição diretamente aos acionistas. O Yahoo! rebateu dizendo que o preço era baixo, mas não descartou a possibilidade de negócio.’


 


CASO ISABELLA


Barbara Gancia


Não venha me dizer que foi ele


‘ESCREVO SEM conhecer o resultado da investigação sobre a morte de Isabella.


Enquanto batuco o teclado, na TV os repórteres ainda dão plantão na entrada do prédio de onde ela caiu e o apresentador do canal de notícias repete mais uma vez que a polícia já teria terminado de montar o quebra-cabeça que irá indicar o culpado (ou os culpados).


Desde o primeiro momento em que tomei conhecimento deste caso, tenho me recusado terminantemente a aceitar o fato de que o pai possa estar envolvido.


Algo me diz que, a partir do momento em que eu me convencer de que Alexandre Nardoni teve alguma coisa a ver com a morte da filha, minha crença no sucesso do ser humano ficará irremediavelmente comprometida. Minha convicção também está respaldada em um punhado de fatos. A eles:


1) Não foi estabelecido um motivo para o crime;


2) Segundo o exame toxicólógico, na noite da morte de Isabella, Alexandre Nardoni não teria consumido drogas ou álcool;


3) Quem já tentou cortar uma rede de proteção, como a instalada na janela de que Isabella teria caído, sabe que se trata de uma operação hercúlea, que leva tempo e empenho e não pode ser empreendida em uns poucos minutos;


4) Porteiros de prédio não são cientistas da Nasa. Não é incomum que eles deixem passar pela portaria quem deveria ficar de fora;


5) As imagens dos familiares feitas no supermercado, poucas horas antes do crime, não trazem evidências de desentendimentos entre eles. São essas imagens emblemáticas, aliás, que reforçam minha fé de que Alexandre Nardoni não pode estar envolvido de jeito nenhum.


Se eu for deduzir o contrário, como vou cruzar impunemente no supermercado com a próxima família de classe média que vir empurrando um carrinho de bebê? Como vou deixar de pensar nos segredos tenebrosos que eles escondem, nos ódios reprimidos que nutrem uns pelos outros ou nas violências que são capazes de cometer?


Digamos que, num ato do que chamam de ‘insanidade temporária’, Alexandre tenha, de fato, machucado a filha. Será que, passada a emoção do momento e baixada a adrenalina, ele não iria cair em si, desmoronar e confessar dizendo que sua vida acabou? Quem seria capaz de escrever uma carta para a filha morta jurando amor eterno depois de cometer uma barbaridade dessas?


Nos últimos dias, muito tem se especulado sobre a possibilidade de que Alexandre esteja encobrindo a culpa da mulher, Anna Carolina. A justificativa para isso seria o fato de ele ter mais dois filhos com ela.


Se essa hipótese -que é aventada, inclusive, pelas autoridades- tiver algum fundamento, a mãe de Isabella, Ana Carolina com um ‘n’ só, terá me fornecido o conforto que procuro. Poucas vezes se viu uma jovem de 24 anos demonstrar publicamente tamanha maturidade, propriedade e comedimento depois de passar pelo que ela passou.


Estive presente na missa de sétimo dia de Isabella e fiquei impressionada com a sua serenidade. Se a madrasta teve alguma responsabilidade na morte de Isabella, Ana Carolina será, para mim, a prova de que nem tudo está perdido neste mundão de meu Deus.’


 


TELEVISÃO
Daniel Castro


Ibope adverte Record por divulgar liderança


‘O Ibope enviou nesta semana à Record notificação em que exige o cumprimento de normas para a divulgação de dados de audiência. O principal problema é a publicação, pela Record, de dados de lideranças parciais, quando um programa fica à frente de outro apenas durante alguns minutos. Essa prática tem incomodado a Globo, principal cliente do Ibope.


O Ibope também questionou a Record sobre a omissão de lideranças compartilhadas, quando divide o primeiro lugar com outra. A Record discorda da recomendação, pois não considera que o fato de ter dividido a liderança com outra TV a impeça de dizer que foi líder.


O Ibope recomendou à Record que divulgue dados considerando duas casas decimais, o que a rede não irá acatar. A Record ainda foi advertida por não revelar a fonte dos dados (‘Ibope MW GSP Dados Domiciliares’) e a faixa horária nos títulos dos comunicados (por exemplo ‘horário nobre (18h/ 24h)’. Pelas regras do Ibope, as emissoras também não podem revelar o nome das concorrentes. A Record agora se refere à Globo como ‘emissora G’.


O Ibope informa que as regras foram adotadas em 2007, em notificação para todas as redes. O objetivo das normas, diz, é estabelecer parâmetros para a divulgação de dados precisos. Segundo o instituto, nova notificação foi enviada a ‘algumas emissoras’, que não estavam cumprindo as normas de 2007.


MAMBEMBE 1 O SBT teve que reeditar às pressas o primeiro episódio de seu ‘novo reality show musical’, genérico de ‘Ídolos’, exibido anteontem à noite. Na tarde de quarta, o SBT foi notificado de decisão judicial que a impedia de fazer referências a ‘Ídolos’, cujos direitos agora são da Record.


MAMBEMBE 2 O programa, que se chamaria ‘novosídolos’, foi ao ar sem nome. Vinheta de abertura e textos dos apresentadores foram jogados fora. Por sorte, a emissora não colocou o logotipo no cenário, pois isso poderia comprometer todo o conteúdo.


MAMBEMBE 3 Mesmo assim, o reality show marcou dez pontos, um ótimo número para o SBT de hoje. A média no horário era sete.


GRANA É TUDO Outrora marginalizado, o basquete de rua, quem diria, virou fonte de receita para a Globo. A rede fechou acordo com a Central Única das Favelas, de MV Bill, para transmitir a Liga Brasileira de Basquete de Rua, no ‘Esporte Espetacular’. Está vendendo cotas de patrocínio.


UFA! Para alívio da Globo, a audiência de ‘Duas Caras’ não caiu com o fim de ‘BBB 8’.


MORDAÇA A TV Cultura anuncia no dia 29 sua nova programação, a que teria a ‘cara’ de Paulo Markun, que assumiu a presidência da emissora há quase um ano. Diretores da TV do Estado de São Paulo foram orientados a não falar nada sobre as novidades. Vai que Globo, Record ou SBT resolvem copiar…’


 


ENTREVISTA MADONNA


Folha de S. Paulo


Minhas canções atuais são mais contraditórias


‘A MADONNA que nos anos 80 causou polêmica ao rolar no palco usando vestido de noiva era uma ‘garota inocente e receptiva, entusiasmada com a vida e o início da carreira’. A avaliação é da própria cantora, em entrevista a Dan Simon, da International Feature Agency. Prestes a lançar o 11º álbum, ‘Hard Candy’, ela diz que ‘ainda tenta criar músicas de sucesso’ e que está se adaptando às transformações na indústria musical, momento que define como ‘a escuridão que precede o amanhecer’. Veja os principais trechos a seguir.


PERGUNTA – Até que ponto é difícil se expressar em suas letras sem abrir mão de sua privacidade?


MADONNA – Não acho difícil. As pessoas, em sua maioria, quer escrevam ficção, quer não-ficção, canções pop, roteiros, qualquer coisa, sempre deixarão transparecer algo delas. A maioria das coisas que fiz são, em certa medida, autobiográficas. Mas há um jeito inteligente de contar uma história, colocando nela sua alma, sem revelar detalhes de maneira óbvia.


PERGUNTA – Você diria que este álbum é sobretudo autobiográfico?


MADONNA – Todos os álbuns que fiz foram autobiográficos de alguma maneira. Mas não pretendo identificar que dois versos falam de coisas que me aconteceram ou quais cinco canções falam sobre coisas que aconteceram a outras pessoas.


PERGUNTA – Por que procurou Justin Timberlake e Pharrell?


MADONNA – Porque amo a música deles, e, quando gosto de uma coisa, vou atrás dela [ri]. É isso. Nada de muito intelectual.


PERGUNTA – Era evidente para você que você queria aquilo?


MADONNA – Estava só pensando no que faria a seguir. Eu tinha um álbum que era em sua maioria música house, o anterior [‘Confessions on a Dance Floor’]. Estava conversando com Stuart Price, e ele me perguntou o que faria a seguir, e falei: ‘Não sei’. Disse que queria fazer dance, como sempre, mas ele perguntou: ‘Que música está curtindo agora?’. Falei que os únicos discos que adorava eram os de Justin e Timbaland. Ele disse: ‘Por que não trabalha com eles?’ Foi o que fiz.


PERGUNTA – Como explica que tenha escolhido r&b e hip hop agora?


MADONNA – Optei por trabalhar com Justin, Timbaland e Pharrell. Se você opta por trabalhar com eles, é isso que vai receber. É um grande som.


PERGUNTA – Há poucos artistas capazes de ficar na vanguarda, sempre experimentar o novo. De que forma mudou sua visão de música e vida?


MADONNA – Essa é uma pergunta gigantesca. Como mudou minha visão da música ou como mudou minha visão da vida? Seja mais específico.


PERGUNTA – OK, como mudou sua visão da música e do seu trabalho.


MADONNA – Prefiro essa pergunta. Porque, se você quiser saber como mudou minha visão da vida nos últimos 30 anos, vamos passar seis horas aqui. Como mudou minha visão da música? Se você me pergunta como artista, criativamente.


PERGUNTA – Aos 20 e poucos, você tentava criar músicas de sucesso.


MADONNA – Ainda tento criar músicas de sucesso. Todo mundo quer fazer música que as pessoas queiram ouvir. Nunca fiz um disco sem me importar com isso. Minha evolução como ser humano se reflete na música. Quando comecei, fazia canções simples e diretas, tipo ‘vamos curtir’. À medida que fui evoluindo, minha música refletiu isso. Não quer dizer que não possa fazer uma canção sobre dançar e me sentir bem, mas acho que minhas canções atuais têm mais senso de ironia ou contradição que no passado. Gostaria de pensar que são mais complexas, que são um reflexo de como amadureci.


PERGUNTA – Você pode falar sobre seu processo normal ao compor?


MADONNA – Colaboro com pessoas de maneiras diferentes. Posso apresentar uma idéia completa, com a letra inteira escrita, ou, às vezes, uns oito compassos de música inspiram uma letra. Não questiono realmente o processo criativo. Ele acontece como acontece.


PERGUNTA – ‘Spanish Lesson’ deverá se tornar uma das faixas favoritas do público que fala espanhol.


MADONNA – Espero que sim! Essa canção surgiu de uma idéia de Pharrell. Ele disse que havia um novo ritmo que todos em Baltimore estavam dançando, a batida ‘b-more’, com uma dança maluca chamada ‘percolator’. Pharrell pegou clipes do YouTube e me mostrou. Ouvimos várias vezes e começamos a ter a idéia. Falei: ‘Ok, isso é estranho, mas vou tentar’. Decidi fazer da canção uma aula. Perguntei se ele falava outras línguas, e ele disse que sim, um pouco de espanhol. Pedi: ‘Fale um pouco’. Tudo o que sei de espanhol está nessa canção.


PERGUNTA – Seu último álbum foi disco. Qual seu maior objetivo em ‘Hard Candy’, em termos musicais?


MADONNA – Ainda sinto o mesmo. Mesmo na canção ‘Heartbeat’, digo que, quando danço, me sinto livre. Então essa idéia ainda está presente. Mas sinto que estou tratando de temas mais profundos. Falo da luta de um artista, de tentar superar o ego, de enfrentar decepções, problemas com confiança, traição, gratidão -temas mais profundos. Mas o tema da dança vai e vem ao longo do disco.


PERGUNTA – É assustador pôr fim a sua relação de 26 anos com a Warner? Ou você se sentiu liberta?


MADONNA – Não é assustador. Nem sequer diria que foi libertador. Foi só o fim de meu contrato. A indústria musical está passando por transformações, então a forma como faço música e a levo às pessoas, como a vendemos e a distribuímos, também tem de mudar. Estou contente com meu novo contrato porque é mais parecido com uma sociedade, e, depois de 25 anos, mereço ser sócia.


PERGUNTA – Já que citou a evolução do setor musical, o que achou de o Radiohead ter deixado o consumidor decidir o quanto pagaria?


MADONNA – Me parece bacana, mas não sei se funciona exatamente. Há um novo mundo lá fora, e as pessoas terão que experimentar muito e cometer erros. Algumas coisas vão funcionar, e outras, não, mas é tudo meio revolucionário. Vivemos um momento estranho -a escuridão que precede o amanhecer, antes de sabermos realmente o que virá a seguir.


PERGUNTA – Está disposta a tentar?


MADONNA – Sim. Não sei se quero colocar minhas canções aí e perguntar o quanto elas valem, mas estou disposta, sim, a experimentar coisas novas.’


 


***


‘50 anos não é palavrão’, diz a cantora


‘Na continuação da entrevista, Madonna fala sobre a chegada aos 50 anos, diz que é uma mãe ‘disciplinadora’ e afirma que não foi ‘tão mal comportada quanto poderia ter sido’.


PERGUNTA – Que expressão visual você procura para este trabalho?


MADONNA – A persona que adaptei é a de uma lutadora, uma boxeadora. Acho que este álbum tem um senso de urgência. Tem a canção ‘Give It to Me’. ‘Give me what you got/ I am going to take on the world’ -a postura é meio durona, tipo ‘entre no ringue comigo’, então é também por isso que a canção tem o título ‘Hard Candy’, porque a música tem uma doçura, mas também possui algo de duro.


PERGUNTA – ‘Hard Candy’ é seu 11º álbum. Depois de tantos CDs de platina, turnês e filmes de sucesso, há algo que ainda queira realizar?


MADONNA – Não fui posta neste mundo só para fazer discos. Ainda há muito a realizar.


PERGUNTA – E o que seria?


MADONNA – O que eu ainda gostaria de realizar? Quero me tornar um ser humano melhor. Quero aprender mais do que já sei. Gostaria de ser uma mãe melhor, tenho meus filhos para criar. Essa é uma responsabilidade grande, da qual ainda não dei conta. Gostaria de dirigir mais filmes e de escrevê-los. Só fiz um até agora, então, para mim, isso é o início de uma carreira nova. Quero fazer mais discos, porque amo a música.


PERGUNTA – Quando você escuta uma canção como ‘Like a Virgin’, o que ouve? E, quando vê o vídeo, como vê aquela Madonna jovem?


MADONNA – Acho que ‘Like a Virgin’ é uma espécie de declaração sobre os sons que todo o mundo fazia no início dos anos 80. Tinha uma espécie de inocência. Quando assisto ao vídeo, vejo uma garota inocente e receptiva, entusiasmada com a vida e o início de sua carreira.


PERGUNTA – Você está perto dos 50 anos. É um marco para uma mulher.


MADONNA – Peraí. Pare aí mesmo. Marco para uma mulher?


PERGUNTA – É um marco para qualquer pessoa. Como você se sente?


MADONNA – Em relação ao quê?


PERGUNTA – A completar 50 anos.


MADONNA – 50 anos não é palavrão. Dá para falar essa palavra.


PERGUNTA – Acha que é um marco?


MADONNA – Não acho, mas vivem mencionando isso. É mais uma desculpa para fazer uma festa de aniversário [ri].


PERGUNTA – Qual o segredo para se manter em forma, física e mental?


MADONNA – Em boa parte, reconhecer que não sou dona do meu talento. Só o administrado. Fui abençoada com muitos dons e acho que, quando você pensa que é dona do que tem, esses dons desaparecem.


PERGUNTA – Isso se aplica ao físico?


MADONNA – Bem, adoro dançar. Adoro me sentir fisicamente forte. Na verdade, me sinto mais forte hoje do que 20 anos atrás. Nosso lado físico está ligado à consciência; se a mente for forte, o corpo será forte.


PERGUNTA – Existe algum segredo que explique sua boa forma física?


MADONNA – Existe, sim. Tomo uma poção mágica [ri].


PERGUNTA – Quando vê como a mídia escrutinando cada nuance das vidas de jovens artistas, em tempos de YouTube, e quando recorda suas aventuras do passado, o que pensa?


MADONNA – Não vivi tantas aventuras assim. Acho que não fui tão mal comportada quanto poderia ter sido.


PERGUNTA – Isso é só uma idéia que as pessoas têm a seu respeito?


MADONNA – O que as pessoas pensam que eu fazia aos 20 e poucos? Eu era sensata. Muitos fotógrafos levaram socos, mas não de mim, do meu ex-marido [o ator e diretor Sean Penn].


PERGUNTA – Mas não havia pessoas nos clubes filmando.


MADONNA – Fico feliz por não ter passado por isso. Mas eu realmente não fazia tanta coisa interessante.


PERGUNTA – Como você é como mãe?


MADONNA – Sou disciplinadora. Faço meus filhos arrumarem os quartos, não gosto que joguem videogame ou vejam TV, obrigo a fazer a lição de casa.


PERGUNTA – Lourdes parece ter um senso de estilo próprio.


MADONNA – Minha filha tem uma opinião forte sobre roupas e moda. Ela tem um gosto incrível. É muito independente e tem personalidade forte.


PERGUNTA – Sua filha quer fazer música? Se sim, você vai aprovar?


MADONNA – Ela diz que gostaria de ser atriz.


PERGUNTA – Você gosta da idéia?


MADONNA – Não me incomoda.


Tradução de CLARA ALLAIN’


 


 


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O Estado de S. Paulo


Sexta-feira, 11 de abril de 2008


OPINIÃO PÚBLICA
João Mellão Neto


Uma questão de respeito


‘Há poucas semanas, eu dava conta, aqui, da lassidão moral, do sentimento generalizado de indulgência que, de uns três anos para cá, vêm tomando conta da opinião pública brasileira. Que não venham alegar que a moralidade está fora de moda em todo o mundo, ou que as pessoas, na verdade, nunca se incomodaram para valer com a existência ou não de um mínimo de ética no trato da coisa pública. Há menos de 16 anos, quando fui ministro do então presidente Fernando Collor, vivenciei de perto um desses surtos de demanda ética que, de quando em quando, acometem toda a Nação, forçando a ocorrência de mudanças profundas. Por mais que se argumentasse, com pragmatismo, que os males do governo já haviam sido todos corrigidos, ou que se procurasse demonstrar que um trauma político de tais proporções jamais seria benéfico para a sociedade, nada disso adiantava. Ninguém estava disposto a perdoar Collor. Com o tempo, fui-me conformando com a queda iminente do presidente, o que eu considerava lastimável, uma vez que todas as medidas já haviam sido tomadas para que aquele governo, dali em diante, fosse um dos melhores de toda a História republicana.


Napoleão, num de seus momentos de reflexão, reconhecera, com toda a crueza, que havia vertido muito sangue, e talvez ainda vertesse mais, ‘não com ódio ou revanchismo, mas, tão-somente, porque a sangria faz parte da medicina política’. Conformei-me, então, com o óbvio: era crucial, naquele momento, para a auto-estima nacional, que a sacralidade do mandato presidencial fosse violada. Aquele povo que, por tantas décadas, fora espezinhado, despojado e vilipendiado em seus mais elementares direitos necessitava agora – como prova maior de sua cidadania – consumar um processo de impeachment.


Hoje em dia, mais e mais estou convicto de que, o que quer que Collor tenha feito, o problema, em 1992, não era ele, mas sim as circunstâncias. O Brasil ansiava por confrontar supremos mandatários. E o Fernando das Alagoas era a bola da vez.


Embora polêmica, essa tese não é de difícil comprovação. Basta comparar o que acontecia naqueles dias com o que ocorre hoje. Desde os escândalos do mensalão até agora, todas as feridas, embora continuem abertas, curiosamente jamais infeccionaram. Nesse ínterim, o próprio presidente Lula ainda foi premiado com a reeleição. Por muito menos o presidente Collor foi impiedosamente apeado do poder. O tempora, o mores…


O que mudou? O que ocorreu para que, em tão pouco tempo, os brios cívicos dos brasileiros se tivessem abrandado tanto? Há duas explicações, que se complementam.


A primeira é a de que Lula descobriu, meio sem querer, que custa muito barato comprar a consciência das camadas mais destituídas da população – R$ 70 por mês é o que o governo transfere para as cerca de 11 milhões de unidades familiares mais pobres do País. É discutível a eficácia de programas de transferência de renda como o Bolsa-Família na promoção econômica dos seus beneficiários. Como as contrapartidas das famílias-alvo não são fiscalizadas, tudo não passa de mero assistencialismo. Trata-se de uma ‘mãozinha’ que o governo dá para atenuar as carências dos mais pobres. Não é tanto dinheiro assim, uma vez que tais dispêndios cabem folgadamente no Orçamento da Nação. O problema maior é que, se esmola curasse pobreza, há muito não haveria mais miseráveis no mundo. Lincoln, há um século e meio, já advertia sobre quão enganoso é acreditar que se ajudam efetivamente os cidadãos ‘fazendo por eles o que eles podem e devem fazer por si próprios’. As conseqüências diretas dessa política são a eterna dependência, o conformismo e o total aniquilamento do que ainda restava da ética do trabalho.


O problema é que esses R$ 70, que parecem muito pouco para uma família urbana do Sul ou do Sudeste, fazem toda a diferença quando o beneficiário habita as regiões mais pobres do Brasil. Volta e meia nos chegam notícias sobre a ‘falta de mão-de-obra’ em certas comunidades pobres do País. Não se trata de falta de trabalhadores. A falta é de gente que queira trabalhar. Para muitos, os R$ 70 que o governo dá são mais do que suficientes para que os indivíduos deixem de procurar alguma outra forma de auferir renda. Essas pessoas formam uma clientela política extremamente fiel ao governo. Como são muitas, elas também ajudam a diluir e amortecer, na consciência geral, o impacto de eventuais transgressões morais por parte dos governantes. Tudo isso é muito conveniente ao status quo, mas a pergunta que não quer calar continua a ser a seguinte: existe, na História universal, o registro de um único povo que tenha prosperado por meio de esmolas? Não, não existe. E essa, sem dúvida, será a mais maldita das heranças legadas pela gestão Lula.


A outra explicação para a absoluta complacência moral em que vivemos advém do fato de que, em raras ocasiões, a economia internacional passou por uma fase tão próspera. O Brasil foi muito beneficiado com isso. Aos olhos de muitos se atribui tal afluência às virtudes do governo atual. Esse é outro poderoso fator que faz muitos relevarem ou mitigarem as recorrentes notícias de escândalos.


Esses fatores explicam, mas nem de longe justificam o torpor moral atual dos brasileiros. A história é uma só: todos os povos que, por um motivo ou outro, abriram mão de seus valores e convicções ou descuidaram de seus brios cívicos acabaram pagando um alto preço por isso. Quem no mundo haverá de respeitar um povo que, em troca de migalhas, deixou de se respeitar a si próprio? O tempo, como sempre, haverá de dar a resposta. Ai de ti, Brasil!


João Mellão Neto, jornalista, deputado estadual, foi deputado federal, secretário e ministro de Estado ‘


 


FRANÇA
Folha de S. Paulo


Chinês paga US$ 91 mil por foto de Carla Bruni


‘Uma fotografia da primeira-dama francesa, Carla Bruni, nua foi leiloada ontem em Nova York por US$ 91 mil, mais de 20 vezes o valor estimado inicialmente. A foto em preto e branco, tirada pelo fotógrafo suíço Michel Comte em 1993, quando Carla trabalhava como modelo, foi comprada por um colecionador chinês, cujo nome não foi divulgado. ‘


 


INTERNET
Camilla Haddad


Presos, em SP, quatro hackers


‘Quatro integrantes de uma das principais quadrilhas de hackers do País, acusados de terem invadido diversas contas bancárias, foram presos anteontem, na zona leste de São Paulo, por policiais da Delegacia de Repressão a Roubos e Extorsões (DRRE) do Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic). Com eles, foram apreendidos quatro notebooks. A tecnologia usada pelo bando era tão sofisticada que driblava máquinas equipadas com antivírus e com programas capazes de bloquear tentativas de invasão ao computador.


O grupo movimentou, em apenas dois dias, R$ 450 mil. Nos computadores, a perícia encontrou números de RG e senha bancária de milhares de pessoas. Na listagem das vítimas estava o nome da ex-senadora Heloísa Helena (PSOL), que nega ter sofrido o golpe.


Segundo o delegado Alberto Pereira Matheus Júnior, do Deic, a quadrilha usava e-mails de bancos e órgãos públicos e, com os dados obtidos nos computadores das vítimas, roubava dinheiro das contas.


Foram presos o empresário Jefferson Rosa de Avelar, de 29 anos, seu irmão, Ugo Rosa de Avelar, Fabiano Aparecido da Silva Araújo, ambos de 25 anos, e Marcos Antônio de Oliveira, de 46.’


 


CRIME
Folha de S. Paulo


PMs depõem sobre morte de jornalista


‘Quatro policiais militares e um comerciante, presos sob a acusação de participação na morte do jornalista Luiz Carlos Barbon Filho, em maio de 2007, prestaram ontem depoimento à Justiça, em Porto Ferreira. Forte esquema de segurança foi montado para evitar tumultos. Barbon, na imprensa local, fez denúncias contras os policiais, acusando-os de negligência no serviço.’


 


TELEVISÃO
Keila Jimenez


Briga por imagens


‘A guerra em que se transformou a cobertura do caso Isabella na TV ganhou mais um round. O âncora do Jornal da Band, Ricardo Boechat, chegou a reclamar ontem no ar, na rádio BandNews, que emissoras concorrentes, no caso Globo e Record, teriam se apropriado de imagens que eram exclusivas da Bandeirantes, sem dar crédito à emissora.


O alvo da confusão em questão é o vídeo das últimas imagens de Isabella, ao lado da família, em um supermercado.


A Band alega que conseguiu o vídeo em primeira mão e teve essas imagens copiadas pelas outras redes. Na concorrência, a imagem teria sido reeditada para que o logo da Band sumisse da tela. Boechat disse no ar que quando a Band consegue um ‘furo’, o direito autoral não é respeitado.


A Globo alega que adquiriu o vídeo da mesma maneira que a Band, mas não teria tempo hábil para colocá-lo no ar no SPTV1. Então, resolveu pedi-lo para a Band, mas esta insistiu que só liberaria o ‘furo’ após o SPTV-1.


Num passe de mágica, a Globo conseguiu ter as imagens até final do noticiário. Também procurada pelo Estado, a Record não quis se pronunciar sobre o caso.’


 


 


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