Terça-feira, 26 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº959

IMPRENSA EM QUESTãO > DARFUR, SUDÃO

Apresentadora mostra crise humanitária ao mundo

27/03/2007 na edição 426

Ann Curry, apresentadora do programa Today e co-âncora do Dateline, da rede americana NBC, esteve em Darfur, no Sudão, três vezes no último ano, para cobrir a crise humanitária que afeta milhões de pessoas na região. O árduo trabalho de conciliar tantas tarefas é impulsionado pelo desejo de satisfazer o que ela descreve como uma ‘forte ambição de disseminar o testemunho do sofrimento humano para um grande número de pessoas’. Ann é uma das poucas jornalistas americanas que apresentaram programas diretamente de Darfur.

O conflito na região teve início em fevereiro de 2003, quando o Movimento para a Justiça e a Igualdade e o Movimento de Libertação do Sudão iniciaram uma luta armada em protesto contra a pobreza e a marginalização impostas à área. O auge do conflito ocorreu em 2004, quando milhares de pessoas foram mortas e dois milhões foram obrigadas a saírem de suas casas. Estima-se que os confrontos já tenham matado mais de 200 mil pessoas.

Esta não é a primeira vez que a jornalista consegue espaço na emissora para mostrar problemas humanitários em diferentes locais do mundo. Antes de ir para o Sudão, Ann havia feito um lobby pesado para ser enviada ao sudeste asiático – a fim de cobrir as conseqüências do tsunami que afetou a região em 2004 –, e para Kosovo, em 1999. O desejo de ajudar os outros surgiu quando a jornalista ainda era criança. ‘Quando eu tomei conhecimento pela primeira vez que existiam pessoas que arriscavam a própria vida e até mesmo a vida de seus filhos e familiares para salvar os judeus do Holocausto, foi um momento muito profundo para mim, que me fez pensar que eu seria este tipo de ser humano que aceitaria correr estes riscos’, conta.

Segurança e liberdade editorial

A apresentadora deixa claro que ela e a NBC tomam todas as medidas necessárias para sua segurança em locais de risco. ‘Eu tenho mais medo de não ter feito o suficiente para ajudar os outros do que de morrer’, revela. Além de permitir que Ann viaje para regiões perigosas, a NBC também lhe dá a liberdade de colocar uma carga mais emocional em seus relatos, o que geralmente não é permitido em matérias convencionais.

E ela aproveita o voto de confiança para ousar. Em uma entrevista com o presidente do Sudão, Omar al-Bashir – aparentemente a primeira que ele concedeu a um jornalista de TV em três anos –, Ann mostrou-lhe um mapa do Departamento de Estado dos EUA com mais de mil localidades na região de Darfur destruídas. ‘A questão é: como isto poderia ter sido feito por milícias árabes sem o apoio do governo sudanês?’, disparou. Al-Bashir começou a responder, contestando a veracidade do mapa, mas foi logo cortado por Ann, que disse: ‘Isto é revoltante’.

Admiração

O trabalho de Ann é elogiado por outros profissionais da mídia americana. Nicholas D. Kristof, jornalista conhecido por suas críticas e constante atenção dada ao conflito em Darfur em sua coluna no New York Times, escreveu um e-mail afirmando que ela deu credibilidade ao tema em suas matérias. ‘Outros repórteres de TV foram até Darfur, mas nenhum fez uma cobertura tão agressiva e passional quanto Ann. Nós, profissionais da mídia, fazemos um trabalho superficial na cobertura de genocídios, porque eles acontecem em geral em áreas remotas e perigosas’, afirmou. ‘Ann está rompendo esta tradição e a NBC vai se tornar a rede que realmente cobriu o genocídio de maneira séria’. Informações de Jacques Steinberg [The New York Times, 22/3/07].

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