Sábado, 23 de Junho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº992
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CIêNCIA > OI NA TV

Atentado aos princípios do jornalismo

Por Alberto Dines em 16/05/2006 na edição 318

Bem-vindos ao Observatório da Imprensa.


O ataque do PCC à cidade de São Paulo surpreendeu muita gente, inclusive autoridades. Surpreendeu também a mídia paulistana, por uma razão que já foi tratada diversas vezes neste Observatório: quando trata da violência urbana, a mídia paulistana costuma olhar para o lado e só enxerga a violência do Rio de Janeiro. Por hábito ou cacoete esqueceu que o narcotráfico em São Paulo ultrapassou a dimensão do crime organizado e agora está na esfera do crime politizado. Isso muda tudo. Voltaremos ao assunto.


O prestígio de uma publicação constrói-se ao longo de anos mas, às vezes, este prestígio pode ser destruído em poucas edições. Veja corre o risco de desperdiçar uma história de sucesso para transformá-la numa história de descrédito irremediável. A última edição do semanário é um indício gritante.


Veja pretendia provar que o presidente Lula e alguns de seus colaboradores possuíam contas em paraísos fiscais, mas acabou envolvida numa das maiores fraudes jornalísticas dos últimos tempos. Quando não se tem certeza de uma informação, não se publica esta informação até que seja confirmada cabalmente. E se não for confirmada, fica na gaveta ou vai para a cesta do lixo.


Veicular uma suposição mesmo assumindo que é uma suposição atenta contra os mais comezinhos princípios jornalísticos e as noções mais elementares de decência. A liberdade de expressão não pode ser pretexto para irresponsabilidades que colocam em risco não apenas uma revista, mas a imprensa brasileira como instituição.


O mais grave é que o resto da imprensa noticiou a impostura. Mas nenhum jornal a comentou. Essa solidariedade com o erro não difere muito da solidariedade dos deputados que perdoam os colegas do mensalão. Se a imprensa fecha os olhos aos erros da imprensa, algum dia o leitor vai descobrir.

Todos os comentários

  1. Comentou em 25/05/2006 Renato Godinho

    Acho que os civita foram pro tudo ou nada, exigência dos que patrocinam a revista. Veja, depois de toda a popularidade alcançada, virou revista bomba, morrerá em nome da causa. Tomara que sem atingir seus objetivos

  2. Comentou em 25/05/2006 Renato Godinho

    Acho que os civita foram pro tudo ou nada, exigência dos que patrocinam a revista. Veja, depois de toda a popularidade alcançada, virou revista bomba, morrerá em nome da causa. Tomara que sem atingir seus objetivos

  3. Comentou em 17/05/2006 Luiz Fernando Orofino Ramalho

    Senhores,

    Sou Professor de Informática, me formarei em Direito no próximo ano e trabalhei 5 anos em produção de TV, por isso muito me choca ver colegas de TV se entregando ao jornalismo vazio.

    Assisti ao último programa como faço sempre, e após já ter tido lido a edição de Veja do último domingo, pude ver a insatisfação do Dines como jornalista, pois a senti tbm, como leitor e como cidadão, a Veja ultimamente vem deixando às claras os seus propósitos,pois á cerca de2 meses fez uma vasta matéria sobre as bem-feitorias de Geraldo Alckimin, depois veio a capa de Anthony Garotinho, como ‘chifrinho e rabinho’ e agora essa lista assinada ppor um banqueiro, como se fosse o paladino da justiça, porém sem qualquer investigação da publicação. desta vez a Veja assinou seu atestado de burrice, ainda mais explicando q não tinha como investigar. Será que entraremos em uma era de jornalismo por vendagem de revistas ou audiência na tv?

    Nestas últimas sexta e segunda, as emissoras se esbaldaram, era como o 11 desetembro brasileiro, os canais alteraram sua programação para uma cobertura jornalística (em que determinados momentos tornou-se um espetáculo). O que me asutou, foi que em vários momentos os repórteres chutavam, especulavam informações sem qualquer confirmação. assiti ao epsódio uma vez na Record e outra na Band.

    Na Record, a repórterfala sobre a polícia ter estabelecido Toque de recolher, como se já fose confirmado pela polícia. Na band, o repórter, durante o programa Brasil Urgente – Especial, disse durante quase 10 minutos que uma guarita da PM foi atingida por ‘terroristas’, só que depois de deslocar uma euipe para lá viu que nada havia ocorrido.

    Será q a imprensa brasileira irá virar uma loteria? Em quem mais eu posso confiar?

    Abraços e parabéns pelo programa.

  4. Comentou em 16/05/2006 Eliseu Lopes da Costa Lopes da Costa

    Quando o Estado anuncia criar algum mecanismo de controle dos meios de comunicação, a grande mídia sempre se volta com os argumentos da liberade de expressão, e em seus editais repudiam qualquer forma de controle. Mas não há direito absoluto, nem mesmo a vida, seu valor é relativizado na própria lei máxima do nosso país. E quando a mídia ataca diretamente a pessoa de um chefe de estado? Isso é liberdade de expressão? O que se vê nos últimos meses praticado por esta revista deveria ser amplamente debatido por todos profissionais do ramo. Nenhuma liberdade pressupõe o direito de agir desmesuradamente. Não há liberdade sem algum grau de responsabilidade. Ultrapassado esse limite o que se faz? Deixaremos de assistir determinado canal ou não compraremos mais determinado periódico? Simples. Mas e os efeitos de uma matéria inverídica? Não prejudicaraõ apenas a credibilidade da imprensa. Tais efeitos serão mais nefastos pois afetarão a credibilidade de instituições públicas e privadas e todo nosso já tão combalido regime democrático. Os manuais de ética jornalíticos precisam ser mais enfatizados nas redações e conhecidos da sociedade para que bons profissionais não sejam misturados aos que fazem da profissão um meio de desinformação com motivos espúrios,torpes e mesquinhos, sem nenhum vínculo com a verdade.

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