Quinta-feira, 23 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

IMPRENSA EM QUESTãO > VIOLÊNCIA CONTRA JORNALISTAS

Atingido por tiro, venezuelano fotografa assassino

06/04/2006 na edição 375

O fotógrafo venezuelano Jorge Aguirre, de 59 anos, foi morto na quarta-feira (5/4) quando seguia para cobrir um protesto em Caracas. Durante todo o dia, manifestantes se espalharam pela capital para protestar pela morte dos irmãos Faddoul, três meninos seqüestrados por supostos policiais que tiveram seus corpos encontrados no início desta semana.


Aguirre, que trabalhava para o diário venezuelano El Mundo, passava em um carro do jornal pela Universidade Central da Venezuela, quando foi interceptado por um motoqueiro. O homem, de jaqueta escura e capacete, afirmou ser ‘uma autoridade’ e ordenou que o motorista parasse o veículo, mas não mostrou nenhum documento que comprovasse a afirmação. Também a moto não tinha nenhuma identificação. Quando o motorista não obedeceu à ordem, o suposto policial atirou duas vezes contra o carro. Quando finalmente o veículo parou, o fotógrafo desceu e recebeu um tiro no peito.


O assassino fugiu, mas Aguirre, caído no chão, tirou sua última fotografia. Nela, o motoqueiro aparece do lado direito, de costas, e testemunhas apontam para ele. A imagem foi entregue à polícia, para que ajude na investigação do crime. O fotógrafo foi levado ao hospital, mas não resistiu ao ferimento.


Revolta


As manifestações pela morte dos irmãos Faddoul ocuparam cinco diferentes pontos de Caracas. O caso chocou o país. John, de 17 anos, Kevin, de 13, e Jason, de 12, tiveram seu carro parado em uma falsa blitz policial em 23/2 quando iam para a escola. Os falsos policiais exigiam mais de US$ 4,5 milhões em resgate aos pais dos meninos – que tinham cidadania canadense-venezuelana, e ascendência libanesa. O corpo do motorista dos irmãos também foi encontrado esta semana, nos arredores da capital.


Assaltos violentos, seqüestros e assassinatos são freqüentes na Venezuela, segundo artigo da AP [6/4/06]. Mais de nove mil homicídios foram reportados em 2005. O número de seqüestros subiu de 51 em 1991 para 201 em 2002. A população do país é de 25 milhões. Com informações de Rafael del Naranco [El Mundo – Espanha, 6/4/06].

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